Zombie Attack
25 II - Lara!!
Notas iniciais
— Vocês tem que partir. Obrigada por voltar por nós Rafa! E não se esqueçam de mim! (Lara)
O helicóptero levantou voo e os zombies começaram a aparecer, todos passaram por ela e vieram em direção ao helicóptero, mas caiam do prédio, pois já estávamos a uma certa altura em que não nos alcançavam.
— Nunca te esqueceremos! (Ambos)
Lara caminhou enxugando suas lagrimas por entre aqueles mortos que estendiam as mãos para o helicóptero e rangiam os dentes. E entrou no prédio pela porta, nenhum daqueles notou nenhuma diferença nela, já que estava coberta de sangue e com o mesmo cheiro deles.
Passou sem muito esforço por entre eles e decidiu pegar armas antes de sair dali... Andou pelo meio dos mortos e entrou no “deposito de armas“, acabou por ver apenas uma faca em uma bainha pendurada por um cordão.
Aproximou-se lentamente, pois na sala também havia alguns zombies, retirou o cordão da parede e desembainhou a faca.
— Uma faca de caça, eu tenho que testa-la. (Lara)
Virou-se e notou que alguns zombies saíram da sala e restavam apenas três ali com ela.
— Já sei ate com quem irei testar... (Lara)
Abriu um pequeno sorriso e avançou pra cima de um deles, acertando na cabeça, por trás, sem que ele se desse conta já estava morto, novamente.
Apos uma rodada Lara chutou o segundo zombie, puxou a faca fincada no primeiro, não tendo muita dificuldade acabou com o segundo zombie no mesmo instante.
O terceiro perto da porta acabou notando-a e começou a ranger seus dentes e esticar seus braços em direção a ela.
— Modo furtivo fracassado, agora é hora do show. (Lara)
O barulho daquele zombie acaba por alertar outros que começam a entrar na sala, Lara retira a faca do segundo zombie e a guarda na bainha, coloca a mão no pescoço e vira a cabeça de um lado para o outro, com pequenos estalos.
Ela abriu um sorriso e começou a correr, pulou em um dos mortos e começou a dar diversos socos em sua face, ate que o derrubasse no chão.
A sala começou a lotar e todos a ir pra cima dela, que apos espancar aquele zombie e destrui-lo levantou-se e recuou lentamente, ate encostar-se a parede.
— Só preciso que o máximo de vocês entre na sala! (Lara)
Ainda com um sorriso na face Lara pegou sua granada e correu pelo meio deles, empurrando-os e dando socos e chutes em quem estivesse pela frente.
Chegando perto da porta ela retirou o pino da granada e a jogou pra trás, fechando a porta logo em seguida.
— Boom Boom, Adeusinho! — Imitando com a voz o som que a granada faria logo em seguida. (Lara)
Então exatamente após fechar a porta ela se jogou no chão com os dedos nos ouvidos e fechando os olhos.
Uma pequena explosão ocorreu naquela sala, derrubando a porta e deixando a mesma e corredores com sangue e órgãos de zombies.
— Isso foi realmente divertido. (Lara)
Levantando-se ela avistou vários zombies subindo e descendo as escadas, rangendo os dentes e entrando por aqueles corredores, afinal ela fez um barulho considerável. Mas já estava cansada de brincar, então voltou a andar e se comportar como uma morta viva e passou lentamente por aqueles que estavam ali, caminhando e pensando em como sair de la.
O carro dos gêmeos, eles deixaram aqui, preciso chegar ate ele. (Lara)
Descendo por entre os mortos ela continuou ate chegar a “garagem“, por causa da explosão, muitos zombies subiram e outros caíram do prédio por tentarem alcançar o helicóptero, então aquele local estava parcialmente vazio, apenas estavam nele aqueles que não podiam andar ou se mexer.
Mortos esticando os braços e rangendo os dentes, se arrastando apenas com as mãos permaneciam naquele local.
— Que sorte, o carro permanece aqui. (Lara)
Ela aproximou-se do carro olhando o banco do carona quando na janela apareceu de repente Fabiano, mas em sua forma zombie sentado no banco, de cinto ainda. Com o susto Lara deu uma pequena afastada do carro, com a mão no peito, ela sentiu que seu coração batia mais rápido.
— Bem, um morto la em cima e ai esta o segundo dos "FEL"... Mas aonde será que foi parar o terceiro? (Lara)
Dando a volta no carro ela tentou abrir a porta do motorista, mas sem sucesso, pois deve ter sido trancada por dentro...
Lara se acalmou e caminhou por aquele estacionamento praticamente vazio. Aproximou-se lentamente de um extintor, que ela havia visto mais cedo e o retirou da parede. Voltou a caminhar imitando um zombie e aproximou-se do carro. Ergueu o extintor e o bateu contra a janela do motorista, não obtendo sucesso ela tentou bater mais duas vezes. Com o barulho de vidro a ser estilhaçado alguns mortos começaram a descer as escadas e a caminhar em sua direção, rangendo os dentes, andando lentamente e tentando alcança-la esticando os braços.
Fabiano em sua forma zombie também esticou os braços, mas o cinto acabou por conte-lo.
— Um minuto... Eu já irei acabar com você... Só deixe-me procurar a chave para dar o fora daqui o mais rápido possível. (Lara)
Lara olhou na ignição, mas não viu a chave, tentou aproximar-se um pouco, mas Fabiano acabou atrapalhando-a.
— Ate nessa forma você acaba sendo muito chato! (Lara)
Ela pegou o extintor do banco e começou a batê-lo na cabeça do zombie. Apos esmagar sua cabeça, ela jogou o extintor no banco de trás e sentou-se no banco do motorista, fechando a porta. Os zombies de fora aproximam-se do carro pela frente e pelo lado em que o corpo de Fabiano estava, então começaram a bater e arranhar os vidros que haviam sobrado no carro. Lara olhou para o corpo ao seu lado e disse.
— Acho que você vai ser meu companheiro de viagem, corpo morto do Fabiano... Só não gosto muito de olhar você sem cabeça, me causa um pouco de medo e arrepios! (Lara)
— Bem... Onde estão as chaves? (Lara)
Lara começou a procura-la nos bolsos de Fabiano, mas acabou não encontrando.
— Droga, como eu vou sair daqui? (Lara)
Com os zombies cercando o carro e fazendo barulho, alguns se aproximavam de sua janela lentamente, e o barulho deles acabavam alertando e chamando outros.
— Que ótimo, vou acabar morrendo no banco do motorista ao lado do Fabiano zombie imóvel... Por causa dessas malditas chaves. Era tudo o que eu queria! (Lara)
Lara encostou-se ao banco, fechando os olhos e começou a rir, ela gargalhava enquanto ouvia os mortos arranhando e batendo no vidro do lado do passageiro, enquanto uns chegavam a sua porta. Foi então que ela bateu o olho em um objeto brilhante, no carpete, embaixo dos pés de Fabiano. Abaixou-se rapidamente e empurrou de lado o pé do morto. A luz batia e por isso fez com que o metal das chaves refletisse, fazendo com que ela as encontrasse.
Suas gargalhadas cessaram e ela não sabia o que falar. Encaixou a chave e a virou, mas o carro não ligou.
Um zombie se aproximou da janela e colocou sua mão para dentro do carro, Lara puxou do banco de trás o extintor e o bateu no zombie, afastando-o e o impedindo de se aproximar mais ou arranha-la. O sangue ainda cobrindo seu corpo fez com que vários zombies perto de sua janela desistissem dela, apenas o barulho os atraia, então ela não estava tão preocupada, mas esse zombie voltou a tentar arranha-la, mas ao bater algumas vezes ela o derrubou e tentou novamente ligar o carro.
— Vamos lá sua lata velha! Funcione. (Lara)
Virou a chave mais uma vez, mas nada. Em um excesso de fúria bateu com as duas mãos no volante, especificamente na buzina. O que chamou a atenção de mais um monte de zombies, descendo e subindo a rampa, e ficando ao redor do carro, ate mesmo aqueles que haviam desistido dela voltaram a tentar arranha-la. O extintor era pouco, comparado a quantidade de mortos na janela, deitada sobre o colo de Fabiano Lara chutava os mortos e virava a chave repetidas vezes.
— Mais uma vez, vamos lá belezinha, funcione... Me obedeça... (Lara)
Depois de algumas tentativas, com o sangue gelando e o suor escorrendo o carro pegou e ligou.
Então uma grande sensação de alivio tomou conta de Lara. Com um grande sorriso em sua face pôs-se a comemorar. Depois de vários chutes, afastou os mortos de perto de sua janela, sentou-se e ergueu suas mãos sobre a janela, deixando apenas seus dedos do meio de suas duas mãos sendo mostrados àqueles zombies.
— Chupa! Não será dessa vez que a minha carne será consumida por um de vocês, seus inúteis e incompetentes. (Lara)
Pisou fundo no acelerador o mais depressa possível, atropelando alguns deles que estavam em frente ao carro, descendo rampa em espiral, passando por cima de braços, pernas e cabeças de zombies espalhados por ela. Com uma horda deles caindo da parte de trás do prédio, enquanto outros desciam pela rampa ou desistiam e simplesmente do nada paravam em seus locais. Lara desviava ao máximo dos corpos já que sabia que poderia acabar prendendo na roda e assim afetando o funcionamento do carro. Mas com aquela quantia de membros sobre a rampa ficava difícil desviar de todos, Lara manteve-se a 20 quilômetros por hora para que não ocorresse algum acidente ao descer.
Então finalmente saiu à rua onde havia mais alguns zombies. Acelerou um pouco mais e desviou deles, então começou a distanciar-se do prédio quando acabou por ver outro ser humano andando pela calçada, notou pela forma de andar que não era mais uma daquelas criaturas.
Diminuiu o carro ate parar ao seu lado, quando ele ouviu e se virou ela percebeu que era Elsom, o ultimo dos irmãos.
— Lara!? Você esta viva? Como? (Elsom)
Ao perceber quem era, Lara mudou sua expressão e ficou a olhar seriamente para ele.
— Sim estou viva! Mas não graças a vocês... (Lara)
Voltou a acelerar o carro e a distanciar-se quando o ouviu gritando e correndo, tentando acompanhar o carro.
— Espera! (Elsom)
Então Lara levemente pisou no freio novamente e parou. Ele aproximou-se da janela e começou a demonstrar uma tristeza profunda através de lagrimas que escorriam por seu rosto.
— Meu irmão esta morto e o outro desaparecido.... (Elsom)
— Na verdade os dois estão mortos... (Lara)
Ao olhar para o banco de passageiros suas lagrimas aumentaram e Lara sentiu um pouco de remorso por ter contado.
Eu não tenho porque esconder, acho que foi melhor ter contado agora do que em um futuro em que ele fique bravo por eu saber e não ter lhe dito nada. (Lara)
— Meus irmãos estão mortos... Meu grupo se desfez, eu não tenho mais ninguém, não conheço ninguém, não tenho para onde ir... E não quero morrer Lara!! (Elsom)
— Devia ter pensado nisso antes de nos trair! (Lara)
Ele abaixou a cabeça e claramente aquilo parecia um sinal de arrependimento, ou ele sabia fingir muito bem.
— Eu apenas seguia ordens, nos tínhamos medo de sermos os próximos alvos dos gêmeos, então fazíamos tudo o que eles mandavam, pois achávamos que era o certo. Achávamos que defender nosso grupo e sobreviver em cima de outros mais fracos era a única forma disso. (Elsom)
Lara olhou para o teto do carro, respirou fundo e considerou dar uma segunda chance a ele.
— Ao menos deixe-me ficar com o corpo de meu irmão para enterrar um deles por favor? (Elsom)
Lara olhou para ele e calmamente disse.
— Entra no banco dos passageiros e vamos enterrar seu irmão, mas depois eu preciso concluir uma missão que eu preciso muito concluir. (Lara)
Enxugando suas lagrimas enquanto um sorriso surge em sua face.
— Muito obrigado, mesmo! Você não ira se arrepender, minha vida será sua e eu darei tudo de mim, meu melhor e meu máximo por você. (Elsom)
Acho que ele não entendeu que eu vou apenas ajuda-lo a enterrar o corpo, parece que pensou que o aceitei em meu time... Talvez... Afinal sozinha eu tenho poucas chances, se eu conseguir aumenta-las seria muito mais fácil para o que pretendo fazer... (Lara)
Lara abriu a porta de trás da dela, então quando ele entrou e sentou no banco, e acabou batendo o olho no espelhinho e viu Lara olhando-o fixamente com um olhar de psicopata.
— Se você cogitar me trair novamente, eu mesma acabarei com você, e garantirei que seja da forma mais dolorosa possível e farei o máximo para que você não morra antes de eu me vingar!!! (Lara)
Sua expressão voltou ao normal e ela acelerou o carro. Elsom sem palavras apenas balançou a cabeça em sinal positivo.
— Mas como você escapou daquele pequeno inferno no prédio a pé? (Lara)
Ainda estava um pouco assustado, mas respondeu.
— Fabiano e eu estávamos andando pelos corredores, em direção ao nosso carro, para verificar se estava tudo em ordem se precisássemos fugir, quando vimos alguns zombies entrando pelo corredor. (Elsom)
— Nos escondemos no quarto mais próximo e esperamos algo acontecer enquanto culpávamos quem havia deixado a caçamba fora do lugar. Ate ouvirmos um helicóptero no telhado. (Elsom)
Apos uma breve pausa ele olhou o corpo de seu irmão no banco do carona e voltou a contar.
— Nos devíamos ter ficado no quarto... Mas aquela parecia uma boa oportunidade de sairmos. Eu olhei o corredor e por não haver sinal de nenhum zombie eu o chamei e nós saímos correndo dali. (Elsom)
Algumas lágrimas começaram a cair e Lara pôde ver através do espelho.
— Se controla! Chorando tanto assim você esta parecendo uma criança. (Lara)
Elsom secou suas lagrimas e voltou a falar.
— Alguns zombies estavam subindo do estacionamento e chegaram a nos ver... Então nós começamos a correr! (Elsom)
Lara ouvia atentamente enquanto dirigia por aquelas ruas tentando ao máximo desviar dos zombies.
— Nós chegamos ao carro e eu entrei rapidamente... Fabiano tentou abrir a porta, mas ela estava emperrada e os zombies se aproximavam. (Elsom)
Lara desviou o olhar para aquele corpo ao seu lado, mas não disse uma palavra.
— Eu me deitei sobre o banco, com as chaves em mãos e acabei derrubando-as. Mas estava mais preocupado com meu irmão. (Elsom)
— Quando eu finalmente consegui abrir ele soltou um grito, já havia entrado e logo em seguida colocado o cinto, mas um zombie acabou mordendo sua perna antes dele fechar a porta. (Elsom)
— Ele me olhou... (Elsom)
Elsom respirou fundo e tentou segurar, tentando parar de demonstrar fraqueza e provar para Lara que conseguiria.
— Ele... Me disse que havia sido mordido... E me pediu... Que o deixasse ali, pois ele não queria que eu o visse “em modo zombie“. (Elsom)
— Alguns mortos rodearam o carro, então eu dei um ultimo abraço em meu irmão. (Elsom)
— Mesmo se ele pedisse eu não conseguiria atirar nele. (Elsom)
— Sai do carro e ele fechou a porta por dentro, colocou novamente o cinto e encostou-se no banco. (Elsom)
— Eu corri entre alguns mortos e consegui sair de lá sem nenhum arranhão, mas acabei derrubando minha arma na rampa enquanto tentava atirar, então estou sem nada... Não podia voltar já que pensei não haver mais ninguém vivo lá dentro. (Elsom)
Lara parou o carro lentamente próximo a uma praça. Alguns mortos andavam por ali, mas nada que os dois não dessem conta.
— Vamos ter que limpar isso antes de começarmos a preparar as coisas. Então preciso que me ajude. (Lara)
Eles saíram do carro, enquanto ela retirou a faca da bainha, ele caminhou ate a traseira do carro e pegou uma pá no porta-malas.
Lara arremessou a faca, fincando-a na cabeça do zombie. Logo em seguida, deu uma rasteira e o derrubou, então com um chute, a imitar um martelo, terminou de cravar a faca, como se “pregasse” a mesma em sua cabeça.
Elsom utilizando a pá furiosamente, bateu descontando toda sua raiva e dor naqueles mortos, como se cada ataque vingasse seus irmãos.
Ambos atacando os mortos que se aproximavam, ficaram um de costas para o outro, não precisaram dizer uma palavra, mas entenderam que era para se ajudarem e um cuidar do ponto cego do outro.
Apos alguns minutos os dois limparam a área, Elsom aproximou-se do gramado e lentamente cavou um buraco, Lara caminhou ate o carro, com o buraco feito Elsom voltou ate o carro e ajudou Lara a levar o corpo de Fabiano ate lá, e ambos o colocaram ali.
— Eu achei que meu adeus teria sido quando te deixei naquele carro... Não sei onde eu estava com a cabeça, deveria ter ficado... Mas Lara trouxe seu corpo e agora você terá um enterro... Não será aquele digno, que você merecia. Mas sabe como o mundo esta, isso e o máximo que conseguimos fazer, para não esquecermos nossa humanidade... (Elsom)
Lara começou a jogar terra por cima do cadáver naquele buraco raso no meio da praça.
Apos terminar eles abaixaram a cabeça e Elsom continuou.
— Amigos, irmãos, sem vocês eu não sei o que fazer, eu podia parecer durão e um bom líder, as vezes um pouco bravo, mas era para a nossa proteção. A partir de agora estarei em um novo grupo, junto de Lara, então tentarei protege-la melhor do que protegi a vocês. E em algum dia, quando meu corpo não funcionar mais e eu não servir para mais nada, deixarei esse mundo e nos iremos nos reencontrar. (Elsom)
Com certeza ele não entendeu que era apenas para trazer seu irmão ate aqui... Mas eu creio que ele me será útil, então o deixarei vir comigo no resto de minha viagem... (Lara)
— Então ate lá me observem e me esperem... Que algum dia estaremos juntos novamente e em família. Certo? (Elsom)
Fale com o autor