Três meses depois

Aqueles foram longos e dolorosos três meses, Elisa tentava superar a perda de seu melhor amigo, depois da conversar que teve com Eduardo em seu quarto, a mesma se sentiu mais segura e confiante, no dia seguinte Giovana espalhava para a escola toda que ela e Felipe estavam namorando, cortando de vez o coração da garota, agora ela apenas o observava seu “ex-amigo” de longe, ele estava diferente, usava roupas de marca, seus cabelos negros se encontravam em um topete bagunçado e era rodeado de pessoas, garotos o chamando para jogos de futebol e tardes de videogame e as garotas quase se jogavam aos seus pés, fazendo ele se sentir um astro do rock e o mesmo até ficara um pouco metido por conta de toda aquela fama e a ela culpava a loira por transformar Felipe em algo que ele não é.

Enquanto isso a morena se sentia mal, pensou que estaria sozinha, porém Eduardo não saia do lado dela nem por um estante, ambos vivam uma “amizade colorida” mesmo ele sempre dizendo que a amava, ela não conseguia dizer, ela não o amava, sabia disso, mas não dizia para não magoa-lo, ele estava sendo tão bom para a mesma que o máximo que ela esta fazendo é retribuir.

Deitada na cama do moreno, Elisa não parava de olhar para o teto e pensava como sua vida mudou em um pisca de olhos, em três meses ela e Eduardo estavam mais unidos do que unha e carne, além dele ensina-la a jogar alguns jogos seus, conversavam sobre tudo e ela se sentia a vontade para dizer o que sente para o garoto, como se ele tivesse tomado o lugar de Felipe, mas ela não queria que ninguém tentasse ser igual a ele, afinal o moreno ainda tinha um espaço em seu coração e ainda tinha esperança que ele volte a ser seu amigo ou não.

—você esta bem? –perguntou Edu deitando na cama com a garota e dando um selar nos lábios da mesma.

—estou sim, obrigada de novo. –agradeceu colocando seus braços em volta do pescoço do dele e acariciando sua nuca

—já disse que não me agradecer o tempo todo. –disse sorrindo para a morena.

—mais eu quero. –sorriu se aproximando do rapaz e selando seus lábios com os dele, um beijo calmo e suave, ele pediu passagem e ela cedeu e então suas línguas se misturaram e começaram a trava uma guerra intensa, ele passa suas mãos em volta do corpo dela e apertava sua cintura para mais perto dele, minutos depois ambos se separam por falta de ar, selaram seus lábios mais uma vez e colaram suas testas uma na outra como se nunca mais quisessem sair dali.

—um amigo me convidou para uma festa na sexta, quer ir comigo? –perguntou a olhando.

—quero. –sorriu o beijou novamente, porem esse beijo foi mais intenso do que o anterior.

(...)

Em passos lentos, caminhou até o banheiro, abriu o registro da torneira e molhou suas mãos e levando até seu rosto. Sua vida mudou muito depois que começou a namorar Giovana, estava feliz já que o mesmo sonhara com esse dia desde ensino fundamental, porém com ela também veio a popularidade, a mudança de estilo e o tratamento das pessoas sobre ele, nunca se imaginou um dia esta entre aquele pessoal todo, para ele tudo ainda era novo, mas estava gostando do mundo que descobriu, se sentiu como se estivesse em sua antiga a escola, só que com mais amigos e agora ela era conhecido pela escola toda.

—x-x-x-

—oi gatinho. –disse Giovana entrando em seu quarto.

—ah, oi Gio, cadê a Elisa? –perguntou, estava chateado por ter brigado com sua melhor amiga, a única pessoa que falou com ele desde que entrou naquela escola que ele odiava tanto.

—não sei, ela saiu tão triste daqui que eu não quis falar nada. –falou inocente

—droga! -Exclamou irritado. –é tudo culpa minha, me desculpa Gio, mas eu preciso falar com a Elisa. –falou se dirigindo até a porta, mas foi impedido de abrir pela loira que segurou seu braço.

—calma, a culpa não é sua, ela que foi uma idiota em deixa-lo sozinho.

—mais. –tentou protestar mais foi impedido novamente quando Giovana colocou as mãos em sua boca na intenção de fazê-lo ficar calado.

—deixa ir embora, finalmente seremos apenas nos dois. – a loira se aproximou do rapaz e selou seus lábios que logo se tornou um beijo bom e intenso, logo Felipe já a correspondida e colocou suas mãos em volta da cintura dela e levou até si, quando o moreno percebeu já estava deitado em sua cama com Giovana, ficaram minutos assim até que se separaram por falta de ar e ambos se olhavam sorrindo um para o outro. –quer namorar comigo? –perguntou.

—tudo o que eu mais quero. –falou e lhe deu mais um selo na mesma.

—x-x-x-x

Mais mesmo com sua vida ter mudado para melhor, se sentia infeliz, apesar de tudo algo estava faltando, seu coração estava vazio por dentro, sentia falta de Elisa, queria poder voltar a atrás e mudar aquele episódio que acabou a afastando dele, no entanto não entendia do por que dela fazer isso, mal olhava na sua cara, não respondia suas mensagens e nem retornava suas ligações, aquilo estava o deixado maluco, não sabia o que havia acontecido com sua melhor amiga e sempre que falava da Elisa para Giovana, a loira dava um jeito de desviar o assunto. Sentia-se pior quando via a morena se tornar tão intima com Eduardo em poucos meses, se perguntava se era mentira quando ela lhe disse que havia dito que tinha odiado o primeiro encontro com Eduardo, sentia uma fúria crescer dentro si, odiava não ser o motivo do sorriso dela, da alegria dela, o entusiasmo dela, ele não era mais o único em sua vida, afinal a morena já havia colocado outro em seu lugar, poderia ser qualquer um, menos aquele gamer estúpido, pensava o moreno, mas o que ele estava pensando? Ela era só sua amiga, não estava acreditando que estava sentindo ciúmes dela, nunca sequer sentiram nada além de amizade e não é agora que estão separados que tal sentimento aflorara justo agora.

Balançou a cabeça de forma negativa afastando esse pensamento e saiu do banheiro e indo em direção à casa de sua namorada.

(...)

Chegou à casa da mesma e parando em frente à porta, deu dois toques na grande porta de madeira, afinal queria se certificar de que ela estava em casa, porém percebeu que ela estava entre aberta e adentrou o local e encontrou a sala, a mesma era espaçosa, com um sofá vermelho e grande, uma estante com uma teve de Led e ao redor várias prateleiras, algumas fotos de Giovana com sua família e alguns livros que se encontravam ali, ouviu umas vozes que pareciam vim da parte de cima, seguiu o som dos timbres que vinham do quarto da loira, abriu a porta devagar e se arrependeu de abri-la, encontro Giovana o traindo com outro rapaz, ambos estavam em um beijo rápido e intenso enquanto as mãos do garoto passeavam pelo corpo da loira, mas o que era pior do que ser traído, era ser traído com uma das pessoas que diziam serem seus amigos após ganhar a fama na escola.

—mas que porcaria é essa? –gritou irritado e logo o casal se separou e fitaram o moreno assustados.

—Fe, n-não é o que você esta pensando. –disse Giovana com a voz falha.

—não, realmente não é. –falou irônico, não acreditando no que estava vendo. –minha namorada me traindo com um dos meus melhores amigos.

—e quem disse que eu sou seu amigo. –disse o garoto com um sorriso cínico. –seu idiota, estávamos juntos desde que você fez dupla com a MINHA namorada no trabalho de química, ela fingiu o tempo todo que se importava com você só para fazer os trabalhos da escola para ela, era comigo que ela sempre esteve e vai permanecer assim e você foi burro de mais que não percebeu nada. –Felipe ficou de boquiaberta com as palavras ditas pelo rapaz, não queria acreditar que fora enganado esse tempo todo, sentiu as lagrimas querendo descer, mas as segurou fitando a loira e o garoto ao seu lado que ainda mantinha aquele sorriso cínico.

—Taylor para de falar essas coisas. –disse a loira desesperada olhando para o mais velho

—cala a boca, só estou contando a verdade, coisa que já era para você ter feito há muito tempo. –retrucou

—isso é verdade? –perguntou Felipe direcionando seu olhara para a garota.

—meu amor não acredite nele. –ele a fitou em reprovação e saiu dali antes que perdesse o controle e batesse na cara do tal Taylor, estava furioso com si mesmo, se deixou enganar por uma ilusão, percebeu que Elisa estava certa, logo as lagrimas já estavam caindo por suas bochechas, se sentou em um banco de uma praça e apoiou os braços em cima dos joelhos, pensou em como foi burro em trocar sua melhor amiga por um amor que nunca foi correspondido. Sentiu seu celular vibrar e o pegou lendo a mensagem de um amigo o convidando para uma festa, não estava com animo para festas, pensou em recusar o convite, mas parou pensando em Elisa, do jeito que ela gostava de festas, com certeza ela iria, seria até uma boa oportunidade para falar com ela.

Pegou novamente seu celular e discou o numero da morena e colocou em seu ouvido na esperança que ela o atendesse, deu dois toques e enfim ela atendeu.

—alô. –sorriu, sentia falta de ouvir sua voz doce.

—Elisa, sou eu Felipe, preciso falar com você, estava certa desde inicio, eu sinto muito, por favor, fala comigo. –falou rapidamente tentando recuperar o ar.

—Felipe. –sentiu ela se entristecer do outro lado da linha, sabia que não seria fácil fazê-la perdoa-lo depois de tudo. –até que enfim você acordou, fico feliz que tenha conseguido, bem, Felipe agora tenho que desligar, eu e o Edu temos uma festa para ir e eu não posso o deixar esperando. –sentiu seu sangue ferve, mas se sentiu pior quando a ouviu o chamar pelo seu nome invés do apelido que ambos havia trocado quando crianças, percebeu que o tempo que estavam separados fora o suficiente para eles se tratarem como estranhos, nem pareciam amigos de infância, se sentia horrível e se culpava por não ter acreditado nela, no entanto não podia ficar chorando pelo leite derramado, tinha que ir a atrás dela e conserta a grande burrada que tinha feito.

Mas o que diria a ela quando a encontrar? Essa pergunta martelava em sua mente, não tinha nada preparado e nem mesmo sabia o que dizer para Elisa a não ser pedir desculpas, porem não queria bater na porta dela com cara de cachorro que caiu da mudança e pedindo desculpas achando que ela se sentisse comovida e largaria Eduardo de vez para enfim voltarem a serem amigos, no entanto nem ele sabia mais o que sentia pela morena, queria apenas entra na casa dela e chutar Eduardo para fora da casa da mesma e mantê-la do seu lado até que se sentisse segura de novo. Entretanto precisava saber o que de fato sentia por Elisa? Por que sentia tanta raiva de vê-la com Eduardo? Será que ele queria mesmo voltar a ser amigo dela ou algum sentimento fora despertado e ele cego não percebeu? Essas perguntas só ele poderá responder.