as Caçadoras e as Paixões Proibidas.
29 Capítulo XXVIII - Onde está a Sara?
Notas iniciais
Então, a Sam tem que tirar a Sara de lá, não? Vamos ver então... Está aí o cap, não vou enrolar mais vocês.
Pov Samantha:
E cá estávamos nós, eu encolhida enquanto raios caiam dos céus, o Ivan discutia sem parar com um cara esquisito. Como eu cheguei ali? Bem, logo depois de Max e os outros demônios, sem contar com o japonês, sumirem, por ordem do Ivan, ouvi palavras em latim e uma garota loira, macabra, que parecia ser uma protestante contra Deus, conseguiu invocar um demônio aí, e começou a discussão quase como assim:
_ Você? — os dois falaram juntos, indignados.
Detalhe: o outro demônio era idêntico ao Ivan, exceto pelo fato de que parecia bem mais novo e bem mais agitado e irritante.
_ Seu maldito, como ousa me abandonar lá no inferno enquanto você estava se divertindo aqui? — perguntou o outro demônio, indignado.
_ Oras, não foi minha culpa, irmãozinho, a culpa foi da Sara, ela é que me invocou e eu ainda tive que ficar trancado em uma merda de um porão até pouco tempo atrás! — exclamou Ivan.
_ Mas nem para me mandar um cartão avisando? — perguntou o outro demônio.
_ Oras, eu não tinha o dever de fazer isso, além de que tinham duas caçadoras me vigiando, como é que eu ia fazer isso, elas iriam me matar! — exclamou Ivan.
_ Mas nem para enviar outro demônio para me avisar quando você saiu daquele porão, né? — perguntou o outro.
_ Não implique comigo, a culpa não é minha! — exclamou Ivan. — Que inferno, Lucifer, você não tem mais o que fazer?
_ Aqui não tem nada a ver com o inferno, e você sabe muito bem disso. Você está do lado de quem, irmão? Que merda! Você começa um ataque, depois dá bandeira branca, e desiste de todo o plano de conquistar o mundo, que você estava planejando há muito tempo? O que está acontecendo com você? Os anjos estão mudando a sua cabeça? Que droga, eu estava até pensando em colaborar com você! CADÊ O LEVIATÃ QUE EU CONHEÇO? — berrou o tal Lucifer.
_ ESCUTA, VOCÊ NÃO TEM O DIREITO DE FALAR QUE ME CONHECE! — berrou Ivan. Nisso, raios já desciam dos céus e a ventania era tanta que eu tinha que ficar quietinha. E eu não sabia se sentia calor ou frio. — VOCÊ NUNCA SOUBE O QUE EU PENSAVA DURANTE TODOS ESSES ANOS, NEM O QUE EU SENTIA, COMO PODE DIZER QUE ME CONHECIA? — berrou Ivan.
_ ESCUTA, VOCÊ NÃO SABE O QUANTO EU ESTOU COM RAIVA DE VOCÊ! ISSO É QUASE TRAIÇÃO, E TRAIR SEUS IRMÃOS AQUI DO INFERNO SERIA SUICÍDIO, SEU MERDA! — berrou Lucifer.
_ EU SÓ PRECISO PENSAR, É SÓ ISSO, A MINHA MENTE ESTÁ UMA BAGUNÇA E EU VOU ACABAR FAZENDO MERDA, ME DEIXA PENSAR, CARALHO! — exclamou Ivan, ofegante. Os dois se olhavam com um ódio mortal um do outro.
_ Eu vou fazer as coisas do meu jeito se você não fizer nada, Leviatã. E já vou começar a agir. Eu espero que você continue a ser o meu irmão. Você estava indo tão bem que eu chegava a ter inveja de você. E conseguiu fazer com que os anjos não te odiassem tanto quanto me odeiam, deixando toda a culpa no inferno. Você é muito bom nisso, então, trate de ficar melhor no que você é bom, se não, você vai morrer. Sacrifícios são necessários para conquistar o topo do mundo, então, eu te mataria sem nem parar para ver essa sua carinha feia. Então, acho melhor você pensar bem no que você vai fazer. Eu vou tomar o seu lugar se você continuar desse jeito, eu sou seu irmão, você me conhece. Eu não vou ficar muito tempo nesse mundinho de merda para não correr o risco de ficar assim como você e se você continuar desse jeito, tão bonzinho assim, você vai ter que arcar com as consequências. Se prepare, porque a guerra vai acontecer, quer você esteja do meu lado ou não. E se você continuar parlisado, no fim, eu vou ser o rei do mundo e você vai ser o meu escravo. E tudo o que você queria vai se tornar pó. A tal Sara e aquela irmã maldita dela vão estar sofrendo e você não vai pode fazer nada. Eu vou me tornar um pesadelo para você. Espero que saiba o que está fazendo. — murmurou o tal Lucifer. — Esse vai ser o meu primeiro e último aviso. Assim que eu puser as mãos na Sara, vai ser tarde demais. Espero que entenda.
E dizendo isso, Lucifer desapareceu, junto com os trovões, a chuva e a ventania. Ivan caiu no chão com a cabeça nas mãos.
_ Idiota... — sussurrou, a raiva e a dor estampadas em sua voz.
_ E-ei, você está bem? — perguntei.
_ E toda essa bagunça é culpa sua, Sara! — exclamou, me olhando com raiva. Me encolhi, engolindo em seco.
Mas, ele apenas abaixou a cabeça e começou a chorar.
_ Que droga, que droga... — murmurava, com a cabeça entre as mãos.
Fui até o Ivan e o abracei. Eu entendia o que ele estava sentindo naquele momento. Deixei que uma lágrima corresse pelo meu rosto.
_ Calma, Ivan. Agora, em primeiro lugar, temos que agir rápido e encontrar a Sara. — falei.
_ Então, vou ao Vale das Lamentações achar a caverna onde eu a deixei. O Max deve ter levado ela para a Caverna dos Espelhos. Quer me acompanhar? — perguntou Ivan e eu corei.
_ Sim. — falei, sem graça e pegando a mão que ele tinha estendido.
_ Vamos começar a agir então, antes que o Lucifer ache ela. — murmurou Ivan.
_ É. — falei, e vi tudo ficar negro.
...
Acordei no meio de uma floresta. Franzi as sobrancelhas.
_ É, acabei vindo parar na Floresta Das Assombrações... — murmurou Ivan, pensativo. — O que é que está bloqueando o Vale das Lamentações?
_ Espera, onde estamos? — perguntei, confusa.
_ Em um meio caminho, entre a Terra e o Inferno. Mas precisamos chegar mais perto do Inferno, no Vale das Lamentações. Mas tem alguma coisa bloqueando a passagem até lá. — explicou Ivan.
_ Aaah. — murmurei, olhando para os lados, um pouco assustada. Eu tinha ouvido alguma voz me chamar ali.
_ Ignore essas vozes. Vamos seguir á pé parar lá. — resmungou Ivan, andando pela floresta. E parecia que os murmúrios ficavam ainda mais intensos.
A floresta mais parecia uma daquelas florestas dos filmes de Terror, onde quem entra não sai vivo. Senti os pelos dos meus braços se arrepiarem. Ouvi alguém correndo logo atrás de mim e uma risada, e eu já estava agarrando o braço do Ivan.
_ É só ignorar, Samantha. Eles não vão te machucar nem fazer nada se você não der atenção. Devem ser monstros. — murmurou Ivan.
_ Monstros? — minha voz se alterou. Agora eu estava realmente assustada.
_ É, fica calma por favor! — exclamou Ivan. — Se você alterar a voz demais eles vão notar que você está alterada e vão encher ainda mais o saco. De qualquer jeito, se algum atacar, eu destruo ele e aí a alma que estiver sofrendo dentro dele vai se libertar. — murmurou Ivan.
Ouvi mais risadas e pus a cabeça no ombro dele, respirando fundo. Era só eu me acalmar, sim? Fechei os olhos por um segundo e ouvi um grito no meu ouvido, um grito tão alto que me fez gritar também.
Ivan segurava o pescoço de um tipo de... Pássaro, que se debatia.
_ Não cheguem perto. — ordenou, jogando o bicho para o meio da escuridão da floresta.
_ Obrigado. — murmurei, quase chorando.
_ Se acalme. — disse Ivan, passando a mão na minha cabeça.
Ouvi um miado e vi um gato preto sentado no galho de uma das árvores.
_ Cárcere? — perguntou Ivan. O gato miou novamente, se aproximando. — Me ajude a sair daqui, vamos.
O gato apenas revirou os olhos e miou novamente.
_ Ah, quer... Não posso te dar sangue dela nem o meu. O que mais posso te dar em troca? Um monstro qualquer? — perguntou Ivan. Arregalei os olhos.
O gato miou e olhou para uma das árvores. Logo percebi que tinham dois olhos vermelhos brilhando ali. O gato lambeu os lábios e olhou para Ivan.
_ Você vai ter que proteger ela. — resmungou Ivan, sem parecer gostar da idéia de pegar aquele monstro.
O gato miou, lambendo os lábios novamente.
_ O que é isso? — perguntei, confusa.
_ Ele é um demônio. — resmungou Ivan. — Fique na sua forma humana, Cárcere.
Então, pareceu que várias borboletas saíram do gato, detalhe, não estava lá muito claro, eu não pude ver muito bem, e apareceu uma criança. Era um garotinho loiro, de olhos azuis e uma pele incrível. Arregalei os olhos.
_ E o meu monstro? — peguntou, olhando para Ivan.
Ivan suspirou, olhando para a floresta e sumindo.
_ Me empresta a sua mão? — perguntou o garoto, estendendo uma mão.
_ Está bem. — falei, rindo.
_ Desculpa, mas pode vir com defeito de volta. — murmurou ele, mordendo a minha mão.
_ EI! — exclamei pulando para trás e tirando a mão dali.
_ Seu sangue é bom. Me dá mais um pouco? — pediu ele, dando um sorriso lindo para mim. Eu quase aceitei. Quase.
Ivan voltou com o que parecia um tipo de macaco misturado com um sapo gigante e um pássaro e jogou para o garoto, que pareceu feliz, me olhando com um sorriso ainda maior.
_ Ai, que bonitinho... — murmurei, sorrindo também.
_ Não se deixe enganar. — disse Ivan, pegando um pano e enrolando na minha mão. — Ele é bem diferente do que parece.
Logo vi o garoto correr até o bicho e morder com vontade. E, em dois minutos ele tinha acabado o bicho inteiro. E era bem grande, acredite. Arregalei os olhos. E o garoto estava até bem limpinho!
_ Ainda estou com fome. — resmungou o garoto, olhando para baixo.
_ Ah, jura? Leve a gente para fora. Agora. Eu sei que a sua fome nunca acaba. — disse Ivan.
_ Certo, certo, tudo bem. — disse o garoto, começando a andar. — Mas eu vou levar na direção do Inferno. E não posso sair da Floresta.
_ Tudo bem, só quero que nos leve até o final e me ajude a acalmar ela. — disse Ivan, olhando para mim.
Logo mais um daquele mesmo tipo de pássaro antes apareceu gritando na nossa frente.
_ Oba! Está na hora de caçar. — ouvi o garoto e ele saiu correndo atrás do passaro, até pegar ele e comer o bicho em segundos, voltando para o nosso lado e olhando em volta, com um sorriso no rosto.
_ Agora eu estou vendo que você tinha razão. — murmurei e Ivan soltou uma gargalhada.
Andamos por um bom tempo, o garoto sempre correndo atrás dos monstros que atravessavam o nosso caminho. E nem sempre ele conseguia pegar. Quando isso acontecia, o garoto dava de ombros e continuava a saltitar na nossa frente.
_ E vamos para a Caverna das Serpentes Malditas! — exclamou os garotos.
Entramos em um amontoado de galhos, que formavam o que parecia uma caverna. Percebi também que cobras nos olhavam de todos os cantos.
_ Se encostar em qualquer coisa que não seja o chão, elas te atacam e acaba que a rainha aparece e te engole vivo! — exclamou o garoto, saltitando, ainda mais alegre.
Agarrei o braço do Ivan, assustada com o que o garoto dissera.
_ Não precisa ser guia e explicar as coisas também. Apenas nos leve até lá. Não estamos em um tour pela floresta. — disse Ivan, um pouco irritado com a alegria constante do garoto.
_ Eu sei! — exclamou o garoto. — Mas dentro dessa floresta, nós estamos sempre correndo perigo. Ah, cuidado, tem cocô de pássaros ali. Eles são radioativos e dá choque se encostar.
Ivan teve que me carregar enquanto pisava nos cocôs, ainda mais irritado. Não tinha como não pisar, a não ser que quisesse pisar em árvores e cobras, para depois enfrentar a rainha das cobras.
Suspirei de alívio quando finalmente saímos daquele lugar e... Parecia um deserto á nossa frente. Nem um ser vivo, apenas ossos.
_ Tudo bem, aqui é o meu limite. Cuidado com os Nafidos, eles são os monstros mais perigosos do Deserto da Perdição. É isso, um beijo para vocês! — disse o garoto, dando meia-volta.
_ Hum, aquele pestinha nos deixou no outro lado. O Vale das Lamentações fica depois de mais dois lugares. Ah, maldito garotinho infernal... — murmurou Ivan.
_ Calma, faltam só mais dois. — falei, sorrindo.
_ Só mais dois? Você precisa ver que dois. — murmurou Ivan. — Seria tão mais fácil se o Vale das Lamentações não estivesse bloqueado...
_ Vamos logo. — falei pisando na areia e, do nada, um jacaré saiu do meio da areia e agarrou o meu pé. Soltei um grito, enquanto Ivan chegava a cabeça perto da boca do jacaré, que recuava.
_ É, vamos. — disse ele, ironicamente. — Atravessar a Praia do Jacaré é bem difícil, viu?
_ Não era Deserto d... — comecei, mas fui interrompida:
_ A Praia do Jacaré é o nome da primeira parte do Deserto Das Perdições. Agora temos sete minutos antes que outro jacaré apareça. Vamos. — disse Ivan, correndo na areia, comigo no colo.
Logo outro jacaré veio em cima do Ivan, mas o mesmo levou apenas um chute e foi parar do outro lado do deserto.
_ Que é isso, que chute foi esse! — exclamei, surpresa.
_ Tem que ser assim com essas bestas. — murmurou Ivan.
Tivemos que ficar daquele jeito, com jacarés nos atacando por um bom tempo. Até que tudo parou, á beira de um tipo de rio, bastante violento, que era bem largo e turbulento.
_ Vai ser ainda mais complicado passar por isso aqui. — murmurei, e quando eu ia por as pernas na água, Ivan me puxou.
_ Largue de ser maluca, aqui está cheio de piranhas! — exclamou, irritado. — É o Remanso das Piranhas. Vamos precisar de um barco.
Logo vi um tipo de canoa, que parecia bem frágil, fora da água.
_ Bom... — murmurei, com os olhos arregalados.
_ É melhor do que nada. Vamos. — murmurou Ivan, pondo o barco na água.
E fomos descendo com o barco balançando violentamente e algumas piranhas subindo para cima do barco. Um buraco logo se formou. Depois outro.
_ Tudo bem, vem. — disse Ivan, eu o olhei, ele me agarrou e pulou na água, indo direto para o outro lado.
_ Ai, que medo! — exclamei, tirando uma piranha que se agarrou na minha blusa.
_ Não relaxe, agora... — começou Ivan e um tipo de onça pintada, é acho que era aquilo, pulou em cima dele. — DROGA! — berrou, jogando o bicho longe.
Tinham mais.
_ Que droga é essa? — perguntei, assustada demais para ao menos gritar.
_ O Nicho Do Jaguar. — resmungou, irritado.
_ Que diabos... — murmurei e Ivan me arrastou, matando outra onça. Ou Jaguar, que seja.
E demoramos ainda mais tempo para poder atravessar aquele lugar. Eu já estava exausta, quando ele parou e olhou firmemente para o caminho á nossa frente. Tinham várias formigas no chão.
_ Isso vai doer. — murmurou, olhoando com raiva para as formigas.
_ Não me diga que a gente tem que passar e que as formigas comem carne humana? — perguntei, me lembrando de um dos filmes da série Indiana Jones.
_ Elas não comem carne humana. Mas se uma te picar no pé, por exemplo, seu pé fica doendo por vinte e quatro horas, isso sem contar com as reações alérgicas. — disse Ivan. — Como eu disse, isso vai doer.
_ Hum, e como chama esse lugar? — perguntei.
_ Nem pergunte, já vou ter que aguentar isso tudo por sua culpa. — disse ele, mas antes de qualquer coisa, sorriu. — Pronto. Vem.
Ele pegou a minha mão e tudo ficou negro novamente. Aparecemos em uma caverna. Não tinha nada na caverna, apenas correntes.
_ E... Agora? — perguntei.
_ Maldito... — soltou Ivan, se assentando no chão. — Aquele filhote de cruz credo sumiu com a sua irmã. Ah, ele vai se ver comigo, ah, se vai. — murmurou Ivan, pondo a cabeça nas mãos.
Notas finais
Beijos pessoal, e espero reviews também!
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