Zombie Attack

19 I - Explosões e clarão.


Notas iniciais
O que está acontecendo agora nessa cidade?

Estranhamente ele estava se divertindo e de certa maneira matar aquele zombie o deixava muito feliz. Seu sorriso ia de orelha a orelha, e mesmo com o zombie já caído e sem chances de reação ele continuava a martela-lo.

Que sorte a minha, ter ficado com o irmão mais louco dos três. (Eu)

— Ei Lucas, o zombie já não pode nos fazer mal e nem reagir mais. Acho que já foi o suficiente. (Eu)

Ele parou de repente por um instante e virou-se lentamente em minha direção, sua face começou a voltar ao normal e ele voltou a ter a mesma expressão de sempre.

— Já que você diz. (Lucas)

Ele levantou-se, olhou para o zombie caído sobre seus pés, olhou-me e também para o hospital, e começou a andar em direção a ele, acompanhei-o ate chegarmos às portas, que se abriram automaticamente assim que nos aproximamos.

— Como que elas abriram se não tem energia na cidade? (Eu)

— Alguns locais contam com os próprios geradores, como o shopping, os supermercados e o próprio hospital. Pra que eles não precisem depender da energia das usinas que já mantêm as casas e os prédios. E no caso de um apagão somente as casas e prédios ficarão no escuro. (Lucas)

— Exatamente do jeito que aconteceu. (Eu)

— Isso ai. (Lucas)

Apesar das luzes iluminarem os corredores e a entrada, a sensação de solidão era muito ruim. Entramos pelas portas lentamente enquanto olhávamos em todas as direções e nos escondíamos atrás dos pilares. Nenhum sinal de zombie ali dentro, eu devo continuar com meu plano e resgatar os meus amigos.

— Certo Lucas, vamos nos separar agora e apanharemos todos os medicamentos, nos encontraremos aqui na entrada daqui a pouco. (Eu)

— Tudo bem. (Lucas)

Entrei em um corredor me escondendo atrás dos pilares e nos cantos, agindo furtivamente e entrando nos quartos em busca dos medicamentos.

Camas reviradas e gavetas abertas, prateleiras destruídas e janelas quebradas. Mas mesmo assim ainda havia medicamentos fechados e seringas lacradas.

Voltei para o a entrada e encontrei o guarda volumes, bati em algumas portas e consegui tirar duas maletas e uma mochila escolar.

— Era isso o que eu estava procurando. Já achei tudo, mas não tinha onde colocar. (Lucas)

— Pode pegar as maletas, pois essa mochila é bem grande e cabe muita coisa. (Eu)

— O... Kay... (Lucas)

Esvaziamos tudo e nos separamos novamente, voltando aos quartos e colocando tudo nas maletas e na mochila. Um grito feminino me fez correr para o corredor e sacar minha Desert Eagle olhando para a entrada do hospital, onde uma jovem garota corria pra fora de três zombies que estavam com roupas de pacientes. Lucas apareceu na entrada e correu para cima deles. Eu também corri para ajuda-la, guardei a arma e rapidamente puxando o pé de cabra, acertei na cabeça de um deles e empurrei com um chute o outro pra longe dela, Lucas martelou a cabeça desse que eu empurrei e enfincou um bisturi na cabeça do outro, os três caíram no chão e nós nos viramos para ela.

— Pronto você esta a salvo. (Eu)

— Eles te machucaram? Te morderam? Fizeram alguma coisa? Eu estou fazendo muitas perguntas? (Lucas)

— É... Não... Não... Não... E sim! (Garota)

— Eu sou o Lucas e ele é o Rafael, a senhorita poderia fazer a gentileza de nos dizer seu nome? (Lucas)

— É... Claro, o meu nome é Jes... Aah! (Garota) — Ela então soltou um grito olhando em direção à porta do hospital.

— Muito prazer Jesaah — Imitando o grito dela ao finalizar o nome. (Lucas)

Ela começou a apontar pra trás de nós e saiu correndo. Viramos-nos e ao vermos zombies saindo dos lados do hospital, caindo das janelas e ate mesmo alguns de dentro do hospital, começamos a correr em direção ao carro.

— Ei, Jesaah venha conosco e entre em nosso carro pra fugirmos daqui. (Lucas)

— Meu nome é Jessica, e eu não quero atrapalhar. (Jessica)

— Você não vai atrapalhar não, nós temos um acampamento com quatro pessoas nos esperando nele. (Lucas)

— Só não se esqueça de que vamos ter que lutar contra os gêmeos. — Falei sussurrando para Lucas. (Eu)

— Shhhhiu, não fale alto, se não ela não vai querer entrar para o grupo. — Respondeu ele com o dedo indicador de sua mão direita em sua boca. (Lucas)

— Mas ela precisa saber, pra se decidir se vai querer entrar e... Eu nem disse que ela podia! (Eu)

— Ah cara, não seja assim não, você já tem a Lara, me deixe ter alguém também, para que possamos nos abraçar, nos beijar e... (Lucas)

— Você pode parar que eu já entendi, não falaremos nada pra ela, mas quando os gêmeos chegarem ela vai descobrir da pior maneira. (Eu)

— Descobrir o que? (Jessica)

— Nada não. (Lucas)

— Vocês não estão escondendo nada não, certo? Estão parecendo muito suspeitos. (Jessica)

— Não, nada, nadinha de nada, nada mesmo. (Lucas)

— Cara, ela já entendeu. (Eu)

— Certo... E isso foi mais suspeito ainda, além de tantos "nãos" que você usou até agora em todas as suas frases. (Jessica)

Olhamos para trás enquanto corríamos e por um rápido instante ela se certificou de que não estávamos a olhando e como estávamos correndo dos zombies e preocupados com eles, ela levou a mão esquerda ao braço direito e apertou levemente, mas soltou logo que percebeu que Lucas desviara o olhar em sua direção.

Eu pude vê-la fazer aquilo pela vidraça da casa ao lado.

Chegamos ao carro rapidamente, com tantos zombies vindo em nossa direção não podíamos fazer outra coisa que não fosse correr.

Abri a porta rapidamente antes de todos e disse que as chaves haviam sumido da ignição.

— Droga, eu devia ter levado a chave comigo. (Eu)

— Como assim? Não estão no carro? (Lucas)

— Pessoal os monstros estão chegando. (Jessica)

Lucas abriu a porta do lado do carona e viu que as chaves não estavam mesmo lá.

— E agora? (Lucas)

— É melhor corrermos ou seremos pegos. (Eu)

Eu havia guardado a chave embaixo do banco logo depois de abrir a porta, não podia voltar para o acampamento agora e revelar tudo de uma vez, eu fracassaria miseravelmente e agora é a chance de ter uma aliada a mais.

Começamos a correr enquanto a multidão de zombies juntavam-se no meio da rua e todos rangendo os dentes e com as mãos elevadas em nossa direção caminhavam e se arrastavam o mais rápido que conseguiam.

Algo que eu não via passar desde o primeiro dia por aqueles céus eram os jatos, e nesse exato instante três deles passaram por cima de nossas cabeças e uma serie de explosões foram ouvidas. O céu se iluminou e tudo ficou claro como se estivesse de dia.

— O que esta acontecendo? (Eu)

— Como eu vou saber? Eu não os via desde o começo disso tudo. (Lucas)

— Eu também os vi apenas no começo, depois não apareceram mais ate agora. (Jessica)

Viramos em uma rua estreita e pulamos rapidamente para dentro de uma caçamba de lixo enquanto Jessica ficou parada na frente desta.

— Ai meu Deus. Vocês estão no lixo. (Jessica)

— Sim estamos, e você deveria pular aqui rapidamente. (Eu)

— De jeito nenhum que eu vou pular no lixo. (Jessica)

— Se você entrar aqui os zombies não irão saber onde estamos por causa do cheiro, eles diferenciam outros como eles de nos seres humanos dessa forma, além da visão. (Eu)

Começamos a ouvir o ranger de dentes e os grunhidos se aproximando.

Jessica ficou com tanto medo que isso sobrepôs o seu nojo e ela acabou pulando dentro da caçamba bem a tempo de vê-los passar em nossa frente e se espalhar para todas as direções com a perda de nosso cheiro.

Pouco tempo antes, no prédio antes usado como abrigo.

Cleber acorda em um quarto, percebendo que suas mãos estavam amarradas e em sua boca fita adesiva o impedia de falar ou ate mesmo gritar. Deitado na cama começa a ouvir vozes vindas do corredor, prestando um pouco de atenção consegue ouvi-los conversando sobre o que planejavam fazer mais tarde.

— Eu acho que aquele cara não volta mais aqui. (Voz 1)

— Melhor pra nós que vamos ver seus “companheiros” lutando contra os bichos e sem armas. (Voz 2)

— Isso vai ser muito bom. (Voz 1)

Ambos soltaram uma breve risada.

Após ouvir isso Cleber começou a se mexer tentando soltar suas mãos, mas havia muita fita adesiva rodeando-as, então ele examinou o quarto e percebeu que era aonde ele havia dormido e onde havia deixado uma faca e uma arma de baixo da cama. Rolou na cama e caiu propositalmente no chão, encostou-se a cama de costas e tentou apalpar onde estavam as coisas, mas nada foi encontrado, eles foram inteligentes ao ponto de tirar do quarto as armas. Olhou a garrafa de vidro que ele havia tomado o liquido no dia anterior sobre a mesa ao lado, se arrastou ate lá e chutou a mesa, fazendo com que a garrafa caísse no chão. Foi até ela e percebeu que a maçaneta da porta estava virando, bateu a garrafa contra o chão e quebrou-a rapidamente. Então um deles entrou no quarto e ao vê-lo no chão perguntou.

— Ei, você ai, o que pensa que esta fazendo? (Desconhecido 1)

Então ele se aproximou, com certa dificuldade levantou Cleber e colocou-o novamente sobre a cama olhou a garrafa quebrada no chão e sorrindo disse.

— Esperto, usaria os cacos para cortar a fita, mas ainda bem que o barulho me alertou a tempo. Ainda bem que você não foi tão rápido quanto esperava. (Desconhecido 1)

Abaixou-se e juntou os cacos em sua camisa, logo após saiu do quarto e fechou a porta.

Cleber abriu a mão e segurou firme, entre os dedos polegar e indicador, um dos cacos que ele havia pego antes de ser levantado, sentiu sua mão se umedecendo e percebeu que estava sangrando por ter fechado com muita força. Esforçou-se para sentar novamente na cama e começou a serrar a fita adesiva até ela se partir e ele livrar suas mãos. Vasculhou silenciosamente o quarto a procura de algo, mas nada foi encontrado, então começou a bolar um plano para sair dali apenas com o que tinha: o caco de vidro. Sentou-se encostado na cama novamente e chutou novamente a mesa, colocando seus dois braços para tras, então mais rapidamente dessa vez a porta se abriu e o inimigo entrou novamente no quarto.

— Você está novamente sentado ai no chão, não entendeu que você não vai conseguir sair daqui? Você não deve ser muito inteligente, por isso não se tornou o líder desse grupo. Vamos sente-se novamente na cama que esse chão está muito frio. (Desconhecido 1)

Aproximou-se de Cleber tentando ergue-lo novamente, então quando ele estava perto o suficiente Cleber viu uma chance, levou sua mão direita em direção ao inimigo e ao abri-la segurou firme no caco de vidro e rapidamente passou a ponta mais afiada sobre o pescoço dele cortando a garganta e fazendo com que jorrasse sangue no chão enquanto ele caia sobre a cama.

— Sou mais inteligente do que você pensava, seu otário. (Cleber)

Silenciosamente caminha ate a porta e ouve o segundo inimigo chamando o primeiro.

— Ele esta de dando muito trabalho? Volta logo pra cá que nossa ronda esta terminando e eu quero ir dormir logo. (Desconhecido 2)

Olha rapidamente para o corredor e vê o inimigo parado de costas olhando para o teto.

— Não sei por que nós precisamos ser os primeiros a cuidar desses aí, o chefe havia dito que era para Elsom e Fabiano cuidarem deles, mas aqueles dois conseguiram arranjar uma desculpa para não fazerem isso, os reféns não vão causar mal nenhum presos nos quartos e com fita adesiva os segurando. (Desconhecido 2)

Cleber esgueira-se até estar atrás dele, puxando seu pescoço para trás e cortando sua garganta, assim como fez com o primeiro, enquanto tapa a sua boca para que este não grite.

— Isso mesmo, nós não vamos causar mal nenhum, apenas durma como você queria. (Cleber)

Revista-o a procura de uma arma, mas nada é encontrado com ele, volta ao quarto e da mesma maneira nada é encontrado com o outro inimigo, volta ao corredor e abre a porta do quarto ao lado, onde o segundo inimigo estava parado em frente, encontra Lara deitada na cama e com fita adesiva em sua boca e suas mãos da mesma maneira que ele estava. Serra a fita e pede para Lara fazer silencio, ela o agradece e ambos saem dali, em passos cuidadosos os dois caminham pelo corredor até chegarem à janela, onde veem os jatos passando no céu e o clarão que iluminou tudo ao redor.

— Mas que porra esta acontecendo? (Ambos)