Zumbilândia - Matar ou Morrer.
20 Uma casa.
Notas iniciais
Kimberly
Eu queria ter visitado o sul do Texas antes da infestação. New Braunfels parecia o lugar perfeito para se tirar férias em família, mas agora era só mais uma cidade como a maioria das outras: deserta e extremamente perigosa. Os sobreviventes nas cidades podiam ser vistos esporadicamente, mas só saiam da segurança de seus abrigos em caso de última necessidade, a maioria escolhia viver viajando, atrás de algum lugar mais seguro ou dos abrigos isolados. Ainda assim, a cidade era bonita, de um jeito macabro e perturbador.
Encontramos uma casa que devia pertencer a alguma família rica. Era de madeira com um píer que dava vista para os lagos. Enquanto Justin e Erika enchiam sacolas com o que podiam encontrar na cozinha, decidi sondar o lugar com Drake, só por segurança. Eu fui por um corredor e Drake foi pelo o outro. No fim do corredor havia uma porta branca com o nome "Eloisa" gravado em letras coloridas. Não consegui resistir à tentação de entrar. O quarto era lindíssimo, com paredes cor-de-rosa e móveis brancos. Várias prateleiras se estendiam nas paredes, repletas de bonecas de todos os tipos, incluindo minha maior fraqueza: barbies. Quando eu era criança eu sonhava em ter uma, mas minha mãe era contra eu ter um brinquedo tão fútil. Fiquei tão deslumbrada com as bonecas que não percebi o cheiro de carne podre invadindo o ambiente.
Justin
Adoro gente rica. Adoro mais ainda gente rica que foge correndo e deixa comida cara para trás. Eu e Erika enchemos as sacolas com todo tipo de coisas que eu jamais compraria com meu próprio dinheiro. Tive a ideia de aproveitar a oportunidade para garimpar algumas coisas legais dos quartos. Se eles haviam deixado para trás, é porque não ia fazer falta, certo? Toda a minha empolgação pelos momentos de falso rico que eu iria passar acabou assim que abri a porta do quarto do casal. Dois corpos mutilados, com os intestinos pulando para fora das barrigas abertas estavam em cima da cama. Meu estômago deu uma volta maior que os loopings das montanhas-russas do Walt Disney Word. Foi então que um pequeno ataque de pânico me ocorreu. KIMBERLY! Ela estava sozinha em algum lugar dessa casa, e a coisa que fez isso com o casal provavelmente ainda estava por ali. Empunhei minha metralhadora e segui pé ante pé pelo corredor, com medo de chamar atenção do comedor de tripas. Ao final avistei uma porta aberta, e o que encontrei definitivamente não era o que eu esperava.
Kimberly
Ouvi um pequeno rosnado e me virei para trás. Uma garotinha com um vestido rosa de princesa e coroa, com cachinhos loiros me encarava com os olhos injetados e coberta de sangue.
–Eloisa?
Por que eu tentei falar com ela? Por que eu sou meio idiota, oras! Eu faço coisas idiotas o tempo inteiro e todo mundo já percebeu isso. Minha tentativa de comunicação só me fez ganhar mais um rosnado. Eu dei um passo para trás, tentando alcançar minha katana, mas a maldita resolveu escorregar das minhas mãos e cair no chão. Então era isso, me preparei para o ataque e torci para que a pequena Eloisa me matasse em vez de apenas me contaminar. Assim que a pequena demoníaca avançou na minha direção uma bala atravessou seu crânio, espirrando sangue no meu rosto e roupas. Não foi nada digno, mas foi o que meu corpo quis fazer: eu vomitei no chão do quarto cor-de-rosa de Eloisa, na frente de Justin. Vai entender por que, mas o perturbado me encarou e disparou a rir, o que fez meu sangue ferver.
–Posso saber qual é a graça?
–Nada não, você fica bem de vermelho, Kim.
–Haha.
É claro que minha risada não teve emoção nenhuma e veio acompanhada de minha sobrancelha erguida. Recolhi minha arma do chão e cortei a cabeça de Eloisa, só para garantir. Sai daquele quarto me prometendo que jamais deixaria uma barbie me destrair de novo e rumei para o banheiro, lavando o máximo que eu pude da meleca de sangue e vômito de mim. Justin apareceu momentos depois com uma muda de roupas nas mãos.
–Acho que estamos quites agora, Kim.
–O que?
–Você me salvou no supermercado, eu te salvei do demônio mirim, estamos quites.
–Que seja.
Respirei fundo, tomando as roupas das mãos de Justin e fechando a porta do banheiro para me trocar.
Justin
Voltei ao quarto e encarei o corpo no chão. Eu odeio ter que matar uma criança. Eu sempre me lembrava dos meus irmãos, mas eu sei que dessa vez foi preciso, caso contrário, Kimberly estaria morta. Pensando pelo lado positivo, eu salvei a garotinha de saber que se tornou órfã porque tinha usado mamãe e papai como jantar, mesmo que fosse possível curá-la, ela não poderia lidar com algo assim. Pensei em deixar os corpos todos juntos, mas tive medo de tocá-los e acabar sendo contaminado. Acabei só fechando as portas e me acomodando na sala mesmo. Revistei o restante da casa, me certifiquei que estava tudo trancado e me larguei em um dos sofás enormes e confortáveis. Antes mesmo que Kimberly voltasse e Drake e Erika aparecessem, eu já havia pegado no sono.
Fale com o autor