Zona Obscura
17 17º - O Que A Verdade Muda?
Notas iniciais
O sol começava a raiar e enquanto o dia terminava para alguns para outros começava agora.
Na vila Blue não era diferente. Analie acabara de acordar e preparava-se para ir fazer a ronda e recolher o relatório das baixas daquela noite. Porque é que as pessoas não iam correr e ganhar uns trocos em vez de se matarem uns aos outros? É verdade que às vezes dar uns tiros até fazia bem para relaxar mas encher as ruas de sangue só por diversão já não é tão benéfico e nos últimos tempos piorara.
Ao menos agora era apenas à noite. Antes, dois chefes supremos atrás, era Analie ainda uma miúda, não se podia sair à rua sem um colete anti-balas e preparado para morrer.
A mulher dirige-se ao parque de estacionamento onde se encontra o seu tão amado Lamborghini.
Ao aproximar-se repara que o carro da sua rival e parceira está estacionado ao fundo do parque.
– Mas ela não disse que ia sair?
Curiosa Analie vai até lá confirmar. Tal não é o seu espanto quando vê Syrena e o seu chefe no banco do carro aos beijos quase nus.
Incrédula encosta-se ao carro que estava ao seu lado e espera que eles saiam.
Minutos depois o casal sai do carro e dá de caras com a mulher que saca de duas pistolas apontando-as a cada um deles.

– Sim senhor. Nunca pensei.
– Analie tem calma, pousa as armas. — Pede cuidadosamente o chefe de Blue.
– Da mamuda eu até podia esperar, mas de si chefe? Devia ter vergonha.
– Posso matá-la chefe? — Pergunta Syrena com um traço de fúria na voz.
– Chefe? Ali no carro era Patrick e gemidos, agora é chefe!
– Analie, já chega. — Patrick coloca a mão sobre uma das armas.
– Chefe deixe-me dar cabo dela. — Syrena estava a ficar impaciente.
– Cala-te mamuda que não é nada contigo!
Syrena chega ao seu limite e puxa de um punhal. As duas pegam-se.
Patrick lança um longo suspiro e dispara um tiro para o ar.
– Já chega desta merda! As duas!
As mulheres curvam-se numa reverência.
– Em primeiro lugar, eu e a Syrena não temos nenhuma relação amorosa, é apenas prazer. E segundo, a minha vida não te diz respeito Analie.
– Sabe chefe, você é um grande cretino. — Sorri Analie.
– Por isso é que vocês as duas me amam.
Patrick era o chefe da vila Blue, pouco se sabia dele a não ser que fora escolhido pela sua técnica com a arma e a sua perigosa mas eficaz maneira de conduzir. Não levava as relações a sério e o prazer é que era importante. Dizia-se que enquanto não encontrasse a mulher ideal assim continuaria.
***
Como prometido Anne conseguira a sua autorização de saída e o dia de folga com as faltas justificadas. Tentara saber como estava o Diretor mas Sakai Ryu fizera questão de evitar todo e qualquer contato com ela.
Não demorou muito até chegar à cidade e daí ao White Bar demorariam apenas mais alguns minutos.
Ao entrar no já conhecido bar, Anne começa logo a ser alvo de assobios e comentários maldosos.
– Olá boneca.
– Queres vir dar uma volta connosco?
Kenji aparece com a bandeja dando a ordem com o olhar para depositar as armas. A rapariga coloca lá o lápis e um canivete.
– A Informadora?
– Já disse que só te quero aqui quando fizeres dezoito anos. — Sam mostra-se. Estava sentada numa mesa a ler o jornal.
– Só faltam alguns meses. Preciso de uma informação.
– Não negoceio com menores de idade.
– E assim? — Anne apresenta um maço de dinheiro na mesa.
– Onde roubaste isso?
– Não roubei!
– O teu pai é um mãos largas. Que queres saber?
– Quero que me digas a que vila pertencem estes dois. — A rapariga entrega uma foto de Hinaichigo e outra de Wyuuko Hatanne.
Sam observa as fotografias.
– O que farás?
– Como? — Anne responde confusa.
– Vais matá-los? Já os conheces mas não fizeste nada. Se descobrires que eles não pertencem a Red vais matá-los?
– Eu... Bem... Eu não mato pessoas só por não serem da minha vila, só se eles forem de alguma vila hostil.
– Tu nunca matas-te ninguém miúda. Kenji leva-a à escola.
O barman aparece e agarra no braço de Anne.
– Larga-me! Eu quero saber!
– Kenji.
O homem agarra em Anne e coloca-a ao ombro. Corada a rapariga tenta soltar-se.
Sam sorri malvada.
– Não faças tanto barulho que espantas os clientes. E fica descansada que eles são inofensivos... — Kenji leva a rapariga embora. — ...por enquanto.
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