Notas iniciais
"Rodrigo, por onde andou, homem de Deus?" "Bem... Eu..." "Como pôde sumir assim? Seu irresponsável!" "Calma, posso explicar!" "Então explica, vai! Tá esperando o quê? Desembucha!" Então, pessoal, peço milhares de desculpas pela demora da postagem do capítulo. Eu sou um cretino mesmo, eu sei! Mereço pedradas! Mas posso explicar: fiquei sem internet por um tempo, depois foi o notebook que deu pau. Aí voltou as aulas, deixando as coisas mais difíceis. Embora tenha demorado séculos, cá estou! Peço que não desistam da fic, pois eu não vou *cara de determinação* Com calma, irei concluí-la, prometo. Tenham paciência com o tio Rodrigo, que tudo dará certo. Agradeço as favoritações e o pessoal que acompanha e comenta. Vocês são demais, pessoal! Amo cada um de vocês xD Chega de lenga-lenga? Vamos ao capítulo! Espero que gostem.

Encontrei-me com o grupo logo em seguida, todos pareciam bem satisfeitos com a noite.

─ Então, Shorin? ─ perguntou Riklim quando me viu. ─ Gozou?

Os outros riram, exceto Jaron que parecia maravilhado e apaixonado. Eu apenas limitei-me a falar:

─ Fiz o que devia fazer.

─ É isso aí, cara! ─ O moreno de Escorpião deu-me uma batida forte nas costas, demonstração de sua alegria. ─ Agora já sabe como se divertir.

Voltamos para a Academia, com os machos cantando o hino da instituição do Zodíaco. Na verdade, estavam mais berrando do que cantando. Era a felicidade de satisfazerem seus corpos e seus hormônios.

Jaron e eu fomos para nossos quartos. Meu colega suspirava e tinha um ar romântico.

─ Ah, Shorin ─ disse, jogando-se na cama. ─ Nunca pensei que o sexo fosse algo tão lindo.

─ Como foi? ─ perguntei sorrindo, aproximando-me de seu leito.

─ Ah, meu amigo, foi esplêndido! O corpo daquela beldade sobre o meu fora intenso, e eu sentia que algo dentro de mim iria explodir de prazer. Sua carne macia eu senti, e seu cheiro doce eu provei. Suas coxas fartas eu apertei e seus lábios carnudos eu me embebedei. Ah! ─ suspirou sonhadoramente. ─ Foi a melhor experiência, na qual quero me banhar mais e mais.

─ Você é, de fato, um poeta, Jaron ─ sorri para meu colega. ─ Você fala de forma bonita.

Deixei o rapaz de cabelos fogosos quieto com seus pensamentos, e fui à sacada deslumbrar a noite de lua cheia. Ela estava belíssima, mas sempre preferi o Sol. Com o resultado de meu signo, entendia muito bem o porquê: Sol era o meu astro.

Não tardou muito para que eu pegasse no sono e, antes do astro de Leão dar seu bom dia, eu já estava levantada, observando a paisagem maravilhosa que a sacada de meu quarto me proporcionava.

Peguei minhas roupas vermelhas de Leão e fui, antes de Jaron acordar, para o lago frio tomar meu banho. A sensação não mudava: sempre era horrível sentir em minhas magras carnes a batida forte da gelada água. Enxugava-me com pressa e vestia-me com mais rapidez, tentando aquecer meu pobre corpo dolorido de frio.

Eu estava ansiosa pelo meu primeiro dia de aula na casa de Leão, todavia, ainda ressentia encontrar meu irmão Thotin e ele acabar com os meus sonhos. Meu irmão sempre fora meu melhor amigo e me apoiava em tudo, porém, tinha medo dele estar muito bravo comigo e acabar contando aos outros que eu, na verdade, era uma garota. Por outro lado, não acreditava que Thotin gostaria de ver-me na fogueira, mas eram tantas as dúvidas acerca do comportamento de meu irmão quando ele descobrisse o que eu fiz, que eu ficava desnorteada, sem ter a certeza de nada. Thotin, afinal, era homem. E se ele abominasse minha ação tanto quanto os outros?

Ah, deuses, era um tormento pensar nisso, ainda mais de meu querido irmão Thotin.

Fui juntar-me aos meus colegas para o deleitarmos em nosso café da manhã. Comi, permitindo-me o trocadilho, como um leão. Uma leoa, para não esquecer de meu verdadeiro sexo.

Quando o horário da primeira aula do dia chegara, rumei à minha sala, olhando para cada rapaz, buscando entre tantos vermelhos uma cabeça conhecida e muito parecida com a minha. Entrei na sala do signo de Leão e sentei-me em uma cadeira, composta por uma bela e forte mesa de madeira. Tentava esconder meu rosto, mas sem esconder meus olhos. Passava-os por todos os lados, procurando Thotin no meio daquela movimentação de leoninos ferozes e animados.

Para minha surpresa, Leão entrara na sala para começar sua primeira disciplina, entretanto, não avistei Thotin. A sala era composta por muitos leoninos, provavelmente cem, mas dava para observar cada rosto másculo ali presente, e nenhum era de meu irmão.

Fiquei pensando se Thotin havia passado mal e, portanto, faltado à primeira aula. Ou será que ele não pertencia a Leão? Não, não podia ser. Se eu pertencia, com certeza Thotin também.

─ Dou-lhes bom dia, meus caros ─ começou Leão a falar em sua voz estrondosa. ─ Começaremos com nossa primeira disciplina do dia: Filosofia Astronômica. Iremos estudar grandes pensadores desta área. Colocarei suas cabeças para pensar, refletir, filosofar. Esta matéria costuma reprovar muitos preguiçosos, portanto, tratem de se dedicar a ela. ─ Leão sorriu com o peito estufado. Era um sorriso bondoso, mas ameaçador ao mesmo tempo. Era doce e forte; sensível e determinado. ─ Dediquem-se a todas as matérias, leoninos, pois não sou um signo benevolente com acomodados. Sou o signo do coração bom, e não do coração tolo.

Acho que só eu fiquei maravilhada com o discurso inicial, porquanto meus colegas pareciam bem assustados com Leão.

A aula ocorreu de forma satisfatoriamente bem, dando-me ânimo e esperança, contagiando-me com cada conhecimento que ia sendo absorvido por meu cérebro feminino, que, tudo indicava, era tão eficaz quanto o de qualquer um de meus colegas. Compreendia bem os ensinamentos de Leão, sabendo responder corretamente as questões levantadas pelo nosso educador.

Ao findar a aula, direcionei-me à biblioteca para poder colocar em prática o que havia aprendido. Tinha fome dos livros. Precisava devorá-los. Queria dedicar-me ao máximo à Academia do Zodíaco, sendo um exemplo de aluno. Sonhava com a minha brilhante formação e meu fantástico resultado como aluna. Sonhava revelar a todos meu verdadeiro sexo, possibilitando que outras mulheres tivessem a oportunidade de ingressar na Academia. Claro que tudo não passava de fantasias de minha mente descontrolada. Por mais que meus esforços fossem os melhores, nunca aceitariam que uma mulher fizesse parte daquilo. Sempre a visão machista reinaria.

─ Olá, jovem Shorin ─ saudou-me Sarq quando entrei na biblioteca. ─ O que procura desta vez? Romance? Aventura? Mistério?

─ Hoje será um pouco de Filosofia e Astronomia, senhor. Para estudar o que aprendi na aula de hoje.

─ Ora, vejo que é um rapaz responsável ─ sorriu. ─ Muito bom! Acho que não preciso mostrar onde fica a parte de Filosofia e Astronomia, não é? Conhece o acervo tão bem quanto eu.

Agradeci com um sorriso amigável, rumando à prateleira, à procura de um bom livro para estudar. Enquanto fazia minha busca, escutei uma voz conhecida conversar com o senhor Sarq, obrigando-me a esconder, protegendo, em especial o meu rosto, no corpo da gigantesco da prateleira de madeira da biblioteca.

─ O senhor teria o livro Como fazer da calma a sua armai?

─ Claro, jovem ─ garantiu o senhor Sarq. ─ Acompanhe-me, por favor.

Segurei a respiração e corri para o outro corredor de prateleiras, fugindo do rapaz que seguia o bibliotecário do signo de Peixes. O garoto trajava uma roupa verde, a cor do signo de Touro. Percebi, então, o motivo dele não estar na aula de Leão.

Meu irmão seguia os passos do senhor Sarq, enquanto eu tentava me desvencilhar deles. Thotin passava seus olhos pela imensidão de volumes. Vi-me sorrindo ao observá-lo, pois estava muito bonito com seu novo traje. Verde era uma cor que combinava com ele, assim como o signo. Thotin sempre fora calmo, muito diferente de nosso pai, e, por que não, de mim. Éramos gêmeos, mas com personalidades completamente distintas.

─ Você lembra-me alguém, rapaz ─ comentou o senhor Sarq quando entregou o livro capturado a Thotin. ─ Tem algum irmão na Academia?

─ Não, senhor. Sou o único filho homem de minha família.

─ Um primo, quem sabe? ─ insistiu o bibliotecário.

─ Não, senhor.

Sarq coçou o queixo pensativo. Deu de ombros ao perceber que não conseguiria decifrar aquele enigma que havia criado, despedindo-se, assim, de meu irmão. Porém, para minha má sorte, Thotin resolvera estudar na biblioteca. Deixei-o se distrair com os livros para tentar sair do local sem ser avistada por ele. Deixei de lado os livros e, com cuidado, fui em busca da saída.

─ Não vai levar os livros que queria, Shorin? ─ interrogou o senhor Sarq.

Amaldiçoe-o em pensamento.

Olhei para a direção de Thotin com cautela, mas este continuava a ler. Mais aliviada, respondi ao bibliotecário que passava mais tarde, pois precisava pegar algo em meu dormitório.

─ Muito bem! ─ falou Sarq. ─ Ficarei aguardando.

Com uma piscada, despediu-se de mim.

Apressei um pouco mais os passos até a saída. Deixando a biblioteca, cruzei um corredor destinado às salas de esgrima. Escutava o barulho das espadas se chocarem e via os rapazes duelarem ferozmente. Após assisti um pouco a luta, virei para sair e ir ao meu dormitório. Quando estava quase chegando no corredor dos banheiros, assustei-me com uma mão segurando o meu braço, obrigando-me a encarar o rosto do responsável.

─ Não pode ser ─ sussurrou. ─ Soriah?

Engoli em seco. Thotin olhava-me estupefato de cima a baixo, verificando se eu era mesmo eu; se o que via era mesmo real.

─ V-você está vestida de homem... ─ observou em tom baixo para não chamar a atenção de ninguém. ─ V-você cortou o cabelo... V-você está...

─ Thotin...

Ainda espantado, meu irmão encarava-me sem saber bem o que dizer. Após um momento de silêncio ─ que pareceu uma eternidade ─ para minha surpresa, Thotin abraçou-me com muito carinho. Percebi que soluçava, e eu, como não sou de ferro, também me deixei cair no choro, feliz com o reencontro, embora um tanto assustada com a descoberta.

─ Nem acredito, Soriah ─ falou, segurando os meus ombros para fitar-me melhor. Enxugou as lágrimas, e eu o imitei. ─ Você está ridícula ─ riu. ─ Como conseguiu? Pensei que estivesse perdida pelo mundo, desgraçada pelo destino.

─ Eu disse que não iria me casar, não disse? ─ retruquei. ─ Disse que não viveria na miséria e nem na prostituição. Fui atrás de meu sonho, Thotin. Faço parte da Academia.

─ Você é louca mesmo ─ suspirou. ─ E se descobrem? Sabe que a fogueira será o seu fim, não sabe?

─ Achei que valia a pena tentar. Não iria me casar com aquele imbecil.

Thotin balançou a cabeça negativamente, mas logo deu espaço ao sorriso.

─ Vamos sair daqui ─ sugeriu. ─ Temos muito que conversar, e aqui não é o local certo.

Notas finais
Gostaram? Deixem seus comentários, pois assim me deixam muito feliz xD Se favoritarem, minha alegria será imensa, assim como minha gratidão. Até mais, meu povo e minha pova! o/
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.