Notas iniciais
Boa leitura!

#Ruby Leens

" O maior erro que você pode cometer, é o de ficar o tempo todo com medo de cometer algum. " {Elbert Hubbard}

Voltamos para a cozinha, Scarlett trancou o porão e foi guardar a chave. Voltou segundos depois com uma grande mochila, cheia de repartimentos, nas costas. Sabia que a mochila estava cheia de armas e munições.

Olhei para minha cintura onde se encontrava um coldre de couro com uma arma — que Scarlett dissera se chamar Bereta 92fs — bem guardada.
Não sabia o que pensar sobre isso. Ao contrário de Scarlett, acabei odiando armas e policiais.

Quando eu tinha 10 anos, costumava passar as férias de verão na casa de meu tio Jimme Spike, ele era policial. Eu o adorava, sempre brincávamos e nos divertíamos muito juntos. Ele era a minha pessoa preferida no mundo. Então... Um dia ele teve de sair para realizar uma tarefa.

" É muito importante, Ruby " — Disse ele.

" Você vai demorar? " — Perguntei com os olhos marejados.

" Volto logo querida, eu prometo "

Mas ele nunca voltou. Ouvi minha mãe cochichar com meu pai que ele havia levado um tiro no peito e não resistiu. Passei os 2 anos seguintes trancada em casa, sem sair para nada e tendo aulas particulares em casa.

Porém, após minha mãe insistir tanto para que eu fosse a escola e fizesse amigos, percebi que nada do que eu estava fazendo resolveria alguma coisa. Ele não voltaria mais e me isolar do mundo com certeza não adiantaria nada. Ele iria querer que eu vivesse a minha vida. E foi aí que conheci a Scarlett.

Nunca contei a ela nada disso afinal, o pai dela é policial e o sonho dela é se tornar uma policial também.

— Ruby?

Sai de meus devaneios e vi que Scarlett agora segurava uma mochila, grande como a dela porém, vazia.

— Ahn... Sim?

— Tá tudo bem? Você ta com uma cara estranha. — Falou ela.

— Ah, tudo bem. — Forcei um sorriso.

Ela não pareceu acreditar em minhas palavras mas, não discutiu. Pegou a mochila que Jeff havia entregado a ela, cheia de alimentos e colocou-a em cima da mesa. Começou a tirar tudo lá de dentro enquanto Jeff transferia os alimentos para a outra mochila vazia.

— Ah, Ruby, você pode fazer isso para mim, enquanto pego mais comida nos armários? — Perguntou Lett.

— Ok.

Fui até ela e tomei o seu posto, Jeff dirigiu a mim um leve sorriso e depois, tornou a olhar para as latas de comida.

— Oba! — Exclamou Lett.

Eu e Jeff olhamos para ela. Lett estava enfrente a um armário de parede segurando uma caixa de papelão, de tamanho médio. Voltei minha atenção novamente para a comida pois já sabia o que ela estava fazendo e ouvi-a conversando sozinha logo atrás de mim.

— Ai como eu amo vocês minhas queridas. — Murmurou ela.

Jeff olhou para mim com uma sobrancelha erguida .

— Com quem ela está falando? — Perguntou.

Eu sorri.

— Não se preocupe, ela faz isso sempre. Está conversando com a caixa de barrinhas de cereal, ela ama isso, sabe — Respondi tampando a boca para abafar uma risadinha.

— Ah, tá. — Disse ele sorrindo também — É que isso soou um pouco lésbico, não que tenha algum problema sabe

— Eu sei, só não deixa ela saber que você disse algo assim. — Respondi, me acabando de rir.

— Do que estão rindo? — Perguntou Lett se aproximando com os olhos semicerrados e mesmo assim, sorrindo.

— Ah, nada. — Falei retribuindo-lhe um sorriso descontraído.

— Certo, Tome. — Ela entregou a Jeff a caixa de barrinhas de cereais e mais algumas comidas enlatadas: Sopas, milho, verduras e etc. — Vou pegar remédios, esperem um momento.

Ela saiu da cozinha e um silêncio recaiu sobre mim e Jeff.

— Então... Vamos para São Francisco? — Jeff quebrou o silêncio após alguns minutos, com uma pergunta óbvia.

— Parece que sim. Você sabe dirigir? — Perguntei

— Sei, e você?

— É... Não sou lá essas coisas mas, sei sim.

— E a Lett?

— Ela é bem melhor que eu, mas gosta de pisar um pouco no acelerador — Falei com um sorriso enviesado.

Jeff sorriu.

— Entendo!

— Já não teremos problemas com isso. Podemos trocar de motorista sempre que algum se cansar. — Falei

— É verdade.

Scarlett voltou segurando algumas caixas de analgésicos e remédios diversos.

— Então, vamos? — Perguntou ela colocando os remédios em uma das mochilas pequenas que Jeff nos fornecera — O único problema é que meu pai levou o carro.

— Acho que isso não será um problema. Deve ter muitos carros por ai, vazios, sem seus devidos donos. — Falou Jeff

— O quê? Roubar? Não, não, não. — Falei

Não gostava da ideia de jeito nenhum.

— Ah Ruby, não temos opção, temos de sair daqui. O que sugere? — Perguntou Jeff

— Eu... Ah... — Não sabia o que falar. — Mas, não podemos...

— Você acha mesmo que alguém está por ai exigindo a lei em pleno apocalipse? — Perguntou Lett.

— Não... Ah... Bem..

— Está decidido! — Disse ela pondo a mochila de armas nas costas e gemendo um pouco, devido ao peso.

Jeff se levantou e pôs a mochila de comida nas costas sobrando para mim, apenas a mochila de medicamentos.

Lett tomou a dianteira do grupo com Jeff logo atrás dela, eu encerrava a fila indiana. Ela abriu a porta e saiu empunhando seu machado. Passei o olho pelos dois lados da rua para verificar se havia algum infectado a caminho e visualizei, de longe, alguns vagando no meio da rua.

Lett apontou para um Corola preto, na garagem de uma casa logo adiante.

— Aquele vai servir — Falou.

Nos dirigimos até lá e Scarlett pulou o muro numa facilidade impressionante. Jeff me deu pezinho e pulou logo depois de mim.

— Vamos revistar a casa para tentar encontrar as chaves, tenham cuidado. — Falou Jeff com a faca na mão.

Entramos juntos na casa que aparentava estar vazia. Era uma casa de tamanho médio, com móveis velhos e tintura descascada. As janelas de madeira estavam sendo devoradas por cupins, aparentemente, há anos.

A nossa única fonte de energia era a luz do sol de meio-dia que entrava pela fresta aberta da janela. Tateei as paredes a procura de um interruptor e quando, finalmente o achei, descobri que a casa estava desprovida de energia.

Enfiei a mão na mochila onde havia guardado todas as coisas que Scarlett me fornecera e peguei a lanterna preta e a acendi.

Scarlett olhou pra mim e murmurou:

— Ah, é mesmo. Havia me esquecido. — Então, enfiou a mão no bolso pequeno da mochila e tirou sua lanterna. Jeff fez o mesmo.

— Certo, vamos nos dividir. Vou por aqui — Jeff apontou para a cozinha — Lett, vá por ali — Ele apontou para um quarto grande — E Ruby, olhe na sala e naquele outro quarto pequeno.

— Ok.

Pus-me a procurar por uma chave, provavelmente pequena e acompanhada de um controle miúdo. Ergui a machete pronta para atacar qualquer coisa à minha frente. Resolvi procurar primeiro na sala.

Uma televisão extremamente antiga estava disposta sobre uma pequena mesinha de madeira que parecia querer ceder a qualquer momento. Passei a mão por cima da televisão para verificar se o pequeno objeto não se encontrava por lá, mas a única coisa que lá estava, era uma grossa camada de poeira.

Dirigi a pouca luz que tinha para uma estante de madeira, repleta de livros empoeirados e encardidos. Percebi, na hora, que não havia como ter uma chave de carro ali, afinal, não tinha espaço.

Passei então, para duas poltronas acolchoadas com um tecido brega de flores, a espuma estava para fora do assento de uma das poltronas. Apalpei cada uma delas, olhando bem os cantinhos, mas nem sinal da chave. Então, me dirigi para o último móvel presente na sala de estar. Uma pequena mesinha de centro.

Acima da mesa havia um jarro de flores, branco com listras azuis na horizontal, com flores muchas e pétalas caídas sobre a mesinha. Iluminei o interior do jarro, mas nada havia lá senão terra seca e algumas pétalas muchas. Me dirigi então para o pequeno quarto ao qual, fiquei de olhar.

De móveis no quarto haviam, apenas, um guarda-roupas de duas portas, uma cama de solteiro e uma pequena cômoda. Uma janela de madeira com dois pequenos detalhes de vidro deixava entrar uma grande quantidade de poeira por um buraco aberto, provavelmente, por cupins.

Abri a primeira porta do guarda-roupas e vi que estava totalmente vazio, exceto por uma grande e gorda aranha que fazia sua teia calmamente, num canto. Abri então o segundo lado e vi que nada havia lá senão uma bolsa velha e alguns papéis encardidos e rasgados. Fechei o guarda-roupa tocindo devido a imensa quantidade de poeira presente no aposento.

Apalpei a cama, tirei o travesseiro do lugar e levantei a colcha. Nada.
Então de repente, ouvi um grito ensurdecedor e reconheci na hora, se tratar da voz de Scarlett. Abandonando totalmente a procura pela chave do carro, me dirigi o mais rápido que pude para a porta, mas bati com o dedinho do pé na cômoda e algo de vidro se estraçalhou no chão. Comecei a dar pulinhos, na esperança da dor passar, mas ao invés disso, pisei com o outro pé, em cima de algo frio. Apontei a lanterna para o objeto. Era a chave. Me abaixei e a peguei, em seguida, ignorei a dor no dedinho e corri para o lugar onde Lett deveria estar e vi: Scarlett estava caída no chão, seu machado estava longe de seu alcance e a cima dela, lutando para mordê-la, estava uma velhinha de uns 80 anos, com cabelos grisalhos e pele enrugada.

Scarlett segurava os ombros da velha infectada, mas parecia que não aguentaria por muito tempo. Me aproximei ligeira e enfiei a machete em sua cabeça, ela caiu sobre Lett, imóvel. Puxei-a pelos braços frágeis, e a joguei do outro lado do quarto, em seguida, ergui a mão para Lett que a aceitou sem pestanejar e se levantou arfando.

— Tudo bem? — Perguntei.

— S-sim... O-obrigada.

Jeff entrou no quarto correndo segurando a faca e vindo em minha direção com um olhar ameaçador.

— Calma, calma. Sou eu. — Falei iluminando meu rosto.

Ele parou no ato.

— Desculpe, pensei que fosse um infectado. — Respondeu ele baixando a faca.

— Segurando uma lanterna e uma machete? Que estranho. — Falei rindo da cara dele.

— Não pensei nisso. — Respondeu sorrindo — Então, o que aconteceu? Quem gritou?

— Eu... — Lett contou a ele o que havia acontecido.

Ele se virou para mim.

— Que bom que chegou a tempo.

— Sim. — Respondi.

— Então, acharam a chave? — Perguntou Lett.

Ergui a mão e balancei a pequena chave de ferro.

— Ótimo, vamos dar o fora daqui. — Disse Jeff.

Saímos da casa, Lett e Jeff entraram no carro discutindo o fato de Jeff não querer deixar Lett dirigir devido ao susto que ela havia tomado.

— Pode relaxar ai mocinha, eu dirijo agora, depois você toma meu posto — Disse ele.

— Mas...

— Sem mas, entra logo no banco do passageiro. — Disse ele sorrindo.

Parei, antes de entrar no carro e olhei novamente para a casa. Acima da pequena portinha de madeira havia o número da casa impresso numa placa de vidro. " 178 "

Entrei no carro e Jeff ligou o motor.

— São Francisco, lá vamos nós. — Disse Jeff

Notas finais
O que acharam deste capítulo? Comentem críticas construtivas, opiniões, elogios e etc... Próximo capítulo: 18/01/2017 - Quarta-feira Não deixem de conferir! ♥ ^^