Notas iniciais
Gente, os capítulos tão meio corridos, mas é por causa do Enem x____x

Não previu o pedido de namoro.

Foi numa noite de uma sexta qualquer, regressavam do café Musain, como de praxe.

Caminhavam um ao lado do outro, imergidos no rebuliço as ruas. Tal era o ruído da Paris noturna: percorriam o trajeto de volta para casa sem o desconforto de escutar os próprios silêncios.

Os passos recolheram-se na esquina.

–Boa noite. – Enjolras fez menção de dobrá-la.

O boêmio, que até então se esforçou para se antepor ao vanguardista, lançou-se ao primeiro recurso: impediu-o pelo braço.

– O que foi? – inquiriu este.

– Se eu te pedisse em namoro... Você aceitaria?

Enjolras pousou as costas da mãos sobre a testa de Grantaire, gesto claro de quem quer medir a temperatura.

– Acho melhor você descansar, Grantaire, apesar da sua temperatura não estar alta...

– Eu não estou delirando, Engie. Responda a minha pergunta.

Após uma pausa alimentada de expectativas, pela qual aguardou certo de uma resposta, Enjolras franziu o cenho.

– O que colocaram na sua bebida?

– Pelo amor...! Eu estou sendo sério aqui! – estremeceu de nervosismo.

– Tem certeza de que não está bêbado? – Grantaire retrucou com olhar impaciente, apenas.

Um sorriso involuntário tingiu-se da penumbra:

– Se é assim, aceito.

O inesperado através do tom mais espontâneo.