(dramione) I Know What You Did That Summer.

2 Agindo por impulso - Parte final.


Notas iniciais
Oi gente, desculpem a demora pelo segundo capítulo mas é que tem tanta coisa acontecendo na minha vida que fica difícil escrever algo que preste. Mas eu (acho) que consegui. Bom, esse é o penúltimo capítulo, o próximo já está pronto.

Espero que gostem porque é diferente de tudo que eu já pensei em escrever.

I Know What You Did That Summer

Agindo por impulso — Parte Final.


A noite já havia caído quando ela abriu os olhos preguiçosamente. A respiração no seu pescoço fazendo leves cócegas a fazia suspirar. Só ele a fazia suspirar a cada segundo de vida. As mãos dele agarravam possessivamente a cintura dela e ela sorriu.

Virou-se devagar pra não acordá-lo e ficou a observar seu sono tranquilo, os narizes quase se tocando, as respirações se misturando. Não lembrava a última vez que tinha feito isso. Apenas assistir ele dormir. Na maioria das vezes era só sexo, uma boa conversa e eles iam embora. Mas a partir daquele momento ela sabia que não seria mais.

E não sabia o que fazer. Pela primeira vez, Hermione não tinha um plano. E isso a deixava nervosa. Não queria saber o que aconteceria depois que ele acordasse, tinha medo.

E foi por causa do medo que ela se desvencilhou dele, saiu da cama, pegou suas roupas que estavam espalhadas pelo quarto junto com as dele e as vestiu. Ela estava se sentindo sufocada e respirava com dificuldade. Não saber o que fazer a deixava apavorada. E ela não conseguia pensar quando estava apavorada.

Ela só queria sair dali antes dele acordar e eles terem que vivenciar um momento no mínimo constrangedor. Ela devia estar feliz, pulando de alegria, soltando fogos de artifício pelas três palavras que ele havia dito à ela.

Eu te amo.

Mas não estava. Não estava porque aquilo simplesmente tornava tudo ainda pior. Ela o amava, não tinha dúvidas. Mas ela amava Ron também. Ela amava o ruivo como marido e como amigo. E ela amava Draco apenas como amante. E isso não era suficiente pra acabar com sua vida e a de muitas outras pessoas.

A cabeça dela martelava e ela apertou as têmporas tentando amenizar a dor. Sentia as lágrimas quererem sair de qualquer forma mas tentava impedir. Calçou os sapatos, deu uma última olhada em Malfoy, pegou suas coisas jogadas no chão e saiu pela porta.

Ela precisava pensar então decidiu ir andar por aí. Passou pelo saguão do hotel trouxa e acenou distraidamente pro recepcionista sem realmente olhar à sua volta. Sem conferir se havia alguém que pudesse reconhecê-la, se havia alguém que pudesse de alguma forma usar isso contra ela. Ela simplesmente passou reto e saiu de encontro à rua escura. Começou a vagar pela calçada com os pensamentos no loiro largado no quarto de hotel que ela havia acabado de sair.

Malfoy era casado. Ela também era. Malfoy não tinha amigos. Ela tinha os melhores do mundo inteiro. Malfoy não tinha mais família. Ela tinha pais orgulhosos pelos feitos de sua filha. Malfoy não tinha nada a perder. Ela tinha tudo a perder. E mesmo assim não entendia porque insistia em considerar a hipótese de largar tudo por ele.

Sua cabeça parecia querer explodir e ela percebeu momentos depois que estava chorando. A quanto tempo ela não chorava? Haviam anos. Ela sentou no banco de uma praça próxima e olhou pro céu sem estrelas. Estava nublado e provavelmente choveria em breve, mas ela não se importava. O céu cinza eram iguais aos olhos dele e ela não conseguia não olhar.

(...)

Draco acordou e sem abrir os olhos, tateou a cama ao seu lado. Sentiu o espaço vazio e frio, o que indicava que Hermione já havia saído a muito tempo. Ele soltou um muxoxo indignado antes de abrir os olhos e olhar pro quarto em volta. A não ser pelo cheiro dela, poderia jurar que tudo tinha sido um sonho e ele estivera sozinho a horas atrás. Mas ele sabia que não, ainda podia ouvir sua voz ecoar em sua cabeça. Mas ele sabia também que aquilo não mudava nada.

Saiu do emaranhado de lençóis e pegou no bolso de sua calça um maço de cigarros. A passos largos chegou à única janela do quarto e viu a chuva cair ruidosamente. Acendeu o cigarro e tragou, lançando a fumaça no vento frio lá fora, deixando os pensamentos voarem.

O que ele faria agora? Ele tinha sido fraco suficiente pra confessar seu amor por Hermione, mesmo que sem querer. E ela havia correspondido. Mas o que ele deveria esperar acontecer? Ainda tinha aquele maldito bilhete.

Apagando o cigarro pela metade no peitoral da janela, voltou pro quarto e pegou o papel jogado no carpete. O pergaminho estava ligeiramente amassado e rasgado. Ninguém nunca tinha desconfiado de nada, por que isso agora? Ele não tinha tal resposta.

Cansado de ficar ali, vestiu suas roupas e saiu do quarto. Ele voltaria pra casa de modo trouxa, como sempre fazia depois de seus encontros com ela. Ela quase como um modo de tê-la por um pouco mais de tempo. E no momento, tudo que ele queria era ela.

Deixou o elevador no saguão do hotel e antes que saísse pela porta, uma mão segurou seu braço. Ele esperava que fosse Hermione mas seu coração afundou quando ele viu, diante de si, a última pessoa que esperava ver. Lavender Brown o olhava com profunda satisfação, enquanto ele sabia que seu olhar demonstrava grande surpresa.

"Olá Malfoy!", ela sorriu com escárnio.

"O que você quer Brown?", ele cuspiu e a garota riu.

"O que houve Malfoy? A vadia da Granger não te quis hoje?"

Ele arqueou uma sobrancelha em confusão mas logo as peças se encaixaram em sua cabeça.

"Você!", ele acusou com raiva e ela apenas sorriu. "O que diabos você pensa que está fazendo?"

"Na verdade Malfoy, estou te fazendo um favor!", ele riu debochado.

"Eu não preciso de nenhum favor seu!", falou com desprezo. "Fique longe dela!", ameaçou.

E saiu pela porta da frente. Precisava encontrar com Hermione e contar que a puta da Brown estava aprontando alguma pra eles. No instante que saiu pela porta a chuva o encharcou. Praguejando um pouco, continuou a andar. Hermione já devia estar em casa à séculos, jantando com seu marido perfeito, voltando pra sua vida perfeita, pros seus amigos perfeitos. Um mundo o qual ele nunca poderia fazer parte. E ele sentia um enjoo desagradável toda vez que pensava nisso. Eles nunca poderiam estar juntos, não como ele queria.

Ele não tinha nada a perder por estar com ela, mas ele sabia o que aconteceria com ela caso eles se assumissem. E ela se tornaria infeliz ao seu lado, pois todo mundo a rejeitaria assim como faziam com ele, mesmo depois de anos. E ele não queria que ela fosse infeliz ao seu lado. Seria egoísmo demais da sua parte e ele não era mais assim.

Quando o frio começou a se tornar insuportável, ele desistiu da ideia de andar pelas ruas debaixo da chuva e aparatou pra casa. Mas assim que viu a silhueta da sua esposa através da janela, mudou de ideia. Tudo o que não precisava agora era passar pelo interrogatório de Astória. Ele nem sabia porque tinha se casado com ela, eles estavam longe de se gostar, era apenas... conveniente. Dois sangue-puros casados, pra orgulhar suas famílias e continuar a longa linhagem.

Ele bufou e se virou pra sair do arredores da Mansão.

(...)

A chuva caía torrencialmente em sua cabeça mas ela definitivamente não se importava. Estava com frio até os ossos mas não queria aparatar. Queria demorar pra chegar em casa, mesmo que isso fizesse Ron a questionar por longos minutos. Ela ainda não tinha ideia do que fazer. Não sabia se devia procurar Malfoy, não sabia se devia simplesmente fingir que nada tinha acontecido, ou se devia se afastar dele e voltar pra sua vida com Ron.

Foi inevitável soltar um suspiro quando avistou a porta de sua casa. Tremendo pelo frio, levou a mão até à maçaneta e girou. A primeira visão que teve foi a da lareira na parede esquerda e logo depois o sofá defronte pra porta. Sentado no sofá, Ron exibia um semblante furioso e segurava uma carta na mão. No momento em que ela pisou no batente da porta seus olhares se cruzaram. Ela viu decepção neles e hesitou na porta, suas roupas escorrendo no tapete da entrada.

Ele levantou num salto e ela se encolheu.

"Que merda é essa Hermione?", ele jogou a carta pra ela que segurou com as mãos trêmulas. Ela tinha certeza do que poderia ser e doía vê-lo olhar dessa forma pra ela. Como se ela fosse um inseto.

Ela abriu a carta e tirou vários pergaminhos de dentro. Sua boca despencou em choque. Eram as cartas dela pra Malfoy. As cartas que ela escrevia pra ele sempre que queriam se encontrar ou simplesmente estavam entediados. Uma outra leva de pergaminhos foi jogado contra ela e ela congelou. Agora descansando em seus pés, estavam todas as cartas de Malfoy. Todas as cartas que ele tinha mandado pra ela desde Hogwarts.

"Como você encontrou isso?", foi a única coisa que ela conseguiu falar. E ao ver sua expressão de ódio ela se arrependeu.

"Você nem sequer desmente não é sua vagabunda?", ele rosnou e Hermione deu um passo pra trás assustada.

"Ron eu... eu posso... explicar...", sua voz saiu quebrada devido ao choro.

"Não precisa. Acho que essas cartas já explicam o suficiente"

"Não Ron, por favor, me deixa explicar", ela implorou e ele riu.

"Patético!", ele debochou. "Você é patética, Hermione. Me traindo com Malfoy," ele deu uma pausa pra rir "admito que por essa eu não esperava. Eu sempre soube que você não era um santa, mas não sabia que era tão burra"

O choro de Hermione cessou subitamente e ela arqueou uma sobrancelha.

"Burra?"

"Achei que pra uma sabe-tudo irritante, você seria esperta o suficiente pra não cair na lábia daquela doninha", ele continuava sorrindo sombriamente. "Mas eu já saquei tudo. Ele fez tudo isso pra se vingar de mim, porque ele me odeia."

Agora foi a vez de Hermione rir debochada.

"Você realmente acha isso?", ela questionou sarcástica.

"Eu tenho certeza. E você é só mais uma idiota que caiu na dele."

"Sabe Ron, eu já deveria esperar isso de você", ela começou a andar de um lado pro outro como se estivesse apurando alguma questão. "Um cara com tamanho cérebro só seria capaz de pensar em si próprio", ela levantou o olhar. "E chegar à conclusão de que Malfoy me seduziu pra se vingar de você. Ora, francamente Ron, a última coisa que pensamos quando estamos transando é em você."

O olhar de Ron escureceu e ele se aproximou perigosamente dela. Em questão de segundos, ele estava segurando seu braços contra a parede com força, a impedindo de se mexer. Ela sabia que era perigoso provocá-lo dessa forma, mas ela estava fora de si e sentia a necessidade de continuar. Maldito impulso.

"E saiba, que ele é muito melhor que você", ela sussurrou. "E eu não digo somente na cama, mas em muitas outras coisas."

Ela sentiu a mãe dele apertar seu pescoço e sorriu.

"E ele nunca seria capaz de me machucar", ela concluiu com a voz estrangulada e sorriu. Que porra ela estava fazendo ela não tinha ideia, mas já que a casa estava caindo, ela iria derrubar até o último tijolo. Mas antes que eles pudessem fazer qualquer outro movimento, a campainha tocou.

Recobrando um pouco a consciência, Ron a soltou bruscamente e caminhou até à porta pronto pra mandar pro inferno quem quer que fosse. O rosnado de Ron ao abrir a porta e a voz que veio lá de fora, fez Hermione perder o resto das forças.

"Hermione está?", a voz rouca e arrastada entrou pelo apartamento junto com o vento gelado como uma espécie de agouro. Um mau agouro.

Ron buscou a varinha no bolso e apontou ameaçadoramente pra Malfoy. Hermione forçou a se levantar e correr até eles. Ron estava fora de si e acabaria fazendo alguma besteira. Ela se aproximou dele e tocou seu braço levantado mas antes que ela pudesse falar, sentiu o corpo ser arremessado pra longe.

Malfoy assistiu a tudo paralisado. Viu Hermione se aproximar e logo depois voar pela sala com um empurrão do ruivo. Foi então que entendeu tudo. Ele sabia. E iria matá-lo ali mesmo. Draco puxou sua varinha e apontou pra Weasley também. Ele viu pela sua visão periférica, Hermione gemendo de dor e levando à mão a parte de trás da cabeça que estava sangrando. Weasley não tinha visto isso, estava cego pelo ódio. Lançando um estupefaça como feitiço não-verbal, ele viu o Weasley cair pra trás e bater a cabeça no braço de madeira do sofá, caindo no chão desmaiado.

Ele correu sem pestanejar até Hermione e viu ela olhando pra ele com preocupação.

"O que está fazendo aqui?", ela perguntou fracamente.

"Eu descobri quem estava nos vigiando, mas isso não importa mais, precisamos sair daqui"

"Acho que não é uma boa hora", ela levantou com a ajuda dele e tossiu.

"Não acredito que ele fez isso", ele olhou indignado pra marca roxa dos dedos de Ron no pescoço dela.

"Bom, eu disse que você era melhor do que ele, acho que mereci", ela soltou uma risada estrangulada e ele sorriu em contentamento.

De repente, a risada dela se transformou em desespero e ela estava alarmada. Draco virou subitamente ao ouvir a respiração pesada de Ron atrás dele. Antes que ele pudesse ter alguma reação, ele estava sendo desarmado. A única coisa que ele podia fazer era se postar na frente da castanha pra protegê-la. Weasley estava totalmente fora de si.

"Hermione, sai daqui!", ele sussurrou pra ela e ela negou, apertando sua mão. Ron vendo aquilo, deixou seus impulsos elétricos assumirem o comando de seu corpo e voz.

"Avada Kedavra!", sua voz saiu tão firme e forte.

O jato verde escorregou de sua varinha indo em direção ao peito de Draco. Tudo se passava em camêra lenta pra todos. Não havia tempo pra desviar ou tentar qualquer coisa. Draco fechou os olhos e esperou, mas a morte não veio. Ele abriu os olhos atônitos e encontrou a cena que ficaria encravada em sua memória até o fim da sua vida. Hermione por algum motivo que Draco não conseguiu registrar, tinha entrado em sua frente. O raio verde atingindo diretamente em suas costas enquanto ela olhava pra ele. Os olhos antes cheios de vida, tão castanhos e brilhantes, agora estavam opacos e vazios.

Antes dela começar a cair, ele a segurou, suas mãos ainda entrelaçadas. O coração dele martelava no peito e sua cabeça girava.

"Não, não, não!", ele gritava pro corpo sem vida da castanha.

Ron engoliu em seco e largou a varinha com um ruído grave. Draco subitamente lembrou da presença dele ali e pegou a sua própria varinha e apontou pro peito do ruivo. Ele chorava, sem desgrudar os olhos do corpo imóvel de Hermione e de repente ele olhou pra Draco e sussurrou.

"Por favor, me mate", ele suplicou.

Draco queria matá-lo, queria bater nele, queria estraçalhar ele mas não o fez. Ele não merecia a morte, seria fácil demais matá-lo.

"Incarcerous", cordas voaram e se fixaram nos pés e braços de Ron, fazendo ele cair de costas no chão.

Ele voltou sua atenção pra Hermione e se curvou sobre o corpo dela. Mas ele estava frio e totalmente imóvel. O coração de Draco estava tão dolorido que ele chorou. Ele chorou até sua cabeça parecer que ia explodir.

E então, decidido, ele depositou um último beijo nos lábios dela e sussurrou um último "eu te amo" e se afastou. Doía demais ficar ali.

Ele olhou pra Ron que ainda estava amarrado e parecia um louco, sussurrando coisas incompreensíveis. Ele lançou um patrono e o mandou até o ministério, logo os aurores encheriam aquele lugar e ele não queria estar presente.

Dando uma última olhada na sala, viu as cartas dela que ele havia guardado jogadas pelo chão.

"Brown!", ele rosnou.

Relutantemente, saiu da casa deixando a chuva embalar suas últimas lágrimas. Por alguma ironia do destino, ele encontrou uma Lavender Brown assustada espiando pela janela. Ele sorriu com puro ódio.

"Parabéns Brown, espero que as visitas ao Weasley em Azkaban sejam boas", ele cuspiu as palavras, sua voz saindo mais rouca que o normal e quebrada. Porque ele estava quebrado. Seu coração estava quebrado. E ele queria feri-la, pois aquilo tudo era culpa dela. Mas ele não tinha forças pra tal coisa, então ele simplesmente a deixou ali, observando a obra de sua inveja através da janela. Hermione estirada num canto da sala, seu corpo sem vida. Ronald amarrado no lado oposto, sussurrando palavras desconexas. Cartas pra todos os lados e o fogo da lareira dançando impaciente como se quisesse sair dali pra apreciar a cena.

A cena que ele não esqueceria nem com obliviate.

Notas finais
Obrigada pelos reviews, prometo que respondo em breve! Até o próximo e último cap.