Zona Obscura
13 13º - A Lei Do Mais Forte
Notas iniciais
A cidade estava calma. As famílias encontravam-se reunidas a desfrutar do almoço. Alguns restaurantes estavam também em funcionamento e bem concorridos de clientes.
Um vulto vermelho passa pela estrada destabilizando a paz e descanso dos habitantes. Todas as pessoas paravam para ver passar o vulto e tentar descobrir o que se passava. Rumores e boatos nada a ver com a verdade começavam a ganhar voz pelas vilas onde o vulto passara sem parar nem dar satisfações acerca do que quer que fosse que acontecia.
O vulto era nada mais nada menos que o nossa já tão conhecido Ferrari vermelho que transportava a serial killer mais perigosa da história e o barman mais cobiçado da Zona Obscura.
A vila Yellow era já visível e desde que saíram de Black nunca pararam, há meia hora que conduziam a mais de 200km/h.
A fronteira é cruzada. A residência de Johnathan encontrava-se sensivelmente no centro da vila, o que seria aproximadamente dez minutos mais de caminho.
Kenji não dissera uma única palavra durante a viagem inteira o que deixava Raven ainda mais desconfortável para além de não fazer a menor ideia do porquê de estarem em fuga.
Os pensamentos de Raven são interrompidos por uma travagem brusca que quase a faz bater com a cabeça no tablier.
– Temos um problema. — Kenji olhava para o exterior seriamente.
No meio da estrada estava uma mulher. O seu olhar não deixava margem para dúvidas: não os deixaria passar sem concluir o seu propósito.
– Mas afinal o que é que está a acontecer? — Raven começava a ficar impaciente.
– Alguém contratou uma assassina profissional para te matar.
– O quê?! E quando é que pensavas contar-me isso?
– Quando nos encontrássemos com a Informadora.
Raven lança um pesado suspiro. Era por esta e outras razões que detestava homens.
– É a mim que ela quer é a mim que terá... — Raven abre a porta do carro sob o olhar interrogativo de Kenji. — Se me conseguir apanhar.
Alicia encarava a serial killer. Pesquisara sobre ela e sabia que não seria fácil ganhar. A sua curiosidade andava à volta do motivo de ela ser um alvo de Bernard. Se falhasse ela é que teria problemas.
As duas mulheres olhavam-se. A tensão crescia e uma atmosfera pesada rodeava aquela parte da estrada. A missão acabara de perder a componente sigilosa e discreta.
Um sopro de vento passa entre as duas. Uma pedra rola no chão. As duas atacam-se.
Alicia começa a disparar contra Raven que afasta as balas com uma fava. Descarregada, a arma é descartada e as duas pegam-se.
Um BMW preto estaciona em frente à mansão de Yellow. Sam sai lá de dentro e dirige-se ao interior do edifício sem qualquer cerimónia.
Hana encontrava-se no átrio principal a treinar e ao ver Sam corre até ela.
– Informadora!
– Olá Hana. Há quanto tempo.
– É verdade. Estás na mesma.
– E tu cresceste. O teu pai?
– Está lá dentro. Recebeu alguma informação.
Johnathan aparece vindo do escritório. O seu olhar de desagrado deixava transparecer que algo não estava bem.
– Que bom que vieste Sam.
– Suponho que já saibas de algo John.
– Parece estar a decorrer uma luta na estrada que liga a fronteira à mansão a Oeste.
– São elas?
– Pelas caraterísticas que os meus homens descreveram, sim.
– Quem é a assassina?
– Alicia.
– Vamos. — Fala Sam depois de uns segundos de silêncio.
Hana começa a seguir a Informadora.
– Onde é que vais? — Johnathan pára-a.
– Vou convosco.
– É que nem penses! Raparigas como tu não vão para sítios perigosos como esse.
– Pai!?
– Não é não!
– Importas-te de te despachar John? Hana, vens no meu carro. — Sam dá a discussão por terminada.
– Sam! Pára de dar más influências à minha filha. — Exalta-se Johnathan dando-se por vencido.
Eles chegam ao local. As duas mulheres encontravam-se ofegantes e apontavam armas uma à outra. Ambas pressionavam o gatilho à espera do momento certo.
– Elas vão matar-se! — Exclama Hana receosa.
– O supremo não vai gostar nada disto. — Suspira Johnathan encostando-se ao carro.
– Podes crer que não. — Afirma Sam.
A Informadora corre até ao local do confronto a uma velocidade impossível para os humanos normais.
As pistolas são disparadas. Sam chega no exato momento em que os gatilhos são apertados. Agarrando em ambas as pistolas desvia-as para cima fazendo as balas subirem para o céu.
– Informadora?! — Raven olhava perplexa para o que acabara de acontecer. Aquilo era impossível!

Uma aura começa a sair dos poros de Sam fazendo os presentes quase se curvarem perante ela.
– Vamos lá a saber, o que é que está a acontecer na minha vila? — Johnathan aproxima-se das três mulheres já recomposto.
Kenji sai do Ferrari. Sam olhava-o furiosa.
– Quando é que fazias conta de interceder?
– As minhas mais sinceras desculpas. — Kenji curva-se numa vénia respeitosa.
Alicia afasta-se e monta na moto.
– Lamento a intromissão D. Johnathan. Até à vista.
A assassina liga a moto e arranca. Ao passar por Raven atira a faca que Bernard lhe dera para os pés dela.
Raven apanha a faca. "Esta faca..."
– Finalmente acabou. Vamos até à mansão beber um chá. — Convida Johnathan entrando no carro.
Cada um entra no seu carro, indo Kenji com Sam.
Raven senta-se no banco do condutor do Ferrari e abre o fecho do casaco. Uma mancha se sange quebrava a brancura da ligadura.
– Aquele maldito porco nojento que se prepare... Vai morrer!
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