apocalipse em luz azul
1 apocalipse em luz azul
Como de costume, o dia de Maria começou do jeito de sempre: Carol "eu-sou-um-despertador" Danvers tentando com todas as suas forças arrombar a porta de Maria, com a empolgação pura de um filhote de Golden Retriever. Uma verdadeira dor de cabeça — dita da maneira mais carinhosa possível. Família serve para ser irritante, e Maria achava que sua vida tinha sido um tanto monótona antes de Carol forçar sua entrada nela.
Por mais irritante que fosse, também era bom ver aquele sorriso radiante e aqueles olhos castanhos brilhantes logo ao acordar. Maria não se cansaria daquilo tão cedo.
Lawson estava agitada quando Maria chegou, mal um minuto antes de Carol — apesar das tentativas da loira de trapacear na corrida diária delas. Maria estava um pouco mais esperta depois de perder tantas vezes só porque sua amiga era uma pestinha. O fato de a mentora estar agitada deixava Carol ainda mais agitada em resposta (alguém disse "filhote empolgado"?). E Lawson alimentava a energia mútua delas ao dizer que precisava que o avião fosse testado agora, com o motor abastecido pela luz azul perigosamente linda. Tudo porque ela precisava salvar vidas, e aquilo era algo maior do que as jovens pilotos conseguiam compreender. (De alguma forma, ela conseguiu não soar condescendente ao dizer isso.)
Lawson não lhes disse o motivo — nem deu qualquer pista do que estava realmente acontecendo —, e não precisava. Se ela dizia que era importante, então era importante.
Carol se ofereceu como voluntária sem pensar duas vezes. Ela era teimosa e, talvez, um pouco suicida. (Maria ignorava isso; às vezes, era simplesmente mais fácil.) Talvez todos os pilotos de teste fossem teimosos e um pouco suicidas, se parássemos para pensar no que constava na descrição do trabalho deles. No entanto, Maria era ainda mais teimosa que Carol. E, possivelmente, uma piloto melhor também. Não que a pequena capitã fosse admitir isso algum dia — aquela criatura orgulhosa.
Se Lawson precisava de uma piloto, Maria seria a piloto dela.
O dia de Maria começou normal; logo depois, ela estava pilotando o avião mais rápido em que já havia tocado. Ele ronronava sob seu comando enquanto cortava os céus. Era excelente, libertador... até que ela foi abatida por jatos de aparência alienígena. Elas fizeram um pouso forçado. Apesar da velocidade extremamente alta, o avião aguentou o tranco — soltando apenas um pouco de fumaça, sem matá-las no processo. As asas estavam irrecuperáveis, mas o motor não parecia muito danificado. Ela conseguia ver Lawson consertando-o, com as mãos cobertas de graxa e as mangas arregaçadas até os cotovelos.
O rádio ainda funcionava; a voz de Carol surgiu através da estática, muito menos profissional e muito mais desesperada do que deveria ser. Mas era uma reação compreensível, já que ela acabara de ouvir a amiga e a mentora serem abatidas. Maria estava distraída pela necessidade de verificar como Lawson estava; então, gritou "recebido" no rádio e ignorou as perguntas seguintes de Carol. Ela poderia falar com ela mais tarde.
Há apenas algumas horas, Carol batia à sua porta; agora, Lawson sangrava um líquido azul. Maria havia acordado com um filhote de cachorro eufórico e, agora, sua mentora era uma alienígena chamada Mar-Vell. Maria venceu uma corrida boba e acabou fazendo um pouso forçado com um avião destinado a salvar milhares de vidas.
Mar-Vell estava claramente ferida; a dor era evidente em seu rosto, e ela sangrava profusamente pelo corte na face. Maria sabia que também estava sangrando, mas não era nada grave. Mar-Vell segurava a arma com as mãos trêmulas — uma arma que parecia mais um brinquedo do que uma arma de verdade. Mas, ao apontá-la para o motor, ouviu-se um som inquietante de agitação, como se ela estivesse carregando energia.
"Ma..." ela começou.
O sangue azul estava quente — quase queimando — quando respingou no rosto e no peito de Maria. Ela não teve tempo de assimilar o fato de que a cabeça de Lawson havia desaparecido (ou como o sangue dela não tinha o mesmo gosto do sangue humano). O homem de olhos amarelos e uma espécie de traje verde apontava para ela com uma arma semelhante. Maria foi rápida o suficiente para pegar a arma de Lawson antes de ser atingida. Ela ignorou o líquido azul que grudava em suas palmas.
Maria não teve tempo algum para pensar, para tentar encontrar uma solução em que não morresse. O homem queria o motor — algo sobre o motor, o núcleo ou qualquer outra coisa. Não importava o que ele queria; era algo importante o bastante para que Mar-Vell estivesse disposta a explodi-lo na própria cara para impedi-lo de obtê-lo. Maria gostava do azul; o motor explodiu em uma luz magnífica, e a morte avançava, abrasando a terra em sua direção. Ela podia fingir que acordaria diante de um sorriso radiante e do mais belo tom de castanho.
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