Zombie Attack
29 II - Planos.
Notas iniciais
Eu ainda não podia discernir o real do sonho, se é que isso poderia se chamar assim. Então abaixei minha cabeça levemente e assenti afirmativamente, movendo minha mãos em frente a meus olhos e encarando a cama logo abaixo de mim.
Era tudo muito estranho, além do pesadelo as visões de Lara em meio a multidão e/ou sendo confundida com outras garotas semelhantes ou não a ela fisicamente.
Seu pedido após termos a deixado ainda permanecia em minha mente.
— Não se esqueçam de mim! (Lara)
Como um trauma eu não conseguia esquece-la, e mesmo que quisesse minha mente não deixaria. Não entendo muito bem o porque daquela garota ter me marcado tanto, afinal não passamos mais que poucos dias juntos, mas por algum motivo la dentro de minha alma eu sentia que a conhecia a vida toda, podendo dizer ate que gostava dela mais do que de mim mesmo.
Além é claro do pedido de seu irmão que surgia em minha mente junto da frase da mesma.
— Ei estranho, obrigado, tome conta dela por mim? (John)
Perdido em meus pensamentos e com a cama encharcada de suor, elevei minha face levemente e Cleber ainda me encarava preocupado.
— Lara? (Cleber)
Eu apenas voltei a acenar afirmativamente com a cabeça.
Ele notou que eu nao continuaria com o dialogo e tentou puxar outro assunto.
— Realmente, com tudo o que esta acontecendo e o mundo em que estamos vivendo... Estranho seria se nao tivesse um...
— Sim... (Eu)
— Eu também sonhei... Se quiser conversar sobre... (Cleber)
Por um momento pensei em dialogar, mas voltei meu olhar para a parede em frente a cama e apenas tentei me convencer tanto quanto convencê-lo.
— Estou bem. (Eu)
Claramente eu sabia que não estava bem, acredito que por ter me perguntado ele também ja havia notado isso. Tentei não preocupa-lo contando nada além do necessário para que ele apenas permanecesse informado.
— Tudo bem então, mas se precisar falar com alguém, pode contar comigo... Ou pode tentar falar com o Rubens. (Cleber)
Eu ainda encarava a parede quando repeti da forma mais calma, normal e natural possível.
— Estou bem! Obrigado! (Eu)
Cleber se ajeitou na cama e deu um gemido baixo de dor quando o fez, então voltou a se deitar, de costas pra mim, parecia ter sido convencido, então me movi em minha cama e desci da mesma pela escada lateral.
A janela do quarto estava aberta e mesmo que a luz do sol estivesse adentrando e clareando o quarto, podia se notar que ainda era muito cedo, provavelmente o sol havia acabado de nascer.
Caminhei até a mesma e pude ver a lateral do navio e ao fundo o mar, afinal nossa janela ficava voltada para o lado oposto da terra firme.
Não havia nenhum sopro de vento ou nem mesmo uma brisa, estava tudo calmo e muito parado, até mesmo a água nao se movia.
Fui caminhando em direção à porta e um flash veio em minha mente, Lara pulando em mim transformada, como morta-viva. Hesitei, mas levemente girei a maçaneta, olhando pra trás e notando Cleber a se arrumar na cama.
— Nao é aquela porta... Não estou naquele lugar... — Repetia baixinho, pra mim mesmo, quase como que em um sussurro. (Eu)
Terminei de girar a maçaneta e nada aconteceu, então empurrei a porta, esperando, e mais uma vez nada, a porta estava aberta e agora eu tinha a mesma visão que havia da janela, ja que ficavam uma ao lado da outra.
Voltei a caminhar e passei por ela.
— Viu só? Como eu disse, nada pra se preocupar... Agora acho que preciso de um copo d'agua e outro banho. Além de respirar um pouco de ar puro, o que deve ajudar. (Eu)
Caminhei pelo corredor, olhando o mar e segui o corrimão até o elevador, ele estava parado no segundo andar, fiquei surpreso com aquilo, mas era compreensivel, alguem deveria ter uma forma de acessar o local, mesmo que normalmente o elevador passasse direto pelo andar, ainda deveria ter uma forma de acessa-lo. Quando aproximei minha mão do botão para chama-lo ele começou a descer e passou direto, parando no quinto andar.
Eu nao estava com muita pressa, e ao ver o elevador passando direto resolvi tentar utilizar as escadas.
Caminhei até elas e ao descer, quando cheguei ao andar, ouvi algo caindo ao mar, estranhei levemente e apressei meu passo até a beirada do navio, a ponto de ver um saco preto enorme sumir naquelas águas.
Olhando pra baixo pude notar que Rubens e o general conversavam, as falas de ambos eram muito baixas, tornando inaudível pra mim. Ambos se aproximaram da beirada do navio e soltaram ao mar outro saco preto de tamanho considerável. Quando em um instante Rubens olhou pra cima em minha direção, o que me fez recuar imediatamente, mas algo em meu âmago me dizia que eu havia sido notado.
Rapidamente pûs-me a andar apressadamente com o maior silêncio possível e permitido naquele momento em direção às escadas.
Pé ante pé eu subi mais do que um degrau por vez até chegar novamente ao terceiro andar. Quando cheguei ao corredor notei que o elevador estava se movendo e subindo. Apressei-me a correr e ao chegar ao meu quarto a porta estava fechada, vasculhei meus bolsos rapidamente até encontrar a chave. Quando eu girei a maçaneta e empurrei a porta, ouvi a porta do elevador se abrindo. Sem olhar pra trás eu rapidamente adentrei meu quarto e fechei levemente a porta.
Esperei alguns segundos com o ouvido colado na madeira esbranquiçada, sem ousar me mover quando ouvi passos próximos, casualmente eu girei a maçaneta e abri a porta indo de encontro com Rubens que estava se aproximando pelo lado de fora. Então com a maior cara de inocência, sono e tédio que eu pude fazer na hora eu o cumprimentei.
— Ah! Rubens... Bom dia! (Eu)
Ele me encarou por alguns segundos até que eu expressasse um pequeno sorriso e retribuiu me devolvendo outro menor ainda.
— Bom dia senhor Rafael, o que faz acordado tão cedo? (Rubens)
Fingi bocejar levemente, levando uma das mãos à boca e então respondi.
— Eu acordei com sede, vou buscar um copo d'água. Se não for problema é claro. (Eu)
Ele tirou os olhos de mim e voltou seu olhar para meu quarto.
— Mas é claro que não! Fique a vontade. (Rubens)
Notei que ele observou as beliches por alguns instantes. Então tentei puxar assunto, tanto para satisfazer minha curiosidade quanto para quebrar o silêncio que durava alguns segundos.
— E você? Porque está acordado? Ou melhor, o que faz aqui? (Eu)
Ele então assumiu uma postura mais relaxada, soltou os ombros que antes estavam firmes e levou a mão à sua cabeça, penteando levemente seus cabelos com a pontas dos dedos.
— Ah... Eu vim ver como Cleber está, afinal deixamos ele vir descansar, mas eu queria ver se não há nada de errado. — Em seguida ele levou a outra mão em direção ao óculos e o ajeitou em sua face. (Rubens)
— Parece que sim, ele não chegou a comentar comigo, mas está acordado, se quiser entrar pra falar com ele fique a vontade. (Eu)
Ele ponderou por alguns instantes enquanto observava as beliches, mas em seguida voltou seu olhar pra mim.
— Na verdade vou deixá-lo descansar um pouco mais, eu volto pra ver como ele esta novamente mais tarde quando arranjar um tempinho. (Rubens)
— Tudo bem então. — Disse eu me virando e colocando a mão na maçaneta. (Eu)
Como eu fiquei de costas pra ele não pude notar qual foi sua expressão, mas através de sua fala ficou evidente no tom de voz a surpresa ou dúvida.
— Você não ia tomar um copo de água? (Rubens)
O que me fez parar imediatamente no lugar, com a mão na maçaneta e pensar em algo rapidamente.
— Vou sim... Claro... So estou fechando a porta... Pra dar privacidade a ele. — Disse puxando a porta contra mim e fechando-a. (Eu)
Quando me virei pra ele, não me pareceu ter duvidado de minha palavra, apenas ajeitou seu jaleco e sorriu.
— Ótimo, nos vemos mais tarde. (Rubens)
— Claro. Até depois. — Tentei devolver o sorriso na mesma proporção com que ele me ofereceu o dele. (Eu)
Rubens acenou com a cabeça e saiu andando a passos firmes, sem olhar pra trás, quando ele começou a se mover eu fui caminhando na direção oposta, com o intuito de seguir para as escadas e realmente conseguir um copo d'água para dar credito à minha pequena "mentirinha".
No caminho eu só não conseguia parar de pensar em uma coisa.
Só eu que achei tudo isso muito estranho? Desde os sacos pretos até esse pequeno interrogatório que ele me fez? (Eu)
Eu mantinha o olhar na estrada o tempo todo, mas sempre atenta ao rapaz que sentava-se no banco ao lado, vendo-o de canto de olho. Ele não me parecia muito bem, sua expressão era de dor e tristeza, enquanto encarava o horizonte por onde eu dirigia. Vez ou outra ele desviava o olhar para um morto vivo e sinalizava para que eu mantive-se cuidado com a estrada. Fora isso a viagem permaneceu calma e tranquila.
As ruas não mais permaneciam vazias, cada vez o numero de grupos desses seres canibais crescia pelo caminho. Vez ou outra passavamos por um carro que parecia ter sido abandonado as pressas, mas o perigo de parar para verificar era maior do que permanecermos viajando.
Nao tentei nenhum meio de começarmos um dialogo desde que iniciamos nosso trajeto, e ele não me parecia estar muito afim de bater um papo.
Quando parecia que o silêncio estava reinando e uma pitada de tédio se formava no clima, hélices puderam ser ouvidas ao longe, no mesmo instante Elsom pôs sua cabeça para fora da janela, olhando para o céu, por um momento desejei que ainda houvesse janela ao meu lado. Mesmo curiosa bufei levemente ao revirar os olhos, como se a atitude dele fosse deveras infantil.
— Um... Helicóptero. — Dizia Elsom ainda com a cabeça pra fora. (Elsom)
Ele permaneceu observando o céu, movendo sua cabeça de um lado ao outro e tentando procurar de onde vinha o som daquele pássaro metálico que se aproximava.
— Sim Sherlock... Parece que agora resolveram sobrevoar a cidade mais do que o normal. (Lara)
Apertei o couro macio e escuro que rodeava o volante do carro em que estávamos, aquela sensação em minhas mãos era reconfortante, por algum motivo fazia me sentir no controle da situação.
— Será que eles tem algum local seguro para nos levar? (Elsom)
Ele manteve sua cabeça pra fora da janela, mas direcionou seu olhar para mim, que me fez perceber no mesmo instante que o rapaz me encarava.
Permaneci com meu foco na estrada, tentando analisar bem as palavras antes de proferi-las e perder um aliado para a tarefa em que seguia rumo agora.
— Não sei... O governo não se importa muito com a população... Após tantos dias que se seguiram do surto não acredito que nesse instante eles estariam cogitando salvar pessoas, mas exterminar os mortos-vivos que estão surgindo cada vez com mais afinco. (Lara)
Me senti mal por ter mentido para ele naquele instante, mas precisava de ajuda extra e caso ele soubesse que as pessoas estão sendo resgatadas iria desistir do que me disse e seguir rumo ao navio.
Quando finalmente o som das hélices metálicas se aproximaram, tanto eu quanto Elsom pudemos presenciar aquele ser metálico a passar alguns metros acima do teto de nosso carro, seguindo rumo a estrada em que permaneciamos no momento.
— Você sabe que poderia ter aberto o teto solar e ter tido uma vista melhor do que teve pela janela não é mesmo? (Lara)
Nao precisei olhar para Elsom pra saber a cara patética que ele fazia após ter esquecido esse pequeno detalhe sobre o carro que primeiramente era dele mesmo. Voltando lentamente a se sentar em seu banco, colocando a cabeça de volta para dentro do carro, enquanto fechava o vidro automático com o dedo indicador de sua mão direita, levou entao sua mão esquerda até o outro botão e o pressionou, fazendo com que a placa de vidro mantivesse movimento para o lado, deixando uma abertura acima do carro, que permitia alguem passar por ele.
Assim que Elsom ergueu-se, outro helicóptero passou próximo, rapidamente de um lado ao outro da estrada, mal fora ouvido se aproximar, uma visão que seria muito bonita para ele caso o pássaro metálico nao tivesse aberto um compartimento logo abaixo do mesmo e soltado algumas espécies de granadas, um pouco maiores, tanto sobre o caminho quanto sobre os arredores que estavam com diversos mortos-vivos aglomerados e caminhando em direção ao carro que passava pela rua.
Escutei apenas alguns segundos depois do que havia acontecido, Elsom começou a gritar em pânico ainda de pé e eu pude ver algo se chocando contra o chão alguns metros a frente de nosso carro, após uma explosão que levantou poeira e restos dos zombies que andavam por ali, em um clarão amarelado, destroços foram espalhados para todos os lados, incluindo pra cima de nosso carro.
Minha reação foi rápida e efetiva, da melhor forma que pude no momento, apertei o volante firme com minhas mãos e virei o mesmo para o lado, desviando da maior parte de pedregulhos que se desprendeu do chão após o impacto.
Ao mesmo tempo outras duas explosões atingiram alguns metros tanto na frente quanto na parte traseira do veículo.
— O QUE ESTÁ ACONTECENDO? — Gritei de dentro do carro para Elsom. (Lara)
O mesmo desceu rapidamente e deitou no banco de passageiros, notei pelo espelho retrovisor interno que Elsom estava encolhendo seus membros em posição fetal, com os braços sobre o rosto e cabeça, como se estivesse tentando se proteger.
Voltei meu olhar para a estrada a tempo de detectar com o canto do olho que haveria uma explosão bem ao lado esquerdo do carro, próxima a mim, rapidamente apertei o volante e o virei ao máximo para a direita, deixando a explosão o mais distante possível com aquele tempo de reação.
Mesmo com meu esforço um dos pneus foi atingido por algum estilhaço e estourou, me fazendo perder o controle do carro, o volante ficou mais pesado e foi mais dificil de se controlar a direção. Nós acabamos derrapando violentamente, o carro ficou fora de controle por alguns instantes, eu só tive tempo suficiente para me abaixar com as mãos em frente ao rosto, e visualizar logo antes de acabarmos nos chocando diretamente contra uma árvore branca sem folhas que havia na calçada lateral, próxima a uma encruzilhada entre uma estrada de terra e a estrada pavimentada na qual mantinhamos o curso.
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