as Caçadoras e as Paixões Proibidas.

27 Capítulo XXVI - Nunca Diga Nunca.


Notas iniciais
Uuu, título macabro, né? Então, esqueci, desculpa...
Oii, pessoal!
Então, aqui está mais um cap, espero que estejam gostando.

Pov Samantha:

Eu não sabia mais onde enfiar a cara. Todos lutando na minha frente, a Sara sumiu para algum lugar, o esquisito tentando me proteger e eu aqui, boiando. O que eu fazia agora? Pensa, Samantha, pensa!

Olhei para o Ivan, que parecia rir da cara do japonês, que parecia estar puto da vida porque não conseguia acertar um soco no nariz dele. Sorri. Até que era divertido ver os dois "brincando", apesar do esquisito estar bem sério e tentando a todo custo acertar ao menos um chute no Ivan.

Dei uma gargalhada quando o tal... Kurai tentou dar um soco no Ivan e acabou caindo de cara na grama do passeio. Depois o japonês levantou, xingando até a última geração da minha família e dizendo que eu não fazia nada e ainda ficava rindo. Mas era mesmo divertido!

De repente, Ivan sumiu e apareceu bem na minha frente. Levei um susto enorme e quase caí. Quase. Leviatã me pegou no ar e me levantou. Senti meu coração disparar ainda mais rápido.

_ Samantha. — ele falou meu nome lentamente, fazendo com que eu tremesse.

Senti meus olhos arderem. Aquele não era o Ivan. E não tinha jeito de amar um demônio. Pelo ao menos era o que parecia. Abaixei a cabeça, sentindo uma lágrima escorrer pelo meu rosto. Que droga era essa, Samantha, se recomponha!

_ Por que você ficou desse jeito? — perguntei.

Ouvi uma risada.

_ Ai, como é bom isso! — exclamou Ivan. Eu o olhei. Ele respirava fundo parecendo apreciar algum sentimento. — Obrigado.

De repente não estávamos mais ali. Estávamos no porão da minha casa e Ivan estava assentado na cadeira ao lado, com os olhos fechados, com um sorriso no rosto.

_ O que você gosta tanto de sentir ao ver as pessoas sofrendo? — quase gritei. Eu sentia meu coração se apertar cada vez mais. E aquele sorriso não sumia de seu rosto.

_ Por que você está chorando? — perguntou ele, me fitando com curiosidade.

_ Porque... Por sua causa! — exclamei.

_ Não. Você não está chorando por minha causa. Você está chorando por alguma coisa. Deve ser pela dor, não é? Pela dor que eu causo em você. — refletiu ele.

Eu o fitei por um momento, sem conseguir dizer nada.

_ Por que você está dizendo essas coisas? — perguntei.

_ Quero te fazer refletir também. Por que a dor tem de ser um sentimento ruim? Todos os humanos e anjos já vem com a idéia formada de que o mal... O mal é algo que devem evitar. Entende? Tente enchergar pelo meu lado. O mal não é algo... Que se deva evitar. Você só tem que aprender a lidar com ele. Assim como a dor. Se você acha que a dor é algo que te faz mal, você vai sempre se machucar quando você sofrer. Mas isso não é verdade. Não tente parar a dor. Simplesmente deixe que ela continue. Esse é o modo com que eu lido com as coisas. Ou pelo ao menos é o que penso. — disse ele, me olhando.

_ Mas... A dor te corrói por dentro e você acaba machucando as pessoas que estão á sua volta. É por isso que tentamos evitar a dor. Para não machucar aos outros... E a nós mesmos. — refleti.

Como eu estava sendo tão... Filosófica assim? Isso era estranho. Franzi as sobrancelhas. O pior é que eu tinha realmente entendido tudo o que ele dissera! Sério!

_ Por um lado você tem razão. Mas pelo outro, não faz sentido algum. Por que deixar de sentir algo por medo de se machucar ou machucar a alguém? — refletiu Ivan.

_ Para que você não morra? — sugeri.

Ivan me olhou tão intensamente que eu me encolhi.

_ Eu sou imortal. — disse ele, ainda me fitando.

_ Os demônios se dizem imortais também. Mas pode ser que a sua própria essência se desfaça. — falei. — Todos correm esse risco. E... Eu não quero que isso aconteça. Com ninguém. Por isso eu nunca mato os demônios. Só me defendo.

_ Mas se não param de te atacar, é impossível se defender de todos os golpes. Então é melhor se deixar levar pelo mar da dor e aprender a lidar com ela do jeito mais simples do que... — começou ele, e eu o interrompi:

_ Como pode ser melhor? Eu nunca vou me deixar levar por um sentimento que vai me matar! — exclamei.

_ Se você fosse imortal, você entenderia... — murmurou Ivan, me fitando. De repente, ele se aproximou, com uma espada nas mãos.

_ O que é isso? — perguntei, recuando.

_ Você não pode fugir. Eu poderia cortar a sua perna. Ou a sua língua. Ou sua mão. Isso não te mataria. — refletiu ele.

_ Não. — falei, com os olhos arregalados.

Ele me paralisou com uma mão e as pernas e estendeu meu pé, encostando a espada ali. Senti uma dor tremenda me invadir e fechei os olhos para não ver o sangue.

_ Quando é que você vai aprender a nunca dizer nunca? — perguntou Ivan.

_ Pare com isso... — sussurrei, sentindo as lágrimas escorrerem. Aquela lentidão me machucava mais do que se ele cortasse de uma vez. — Você é tão injusto...

_ Por que o mundo é tão cheio de injustiças? Talvez você deva entender que todos, ou a maior parte, dos injustiçados fazem injustiças com os outros para se divertirem. Por isso, toda pessoa injusta teve alguma outra para ser mais injusta com ela e transformá-la nisso. — disse Ivan.

Abri os olhos.

_ Ivan... Por favor. Eu já entendi. Pare com isso... — comecei e fui interrompida:

_ Aprenda a lidar com a dor! Você entende como eu me sinto? Entende como eu me sinto durante todos os dias da minha existência? Entende que no inferno não há felicidade? Você vê o quanto Deus foi injusto comigo para me mandar para um lugar que era como o inferno para os anjos? — perguntou Ivan, quase gritando e largando a espada, abaixando a cabeça e se jogando em um canto escuro.

_ Ai... — sussurrei, embalando a minha perna em um pano e indo até Ivan, que estava encolhido em um canto. — E você, me entende agora? Eu acabei te machucando muito por ter que aguentar essa dor por tão pouco tempo. Você está me machucando ainda mais por ter segurado seu choro por tantos anos, bem mais do que eu. E isso acaba voltando para você. Por isso preferemos a felicidade ao padecimento. — expliquei.

_ Você ainda não entendeu. Para os demônios não há salvação. Eles tem que viver a sua vida com essa dor por causa dos pecados que cometeram antes. Deus nunca permitiria que eu voltasse para o céu. Então, não tenho escolha. EU NÃO TENHO MAIS ESCOLHAS, SAMANTHA! — berrou Leviatã, me pegando pelos ombros e me sacudindo. — DEUS NÃO DÁ SEGUNDAS CHANCES AOS DEMÔNIOS! DEUS É INJUSTO! É MUITO INJUSTO! E... — ele abaixou a cabeça. — Eu não sei mais o que fazer, a não ser machucar as pessoas.

_ Ivan... — murmurei, sentindo meus olhos arderem novamente e engolindo em seco.

_ Samantha, não adianta. — murmurou, me empurrando e saindo do seu canto, pegando a espada novamente. — Vou destruir quantos anjos eu puder, e você, fique na sua. — resmungou. — Vou precisar de você depois, para adquirir mais poder.

_ Ivan... — sussurrei. — Não faça isso.

_ Então o que você quer que eu faça? — perguntou.

_ Pare de lutar. Pare de tentar acabar com a felicidade dos outros só porque a sua foi tomada! Quer que os outros sofram o mesmo que você? Você deseja realmente isso? — perguntei.

_ Não. — disse ele, abaixando a cabeça novamente. — Mas não posso simplesmente ficar parado, aceitando o sofrimento enquanto Deus faz a festa. Não consigo. E nem os demônios á minha volta.

_ Mas se você destruí-lo, não tem jeito de você voltar! Tente fazer coisas boas, talvez assim você possa... — comecei e fui interrompida:

_ Não quero voltar para o céu. Não quero voltar a ser controlado por aquele injusto. Quero fazer as minhas próprias regras. E isso só vai ser possível quando eu destruí-lo. É só. — disse Ivan.

_ Não faça isso, por favor! Você só vai se sentir pior se fizer isso. Você foi feito para seguir as ordens de Deus, foi por isso que ele te criou, então por que reluta tanto contra a sua própria natureza? — pergunte. — Só por conta de uma injustiça? Tente se recompor, Leviatã!

_ Não quero receber mais ordens. Eu posso ter sido criado para isso, mas nem sempre as coisas se tornam o que desejamos que elas se tornem. Pare de tentar mudar minha mente. Eu não vou mudar por você. E nem por Ele. — disse, subindo as escadas do porão.

_ Você vai matar minha irmã? Vai destruir tudo? — perguntei.

Eu olhava para o chão agora, sem conseguir interromper as lágrimas que caíam.

_ Sam... Eu... Mas que droga! — exclamou ele, caindo sobre as escadas e chorando. Chorando de verdade.

Limpei as minha lágrimas e fui até ele.

_ O que você vai fazer? — perguntei.

_ Eu não sei. — disse ele, chorando mais.

_ Eu também não sei o que fazer. Só não quero que aquela matança lá fora continue. — falei.

_ Nem... Eu. — murmurou.

_ Então faça parar, você tem esse poder. Depois pensamos no que fazemos depois. Mas você não precisa destruir a sua família para fazer as suas próprias regras. É só você seguir o seu coração e tudo estará bem. Ou pelo ao menos, você vai se sentir bem consigo mesmo e vai sentir que a sua luta pelo que você realmente queria, realmente valeu á pena. — murmurei.

_ É melhor eu parar com aquilo tudo mesmo, não? — perguntou.

_ Sim. — falei. — É o que eu acho.

_ Então tenho que voltar com a minha máscara. Ou os demônios não vão me obedecer. — murmurou, limpando o rosto.

_ Vamos lá. Estamos juntos nessa. — falei, estendendo a mão para Ivan.

Ele arregalou os olhos para a minha mão, assustado por um momento. Eu imaginava há quanto tempo ninguém estendia a mão para aquele anjo caído que tanto sofria. Ele segurou a minha mão e sorriu.

_ Vamos nos erguer juntos ao topo do mundo então, Samantha. — murmurou.

_ Claro! — exclamei, rindo e puxando ele para fora.

Notas finais
Então, ficou bom? Eu sempre pergunto isso, mas é que ninguem ta mandando review, e eu to ansiosa! Quero reviews, poxa! Por favor! =S
A sorte é que eu e a Juli nos animamos nos Mps =D
Logo logo vem o próx cap, então, se preparem!
Bjs.