Zumbilândia - Matar ou Morrer.

37 Entregamos o soro e decidimos voltar para... Casa.


Notas iniciais
Hey, eu to doente e por isso demorei para atualizar a fanfic :c mas, o capítulo está aí. Boa leitura :3

Kimberly

Eu já sabia de cor e salteado o caminho até a casa de Stephen. Avancei para dentro do condomínio e em poucos minutos estávamos a frente da casa do pai de Erika. Ele devia estar surtando com o nosso sumiço, mas já estávamos ali. O que iria ser bom, para ele.

Drake bateu na porta três vezes. Pensei em tocar a campainha, mas não precisamos de alguns mortos-vivos que não morriam como companhia. A porta foi aberta segundos depois e assim que Stephen colocou os olhos em Erika, correu para abraçar a filha. Não dei muita importância, não queria lembrar dos meus pais, então apenas entrei na casa e fui pegar um pouco de água para beber. Justin ficou ao meu lado e fechou os lábios em um sorriso, ele parecia tão cansado quanto eu.

Às vezes, eu queria que o mundo voltasse a ser o que era. Eu duvidava de mim mesma. Não deveria ter feito nenhuma promessa. Eu era apenas uma garota comum com uma responsabilidade enorme nas costas, e, talvez, eu colocasse tudo a perder. Eu não queria decepcionar ninguém. Não queria perder mais ninguém, mas eu sabia que isso era um tiro no escuro. Em um apocalipse zumbi, as perdas são mais fáceis de superar do que as nossas próprias decepções de não ter conseguido fazer o que era certo.

Olhei para Justin e percebi que ele ainda me encarava. Eu não iria chorar na frente dele! Já havia demonstrado fraqueza demais esses dias e eu estava tão cansada de sair por aí chorando.

–Onde vocês estavam? — Stephen perguntou. — Já estava imaginando que vocês estavam mortos.

–É uma longa história — falei, sentando no balcão da cozinha. — Mas, o soro está aí. Começa a fazer o que você tem que fazer.

–Certo — ele assentiu. — Mas, antes, quero saber o que aconteceu.

–Adam Hill nos prendeu dentro de um laboratório na cede do governo, torturou a mim e a Erika, mas, no fim de tudo, eu o matei — falei.

–O que aquele desgraçado fez com você, filha? — Stephen olhou para Erika.

–Ele me infectou — ela disse, estremecendo. — Colocou sangue de zumbi no meu organismo.

–O que? — Stephen arregalou os olhos. — Então por que você ainda está aqui? Quer dizer, por que ainda é humana?

–O sangue era cientificamente modificado, ele queria fazer testes comigo — ela explicou.

–Aquele cara é um desgraçado — Stephen fechou os punhos. — A morte dele foi um bem para a humanidade.

–Não esqueça de dar os créditos a mim — falei, apontando para mim mesma. — Eu o matei.

–Você fez muito bem, Kimberly. Fez um favor a humanidade. Agora, cadê o soro?

Justin entregou a mochila para Stephen e ele dirigiu-se para o seu mini-laboratório. Subi as escadas e fui tomar um banho, estava exausta. Troquei de roupa e segui o cheiro de comida congelada que havia acabado de sair do micro-ondas. Ao chegar no andar de baixo, vi meus três amigos rindo e conversando alguma coisa enquanto pegavam pratos e talheres e serviam macarronada. Juntei-me a eles segundos depois.

Eu queria tanto ver meu irmão. Depois que meus pais morreram, Dallas havia se tornado minha única família. E depois de dias sem o ver, eu precisa apenas do seu abraço. Percebi que eu não havia tocado na comida e que estava com um pouco de dor de cabeça. Saí de perto dos meus amigos e sentei no sofá da sala, estava encolhida no canto quando Justin se juntou a mim.

–Ei, você está péssima — ele comentou.

–Pelo menos já tomei banho — falei, mandando a indireta diretamente para ele.

Justin riu e deduzi que ele foi tomar banho. Deitei no sofá e fechei os olhos. Em poucos segundos estava inconsciente.

–x-

Acordei com alguns murmúrios ao meu lado. Abri os olhos lentamente e percebi que Justin, Drake e Erika conversavam aos sussurros. Eles estavam com uma expressão abalada e eu imaginei que Stephen não havia conseguido terminar o soro. Ou qualquer coisa ainda pior, com zumbis estarem querendo invadir a casa e nos fazer de refeição.

–O que aconteceu? — perguntei.

Eles me encararam por longos segundos, Justin suspirou e disse:

–Está acontecendo algumas coisas nada boas.

Sentei-me ereta e fiquei analisando mentalmente as opções de "coisas nada boas" que poderiam acontecer para ferrar de vez a minha vida. Não consegui chegar a nada novo. Como de costume, só conseguia pensar em uma coisa: Stephen não conseguiu terminar o soro ou alguém morreu.

–O que por exemplo? — perguntei.

–Kate me ligou — Justin disse.

–E o que ela disse? Como está Dallas?

–Kimberly, as coisas estão fora de controle. Kate me disse que os zumbis não estão mais morrendo, não importa o que eles façam. O grupo se dispersou depois que Austin foi embora com Diana. Parece que as brigas para ser o "líder" eram constantes e então eles decidiram separarem-se. Kate disse que não tem mais noticias de alguns deles.

–E como está Dallas? — perguntei, já esperando pelo pior.

–Kate disse que ele está ferido. Muito ferido. Ela, Lucy, meus irmão, Dallas, Chistopher, Amber e John estão escondidos perto do centro de Tulsa. Está um caos por lá, Kimberly.

–E como Dallas se machucou? Por favor, me diz que ele não foi infectado — já sentia meus olhos marejados.

–Não, ele está bem, na medida no possível. Se acalme — Erika disse, vindo para o meu lado. — Ele apenas se feriu quando foram atrás de alimentos. Mas o ferimento é grave e eles não tem acesso a nenhuma farmácia. Ou qualquer tipo de curativo.

–O-Onde é o machucado? Quer dizer, qual parte do corpo dele está machucada? — perguntei, odiando-me por ter gaguejado.

–Kate disse alguma coisa sobre ser abaixo das costelas. Do lado direito. Eu não consegui entender direito, a ligação estava péssima.

Naquele momento eu soube que não deveria ter deixado Dallas. Não que ele não fosse capaz de se cuidar sozinho, mas porque eu não suportaria perde-lo. Levantei do sofá e fui até o quarto que dividia com Justin. Peguei uma mala pequena e comecei a socar todas as minhas coisas lá dentro, percebi que a porta atrás de mim foi aberta, mas não me importei em olhar para trás para ver quem era.

–Ei, nós não vamos embora — Erika segurou meu braço. — Sem chances de sairmos agora e termos alguma chance de chegar até Tulsa.

–Me larga! — falei, firmemente. Erika fez o que eu mandei. — Estou pouco me fodendo para chances.

–Kimberly, aqui é o lugar mais seguro onde poderíamos estar. Nós vamos ficar aqui! — Justin disse, me virando de frente para ele.

–Eu não vou ficar aqui, Walker! Dallas pode morrer se o ferimento é tão ruim quanto você fala. Pode infeccionar e sabe Deus mais o que. Eu não vou ficar aqui e esperar receber a noticia de que já estão preparando o funeral do meu irmão. Vocês querem ficar? Ótimo. Façam isso. Mas, eu vou embora.

–Kimberly, para de ser tão cabeça dura! — Justin me olhou com raiva.

–Cabeça dura? Eu quero cuidar do meu irmão. Você não entende? Não, claro que não. Seus irmãos estão ótimos, não é mesmo? — o empurrei para longe de mim e voltei a me concentrar na mala.

–Eu não vou deixar você ir embora! — ele disse.

Percebi que Drake e Erika saíram silenciosamente do quarto, como se não quisessem se envolver na briga que estava prestes a acontecer. Sábia decisão.

–Eu não preciso de você para decidir o que eu vou fazer ou não — falei.

–O soro ainda nem está pronto, porra!

–E daí? — eu o encarei. — Foda-se esse soro! Dallas é mais importante que uma porra de soro que pode nem dar certo. Eu já to cansada de ficar aqui e seguir com planos. Já chega! Eu quero ir para casa, quero ficar com Dallas.

–Cacete, Kimberly. Que casa? Ninguém mais tem casa!

–Em qualquer lugar que eu esteja com Dallas, posso chamar de casa porque ele é a minha família. Você obviamente não entende isso, afinal você vive dando a entender que sua família era uma droga e que você se quer tinha uma família de verdade. Mas, eu tinha uma família de verdade! Antes dessa porra toda de apocalipse zumbis estourar, eu sabia o que era ter uma família, Justin! Então, por favor, vaza daqui antes que eu fique com mais raiva!

Justin ficou me encarando por longos minutos até ele sair andando e bater a porta do quarto com tanta força que eu tinha certeza de que até Stephen deveria ter escutado. Eu estava com tanta raiva que seria capaz de matar todos os zumbis do mundo (ok, exagero. Mas, mesmo assim, eu estava com muita raiva.)

Peguei o abajur que estava perto da cama e o joguei na parede. Aquilo havia sido a última coisa que eu desejara. Não queria brigar com Justin, só queria que ele entendesse a minha decisão. As coisas estavam mais difíceis do que nunca e eu não podia ficar ali, de braços cruzados, esperando o fim dos tempos. Ainda mais com Dallas por aí ferido.

Percebi que a porta do quarto fora aberta, virei-me, imaginando ser Justin, mas era Drake e Erika. Voltei a encarar a minha mala e a fechei, deixei a mesma no chão enquanto deitava na cama. Minha cabeça estava explodindo e eu estava com muita raiva.

–Meu pai disse que o soro vai ficar pronto pela manhã — Erika disse.

–Você poderia esperar até amanhecer para irmos embora todos juntos — Drake completou.

Passei alguns minutos sem responder, mas acabei falando.

–Não posso esperar até amanhã. Preciso ver Dallas.

–Nós sabemos — Erika sentou na cama. — Eu sei o quanto você deve estar preocupada, mas agir por impulso não vai resolver nada. Você nem sabe onde ele está, apenas Justin sabe — encarei Erika com a testa franzida e ela completou: — Kate contou para ele.

–Ah, que ótimo! — bufei. — Eu acabei de brigar com o meu único mapa para chegar até Dallas.

–E nós também precisamos descansar. Quanto tempo tem que não dormimos? Faz dias. Não vamos conseguir passar por um bando de zumbis que não morrem se estivermos cansados desse jeito. O mínimo que vamos conseguir é ter os nossos cérebros virando papinha de zumbis — Drake disse.

Revirei os olhos.

–Ok, certo. Mas, nós vamos voltar para Tulsa assim que amanhecer.

–Você vai pedir desculpas para o Justin? — Erika perguntou.

–O que? Nem morta!

–Kimberly! — Erika deu um tapa na minha perna. E então eu lembrei que o corte que Olívia havia feito na minha perna ainda estava ali, e que havia voltado a doer. Erika também percebeu. — Vou chamar Justin para cuidar disso aqui. Já volto.

–Erika, se você fizer isso eu... — não consegui terminar a frase, pois Erika fechou a porta. Drake saiu logo atrás e eu senti vontade de dar uns tapas na cara daquela loira filha da puta. Que parte do "eu acabei de brigar com ele" ela não entendeu?

–x-

Alguns longos minutos depois, a porta do quarto foi aberta novamente. Dessa vez foi Justin que entrou por ela. Ele estava com algumas gases, esparadrapos e todas aquelas coisas que precisam para suturar um corte, na mão. Eu devia estar parecendo o Frankenstein de tanto a minha perna ter suturas. Justin ficou calado enquanto limpava o ferimento e suturava o mesmo. Doía, claro que doía, mas eu já havia aprendido a me acostumar com a dor, então permaneci calada.

O silencio que se instalou no quarto era algo bastante insuportável. Justin devia ter percebido isso, mas ele era tão orgulhoso quanto eu e não diria nada até que eu tomasse a iniciativa de puxar uma conversa.

–Olha, você nunca mais vai me ouvir dizer isso. Então, lá vai: me desculpe por ter dito tudo aquilo a você — falei.

Ele me encarou e disse:

–O que? Não ouvi direito.

–Vai se foder, Justin! Não vou falar de novo!

Ele riu, o que me fez rir também.

–Você é insuportável, Kimberly. Mas, você disse a verdade; eu nunca tive uma família e talvez seja por isso que eu não consigo entender a sua urgência em ver seu irmão. Mas consigo imaginar.

Assenti.

–Você vai com a gente? De amanhã?

–Óbvio que sim! Pode não parecer, mas eu sinto falta dos meus irmãos também. Sinto falta até de John, o que não é muito comum.

Eu sorri e o beijei.

–Lembra quando tínhamos em mente ir até o governo de Tulsa e pedir algumas explicações? — perguntei, enquanto ele finalizava o curativo.

–Lembro. Nunca imaginaríamos que todas as respostas estavam aqui, no México. Temos que agradecer a Drake e Erika depois por terem nos incluído nessa "missão".

–Não vou agradecer a ninguém. Sem chances — cruzei os braços.

–Orgulhosa — ele disse, ajeitando-me na cama, de modo que ele ficou em cima de mim.

–Orgulhosa é o meu nome do meio — sussurrei.

–Pensei que o seu nome do meio fosse "perigosa" — ele sorriu.

–É um deles — pisquei para Justin e selei nossos lábios.

Bem, o que aconteceu depois vocês podem imaginar...

–x-

Na manhã seguinte, Stephen nos entregou o soro finalizado. Erika insistiu para que ele fosse com a gente, mas ele preferiu ficar onde estava. Pegamos tudo o que iriamos precisar e bolamos um plano. Primeiro, iriamos atrás do que restava do antigo grupo em que eu e Justin fazíamos parte, assim que achássemos Christopher, Amber, John, Lucy, Dallas, Kate e os irmãos de Justin e fizéssemos um curativo no meu irmão, nós iriamos até Washington e entregaríamos o soro para o governo americano. Claro que exigiríamos que eles nos déssemos uma prova de que fariam o possível para ajudar os zumbis que ainda tinham chances de ser salvos e quando tivéssemos o que queríamos, nós procuraríamos uma casa e aguardaríamos as boas noticias. Parecia um plano perfeito, sem falhas, mas eu estava tão enganada...

Nos despedimos de Stephen e entramos na BMW ix35 que eu havia pegado "emprestado" da casa de Olívia. Como de costume, fui dirigindo, Justin foi ao meu lado e Drake e Erika foram no banco de trás. Eu estava esperançosa, mas alguma coisa me dizia que algo iria dar errado.

Fomos conversando o caminho todo e eu nem percebi o quanto havia sido rápido chegar até a fronteira México-Estados Unidos.

–Meu pai me disse que o soro ainda precisa ser testado, sabe? Para não ter nenhum erro — Erika comentou.

–O governo americano vai ter bastante tempo para testar — Drake disse.

–Ou não — completei. — Se depender de mim, eles vão testar enquanto tentam salvar a humanidade.

–Isso é loucura, Kim. O zumbi pode morrer e tudo vai por água abaixo — Erika disse.

–Ninguém tem tempo para deixar isso ir por água abaixo. Reze para que o seu pai tenha feito tudo certo aí, Erika — falei, acelerando o carro.

Antes que eu pudesse cruzar a linha invisível que divida o México do Estados Unidos, avistei um grupo de zumbis. Era uns vinte, mais ou menos. Coloquei o meu melhor sorriso diabólico nos lábios e olhei para o meu grupo.

A diversão, finalmente, começaria... De novo.

Notas finais
O que acharam? Comentem, por favor :3