Zodiac
1 November rain
Rua Bakering — 10h a.m
Estava chovendo torrencialmente aquela manhã, mas a rua nunca parecera tão calma, ela estava vazia, os únicos sons que se escutava eram um ou dois carros passando e a chuva caindo. Era um local bem simples, uma rua com casas e mais casas dos dois lados, muitas árvores, um ótimo local para se viver.
Um Santana 97 preto lentamente parou em frente a casa 8, um homem jovem vestindo um casaco marrom e uma calça jeans saiu do carro, pelo pouco tempo que a porta esteve aberta foi possível escutar a musica "Hair of the Dog – Nazareth", ele olhou em volta como quem acha estar sendo vigiado, e tornou sua atenção para a casa. Casa esta bem grande para o padrão das residências em volta, branca com o jardim bem cuidado, com uma variedade de plantas, desde rosas até temperos e outros alimentos, uma trilha de pedra levava até a porta de madeira escura, suas janelas frondosas são distribuídas uma em cada lado da porta, o mesmo padrão se mantinha no segundo andar.
— Olá, senhora Baker. – chamou enquanto batia na porta.
Não se passou muito tempo até que a mesma fosse atender, ela tinha cabelos grisalhos em coque com uma agulha de crochê segurando, vestia um vestido florido e andava bem devagar, uma típica vozinha de desenho animado.
— Entre meu filho, saia dessa chuva!– chamou apontando para dentro de casa.
A casa em si era muito bem arrumada, piso de madeira, os moveis bem dispostos o que separava a cozinha da sala era uma espécie de balcão, um tipo de bar onde o rapaz se sentou.
— Eu sou o agente especial Leon!–
— Sei quem você é, eu o contatei se lembra? Qual era o mesmo o nome da agencia? "A" alguma coisa?–
—A.C.I.B.!–
— isso eu fiquei bem curiosa por essa sigla, o que significa?– Perguntou ela dirigindo-se até a cozinha.
— Agencia Central de Inteligência Brasileira! Geralmente nós somos os últimos a se meter em um caso, fiquei surpreso por terem aceitado seu pedido, já que só a policia esta investigando!– falou ele enquanto se sentava em um sofá perto da janela.
— Gostaria de um café agente?–
— Seria ótimo, obrigado!–
— Bem, eu admito que quem me atendeu ficou um tanto receoso de aceitar, mas no final você apareceu!– Explicou à senhora enquanto entregava o café e se sentava.
— Acontece agente que já houve muitas mortes! E a policia não esta conseguindo lidar com o caso!– explicou ela antes de dar um gole no café.
— Veja, não quero ser grosso, mas eu já tenho quase todas as informações que existem sobre o assassino, e eu esperava algo que a senhora tivesse a acrescentar, afinal, foi a senhora quem nos chamou!–
— Bom, eu sei que quando ele matou o meu marido, ele não só fez questão de esfaqueá-lo na constelação de seu signo, como era o dia do signo dele! Meu marido era de sagitário, e o sol naquele dia, nasceu na constelação de sagitário, assim como com todas as suas vitimas!–
— É... Essa é definitivamente uma informação nova!– Brincou Leon enquanto tomava um gole. – Algo mais que eu deva saber?–
— Creio que não agente, mas devo lhe avisar que as pessoas daqui não costumam ser confiáveis, então tome cuidado, pois tenho por mim que este assassino, seja ele quem for só não foi pego ainda porque sabe quem esta o investigando. É uma cidade pequena esta. Todos se conhecem por aqui!–
— Bom, eu sou novo aqui, vamos ver se ele escapa de mim!– Ironizou ele enquanto se levantava – Preciso ir agora, obrigado pelo café!–
— Não foi nada!–
A chuva finalmente havia melhorado então Leon resolveu pegar o carro e arranjar onde ficar logo.
Chegando a um motel na cidade ele não demorou muito para por as suas coisas no quarto, não precisava esconder nada do caso, as suas coisas se encontravam em um óculos de realidade virtual que o colocava em um escritório virtual onde ele gravava suas informações.
— Muito bem, vamos ver o que temos... Um assassino que se amarra em horoscopo, suas vitimas são mortas esfaqueadas de acordo com os pontos de suas constelações, e no dia de sua constelação, ele só ataca idosos e crianças, nenhuma pessoa maior do que 18 anos e menor do que 60 morreu... Sem pistas a não ser uma pegada encontrada hoje! Bom, parece que eu já tenho aonde ir!–
Rua Stalin-12h30m p.m.
A rua era protegida por um guarda e uma cerca não havia ninguém ali além do delegado de policia, era um barraco praticamente, uma sala com pinturas desbotadas, uns moveis quebrados, e mofo em alguns cantos.
— Delegado? Eu sou o agente especial Leon, A.C.I.B.! Eu gostaria de dar uma olhada na pegada que encontraram!– Pediu mostrando o distintivo e apontando para a pegada.
— Veio até aqui só pra ver a pegada? Não da pra saber nada por uma pegada!– Desdenhou o guarda que fechara o local e entrou.
— É, com certeza, não da pra saber nada! A não ser quanto ele calça sua altura aproximada, por onde andou e para onde provavelmente voltou!–
— Desculpe!–
— Não querendo ser rude, mas já sendo, se for fazer um comentário como este, não faça! Vai diminuir o QI da rua inteira!–
— Qual o seu verdadeiro nome agente?– Perguntou o delegado, tentando não deixar o silencio dominar a sala mal iluminada.
— Meu nome é Lorence, Lorence Texas!–Respondeu enquanto com sua faca tirava um pedaço da pegada, e com um Scanner mapeava a pegada inteira.
— É estrangeiro?– Questionou o delegado que expressava desconfiança.
— Não minha mãe só achava esse nome bonito!–
Lorence se levantou e andou até o carro sendo escoltado pelo segurança e pelo delegado, um trovão escoou nos ares naquele instante, dando um clima estranho na situação.
— Maldita nuvem, já faz dias que não temos um sol! Então, conseguiu algo agente Texas? Posso chama-lo assim?–
— Pode sim, meu cod-nome é Leon Texas mesmo!– Brincou ele enquanto abria o carro, fazendo assim o som de "back in Black" ecoar para fora.
— Então se puder dividir suas informações com a policia, seria útil, lembre-se, estamos no mesmo lado!–
— Até agora eu sei que ele calça 30! Se descobrir mais eu te falo!– Prometeu Lorence enquanto entrava no carro. – Se for possível delegado, me deixe ver os corpos das vitimas amanhã.–
O delegado concordou e Lorence partiu
Voltando ao seu quarto no motel, Lorence não esperou muito até ir para sua cama que estava cheia de pétalas, o que fez passar pela sua mente que aquele lugar com certeza não era para dormir.
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