Zombie Attack

13 I - Novo lar.


Notas iniciais
Deagle = Desert Eagle :)

— Com armas apontadas para nós, e há alguns segundos atrás ele apontou uma para vocês também. Ainda assim nos aceitariam em seu grupo? (Lucas)

— Precisamos aumentar o tamanho do grupo, pois em caso de ataque de zombies ou até mesmo de outras pessoas não morrermos tão facilmente. (Eu)

— Mas foram vocês que vieram até nós e entraram em nosso “acampamento”. Não deveríamos nós convidarmos para o nosso grupo? (Elsom)

— Estando sem muitas escolhas por causa da situação, acho melhor somente responderem a pergunta dele. (Lara)

— Nós também precisamos aumentar nosso grupo, e vimos que vocês têm três bolsas com armas, sendo somente três para usá-las, e nós temos somente três armas, uma delas estando com vocês agora. (Fabiano)

— Nossos suprimentos estão acabando e estamos procurando locais por perto para consegui-los. (Lucas)

— A resposta! (Lara)

— Calma... Calma... Não precisa ter pressa, sim nós nos juntaremos ao seu grupo. (Elsom)

— Mas, antes, devemos dizer que temos um integrante em nosso grupo que ficou vigiando o local enquanto estávamos fora. (Elsom)

— Ele não gosta muito de falar, então sai atirando antes e perguntando depois. (Lucas)

— Mas ele é boa gente, vão entender quando encontrarem com ele. (Fabiano)

— Agora poderiam devolver minha arma e nos deixarem levantar? (Elsom)

— Certo, mas quaisquer movimentos lembre-se que temos seis olhos vigiando cada um de vocês. (Lara)

Joguei a arma em direção a ele e enquanto escorava uma mão em seu joelho esquerdo para levantar, pegava a arma com a outra mão. Os outros dois se levantaram lentamente, enquanto Lara e Cleber guardavam as armas.

Lara continuava com o mesmo olhar desde que entrou, fria e sem nenhuma expressão. Estava eu sendo um bom líder para eles? Convidando para o grupo pessoas que apontaram uma arma para ela? Ou ao invés de pensar na situação estava apenas pensando em ter mais pessoas para me protegerem? Por que tantas perguntas que não podem ter respostas agora? Por que? Por que? Por que?

— Rafa? (Lara)

— HÃ? Ah Lara! O que foi? (Eu)

— Você estava distante, o que houve? (Lara)

— Nada não. (Eu)

— Qualquer coisa sabe que pode contar comigo, não sabe? (Lara)

— Sim, claro. (Eu)

Virou-se e todos começaram a subir a rampa. As perguntas ficarão para depois, agora temos que resolver a questão do atirador que matamos. Logo eles irão perceber que ele não está lá e que eles têm pessoas desconhecidas com armas dentro de seu “acampamento”. Poderiam até mesmo tentar algo contra nós, alguma vingança ou algo do tipo.

— Nesse último andar do estacionamento, por ser mais longe do chão pode ser que nos sentimos mais seguros em deixar o nosso carro ali. (Elsom)

— Falando em carro, precisamos pegar mais um, pois como o grupo está maior não caberão todos no Range Rover. (Lucas)

— Sabemos onde tem uma concessionária fechada, com vários carros e estilos, é só chegar lá e escolher um. (Fabiano)

— Eu já trabalhei nela então sei que guardam as chaves dos carros dentro do escritório, e todas as chaves estão lá. O problema vai ser entrar, pois todas as portas possuem alarme, e o barulho pode alertar zombies na área, além de possuírem também trancas automáticas que abrem somente com a chave, que ficava com o gerente. (Lucas)

— Seria mais fácil pegar um na rua. (Lara)

— Mas, os carros que estão nas ruas podem estar faltando peças e neles pode não ter rádio e um tanque cheio até a metade. (Lucas)

— Certo, vamos pensar nisso depois, primeiro vamos mostrar para eles o “acampamento” e falar com o Lester, que pode ser de grande ajuda com o plano do carro. (Elsom)

As rampas acabavam no último andar, para subir mais precisávamos ir pelas escadas ou pelo elevador que no caso não funcionava por causa de que não havia energia. Quanto mais degraus se passavam mais eu pensava no que fazer quando encontrássemos o atirador do telhado morto. Se eles pensassem qualquer coisa sobre nós, diríamos a verdade ou mentiríamos afirmando que não sabíamos de nada?

Aquele que diz uma mentira não calcula a pesada carga que põe em cima de si, pois terá de inventar uma infinidade delas para sustentar a primeira. (Eu)

De onde você tirou essa frase consciência? Eu... Acho que me lembro, estava navegando pela internet quando à li em uma página recentemente. Essa frase se eu não me engano é de Alexander Pope aquele poeta britânico do século... Não importa... Mas, mesmo em meio a um mundo apocalíptico o cérebro do ser humano funciona de um jeito estranho. (Eu)

Depois de algum tempo refletindo sobre meus pensamentos, notei que já havíamos chegado ao penúltimo andar, acima de nós havia um corpo morto, que nós três sabíamos quem havia matado.

— Aqui nos quartos superiores nós guardamos os suprimentos, e deixamos nossas armas. (Elsom)

— Traga-me a aqui essas mochilas, vamos ver as armas que vocês têm ai! (Fabiano)

— Acho que digo por todos, preferimos continuar com elas. (Lara)

— Certo, ainda esse clima de hostilidade. (Elsom)

— Mas, vamos continuar. (Elsom)

— No telhado está Lester, com sua M24, ele não atira muito para não chamar a atenção, e se nós não formos lá ver podemos até pensar que ele está morto. (Lucas)

— Por quê? (Cleber)

— Por que ele não sai de lá por nada, nem pra comer, ir ao banheiro, nada. Às vezes temos que ir até lá e tirar sua arma de sua mão, ai ele vem. (Fabiano)

— Cadê ele? Devia estar sentado naquele banco ali segurando a sua arma. Acho que ele me fez parecer que estava mentindo, saindo e indo a algum lugar. (Fabiano)

— Mas tudo certo. (Fabiano)

Eu pude ver a mão dele estendida no chão atrás da mureta que havia ali, comecei a soar frio e a ficar pálido. Na hora parece que eles perceberam, pois começaram a se assustar com minha expressão. Elsom se virou para trás e pode ver uma mão estendida enquanto os outros me perguntavam.

— O que foi? O que aconteceu? (Fabiano)

— Ele está vendo aquilo. (Elsom)

— Aquilo o que? (Lucas)

Todos olharam na mesma direção que estávamos olhando e paralisaram, ninguém falava nada e nem se mexia. Lara continuava com a mesma expressão e percebi que Cleber começou a ficar preocupado.

— Não é possível. (Lucas)

— Ele deve estar de brincadeira conosco. (Elsom)

— Só pode, ele sempre foi assim. (Fabiano)

— Lester, já chega, a piada foi boa e todos nos assustamos, agora pode levantar dai e conhecer os novos integrantes do grupo. (Elsom)

— Lester? (Elsom)

— Leeeeesteeeer!!!!! (Elsom, Fabiano e Lucas)

Os três correram em direção àquele corpo estendido no chão, fiquei com medo de descobrirem que fomos nós e quererem nos atacar por isso, e então meu coração começou a aumentar a velocidade dos batimentos, Lara pegou da mochila as armas e Cleber a pistola que ele carregava em seu cinto.

Enquanto eles agachavam-se e observavam aquele corpo, que antes seria o seu amigo, eu peguei a minha Deagle, e esperei acontecer.

— Mas, o que aconteceu aqui enquanto estávamos fora? (Elsom)

— Não sabemos, nós os seguimos após ver o carro de vocês subindo a rampa do prédio. (Lara)

— Então deve ter alguém por perto ainda, se não levaram nada. (Lucas)

Fabiano correu para dentro do prédio e voltou alguns instantes depois.

— Os suprimentos que estavam aqui continuam, e as armas também. (Fabiano)

— Devemos atirar em sua cabeça para que ele não vire um desses canibais. (Cleber)

— Desculpe me intrometer assim, mas daqui eu posso ver que atiraram na cabeça dele já. Então acho eu que não tem mais o perigo dele voltar a vida. (Eu)

— Eles não voltam à vida assim, ao serem mordidos por aqueles monstros, as células modificadas que eles possuem em seus corpos passam para o de suas vítimas, só assim que acontece a transformação. (Elsom)

— Ele foi mordido? (Lara)

Elsom começou a mexer no corpo procurando por marcas de mordida ou algo parecido.

— Nada, ele está limpo. (Elsom)

Uma respiração, mais parecido com um chiado, foi ouvida partindo daquele corpo. Suas mãos começaram a se mexer e as pálpebras a se abrirem. Lentamente seus olhos começaram a aparecer, escuros e diferentes do normal. Ele agarrou com suas mãos a camisa de Elsom e começou a puxa-lo para perto de seus dentes, enquanto tentava morde-lo Elsom se debatia para afasta-lo de seu corpo. Lara ergueu seu braço e com um disparo acertou a cabeça do morto, que caiu de lado.

Respirando com dificuldade e no chão ainda Elsom começou a falar com os outros dois.

— Como foi que ele voltou à vida? Como? (Elsom)

— Não sei, ele não foi mordido e nunca disse que comprou as células. (Lucas)

— A única coisa que sabíamos dele, era que trabalhava como segurança noturno no hospital. (Fabiano)

— Disso eu não sabia. (Elsom)

— Eu também não. (Lucas)

— Acho que ele contou somente pra mim e eu esqueci de falar. (Fabiano)

— Como assim esqueceu de falar? (Elsom)

— Isso é uma coisa que todos devemos saber, onde trabalhou antes do começo dessa merda de apocalipse, se têm amigos e quantos humanos infectados ou não matou. (Elsom)

Eu não estava entendendo, acertamos na cabeça dele uma vez já, ele não havia sido mordido por nenhum zombie e como disseram nunca comprou as células.

O que está acontecendo aqui? Como ele se transformou?