as Luzes
1 Capítulo Único
Notas iniciais
As Luzes
Suas mãos tomaram meus pulsos. Eu sorri. Estava com a cabeça nas nuvens e não, hoje eu não queria me comportar... Você ficava incrivelmente sexy com aquela regata vermelho-escura, com aquele sorriso debochado, com o cabelo fora do lugar e com o cheiro de bebida misturada ao perfume amadeirado... E ficava ainda mais sexy comigo, mordendo meu pescoço, me prensando contra aquele espelho imenso que a noite fazia no vidro do meu quarto... Nós sabíamos que vários poderiam ver se quisessem, mas você não parecia se importar. Quem diria eu. E então, eu pude sentir o mundo girar quando me tocou pela primeira vez... As luzes... Deus! O calor que me consumia era o mesmo que tomava seu corpo, suas ações... Do lado de fora, toda a decoração me fazia sentir escondido. Benditas luzes que nos mascaravam dentro de nossa escuridão, nossa promiscuidade, som alto e bebidas... E minha regata vermelho-carmim se desfez, sendo cruelmente atirada para o outro lado do quarto, caindo perto das bebidas... Eu me voltei à você, e seu sorriso não era escarninho como sempre. Era como o de um psicopata maravilhado com seus próprios atos sórdidos. Aquilo era bom, muito bom, e eu não podia controlar todas as vontades que surgiam dentro de mim, como todos aqueles sonhos em que tive enquanto dormíamos sob o mesmo teto em missões, treinamentos e coisas assim... Você... Mr. Almasy, rendido aos meus encantos, um simples garoto que gostava de lutar... Sim, você queria que eu soubesse, caso contrário seu orgulho o estaria ajudando a esconder. E por isso eu também me deixava mostrar, me deixava ser eu, não tão puro e idiota como parecia, deixava transparecer o lado mau, aquele que nem mesmo nosso “líder” conhecia... Era só seu, porque você gostava, era seu assim como o seu verdadeiro eu era meu. E agora, tão mais que antes, sabíamos disso. Era errado, mas quem disse que a gente se importaria se os outros soubessem? Fiquei chocado quando me disse, ainda lembro de suas palavras que firmavam claramente seu posto... Você disse namorado, na escada, perto dos elevadores, numa manhã não-qualquer de quinta feira... Mágico. Não podia descrever o momento com outra palavra. Mágico... Não podia descrever meu próprio encanto lançado sobre você com outra palavra. Sabia que seria bom esconder meu verdadeiro lado por trás de uma máscara de inocência. Sim, eu sei que sou um bom garoto, mas não tão bom quanto posso transparecer.. Eu gosto de ser assim, gosto do fato de poder te morder, ameaçar te dominar, e de às vezes me sentir como uma vadia, enquanto você olha em meus olhos, enquanto olha para meu corpo, enquanto eu tiro minha roupa, ou o pouco que resta dela em diversas situações... eu gosto de ser assim, de estar assim, ao seu lado. E você me diz que não precisa de mais nada... Seu tom de voz me permite desvendar seus mistérios, entender que não tem motivos para mentir... Pode transparecer toda a maldade, crueldade do mundo, mas como um de nossos amigos, melhor dizendo, dois deles, tem medo de ficar só, e por baixo da máscara de predador, há a fragilidade, os sentimentos que te assustam... Mas, como as luzes, eu apareço, iluminando com todo o jeito infantil e radiante seu mundo, fazendo seus caminhos brilharem, e sim, como as luzes de natal, sou inconstante, inconstante, quando olho em seus olhos pedindo, suplicando, ou quando olho em seus olhos ameaçando, dominando... Assim como você, sou apenas um garoto. Apenas um garoto descobrindo o caminho que você ensina, ensinando também para você, e hoje, sou um garoto sob as luzes, um garoto demonstrando que te pertence, e que te ama, assim como você diz enquanto nos tornamos apenas um pela primeira vez, primeira de muitas onde poderemos demonstrar nossos sentimentos não só com palavras... Sou eu... Sou seu.
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