— Sr. Salvatore! — gritou Bianca, minha atual governanta. Eu estava no segundo andar, me alimentando de uma modelo. Normalmente teria ignorado, mas Bianca só me chamava em casos urgentes.

E aquele, com certeza, era um caso urgente. Tinha sentido o cheiro de Fell's Church invadir minha mansão. Também tinha um toque de carvalho, daquele tipo que só as bruxas e criaturas da floresta têm, misturado com um leve toque mágico. Bingo.

Era Bonnie McCullough. A bruxinha de Fell's Church. O que diabos ela estava fazendo ali e como ela tinha me achado eram as perguntas que me vinham a mente.

Suspirei. Essa cidade odiosa me perseguia, só podia ser. Pelo menos era a Bonnie, não alguém pior. De má vontade, abri a porta do meu closet, e peguei o meu robe preto de seda que sempre guardo para esse tipo de situação inconveniente.

— Estou indo! — gritei em resposta.

Em poucos segundos, já estava na porta, graças a minha supervelocidade, uma das várias vantagens de ser um vampiro. Bianca estava abraçando a pequena bruxa, que chorava feito um bebê.

— Bonnie? — perguntei. — O que você está fazendo aqui?

Recebi um choramingo infantil como resposta.

— O... o... o... Stefan...! — ela balbuciou.

— Bonnie, eu não quero saber nada sobre St. Stefan. — eu retruquei. Se ela fosse o Matt, a tal da Meredith ou alguém assim, a teria mandado embora sem pensar duas vezes. Porém, ela estava tão inconsolável que fiquei com pena. Gesticulei para ela entrar.

Ela se sentou num dos sofás da sala, e se abraçou numa almofada, ainda chorando. Me sentei ao lado dela, e encostei minha mão no ombro dela. Eu me perguntei se ela ainda pensava em mim. Nós não éramos um casal oficial, mas já havíamos nos beijado e trocado sangue num número considerável de ocasiões. Eu ainda pensava nela. Não o tempo todo, claro, mas toda vez que eu ouvia sobre duelos de bruxos em Chinatown, eu pensava: "a Bonnie daria uma surra em qualquer um desses imbecis."

De repente, ela parou de chorar, e enxugou uma lágrima com a manga do moletom.

Por favor, Bonnie. — eu repreendi. Então, peguei uma caixinha da minha mesa de centro, a abri e puxei um lenço de pano lá de dentro. Entreguei para Bonnie, que sorriu como uma criança que ganha um pirulito.
— Nossa, você ficou gentil de repente...

— Impressão sua.— eu descartei, secamente. — Me diga, Bonnie, em qual confusão facilmente evitável e provavelmente mortal o patético Stefan se meteu agora?
Ela fez uma expressão tão triste, mas tão triste, que por um minuto eu imaginei que ela fosse chorar de novo. Ela colocou a mão dentro do bolso do moletom, e pegou um papel meio amassado.
— Leia... — ela me entregou.

O bilhetinho adorável era mais ou menos assim:

"Salvatore, eu terei minha vingança. Você transformou minha mulher num monstro bebedor de sangue, e agora você sofrerá as consequências dos seus atos irresponsáveis. Vagando pela noite, somente acompanhado de uma estaca de madeira e dos meus dons dhampirs, eu travo uma guerra silenciosa contra a sua raça maligna, dando fim nas suas existências miseráveis. Eu sequestrei o seu irmãozinho patético, e logo terei sua cabeça.

Com muito ódio, chutes, socos e pontapés,

O Condenador."

O Condenador? — eu franzi a testa. — Que nome ridículo.

— Foco, Damon! — Bonnie balançou os branços, tentando chamar a minha atenção. — O Stefan!

— O que tem ele?

— ELE FOI SEQUESTRADO! — ela esbravejou, com sua voz fininha.

— Ah.

— Isso é tudo que você tem a declarar? — ela perguntou, indignada.

— Bom... de certa forma, ele mereceu. É de se esperar que um vampiro de cinco séculos consiga lidar com um dhampir patético.

— Ele é seu irmão!

Eu levantei uma sobrancelha.

— Você sabe que isso nunca importou muito na minha relação muito, não é? — Era a mais pura verdade. Nunca tinha importado. Não tinha importado quando ele enfiou uma espada na minha barriga, há vários séculos atrás, e não era naquele momento que ia começar.

— Mas, se fosse o contrário, ele iria atrás de você! — ela se revoltou.

Dei uma risada amarga.

— Você acha? St. Stefan não moveria um dedo para me salvar.

— Isso é o que você pensa! — ela retrucou. — Ele sente muito sua falta!

— Bom, eu não sinto falta dele.

Então Bonnie fez um biquinho, que provavelmente queria dizer "Não tente me enganar, porque você não consegue, Damon.". Eu a ignorei.

— Damon, deixe-me dizer uma coisa — ela prosseguiu, tentando controlar a afobação. — Eu não vou embora daqui até você levantar esse... esse... seu traseiro bonitinho e procurar o seu irmão!

Bonnie era conhecida por estragar os seus sermões utilizando as palavras erradas. Naquela ocasião em especial, ela só ficou me encarando, como se as palavras "traseiro bonitinho" não tivessem destruído completamente toda a seriedade do momento.

— Você já tem minha resposta, Bonnie. — eu resmunguei.

— E você já tem a minha. Eu não vou sair daqui.

Então, ela ficou sentada no sofá, me olhando, por uns dez minutos. Eu me levantei, deixando ela sozinha, certo de que ela iria se cansar e ir embora. Mas ela continuou lá, e os dez minutos rapidamente se transformaram em vinte minutos, que se transformaram em trinta. Quando vi, ela tinha ficado por uma hora inteira. Era incrível como ela levava proteger St. Stefan e os seus outros amigos a um nível ridículo.

— Está bem — eu finalmente cedi, de má vontade. — Eu vou procurar o meu irmão estúpido.

Ela deu um gritinho de felicidade, e me abraçou.

— Eu sabia que você não iria me desapontar! — ela exclamou.

Eu bufei. Alguma coisa dentro de mim me dizia que eu ia me arrepender amargamente daquela decisão.

Notas finais
* Dhampir é um meio-vampiro, que possui a superforça dos vampiros, mas não os dons psíquicos e a imortalidade. Normalmente, eles caçam vampiros - isto é, quando não estão protagonizando séries de YA, claro. Gostou? Manda uma review. Alegra o meu dia.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.