Zona Meia-noite
3 Capítulo 2 - Collin
Eu tenho que admitir que sou uma pessoa extremamente impulsiva.
Nem sempre é uma coisa boa, mas se eu não fosse assim, talvez já estivesse morto agora. Ontem à noite, vi um homem andando pelas ruas da cidade, logo após o horário que todos temem. Ele parecia bem suspeito. Andando, sem saber para onde estava indo, parecendo completamente... Insano. E era uma pessoa exatamente assim que eu precisava para jogar a culpa pelos crimes ocorridos, o que todos acreditam serem obras do misterioso assassino “C”. Para melhorar tudo, seu nome era Cedric. Era o suspeito perfeito, sendo só necessário que algumas pessoas se virem contra ele para todo o peso sair de cima dos meus ombros.
Se nada disso funcionar, eu vou mata-lo. O garoto é esperto, mas não o suficiente. Estou suspeitando de que ele talvez tenha ouvido minha conversa no telefone com... Ele... Não queria ter que fazer nada disso... Nós não queríamos... Porém, tudo agora se resume a uma coisa: Sobrevivência. Tudo apenas foi e será feito porque é necessário.
Já deve fazer um tempo que Cedric saiu de casa agora. Ele nem deve imaginar que eu o ouvi. Tão ingênuo... Liguei a televisão e comecei a ver o jornal. Foi neste momento que ouvi a porta da frente se abrir. Era Cedric. Não sabia como definir sua expressão. Raiva, medo, determinação, talvez até mesmo pena.
–O que ouve? – fingi preocupação. — Você esta bem? – falei, me aproximando.
Porém, quando cheguei mais perto, ele se afastou bruscamente, quase se jogando contra a parede. Seus olhos verdes me encaravam. Ele estava enfurecido.
–Foi você não foi? — ele grita – Você matou aquelas pessoas!
–O quê? Você está bêbado Cedric?
–Não se faça de idiota. Achou que conseguiria esconder as coisas de mim por quanto tempo?
Não... Não é possível. Queria acreditar que meu plano daria certo e acabei ficando cego. Não vou deixar tudo ir pelos ares agora. Mas que garoto mais estúpido.
–Você... – não consegui conter uma risada histérica – O que você esta pensando? Quer mesmo ter esta conversa comigo? É, eu tenho que admitir que te subestimei. Você se acha muito esperto não é? – falei, me aproximando dele- Mas, deixe-me te contar uma coisa. Eu sou mais.
Cedric virou de costas, indo em direção a porta.
–Você está ferrado Collin.
Foi quando agarrei sua jaqueta, do lado onde seu ombro estava machucado e o joguei de encontro a estante da sala, o fazendo perder a consciência.
–É isso que acontece quando alguém duvida do que eu sou capaz de fazer. –disse para mim mesmo.
Quando ele acorda, estou sentado ao seu lado, em uma cama.
–O que aconteceu? – ele parecia confuso. Depois daquela pancada na cabeça, ele não deve se lembrar de nada. Bom, eu dei uma ajudinha também. Se eu não forçar nada, ele provavelmente não irá lembrar o que aconteceu por um tempo. – Sinto como se estivesse sido atropelado por um ônibus.
–Acho que é mais provável que você tenha topado com um caminhão carregado de Whisky. Chegou aqui caindo de bêbado... Literalmente. Você bateu a cabeça na estante e acabou apagando.
–Eu não lembro de ter bebido. – ele falou sério.
–É claro que não... Depois daquela batida na cabeça. Qual é a última coisa que você se lembra?
–Erm... eu estava sentado na cama do quarto. Tínhamos acabado de chegar. – Cedric suspirou – Não sei de mais nada.
–Hum... Está tudo bem. Provavelmente não aconteceu nada de importante. De toda forma, não importa. Esqueça isso.
–Mas eu... – ele parecia determinado a descobrir
Não posso tocar muito nesse assunto, ou talvez suas memórias voltem mais cedo do que o esperado. Ele não poderia descobrir. Definitivamente não irei cometer o mesmo erro de antes.
–Esqueça isso. – falei em tom ríspido.
Ele pareceu um pouco assustado com a minha atitude.
–Desculpe ok? Talvez você consiga recuperar algumas coisas. Não é nada sério. – falei com um sorriso – Temos que começar a trancar a casa, a final esta quase na hora.
É claro que eu não tranquei nada. Tenho uma longa noite pela frente.
O relógio deu meia noite em ponto. Cedric desceu as escadas correndo, com os olhos arregalados. Ele estava suando frio. O que raios ele estava fazendo? Parece que nem ele mesmo sabia. Tentei entrar na sua frente, para impedir que ele saísse, mas ele simplesmente me empurrou de encontro a parede e saiu.
Foda-se , eu não tenho tempo para isso. Tenho coisas mais importantes para fazer do que cuidar de um garoto estúpido.
Segui em direção oposta de Cedric, procurando o destino indicado por Ele. Era onde estaria minha primeira vítima. Dei um sorriso com este pensamento. Era só a alguns quarteirões de minha casa, então cheguei rápido. Eu a avistei exatamente onde Ele disse que ela estaria. Era uma garota de 15 ou 16 anos, em frente a uma casa, tentando destrancar sua porta.
Fui andando silenciosamente até ela, e tampei sua boca com a mão, a arrastando até um beco escuro. Senti suas lágrimas escorrerem pelas minhas mãos, enquanto a garota tentava escapar, se debatendo desesperadamente. A prendi contra a parede, ficando de frente para ela e a olhando bem nos olhos. Eles eram de um azul penetrante tão intenso... Simplesmente incríveis. Fiquei hipnotizado por eles por um instante. Ela tinha cabelos castanhos, ondulados até a cintura e aproximadamente 1,67 de altura. Era realmente bonita. Um desperdício.
Eu peguei a faca da bainha e me preparei para finca-la em sua barriga, mas fui interrompido por um barulho estranho vindo do lado de fora. Vi a silhueta de um homem um pouco mais baixo que eu. Sai de lá apressadamente antes que ele me visse, deixando a garota no beco, sem poder fazer nada, e voltei para casa. Era muito arriscado ficar mais algum tempo lá com alguém tendo me visto e que agora, esta provavelmente me procurando. Se ela identificar meu rosto para a polícia, eu estou ferrado. Porém estava escuro... E ela estava realmente assustada. Droga...
No outro dia de manhã, acordei frustrado. Ele ficaria muito bravo comigo. Pior que isso.
Precisava esfriar a cabeça. Sentei no sofá e comecei a ver o noticiário. Nele dizia que uma garota tinha morrido noite passada. Uma garota de cabelos castanhos ondulados até a cintura, 1,67 de altura e olhos azuis.
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