Zona Meia-noite
4 Capítulo 3 - Alex
Ainda estou deitado na cama, de olhos fechados. As cobertas deixam meu peitoral á mostra. Consigo sentir a fria brisa da manhã entrando pela janela do quarto. Liz deve achar que eu estou dormindo, mas eu a ouço resmungar várias coisas, como “credo, que casa mais bagunçada” ou “vou me atrasar para o colégio”.
Se é errado ficar com uma garota de 15 anos? Provavelmente sim, quando você tem 22. Mas eu não me importo. Aquela garota sabe de várias coisas, e, para ficar de boca fechada, foi isso que ela pediu.
Abri meus olhos e vi que ela estava nos pés da cama, se vestindo apressadamente.
–Ah, bom dia. – bocejei, e logo em seguida me enrolei em uma toalha.
–Boa noite... Erm... Quer dizer, bom dia Alex. – ela parecia confusa. – Eu já estava saindo. Estou atrasada. – Liz disse enquanto dava pulinhos para calçar suas botas. – Tchau, te amo.
–Ei, espere! – a interrompi, puxando-a pelo braço e a dando um beijo de despedida. – Tchau.
Liz se afastou, sem graça, e caminhou até a porta. Fiquei parado, enquanto ouvia a porta bater atrás de mim.
Ela era uma garota linda. Muito mais madura do que as pessoas achavam. Tem 1,54 de altura, cabelos loiros até a metade da cintura e olhos verdes lindos. Quando a vi pela primeira vez, não imaginei que ela era tão nova.
Levantei da cama, saindo de meu devaneio com os músculos doloridos. Soltei um gemido ao pisar no chão. Deus, o que eu fiz noite passada para ficar assim? Sinto como se tivesse participado de uma luta de vale-tudo.
Fui até o banheiro e me olhei no espelho. Estava completamente acabado. Tinham marcas roxas ao redor de meus olhos, que estavam inchados e vermelhos. Era como se eu não dormisse á séculos. Virei de costas, onde parecia tem uma marca avermelhada perto da minha costela direita.
–O que raios? – falei para mim mesmo.
Eu realmente exagerei noite passada.
Preciso de um banho. Liguei o chuveiro e fiquei embaixo da água morna por um tempo. A sensação era reconfortante. Me fazia esquecer minhas preocupações por um instante.
Depois de alguns minutos, desliguei o chuveiro e me vesti. Estou ficando com fome. Talvez eu vá no Starbucks ou algo assim. Pequei as chaves do carro, e me dirigi ao único Starbucks da cidade.
–Bom dia senhor, o que vai querer? – uma mulher me perguntou.
Pedi um café e um muffin.
Enquanto estava comendo, avistei dois homens um tanto estranhos atravessando a rua. Os dois eram loiros e altos, e um deles eu juro nunca ter visto aqui antes. O que é estranho, nunca temos moradores novos em Chester’s Mills. O outro parecia bem preocupado.
Droga. Tenho que parar de me perder em pensamentos. Quase bati em outro carro.
–Cuidado, seu filho da puta! – o cara dirigindo o carro em frente ao meu gritou.
Não posso levar outra multa agora.
Estava dirigindo até a praça central, para ter conhecimento dos óbitos da noite passada, quando passei perto de um beco. Não sei por que, mas parei o carro e fiquei o olhando, enquanto flashes de memória percorriam minha mente. Ele me trazia recordações. Melhor eu esquecer isso, ou irão me internar em um hospício.
Ignorei aquela sensação estranha e continuei meu caminho até a praça. Tenho mais coisas para fazer, como uma notícia para o jornal e para a TV. Será um longo dia, e eu não tenho tempo para delírios e arrependimentos.
[...]
“Estamos aqui hoje na praça central da cidade. Como todos os dias, vamos citar os mortos, vítimas da noite passada. Infelizmente muitos perderam entes queridos, porém tudo o que temos que lembrar é que para passar por isso é necessário ter esperança de que tudo irá acabar um dia. Meus pêsames para os parentes e amigos de Emily Stefen, Louise e Lucy. Todos eles eram queridos. Eu sou Alex e agradeço a compreensão.
Desliguei a TV.
–Vi sua matéria hoje, querido. Você foi ótimo.
Me assustei com a fala dela. Quase pulei do sofá. Quando vi quem era, fiquei mais tranquilo.
–Ah, oi Liz... Você esta linda, como sempre.
Eu estava olhando a foto daquela garota que morreu. Qual era seu nome? Emily. É, acho que era isso.
–Você esta bem Alex? – Liz disse, preocupada.
–Não sei... Estou tentando tirar esta garota da minha mente, mas não consigo. – suspirei – acho que a conheço de algum lugar.
Ela deu a volta no sofá e sentou ao meu lado, apoiando a cabeça em meu ombro e analisando a foto.
–Hum... Talvez uma antiga namorada?
–Está com ciúmes de uma garota já morta, amor? – brinquei.
–Não seu bobo! – ela disse em meio a risadas – mas se você está tão preocupado, poderíamos ir até a praça durante o funeral.
–Acho... Acho melhor não. – algo se passou em minha mente – Ela foi... Uma amiga... Antiga paixão – penso em coisas que fazem meu rosto corar – Eu... me desculpe – minto.
–Mas se você... – a interrompi antes que ela pudesse terminar a frase.
–NÃO LIZ! –perdi a calma por um momento e gritei com ela. Liz era a única pessoa que eu me importava. Que eu não queria assustar. –Desculpe. É só... Não acho que seja uma boa ideia.
Ela me olhou, incrédula. Achei que ela iria me bater, perder a calma ou teríamos mais uma daquelas discussões que parecem ser intermináveis. Mas logo sua expressão de desfez e ela me abraçou, o que significava que estava tudo bem entre a gente. E significava também que ela sabia o que eu havia feito com essa moça. Ou, pelo menos, achava que sabia.
Bebi muito noite passada, não me lembro exatamente o que aconteceu.
–Liz... Eu te amo. – sorri e coloquei a mão direita na coxa dela.
–Eu sei, seu bobo – ela sorriu e encostou o nariz dela no meu. – Puxa... Estou morrendo de fome! Vamos sair comer algo? – ela se levanta e sai rebolando.
Mordi o lábio inferior.
Liz estava se trocando no quarto... Não que eu estivesse olhando ou coisa parecida.
Ela vestiu uma mini saia preta com uma blusa fina, e um sobretudo cinza por cima, o fechando e deixando apenas a ponta da mini saia a mostra. Então colocou uma meia calça preta, botas e uma boina. Era o estilo de roupa que ela normalmente usava. Ficava bem nela.
Me aproximei e corri meus dedos pela sua bochecha, descendo até a ponta da saia (o que não ficava tão longe assim). Ela ficou meio constrangida, então me afastei.
–Você esta perfeita – eu sorri.
–O que você acha de comida japonesa? — ela fez bico e cruzou os braços.
Eu sorri e fomos até o restaurante.
[...]
Era mais de meia noite quando chegamos em casa. Acabei bebendo de mais e me atrasando... O que não é novidade.
Alguns ladrões estavam rondando minha casa. Liz estava com medo, tanto que até desmaiou. A peguei nos braços, como uma criança.
–Vão embora daqui seus idiotas! – eu falei para eles – Ela não pode saber!
Quando Liz acordou, a contei outra história.:
–Eu bati neles querida... Nunca mais irão nos incomodar de novo. Eu te amo. Não irei deixar nada de mal acontecer com você.
–Eu te amo também... –ela disse, confusa.
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