(des)amor
7 Capítulo 7
“Estava satisfeito só em ser teu amigo
Mas o que será, que aconteceu comigo?
Aonde foi que eu errei?
Às vezes me pergunto se eu não entendi errado
Grande amizade com estar apaixonado
Se for só isso logo vai passar”
A semana de provas se aproximava, fiquei bastante tempo sem ver Cassie. Supria minha saudade com mensagens ou com nossos longos telefonemas diários. Duas longas semanas sem vê-la e finalmente iríamos sair no sábado.
Era sexta-feira , Lizz e Emily que estavam ficando desde a bebedeira estavam em minha casa para vermos “Aos Treze”.
- Olha Nick, você aos treze anos, usando drogas e pegando mulher desde cedo. – Emily comentou durante o filme.
- É mesmo, só que você é mais feia que a personagem. – Lizz completou e nós rimos disso.
O telefone tocou e eu atendi sem dar pause afinal eu já havia visto o filme mesmo.
- Alo. – Atendi.
- Nicolle? – Uma voz doce e apreensiva falou no outro lado da linha.
- Ham, quem é? – Perguntei sem reconhecer a voz.
- Julia. – Respondeu a menina. “Não lembro de conhecer nenhuma Julia.” Pensei. Mas antes que eu falasse isso ela continuou. – Sou amiga da Cassie, você não me conhece.
- Ah sim, explicado. Oi Julia.- Disse educadamente. – Mas sem ser ignorante, pra que você me ligou mesmo? – Perguntei sem graça.
- Bom, Cassie me pediu que eu lhe contasse uma coisa. E antes de começar, quero te pedir que entenda o lado dela. – Falou num tom sério, me preocupei. “Não acredito que tudo o que ela me disse até hoje era mentira, eu sabia!” “Não, ela não faria isso comigo.” Pensei entes de pedir que ela continuasse. – Ela disse que esta confusa com tudo isso, e que é melhor ela pensar mais nisso tudo antes de fazer algo precipitado e magoar as duas. – Ela parou de falar por alguns instantes, eu permaneci calada. – E a propósito, ela pediu desculpas por ser fraca e não conseguir falar isso diretamente com você, ela deve estar tão mal quanto você agora, não sabe como foi difícil pra ela chegar nessa conclusão...
Perdi o ar por alguns segundos, minhas pernas bambearam. Desliguei e telefone sem falar mais nada. Minhas pernas estavam fracas, sentei no chão e chorei, chorei como se o mundo estivesse acabando. Logo Emily e Lizz estavam ao meu lado perguntando o que havia acontecido, não consegui dizer uma palavra, só chorar, elas aceitaram meu silêncio.
Abracei Lizz com força, apesar de tudo ela era meu porto seguro.
- Vou estar com você para tudo. – Ela falou em meu ouvido.
Pedi para que eles dormissem lá em casa e assim fizeram. No outro dia quando acordei, elas já estavam acordadas e conversando algo que eu não prestei atenção. Fui até o banheiro, me olhei no espelho, meu rosto estava inchado, ridículo. Voltei pro quarto e elas ficaram me olhando, pedindo “explicações”.
- Cassie... – Comecei a chorar, não consegui continuar.
- Calma, respira e conta. O que tem a Cassie? – Emily perguntou calma.
Eu respirei e consegui falar o que Julia havia me contado.
- Eu não quero que sintam pena de mim. – Falei por fim. – Lizz, eu devia ter te escutado desde o inicio, como fui estúpida, é claro que mais cedo ou mais tarde eu me decepcionaria. Enquanto estou aqui, me lamentando, ela deve estar lá rindo da pobre iludida aqui! Arg, como eu me odeio, e para completar não consigo odiá-la. – As lágrimas corriam pelo meu rosto. Passei a mão sobre meu s olhos e continuei. – Como eu queria que ela pudesse estar comigo agora, e que isso tudo tivesse sido uma brincadeira. Mas não é, minha fixa ainda não caiu por completo. Preciso dela mais do que nunca precisei. IDIOTA, IDIOTA, IDIOTA! Como ela consegue ser tão perfeita? Perfeita pra mim, como uma roupa feita sob medida. E onde ela aprendeu a sorrir assim? Sorriso que me faz suspirar e perder a fala. Eu agora quero viver sem ela, mas eu não posso, simplesmente não consigo. Mas eu vou fazer o meu possível para mostrá-la que sou mais forte que isso. A paixão pode queimar em meu peito mas apenas a tratarei como amiga, se é assim que ela quer, assim será. – Desabafei.
Elas ficaram um tempo em silêncio.
- Sinceramente não tenho o que falar. – Emily disse enfim.
- Eu tenho uma coisa pra falar... – Liz falou, eu e Emily olhávamos ansiosas. – HOJE A JIRIPOCA VAI PIAR! – Ela gritou fazendo algum tipo de dancinha desconhecida. Não conseguimos segurar a gargalhada, ficamos rindo por um bom tempo.
Assim que nos acalmamos e repetimos a cena algumas vezes Lizz anunciou que iríamos sair para beber aquela noite.
Fomos a um barzinho onde vendia bebida para menores, a música tocava alto e pude perceber que a maioria das pessoas que estavam lá não eram muito mais velhas que nós. Bebi como nunca havia bebido na vida.
Estávamos na mesa conversando com alguns desconhecidos que se enturmaram, um deles disse algo que me lembrou muito Cassie e eu não consegui parar de pensar. Estava muito bêbada, decidi ligar para esclarecer as cosas com ela, não haveria mal algum.
Fui ao banheiro onde não dava para escutar o som que tocava lá fora e após algumas tentativas ela finalmente me atendeu.
-Hum, oi Nick. – Disse.
-ACHEI QUE VOCÊ NÃO ATENDERIA NUNCA MENINA! – Eu falei sem antes pensar.
- Você bebeu, Nicolle? – Perguntou preocupada.
- Eu não devo satisfações a você! – Falei alto.
- Não faz isso...
- Você é o motivo disso! – Interrompi-a gritando. – Aquela história toda de “vou te dar uma chance” era uma farsa.
- Não era uma farsa, eu só me confundi, as pessoas cometem erros. – Falou chorando entre soluços. – Você deve estar me odiando, mas não mais do que eu estou.
- Te odiando? Antes estivesse, seria tudo muito mais fácil pra mim. – Disse sem medir as palavras.
- Eu te amo. – Seu choro ficou mais alto. Desliguei sem hesitar. “Se me amasse não teria brincado com meus sentimentos, teria dado um fim nisso no inicio de tudo, não me daria esperanças.” Pensei.
Fiquei um tempo ali chorando sozinha.
Uma menina entrou no banheiro, cabelo preto, grande. Apesar de minha visão estar um pouco turva pude perceber que era linda, não devia ter mais do que dezessete anos. Me observava pelo espelho. Fui até a pia ao seu lado lavar o rosto.
- O que aconteceu? – Ela perguntou tocando meu ombro, me arrepiei com o toque.
— Não é nada, já estou bem. – Menti.
- Não sei não. – Disse desconfiada. – Qual é o teu nome?
- Nicolle. – Estendi uma mão para cumprimentá-la. – E o seu?
- Samanta. – Respondeu sorrindo e estendeu a mão. – Bebeu umas né?
- Algumas. – Eu ri.
- Afinal, por que você esta no banheiro com uma estranha chata conversando a mais de meia hora? – Perguntei após estarmos a algum tempo ali.
- Porque essa estranha, que não tem nada de chata, é muito linda. E eu estou com um enorme desejo de beijá-la. – Respondeu sorrindo maliciosamente.
- Não precisa ficar apenas no desejo. – Sorri da mesma forma.
Ela segurou minha cintura, colou nossos corpos e me beijou. Um beijo intenso e cheio de desejo. O banheiro começou a encher, entramos em uma das cabines para que não estranhassem, aquele não era um bar gls.
Eu havia acabado de conhecê-la e já desejava seu corpo, com a mesma intensidade que ela parecia desejar o meu.
- Nicolle, ta ai? – Ouvi uma voz conhecia me chamando, Lizz.
- Aham, estou com probleminhas, já já volto pra mesa. – Falei enquanto Samanta me olhava rindo baixinho.
- Precisa de ajuda? – Perguntou.
-Já tenho a ajuda que preciso. – Samanta riu mais alto. Acho que Lizz entendeu e não falou mais nada.
Nos encaramos por um tempo e voltamos a nos beijar.
Nossas mãos passeavam uma pelo corpo da outra. Ela desceu a mão por baixo da minha blusa e massageava meu seio devagar, mordia meu ombro, beijava meu pescoço, ela era ótima. Abaixou minha calça, passou sua mão por cima da minha calcinha, desceu a mão até minha coxa e aranhou com força me fazendo gemer. Subiu e afastou minha calcinha, estremeci ao primeiro contato de sua mão gelada em meu sexo, e ali ela fazia movimentos rápidos me arrancando gemidos baixos. Apesar de apenas estar fazendo aquilo para me livrar da dor que Cassie me causara, estava adorando aquela sensação até então desconhecida.
Ela ofegava junto comigo em meio aos beijos, nossas línguas pareciam estar em guerra. Enfim ela introduziu um de seus dedos em mim, fazia um movimento de vai e vem devagar e quanto mais eu ofegava e rebolava em seu dedo ela aumentava a velocidade e a força, introduziu mais um, eu não agüentei, gemi alto, o banheiro ficou em silêncio, me senti envergonhada mas me concentrei no prazer que estava sentindo. Ela tirou os dedos de dentro de mim e passou em minha boca, chupei com vontade sentindo meu próprio gosto e logo depois ela me deu um selinho, ajeitou sua roupa e seu cabelo e saiu, sem mais nenhuma palavra. Não foi nem de longe a primeira vez que eu sonhei, em um banheiro de bar, com uma desconhecida, mas confesso que não me arrependi.
Voltei a mesa como se nada tivesse acontecido, procurei com os olhos por Samanta, mas ela não estava mais ali. “Espero te ver de novo.” Pensei sorrindo.
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