Notas iniciais
Olá, mais um capítulo pra vocês
Xx

-Vou caçar, isso aí pode demorar — eu disse olhando pra Ísis — Acho que podemos dormir por aqui mesmo, dentro do motor home.

-Acha que é seguro?

-Nenhum lugar é seguro — ele assentiu.

Peguei a bésta e prendi uma 38 e algumas facas em meu cinto e entrei na floresta. A mata delineava toda a rodovia. O único barulho que eu ouvia dentro da floresta era o som dos meus coturnos no chão e alguns passarinhos cantando. Parei um segundo só para sentir o cheiro maravilhoso da natureza. Como quando eu ia acampar com o Lucas e ele mentia para os pais que ia dormir na casa da namorada que nunca existiu.

Em umas duas horas tinha conseguido apenas 3 coelhos. É difícil competir com os zumbis, pois é.

Ouvi um grito feminino. Meu coração acelerou. Corri atrás do som.

-IS? ÍSIS? — gritei enquanto corria.

Cheguei a origem do som. Não era Is.

Dois garotos de uns 19 ou 20 anos cada um tentavam se defender de uma pequena horda de 10 zumbis. Subi numa árvore com a bésta em mãos. Uma coisa sobre zumbis: são burros demais para escalar.

Matei 5 com flechas 2 atirando as minhas facas e os outros 3 os dois garotos mataram enquanto a garota chorava encolhida. Desci da árvore com os coelhos nas costas.

-Vocês estão bem? — perguntei enquanto o garoto loirinho de uns 1,70 de altura tentava acalmar a garota loira de olhos azuis e 1,65 de altura e o garoto de, mais ou menos, 1,78 de altura, cabelos castanhos cacheados e olhos verdes tentava respirar, ofegante.

-Você nos salvou — disse o cachinhos.

-É, algo do tipo — eu disse retirando as minhas flechas e minhas facas das cabeças dos zumbis, sujando as minhas mãos de bile preta.

-Obrigada é... — A garota disse.

-Cléo, e vocês...

-Ah, esse é o Logan — cachinhos apontou para o loirinho -, a irmã dele Liz e eu sou...

-Cachinhos — completei, ele riu.

-Eu tenho um nome. É James.

-Cachinhos ainda soa melhor — eu disse, fazendo-os rir.

-Então você se vira sozinha? — Logan perguntou.

-Não, tenho um grupo pequeno, 4...3 pessoas — me corrigi — podem se juntar a nós se quiserem.

-Acho que vamos aceitar — Logan disse.

-É seria bom ter alguém pra conversar — Liz falou.

-Bom, 3 contra 1 — Cachinhos sorriu, mostrando suas covinhas

Os dirigi até a margem da rodovia, mas parei assim que vi Ísis ainda chorando com Johanna nos braços.

-O que aconteceu? — Logan perguntou.

-A gente estava a pé quando chegamos. Somos mais rápidos que um zumbi, mas essa é uma característica que não ajuda contra uma horda grande. Quando a horda chegou nos escondemos em baixo dos carros, já que todos nós estávamos fedendo como eles. Todos nós, menos Johanna.

-Sentiram o cheiro dela — Cachinhos disse. Assenti.

-Cléo, você demorou! Fiquei preocupado — Lucas disse quando me viu.

-É, foi mau, acho que os zumbis comeram toda a caça, mas consegui uns coelhos — eu disse mostrando os coelhos a ele. Ele sorriu.

-Quem são eles?

-Achei na floresta, estavam se defendendo de uns zumbis. Pareciam tão apavorados quanto nós.

-Você confia neles?

-Eu não confio em ninguém.

-E mesmo assim os trouxe para o grupo?

-A garota ta apavorada, devia ver o Logan cuidando dela.

-E daí? O Hitler também tinha uma garotinha.

-Não tinha não.

-Ta, mas se tivesse você confiaria nele por isso?

-Qual o problema Lucas? Você confia em todo mundo!

-E você, que nunca confiou em ninguém, resolveu começar agora?

-Exatamente, que bom que entendeu. Eles ficam e ponto — ele bufou, olhei pra Ísis do outro lado. Johanna acordou, arregalei meus olhos. Lucas olhou.

-Você acha que...

Não pensei fui mais para perto, para se caso ela não conseguisse.

-Anna, desculpe por tudo, desculpe por isso, desculpe por deixar isso acontecer, desculpe — ela disse chorando, e então o estouro da arma soou, e Johanna caiu no chão.

Me ajoelhei ao lado dela, e a abracei de lado.

[...]

-Então, vocês vão pra onde? — Lucas perguntou para os meninos,enquanto jantávamos meus coelhos.

-Londres — Logan respondeu. Ísis, Lucas e eu trocamos olhares.

-Não é uma opção — Ísis disse, cabisbaixa numa voz quase inaudível.

-Por que não? Não ouviram as transmissões? Eles tem campos de refugiados, não tem zumbis por lá — cachinhos disse, os olhos dele pareciam ainda mais verdes com o reflexo da fogueira.

-Não, vai por mim, nunca teve isso por lá — Eu disse. Eles me olharam — a gente saiu de lá. No início a ideia era mesmo essa, mas é claro que gente infectada entrou na cidade e eles acabaram jogando bombas biológicas em todo mundo. Não tem nada lá além de gente morta. Gente morta que caminha. — eu disse.

-Então, qual é o plano de vocês? — Logan perguntou.

-Ir pro norte, onde faz mais frio, e em cidades pequenas, que foram evacuadas primeiro. Essas cidades tem menos zumbis e mais lugares isolados que podemos ficar.

-Não é uma opção. Viemos do interior, não tem nada além de gente morta — cachinhos disse, copiando a minha fala. Ísis e Lucas me olharam, sempre sou eu que dou os planos. Isso que da ser fã de zumbis no tempo que isso não passava de fantasia.

-Podemos ir pro litoral, e achar uma ilha pequena, talvez. Tudo bem que nós vivemos numa ilha, mas nossa ilha é grande, penso que se a gente achar uma ilha pequena podemos limpá-la e viver por lá. Até onde eu sei, zumbis não nadam — eu disse.

-Amanhã a gente vê o que faz — Lucas disse lambendo os dedos — Vamos jogar um jogo.

-Um jogo? — Liz perguntou.

-Nem no fim do mundo você vai parar com esses seus jogos toscos? — perguntei, ele me ignorou.

-É assim, eu vou fazer uma pergunta e todo mundo vai responder a mesma pergunta, só pra gente se conhecer melhor, entenderam? — eu ri.

-Até o falecido coelho entendeu — eu disse. Ele me fuzilou com os olhos.

-Da pra calar a boca ou ta difícil? — Lucas perguntou.

-Ta difícil — respondi, fazendo os outros rirem — sério que esse é seu melhor?Até verdade ou consequência é melhor.

-Foda-se, ninguém pediu sua opinião — ele disse.

-Olha você falando palavrão! O fim está próximo mesmo.

-Cléo, você ta me irritando.

-Então ta funcionando.

-Parem vocês dois — Ísis disse, nós a olhamos — eu vou começar. Qual a música favorita de vocês? A minha é "Heart on fire"

-"Shine on you crazy diamond" — Cachinhos disse.

-"Fly me to the Moon" — Logan disse.

-"Boyfriend" — Liz falou sorrindo. Acho que temos uma bilieber.

-"Happy Birthday" — Lucas disse o que me fez fuzilá-lo com os olhos — Que foi? É a minha opinião! — Revirei os olhos.

-"Crazy little thing call love" — eu falei.

-Certo, minha vez, qual a coisa que você fez mais certo na sua vida? — Logan perguntou.

Nesse momento, enquanto eles respondiam suas perguntas uma nuvem de pensamentos inundou minha mente. Levantei e entrei no motor home. Sentando de costas para a fogueira, feita com os devidos precauções para não dar fumaça nem iluminação demais, em que eles estavam sentados na rua.

Fiquei alguns minutos sozinha em silêncio até que escuto o barulho da porta abrindo.

-Eu nunca fiz nada certo na minha vida — eu disse a Ísis.

-Isso não é verdade — ela disse sentando.

-É sim, por exemplo, agora quem devia ta te aconselhando era eu, e eu to aqui deprimida por um motivo idiota.

-Lembra quando eu quebrei meu braço e você me levou pra emergência de skate? — assenti — Foi em plena epidemia de gripe suína, e a enfermeira disse que os casos mais graves deveriam ser atendidos primeiro. Aí você levantou e foi brigar com ela porque eu não era considerada um caso extremamente grave, e você disse pra ela que...

-Que ninguém pode medir a dor das outras pessoas — completei. Ela assentiu.

-Ninguém pode medir a tristeza de ninguém Cléo. A minha irmã morreu, mas sinceramente? No mundo de hoje, uma morte é uma coisa boa, porque significa que ela ta num lugar bem melhor que esse. — suspirei — E quanto a você nunca ter feito nada certo na sua vida...Você fez sim, e não foi só uma vez. Você hoje podia escolher entre me salvar e salvar a Johanna. Você não podia salvar as duas. Você me escolheu. Isso é uma escolha certa. Você salvou aqueles garotos e a garotinha. Você escolheu seguir a sua vocação, mesmo com seus pais te botando pra fora de casa. Você...

-Certo, sou foda, já entendi — eu disse rindo e enxugando uma lágrima. Ela riu também.

-Obrigada. — ela disse

— Pelo quê? — perguntei levantando uma sobrancelha.

-Por me salvar.

-Você também me salvou uma vez, lembra? Estamos quites agora. — ela sorriu, e me deu um abraço.

Notas finais
Gostaram? Comentem e me deixem feliz xx