as Caçadoras e as Paixões Proibidas.
19 Capítulo XVIII - Prendendo Ivan, outra vez...
Notas iniciais
Pov Samantha:
Eu não sei o porque de eu ainda estar no meio dessa história de anjos e demônios. Acho que toda guerra tem seu lado bom. Ficar tão perto da morte assim, e ainda sair viva é muito viciante. Eu pensava em várias coisas enquanto entrava em casa, procurando Nathan e Sara. Entrei no quarto de Sara e a vi deitada na cama com um ar sonhador.
_ Sara? — perguntei. Ela quase pulou no lugar onde estava e corou.
_ Sam?? — perguntou, surpresa e rindo.
_ Onde está Nathan? — perguntei.
_ Saiu em uma missão. — disse ela, olhando pela janela, voltando com o ar sonhador. — Ele é tão fofo... — soltou ela, sorrindo.
Ela estava maluca? De qualquer modo, eu tinha que chamar a atenção dela. Pelo ao menos, um dos problemas não existia mais.
_ Bom... Você vai ficar por aqui? Não quer vir tomar uma sopa ou um chocolate quente comigo ali na rua ao lado? Dizem que a padaria ali vende coisas maravilhosas. — perguntei.
_ Não... Vou ficar por aqui... — disse ela, parecendo estar tão sonhadora que parecia estar fora do próprio mundo.
_ Humm... Então ta... Aconteceu algo? — perguntei. Ela negou com a cabeça, se deitando na mesma hora em que ouvi um grito lá do andar debaixo junto com pratos se quebrando. A sorte é que o papai tinha saído junto com o tio Brian para investigar o clima.
_ O que... — começou Sara, percebendo o estranho silêncio frio que se apoderou da casa.
_ Deixa que eu vou. Fique... Aqui. — falei, fechando a porta do quarto de Sara e descendo, quase voando pela escada. Ivan tampava a boca de minha mãe, que tremia.
_ Sam? Graças á Deus! — sussurrou ele.
_ O QUE?? SAMANTHA!!!! VOCÊ CONHECE ELE????? — berrou minha mãe, sendo interrompida novamente pela mão de Ivan.
_ Me salva! — murmurou ele. — Me confundi com as paredes, esbarrei em algo e pratos caíram na mesma hora em que sua mãe passava. — explicou ele, com a voz baixa. Ele parecia muito desesperado. — A Sara está lá em cima? — perguntou. Eu assenti.
_ O que... Quem é você? — ouvi a voz de Sara, vindo de um pouco atrás de mim. Ivan abaixou a cabeça, fazendo com que seu cabelo cobrisse seu rosto.
_ Sou... Bem... Agora, agora mesmo, eu estou mais para anjo do que demônio sabe? Mas, no meu dia-a-dia, sou um demônio. — murmurou Ivan, sem voz.
_ Seu... Nome? — perguntou Sara.
_ Pode me chamar de... De... Sei lá... De... Ivan. — disse Ivan, levantando a cabeça.
_ Ivan? — perguntou Sara, parecendo reconhecer o rosto dele. — O que...
_ Nem pergunte, tentei imitar uma loira que passava na rua, sem sucesso. Meu cabelo ficou horrível, mas não tenho idéia melhor para trocar, e eu não quero voltar com aquele formato humano horrível, então... — tentou explicar Ivan e Sara disse:
_ Ivan, você está muito mais bonito. Claro que o Nathan te supera, ele superaria qualquer um, mas...
_ Sara. Por que você desceu? — perguntei, a interrompendo. Fui tão ríspida que ela me fitou, confusa.
_ Eu? Para ver se você precisava de ajuda! — disse ela, parecendo um pouco estranha.
_ Desculpe. Eu não tive a intenção de falar ríspidamente, é que meu dia foi cheio. Vem Ivan. — falei, o guiando até a porta do porão. Sara levantou uma sobrancelha.
_ Se você não me soltar, juro que te mato depois. Mas por enquanto, preciso de um pouco de segurança. — sussurrou Ivan de um jeito que só eu ouvi.
_ Não se preocupe. — murmurei, no mesmo tom, abrindo a porta. Ele entrou no porão e eu fechei a porta logo depois de eu entrar. Ninguém tentou abrir depois de mim e eu só ouvi umas vozes abafadas da minha mãe e de Sara, parecendo discutir.
_ Ai, o que é que eu faço? — disse Ivan, com uma voz fraca para ninguém mais ouvir.
_ Calma. — falei no mesmo tom de voz do que o dele. — Vamos esperar até amanhã. — sugeri.
_ Amanhã? E os meus planos? E se algum engraçadinho quebrar essa barreira? Eu estou morto!! — disse ele, respirando com dificuldade.
_ Não se preocupe. Se algo acontecer, eu te protejo. — falei com segurança.
_ E por que você faria isso, se tudo o que eu já fiz para você foi complicar as coisas? — perguntou.
_ Porque eu te considero meu amigo. E amigos ajudam uns aos outros, na minha opinião. — falei firmemente, me virando para fitá-lo.
Seus olhos me atravessaram e os cantos de sua boca se ergueram. Meu coração parou por um segundo e, naquela pausa, um sentimento sinistro e desesperador pareceu me envolver como uma sombra.
_ Amigo? Não acho que você deveria confiar em mim ao ponto de achar que pode me considerar um amigo, pensando em quem eu realmente sou. — disse ele.
Eu o fitei.
_ E quem você é, Ivan? Digo, quem você realmente é? — perguntei.
_ Sou a mais terrível das criaturas. Sou o causador de boa parte do horror e da maldade do mundo. Eu sou Leviatã, o prícipe do inferno. Meu irmão, Lucifer, nem ele consegue suportar tamanha dor e maldade. — respondeu. Seu olhar me atravessava como uma flecha e, nesse momento, eu soube que ele falava a verdade. — Estou aqui para maltratar você, para te fazer querer morrer de tamanha dor e sofrimento, mesmo sabendo que não será possível. É melhor lembrar disso todas as vezes que tentar me ajudar. Quer um conselho, de amigo para amiga? Lembre-se de que eu não sou bom. E... Samantha. Eu estou lhe avisando isso, estou lhe dizendo isso, para lhe avisar, porque eu realmente me importo com você e não quero que sofra. Mas Leviatã, digo eu, não quer isso. E eu não posso controlá-lo, sabe, mesmo se eu quiser mesmo, é mais forte do que eu. Vá embora e me deixe trancado aqui para sempre. Nunca mais me liberte e não deixe ninguém chegar perto desse lugar. Porque, assim que ele voltar, não haverá mais volta. Samantha, por favor, eu estou lhe implorando, não deixe que ele volte a ser livre. Nem que isto lhe custe a própria vida. É melhor morrer a deixar que ele maltrate, não só você como a todos, daquele jeito, você não tem noção dos pensamentos que ele... Que eu... Aqueles planos são horríveis. Vá embora, e nunca mais queira me ver. — disse Ivan, fechando os olhos com força. Depois de um tempo, eu consegui processar o que ele falou e o mesmo disse: — Você vai acreditar em mim? Eu minto sobre tudo.
O fitei, sem palavras. Ele falava sério? Mas... Como... Então... Aquilo era o que, dupla personalidade?
Mas pude ver em seu rosto que ele falava a verdade. Um medo incrível se apoderou de mim e eu recuei um pouco, saindo correndo do porão e fechando a porta atrás de mim.
_ Sam? — perguntou Sara, arregalando os olhos. — Tudo bem? Você está pálida...
_ Nunca, jamais, deixe alguém entrar nesse porão, Sara, você está entendendo? Não liberte ele, por favor... — murmurei, muito assustada e corri para o meu quarto, trancando a porta.
_ Samantha, está tudo bem? Eu estava procurando pela energia do Levi... Digo, do Ivan, mas não o encontrei e vim falar com você, mas... Você não parece bem. — disse a voz de Nathan.
_ Nathan, o Ivan está no porão, preso lá dentro, eu o prendi. — falei, sem nem olhar para trás, para verificar que Nathan estava lá.
_ Você o prendeu?? — perguntou Nathan, parecendo muito surpreso.
_ Na verdade, ele é que me pediu, e depois, disse para eu não o soltar, porque ele era mau... Na verdade, ele disse que ele era muito pior do que isso e que os planos de Leviatã eram horríveis e que se eu deixasse que ele saísse, eu libertaria um grande mal... E que ele ão conseguia controlar o Leviatã, por mais que ele quisesse... Eu estou assustada, Nathan... — murmurei. Eu não sei como eu sabia que era Nathan, e não uma imitação dele, mas aquele medo todo não me deixava raciocinar direito. Eu o olhei, e pude ver que era Nathan mesmo. Ele me abraçou, como se quisesse tirar aquele medo todo do meu coração.
_ Calma... Está tudo bem... — murmurou ele e eu percebi que eu tremia.
_ Não está não... — sussurrei, sentindo lágrimas molharem o meu rosto.
_ O Leviatã é um cara complicado, mas ele não é tão mal quanto parece... Ele era um anjo, afinal. Qualquer demônio é mais cruel do que ele, mas esses demônios, eles enegreceram os olhos dele, fazendo-o ficar cego e mal... Acho que ele conseguiu ver por algum tempo, por isso disse isso a você, afinal, ele tem razão. Não o liberte. Nem que isto lhe custe... — começou Nathan e eu o interrompi:
_ Nem que isto me custe a própria vida. É melhor morrer a deixar que ele maltrate, não só a mim como a todos, daquele jeito, eu não tenho noção dos pensamentos que ele... Que o Ivan... Aqueles planos são horríveis. Nunca mais posso querer vê-lo. — murmurei, repetindo o que ele disse e me soltando de Nathan, fitando o chão.
_ Exatamente. — murmurou Nathan, engolindo em seco. — Leviatã é inteligente, mas parece que os demônios maltrataram ele demais... Vou tentar fortalecer a barreira da Sara. — disse Nathan, abrindo a porta do meu quarto e descendo as escadas, em direção ao porão.
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