Naquele momento eu entrei em estado de choque e não consegui dizer ou fazer nada durante alguns segundos, até que a Carol, ou melhor, aquela coisa, se distraiu e veio em minha direção devagar o suficiente para que eu corresse e entrasse no quarto dos meus pais. Tranquei a porta e ouvi os gritos da Madison:

– Mackenzie! O que está acontecendo ai em cima?

– Entra no banheiro ai de baixo, tranca a porta e não sai daí por nada até eu chegar.

– Está bem, mas o que está acontecendo?

– É a Carol, ela virou um zumbi e já devorou a Bia!

Eu estava em pânico e chorando, não sabia o que fazer. Carol tinha começado a arranhar e bater na porta. Comecei a chamar pela Carol e pela Bia, mas é claro que elas não responderam. Eu deitei na cama e a única coisa que eu conseguia fazer era chorar, chorei até que minhas lagrimas acabaram. Eu tinha que fazer alguma coisa, minha irmã não se cansava e eu ia ter que sair dali alguma hora, já não ouvia mais os gritos da Madison, então fiquei muito preocupada e decidi que tinha que sair dali de um jeito ou de outro. Eu sabia que teria que mata-la mas também sabia que não conseguiria.

A janela do quarto em que eu estava dava para a varanda onde tinha uma escada, peguei uma chave de fenda e um martelo na caixa de ferramentas do meu pai e pulei a janela. Entrei pela porta da cozinha, passei pela sala para pegar o telefone e entrei correndo no banheiro que a Madison estava. A essa altura eu já não chorava mais, mas ela estava aos prantos, tentei acalma-la, sem sucesso. Então deixei que ela ligasse para os pais dela primeiro. Eles estavam bem, mas muito assustados nos mandaram ir para lá imediatamente. Antes de irmos liguei para os meus pais:

– Mãe! Onde vocês estão? O mundo está acabando...

– Filha, que bom que você está bem, onde estão suas irmãs?

– Mãe...

– Fala logo, onde suas irmãs estão?

– Elas... Viraram aquelas coisas – Voltei a chorar descontroladamente.

– Elas também estão doente? Todos aqui estão doentes e muito agressivos

– Essas pessoas não estão doentes – disse a interrompendo — elas são zumbis, estão mortas e querem comer você, o papai está bem não é?

– Sim, seu pai está bem. Você está louca menina? As pessoas não estão mortas, só estão doentes.

– Vocês não foram mordidos não é? Não sei como o vírus se espalha, mas não parece ser pelo ar, deve ser pela mordida! Não cheguem perto dessas coisas!

Eu não conseguia parar de chorar.

– Minha filha tem um estádio de futebol aqui do lado, onde a infecção já chegou. Não venham para...

Depois disso o telefone ficou totalmente mudo. Entrei em desespero, não sabia o que fazer. Tínhamos que ir na casa da Madison primeiro porque era mais perto, mas depois com certeza eu ia para onde meus pais estavam, eu não ia desistir. Comecei a falar com ela:

– Olha Madi vamos ter que sair, mas antes vamos pegar algumas coisas necessárias. Não vou ter coragem de matar minhas irmãs então vamos fazer assim: Nós duas subimos correndo, eu empurro a Carol que está tentando abrir a porta do quarto para dentro e você fecha a porta do quarto dela porque a Bia está lá.

Fizemos isso e quando eu tranquei a porta cai no chão e comecei a chorar, Madi me acalmou e disse que sentia muito pelas minhas irmãs e que íamos encontrar meus pais. Pegamos coisas necessárias como roupas, remédios, comida e a arma que meu pai guardava, eu não sabia usar aquela coisa, mas achei que seria útil.

Se você nunca perdeu alguém que amava muito, não sabe o que eu senti. Não existe dor maior que essa no mundo, é uma dor que eu não desejaria para o pior dos meus inimigos. Eu ainda tinha esperanças de encontrar meus pais vivos.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.