Notas iniciais
Yoo,
Desculpem a demora e talvez eu não possa postar durante o ano T.T
Ta bem, leiam ai...

Pov Sam:

Eu observei Sara correr para o quarto e fechar a porta, enquanto uma discussão começava.

_ Eu avisei que não daria certo! — exclamava Miguel.

_ Mas elas tinham que saber, uma hora ou outra! Não fale como se você soubesse de tudo! — resmungou Ivan.

_ Mas eu...

Eu já tinha parado de definir as coisas antes da última frase. Estava preocupada. De algum modo, eu sabia daquilo, lá dentro, no meu coração, eu tinha certeza de que algo como isso iria acontecer. Andei calmamente até a porta, fazendo todos se calarem e me fitarem.

_ Sam? — soltou Nathan, como eu não parei.

_ O que foi? — suspirei, cansada.

_ O que você pretende fazer lá fora? — agora era Miguel. Que inferno, eu só ia dar uma volta para esfriar a cabeça!

_ Vou comparar umas balas na padaria. — resmunguei. Não era mentira, talvez eu comprasse mesmo balas. Estava definido: Se eu saísse, compraria balas.

_ Não posso correr o risco, você não pode sair sozinha. — disse Ivan, se aproximando.

_ Não quero a companhia de ninguém, só quero esfriar a cabeça. — falei.

_ Sam... Se não for ficar com ninguém, fique no seu quarto sozinha. É melhor do que sair. — disse Ivan.

_ Certo. — falei, dando de ombros.

Andei até o meu quarto e... Fitei a escrivaninha, boquiaberta. Tinha um garoto ali. Tinha mesmo um... AZAZEL, era esse o cara! Quase dei meia volta. Quase. Antes de qualquer coisa, Azazel apareceu atrás de mim, me jogou na cama e fechou a porta. Ele não só fechou a porta, como trancou ela.

E ficou me observando, cautelosamente, sem fazer nada.

_ O... O que você q-quer? — perguntei, me esforçando para não gaguejar.

_ Eu quero várias coisas. A qual delas você se refere? — perguntou, ainda me fitando.

_ O-O que v-você quer... Comigo? — soltei, respirando fundo.

_ Vamos ter uma conversa civilizada, sim? — soltou Azazel e eu assenti. — Eu amava e ainda amo quem você era antigamente. Por isso, não posso deixar para o lado a alma, tão preciosa, dessa pessoa, ainda mais porque eu já perdi o corpo, não posso perder tudo. — disse ele, se aproximando alguns passos.

_ S-sem mentiras, por favor. — murmurei, encostando minhas costas na parede fria.

_ Sem mentiras. Se você concordar com isso. — disse Azazel, se aproximando outro passo.

_ Fique aí! — quase berrei.

_ Se acalme. — disse ele, aparecendo na minha frente e pegando o meu queixo, levantando-o, fazendo com que eu o fitasse nos olhos.

_ C-como? — soltei, tentando afastá-lo. — S-saia d-de p-perto! — exclamei, com um medo incrível dominando todo o meu coração. Não só o medo, mas a tristeza, o ódio e a confusão de sentimentos.

_ Não quero e não posso. Só quero saber uma coisa: Você quer mesmo que eu volte a desaparecer? Do fundo do seu coração? — perguntou ele.

_ Depois de tudo isso? Claro que não! Eu quero mais que você se foda e se engasgue quando engolir o seu maldito egoísmo! — falei, já irritada e... Eu não sei, eu me sentia horrível.

_ Sabia que não ia querer. — soltou Azazel, me abraçando.

Senti todas as minhas forças e pensamentos sumirem. Que sentimento era aquele que encobria todos os outros?

_ O... O que... Me... — eu murmurava, sem conseguir dizer nada.

_ Eu realmente te amava. — soltou ele, me apertando mais contra si.

Eu fechei os olhos. Aquilo era... Indescritível.

_ Por favor... Não... Não fique contra os anjos. — soltei, com lágrimas nos olhos.

_ Como assim? — perguntou Azazel, me fitando.

_ Eu não quero que os demônios vençam, não quero! Vai ser o fim do mundo! Vai ser horrível! Esse é um dos meus maiores pesadelos, com a Sara, o Ivan, todo mundo morrendo... — soltei, não conseguindo conter as lágrimas.

Eu estava muito estranha perto dele, mas eu não conseguia entender esse sentimento, não conseguia explicar, era uma dor muito forte!

_ Calma. Vou fazer o possível... Para não trair ambos os lados. — disse Azazel. — Não quero ter que lutar contra os demônios, porque eles estão certos. E não quero lutar contra os anjos, porque eles querem a paz e a harmonia do mundo inteiro. Mas ao mesmo tempo, quero lutar contra os anjos por terem ignorado que os demônios, todos eles, tem sentimentos e pensamentos, julgando-os como simples armas de destruição. E também quero lutar contra os demônios pelo mal que infringiram a todos, por uma causa idiota, condenando inocentes á dor e á desgraça só por uma causa infantil. Sei que posso estar errado, mas eu não consigo escolher. Tem que ter outro caminho para seguir. Um caminho muito mais viável. Uma combbinação de todas essas mentiras para seguir o caminho ao invés de ter que escolher entre dois. Eu faço decisões, uma de cada vez... E não, eu nunca digo que sempre estou certo... Eu tenho viajado assim por muito tempo... Tão perdido que eu acabei tropeçando... Agora eu tenho duas estradas na minha frente, eu tenho que tomar o meu tempo... Para um lado eu vejo paz e harmonia, o mundo vivendo em um paraíso... Eu dei um passo nessa direção primeiro. Mas do outro lado eu vejo drogas, alcool, sexo... E lá que eu quero rezar agora... — murmurava Azazel, com um sorriso malicioso, que logo desapareceu de seus lábios. — Se eu fosse perfeito como um anjo ou um demônio, então isso seria fácil... Todas as estradas poderiam ser plausíveis ou ambas poderiam me afogar... Eu andei até o centro, sem nenhuma regra para me guiar, eu admito que isso é difícil, mas agora eu posso ver... Tem que ter um outro caminho para ir... Um caminho muito mais viável... Para que eu possa seguir sem ter que escolher um dos lados. Para o lado dos anjos não é melhor é só mais do mesmo. Estou condenado por todas essas pessoas pelo o que acreditam... Talvez eu suba de novo a montanha... Ninguém vai me salvar desse jeito... Mas quanto mais perto eu chego do topo, mais eles miram... Mas eu não sou você. Eu talvez não seja perfeito, mas eu sempre fui verdadeiro. Eu posso não ser bom o suficiente nos seus olhos... Tenho vontade de fugir pela última vez... A última vez mesmo... — ele murmurava, quando de repente, eu vi Miguel parado ali.

_ Se você não consegue se decidir, então vá embora. É o melhor que você faz, ao invés de ficar confundindo a cabeça de alguém que já está confusa o suficiente, seu mentiroso. Você sabe que você é a causa de todos os problemas da sociedade, não é, essa indecisão toda um dia te mata. Seu pai foi um falso, um humano ridículo e você não deve se comparar á mim. Você é um fraco. — disse Miguel, dando um tapa em Azazel. — Como tem coragem de ainda vir até aqui?

Azazel já tinha fechado os olhos, suspirando, cansado.

_ O problema com a sociedade está em como nós ensinamos e se eles acreditam. Nós vamos lutar nessa guerra pelos anos que virão, até só aceitar que podemos ficar no nosso lugar. Meu pai usou suas mãos, ele trabalhou até os ossos. Promoveu á familia dele uma casa feliz... Sozinho. Não jogue a sua agressão em mim. Quem eu sou agora é como eu pensava em ser. Esse lugar comum está tão velho, supervalorizado e tirado. Todas as suas idéias são tão falsas e sem inspiração... Tenha mais do que uma idéia, mais do que um por cento para vencer essa guerra. Quantas vezes você ensinou e não conspirou? Não quero saber, de qualquer jeito, eles nunca dizem toda a verdade, mas não nos chamem de mentirosos. — disse Azazel, com um tom frio. Eu estava boquiaberta. — Nós andamos por esses becos umas milhões de vezes e nos dispersamos em meio ás mentiras umas milhares de vezes. Eles estão tentando te segurar, a sua vida pode ser difícil, mas deixe os seus pés no chão. Por que você não tem as melhores coisas que os outros tem, então? A chance está lá, você que não quer pegar, então que seja ruim... Tão ruim...

_ Você não quer se juntar aos anjos, então? O jeito com que lidamos com as coisas não é bom o suficiente para você? Nós tentamos dar o melhor de nós, e você ainda pensa em escolher o outro lado? Você não entende, não é mesmo? Não está vendo que estamos precisando de ajuda? Você ainda por cima quer deixar ela contra nós? — perguntava Miguel, com as sobrancelhas erguidas, como se fosse chorar.

_ Não tente me deixar confuso, porque eu entendo. E ás vezes as pessoas precisam de ajuda, ás vezes elas precisam de uma mão, quando os problemas estão indo mal... Eu acho que você tem que saber... É que você não tem a minha mão. E eu não te devo nada, então não pense no quão mal você se sente se as pessoas te tratarem tão mal... E como em uma corrida, nós olhamos para trás e vemos que chegamos tão longe... O que alguns podem apenas conquistar, outros conseguem tão duramente... Mas ao invés de apenas completar enquanto não por quem lutar, eu acho que nós nascemos e esse é o modo que nós arranjamos de pagar. — disse Azazel, indo até a janela e desaparecendo.

Miguel suspirou.

_ Ele nunca dá a resposta. — soltou tristemente. — Desculpe.

_ Eu estou ótima, você é que não parece muito bem. — murmurei. Azazel estava certo. Muito mais certo do que deveria estar.

_ Ele é forte demais. Espiritualmente, e não no sentido de poder. Ele nos derrota facilmente com as palavras dele, ele é tão sabio que chega a nos fazer sentir mal por não concordar com ele. — disse Miguel, andando até a porta. — Vou deixar você sozinha. — dizendo isso, ele saiu do quarto e eu fui atrás dele. Mesmo com tanta coisa rodando pela minha cabeça, eu queria mais explicações. Eles nunca nos contavam tudo e o único jeito... Seria falar com Azazel. Ao menos ele poderia me contar o que estava acontecendo direito.

Bati no quarto da minha irmã.

_ Quem é? — ela resmungou, com voz de quem estava chorando.

_ Sou eu. Vou entrar. — falei, abrindo a porta. Ela estava toda vermelha e olhava o chão. — Desculpa, eu só quero te dizer, que eu vou atrás do Azazel, vou sair daqui escondida .

_ O que? Por que? — perguntou ela, alarmada.

_ Eu quero saber de tudo nos mínimos detalhes e eu não acredito que Azazel possa mentir para mim. — falei.

_ Então eu vou com você. — disse ela.

_ Não, descanse um pouco. Eu estou bem. — falei, sorrindo e saindo do quarto.

_ Sam! — exclamou ela, me seguindo. — Você não...

_ Pode segurar a corda para mim enquanto eu desço pela janela? — perguntei.

_ Sim, mas... — começou ela e eu apenas entreguei uma corda, pulando a janela.

Não foi tão ruim, minha irmã me segurou antes que eu caísse e eu fui descendo. Por via das dúvidas, eu tinha trago uma arma.

Corri até o muro e o pulei, correndo dali, quase voando. Corri por entre as árvores, o coração disparado e acabei derrapando e saindo rolando. Quando foi que choveu? Saí escorregando por entre as árvores até que eu caí em um buraco, bem em cima de um telhado. Desci do telhado e vi que tinha uma casa dentro do buraco.

_ Nossa, macabro... Será que alguém mora mesmo aqui? — me perguntei, um pouco aflita.

_ Quem está aí? — ouvi uma voz e abriram a porta.

Era um jovem ruivo muito bonito. Os cabelos eram vermelhos como fogo e desciam ondulados até o meio de suas costas. Ele tinha olhos dourados e uma pele tão branca que parecia neve. E, além disso, ele tinha orelhas de gato, literalmente e uma cauda. Além de garras nas mãos. Engoli em seco.

_ Bem... Eu caí aqui. — soltei, com o coração nas mãos de tanto medo.

_ Hum... Quer tomar um chá antes de subir de novo? — perguntou ele gentilmente. — Eu estou aqui, com um amigo, quer...

_ Convidando estranhos para jantar de novo, Key? — ouvi uma outra voz.

_ AAHH, desculpa, onii-san, mas a garotinha está com uma cara tão assustada... Parece um coelhinho... — disse o garoto, o tal Key, me olhando tristemente.

Ouvi um suspiro e um garoto de cabelos prateados apareceu. Ele tinha um cabelo liso, que descia até os ombros, olhos cinzas e pele mais branca que a do ruivo. Certamente era albino, mas era o albino mais bonito que eu já vira. Ele secava as mãos em um pano e me examinava com o olhar. Então percebi que ele também tinha orelhas de gato e uma cauda. Isso já começava a ficar surreal, será que era um sonho?

_ Onii-san, vai deixar ela sair em paz? — perguntou o ruivo e eu arregalei os olhos.

_ O que é que está acontecendo? — ouvi uma outra voz e uma cara apareceu na janela da casa, do meu lado, eu pulei no lugar.

_ Key e suas manias de chamar estranhos para tomar chá. — explicou o albino.

_ Ah, está bem. Ela deve ter caído em um buraco que deixei na teia. — resmungou o moreno que estava na janela e vi que, tampando o buraco, tinha uma teia enorme. Essa não, aranha? Era gato, anjo, aranha, só faltava...

_ E aí, pessoal! — um garoto pulou do meu lado. Ele tinha a língua presa, uma pele esverdeada e olhos de cobra. Agora era certo, eu estava sonhando.

_ Fala, Kim! — exclamou o ruivo e o garoto desceu do telhado.

_ Vocês tem um telhado macio e gostoso de cair... Esse é melhor que o antigo, que era de madeira e você se ralava todo quando caía. — resmungou o garoto com a língua presa.

Eu me encolhi, agarrando a parede.

_ Vou levar a garota lá para cima. — disse o ruivo, me agarrando e subindo a parede comigo.

_ KEY, SEU IDIOTA, VOLTE! — berrou a voz do albino. Eu engoli em seco.

_ Não se preocupe, eu sempre salvo todos os que caem aqui. Sempre acho um jeito. — disse o ruivo, sorrindo e me deixando fora do buraco. — A gente se encontra um dia desses, pode vir me visitar! — disse ele alegremente, caindo no buraco.

_ Meu Deus... — soltei, me levantando. — Isso tem que ter sido um sonho.

_ Te achei! — exclamou alguém e vi Miguel parado ali. — Se você me preocupar desse jeito de novo, você morre.

Notas finais
Gostaram? Sim? Não? Mais ou menos?
Estou esperando seu capitulo Juli!
Beijos.