Zumbilândia - Matar ou Morrer.
36 Um duelo de Katanas.
Notas iniciais
Kimberly
Quando o carro parou, eu tentei olhar pela janela, só para ver se reconhecia o lugar, mas a única coisa que vi foi mato e árvores. Percebi que havia sido a última a ser retirada do carro e quando isso aconteceu fui puxada bruscamente para fora. Justin, Drake e Erika estavam ao meu lado e nós estávamos olhando para o mesmo lugar: uma casa. A casa estava na nossa frente. Era uma casa enorme. De um tom de branco e cinza, deu para perceber que tinha piscina, quadras e até um campo. Nós quatro, finalmente, fomos soltos.
–Não tentem fugir. Nossa casa é cheia de guardas por todas as partes e eles não vão hesitar em mata-los se tentarem fazer algo — Andy disse.
–Vocês poderão tomar um banho. Às sete horas em ponto, eu vou estar esperando você, ruiva, para o nosso duelo – Olívia disse, entrando na casa.
Três brutamontes (que eu deduzi serem guardas), nos escoltaram até o andar de cima e nos colocaram em um quarto. Eles ficaram vigiando do outro lado da porta. Até parece que eu iria tentar fugir sem cortar a cabeça daquela putinha.
–QUE INFERNO! — gritei, jogando-me na cama.
–Pelo menos aquela fedelha só pegou nossas armas — Justin disse, mexendo na mochila onde estavam os soros.
–Que duelo é esse que ela disse, Kimberly? — Drake me perguntou.
–Ela quer vingar o pai dela e o único jeito de fazer isso é matando a pessoa que o matou, ou seja, ela quer duelar para me matar — expliquei.
Drake riu, sem humor.
–Isso vai ser, no mínimo, interessante.
Antes que alguém pudesse falar mais alguma coisa, fomos surpreendidos quando jogaram algumas roupas para dentro do quarto. Cara, aquilo era muito humilhante. Ter que pegar roupas que estavam sendo jogadas no chão? Pelo amor de Deus! Eu ia acabar com aquela aprendiz de puta! Fui a primeira a tomar banho, mas me recusei a colocar roupas limpas. Estava com tanta raiva que seria capaz de esfregar aquelas roupas na cara daquela pirralha. Deitei na cama e fiquei esperando até a hora do duelo começar.
As horas passaram tão lentamente que eu devo ter pegado no sono umas quinhentas vezes. Estava tão cansada que seria capaz de dormir o resto do ano inteiro. Sabe a sensação de querer sair de uma casa, ir para as ruas e matar um monte de zumbis? Não? Bem, que pena, pois era exatamente isso que eu estava sentindo. Assim que deu sete horas, uma mulher entrou no quarto e mandou que Justin, Drake e Erika seguissem os guardas até o lado de fora da casa e eles não tiveram alternativa, a não ser segui-los. A mulher mandou que eu tirasse a roupa, mas eu não fiz o que ela mandou; o que não foi muito bom, pois a vaca apontou uma arma para mim e começou a ameaçar atirar se eu não fizesse o que ela estava mandando. Então, não tive escolha.
Ela jogou uma roupa branca para que eu vestisse. A roupa incluía: Calça, máscara, jaqueta, plastron e um protetor. Demorei um pouco a perceber que estava vestindo aquelas roupas que os esgrimistas usam. Só que, infelizmente, não iriamos lutar com floretes e sim com katanas (o que era mil vezes pior). A mulher saiu do quarto depois de ter me ajudado a vestir a roupa e eu sentei na cama, nunca rezei tanto para que a sorte e Deus estivessem ao meu lado hoje. Eu precisava vencer!
Alguns minutos depois, sai do quarto e caminhei até o campo onde vi Justin, Erika e Drake e um monte de guardas ao lado de Andy. Olívia estava no meio do campo, a mulher que ajudara a vestir minha roupa estava agora ajeitando a roupa de Olívia. Entregaram-me minha katana e eu percebi que tinham polido e afiado a lança. Bem, melhor pra mim.
Assim que a mulher parou de ajeitar Olívia, ela colocou a máscara e eu repeti o movimento. Fomos andando até o centro do campo, até estarmos cara a cara.
–Então, como vai ser isso? — perguntei.
–Como?
–Olha aqui, pirralha. Eu não estou usando essa roupa ridícula para não ganhar nada em troca. Proponho um acordo.
–Diga.
–Se eu vencer, eu vou embora com meus amigos. Mas... Se você vencer, o que não vai acontecer, você poderá me matar de todas as maneiras que imaginar.
Ela pareceu pensar por uns minutos e disse:
–Certo. Parece justo. Mas eu preciso alerta-la para uma coisa, ruiva. Quando o mundo era mundo, eu era bicampeã mundial de esgrima, ou seja, eu nunca perco. Então, acho melhor você mandar seus amigos prepararem seu caixão, pois você vai perder.
Ela riu e começou a se preparar. Por mais raiva que eu estivesse não consegui deixar de ficar com receio de perder. Eu não era tão boa com a katana (você não leu isso, ENTENDEU?!), e nem tão experiente. Eu sabia usar a katana com zumbis, que não tinham como defenderem-se, mas com uma bicampeã mundial, a coisa mudava de figura.
Comecei a me preparar assim como Olívia. Nossas Katanas se encontraram em tempo recorde, deixando-nos cara a cara. Mesmo por trás da máscara consegui ver o brilho intenso em seus olhos. Aquela garota tinha um futuro brilhante como psicopata! Olívia riu e se afastou de mim. Ficamos andando em um circulo e eu decidi que já que estava no inferno, iria abraçar o diabo.
–Por que seu pai desistiu de fazer a cura para a AIDS? — perguntei, desviando de um golpe.
–Meu pai era o cara mais ganancioso que já conhecera. Quando ele soube quanto dinheiro ganharia se continuasse o soro de Stephen, mas o modificasse, ele não hesitou em mudar de ideia. Meu pai ficou obcecado por isso até que um dia conseguiu.
–E você era a favor disso?
–Não, claro que não!
–Então, por que está tentando me matar?
–Eu vou honrar meu pai! E só vou conseguir fazer isso, matando você. Agora, para de me distrair!
Ela avançou para cima de mim, mas eu boqueei seu golpe. Eu já estava entendendo um pouco seus movimentos e por isso sempre conseguia desviar ou bloquear algum golpe dela. Eu estava me saindo bem nessa parte de defesa, se continuássemos assim só por mais algum tempo...
Um passe errado meu para o lado, fez com que Olívia acertasse o punho de sua katana em meu abdômen. Que lindo, Kimberly! Como você é idiota! Eu me curvei e comecei a respirar com dificuldade, senti como se todo o ar tivesse sido retirado de meus pulmões. Olívia aproveitou esse momento para me desarmar. Ela praticamente arrancou a katana da minha mão e minha katana pulou da mesma, se eu não tivesse dado um pulo para trás minha katana teria partido meu rosto em dois.
–Chega de brincadeiras, ruiva.
Ela avançou para cima de mim e bateu com o punho de sua katana no meu rosto. Eu cai sentada no chão tentando achar uma forma de me orientar, quando consegui, vi Olívia tentando desferir um de seus golpes finais em mim, eu rolei para o lado, porém, mesmo assim, ela ainda conseguiu fazer um corte em minha perna. INFERNO! Reprimi em grito de dor e tentei ver a profundidade do corte, mas ela deu um chute em um dos meus ombros, me fazendo deitar no chão. Minha visão ainda estava turva, mas eu não iria desmaiar! Olívia tirou a minha máscara com a ponta de sua katana e tirou a sua com a mão, dizendo:
–Quais são suas últimas palavras, ruiva? Você é tão inútil. — seus olhos cintilaram quando ela colocou a ponta da lança de sua katana no meu pescoço. Se eu fizesse qualquer movimento, teria o pescoço cortado e seria morte na certa.
Eu já estava farta de ser chamada de inútil. Depois de tudo o que passei, a última coisa que eu deveria ser chamada era de inútil. Com o canto do olho consegui ver Justin, Erika e Drake tão desesperados quanto eu para poderem sair desse lugar. Encarei os olhos negros de Olívia e vi o quanto ela era parecida com o pai. Percebi que a lateral da minha cabeça estava sangrando e que minha perna estava ardendo. Senti meu sangue ferver. Não iria dar o gostinho para Olívia de ter conseguindo me matar!
Encontrei forças não da onde e antes que elas me abandonassem, eu sorri e disse:
–Minhas últimas palavras? Eu deveria ter cortado a cabeça do seu pai para pendurar na parede da minha casa!
Olívia rosnou, mas antes que ela me matasse, eu lhe dei uma rasteira. Ser a menina que mais arranjava confusão na escola tem suas vantagens. Olívia caiu no chão e eu corri para pegar minha katana. Olívia levantou em um pulo e veio até mim, mas eu desviei com facilidade de sua katana e bati com o punho da minha em suas costas. Ela cambaleou para frente, mas se voltou para mim. Eu não via nada além de ódio em seus olhos. Eu nunca tinha me divertido tanto.
Olívia tentou me acertar com sua lança, mas eu já estava acostumado com seus truques, então apenas girei e acertei um chute em seu abdômen. Olívia repetiu o mesmo movimento que eu havia feito, se curvou e tentou recuperar o fôlego. Mas ela era dura na queda. Afinal, vaso ruim não quebra rápido, não é mesmo?! A pirralha veio até mim e eu girei nossas espadas, ela pareceu ficar um pouco confusa e eu aproveitei para girar junto com as espadas e acertar o punho da minha em sua cabeça. Ela cambaleou para trás e tentou recuperar o equilíbrio, mas eu já estava cansada de enrolar. Tentei imitar um movimento que eu vi em algum desses canais de tevê (quando existia algo para ver na tevê) e chutei sua mão, de forma que a katana desse um pulo caindo para fora da mão dela. E foi o que aconteceu. Por ela ser mais baixa que eu, não foi tão difícil. Meu pé acertou exatamente o punho de sua katana e a mesma foi para a alguns metros de distancia. Ela tentou usar a força e tentou me acertar com um soco, mas eu tinha a vantagem e bati mais uma vez o punho da minha katana em sua testa. Ela caiu no chão e tentou se arrastar até sua katana, porém eu fui mais rápida e pisei na ponta da katana, ela deu um solavanco para cima e eu a peguei. Olívia levantou-se com um pouco de dificuldade e tentou me acertar com socos, porém eu era mais rápida e mais esperta. Encurralei Olívia entre as duas katanas, de modo que a minha ficou perto do seu pescoço e a dela ficou atrás de sua cabeça. Sorri e disse:
–E então? De quem são as últimas palavras agora, garota inútil?
Ela não disse alto, mas eu vi uma frase se forma em seus lábios: "vai pro inferno, sua puta" foi o que ela disse.
–Você não deveria ter dito isso — falei.
Depois do que disse, fiz uma coisa que surpreendeu até a mim mesma. Larguei as katanas, segurei os ombros de Olívia, forçando-a a se curvar para baixo e dei uma joelhada em seu rosto. Ela caiu de joelhos no chão e eu a chutei, só para adiantar o trabalho que ela teria de deitar na grama. Peguei minha katana no chão e a rodei em minha mão, meus amigos me receberam com um abraço e eu comemorei internamente minha "vitória".
Os guardas começaram a abrir passagem para nós quatro enquanto Andy corria para ver sua irmã. Troquei de roupa e coloquei a roupa que estava usando quando cheguei. Alguns guardas correram para pegar as armas do meu grupo e Justin começou a atirar para cima. Ele é meio louco às vezes, enfim... Coloquei minha katana na bainha que agora levava nas minhas costas e peguei uma chave de carro que vi pendurada em um porta-chaves que estava acoplado a parede. Justin e Drake furtaram a munição dos guardas e colocaram em uma mochila, ninguém ali tentou nos parar. Até porque trato é trato. Antes de sair da casa, vi que Olívia estava na porta da frente nos observando. Ela estava segurando um saco de gelo na cabeça e Andy estava ao seu lado. Eu sorri e disse:
–Foi bom conhecer você e seu irmão, Olívia. Ah, vou roubar um desses carros aqui. Você não se importa, não é mesmo?! Bem, se você se importa não é problema meu. Adeus, pirralhos.
Percebi que a chave do carro que peguei era de um BMW ix35. Eu não poderia estar mais feliz. Nós quatro entramos no carro, fui dirigindo, Justin veio ao meu lado e o casal sentou no banco de trás. Antes que nos afastássemos muito da casa, abaixei o vidro do carro e mostrei o dedo do meio para Olívia, que ainda estava na porta. Vi pelo retrovisor do carro que ela apenas entrou dentro da casa.
Meu grupo começou a rir e a comemoração deles era abaixar os vidros do carro e ficar atirando para cima. Eu comecei a rir e percebi o quanto era bom ver aqueles três felizes. Depois de tudo o que passamos nós até que merecíamos momentos como esse.
Erika fez uma coisa que me surpreendeu. Ela tirou de dentro da sua mochila a boneca de Eleanor e me entregou. Não sabia como ela havia conseguido pegar a boneca do meu quarto na casa de Stephen, mas o brinquedo estava ali. Fiquei olhando por alguns minutos para ela e então a coloquei no painel do carro. Eu estava, realmente, conseguindo cumprir minhas promessas!
–Aquilo que você fez com aquela fedelha foi... DEMAIS, Kimberly — Justin disse. — Pra onde será que você vai quando morrer?
Eu ri, pisei fundo no acelerador e disse:
–Não sei, mas para o céu eu sei que não é.
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