Zodíaco
32 Egoísmo
Foi uma conversa estranha, Allen não entendia muito bem o que aquela garota queria, mas ouviu pacientemente enquanto a garota pedia para ele impedir o concurso.
— Olha, sei que Benedict é um pouco, como eu posso dizer.
— Burro? Irritante? – Ela o completou.
— Não, mas isso também. Ele é excêntrico, tem uma maneira própria de levar a vida, e só você pode impedir isso, se vai acontecer uma tragédia, dê a cara a tapa, se revele, você sabe que tudo isso está acontecendo por você.
A garota riu.
— Teimosia é um dos meus defeitos, mas a garota por trás da máscara sabe ser mais teimosa que eu. Ela é extremamente pessimista e tem a sua dose de egoísmo, que às vezes transparece demais. Eu o vi andando rapidamente pela rua e parei para entender o que se passava com você. Mas adivinha? Eu não consegui ver nada.
— Como assim?
Allen ficou curioso, ele já havia passado por situações inexplicáveis, e aquela garota podia ajudá-lo a entender.
Ele viu seus olhos brilharem embaixo da máscara, vermelhos como o de Benedict, ele podia ver singularidades entre eles.
— Talvez eu possa te contar. Eu realmente sei o que acontece com você. Não é essa a sua dúvida?
— Por favor. Me diga!
— Certo, mas isso não sairá de graça. Eu sei que você não conseguirá impedir o concurso, mas pelo menos você me ajudará a impedir que o Aquarius e a de Escorpião estejam presentes.
Allen pensou cuidadosamente na proposta. E ele resolveu seguir os seus princípios.
— Sinto muito, mas acho que descobrirei isso sozinho. Não me leve a mal, mas acho que a garota por trás da máscara é puramente egoísta.
— Mesmo que vocês consigam encontrá-la, não acho que ela os ajudaria tudo isso que vocês estão fazendo por um bem maior é inútil. Não adianta nos reunir, a garota já sabe o que irá acontecer, por isso seu pessimismo é a única coisa que a move.
A gata se despediu com um aceno e desapareceu na escuridão. Allen conseguia sentir o medo que transparecia dela. O que ela chamava de pessimismo, era medo. O mesmo medo que ele sente quando se desafia alguém claramente mais forte para uma batalha.
No momento ele não podia fazer nada, além de esperar para ver o que iria acontecer. Ele estava preparado. Ele iria proteger sua mãe e todos os seus amigos que ele havia feito em Lorena. E sim ele era tão egoísta quanto ela, ele só está nisso exclusivamente para se vingar das pessoas que destruíram seu país natal e mataram o seu pai.
§
O dia amanheceu rápido. A capital estava movimentada, as pessoas pareciam felizes, há muito tempo o rei não via o castelo tão lotado, a última vez havia sido no seu próprio casamento.
O castelo que parecia tão solido e frio, estava lindamente enfeitado, suas paredes forradas por tapetes antigos e as armaduras da antiga guerra estavam ofuscados pelos adereços e a flores que perfumavam todo o ambiente. Isso era bom, ver as pessoas olhando para o que acontecia na capital e ignorando o que realmente acontecia nas outras regiões, não importava se Benedict encontrasse ou não a garota, ele havia criado a distração perfeita.
O rei havia pedido para que dois famosos cantores apresentassem todo o evento pelo rádio. Seria um sucesso. Assim ele acreditava.
O rei Sandor I possuía dois filhos. Rodrick e Fernan. Rodrick estava claramente entediado, o rapaz tinha 21 anos e odiava tudo o que vinha do seu pai. Alto e pálido, ele não era muito atraente e passava os seus dias enfornado em seu quarto, o rapaz pouco via a luz do dia, ele não tinha aspectos reais e não passava confiança a quem o conhecia.
Já Fernan, poucos sabiam quem era o seu pai. O garoto não gostava da rotina real,e já que ele não era o primeiro na linha sucessória ele passava os seus dias no castelo de verão do reino, que ficava ao oeste. Ele tinha 18 anos e quem o conhecia dizia que ele deveria ser o próximo rei. Bonito, carismático e inteligente, ele possuía as qualidades necessárias para comandar o país.
— Pai, Fernan vai vir hoje? – Falou Rodrick baixo e arrastado.
— Eu mandei um mensageiro, mas duvido que ele venha, ele não gosta de todo esse protocolo.
Rodrick suspirou. Os dois filhos do rei não queriam ser os próximos governantes de Lorena.
§
Benedict não havia parado de trabalhar, desde que o sol havia nascido moças de todas as regiões haviam vindo de cadastrar.
— Muito bem, senhorita Flein. Muito obrigada por ter vindo participar desse evento.
— Eu não poderia perder Benedict, não quero me gabar, mas acho que tenho chance de vencer!
Benedict sorriu para ela.
— Sim, a senhorita tem.
Ela piscou seus longos cílios para ele.
— Você está muito bonito hoje, Benedict.
Benedict riu.
— Muito perspicaz senhorita Flein, mas sou apenas um dos juízes, você terá que puxar o saco de pelo menos mais dois para aumentar as suas chances.
— Então me fale quem são os outros! -- Ela jogou charme mais uma vez.
— Não acredito que essa desclassificada está aqui. Você sabia que a miss Lorena, deve ser pura e casta, e com a sua fama eu duvido que você sequer consiga competir.
Os dois se viraram para ver Justice Martin, ela estava acompanhada por Raíssa, que aparentava estar bem cansada. Justice usava o seu cabelo solto em camadas, seu vestido era verde esmeralda e bem ajustado na cintura.
Ela olhou para Theodora com desdém, enquanto esperava a resposta que normalmente ela daria.
— A miss Lorena também deve ter classe e ser superior.
Essa resposta irritou ainda mais Justice. Que tentava se conter. Ela esfregaria a sua vitória naqueles olhos azuis de Theodora.
Benedict não estava nem ai para nenhuma das duas, ele olhava para Raissa preocupado. O que aquela louca havia feito com ela?
Ele se levantou da onde estava e abraçou Raíssa.
— Você nunca mais vai sair com essa louca Raíssa. Olha o seu estado, parece que não dormiu a noite.
— Bem isso é tecnicamente verdade. – Raíssa disse enquanto se espreguiçava
— Você não precisará competir. Além do mais se você competisse iria ganhar de qualquer forma. – Benedict disse isso alto o suficiente para que todos olhassem para eles.
Theodora e Justice se sentiram ofendidas. Mas as duas chegaram à conclusão que no quesito fofura elas não tinham chance contra Raissa.
§
— Vamos Kath, eu estou atrasada. Benedict vai me atazanar por isso.
Cassie aguardava a prima que não saia do quarto.
— Mas eu não quero ir!
— Só se cadastre, falarei para Benedict não te selecionar para a próxima fase.
Katherine saiu do quarto de cara fechada. O seu cabelo estava bem preso, e ela usava seus tradicionais óculos e um terno cor de salmão.
— Você não vai assim! Eu não quero que Benedict diga que eu tenho uma prima estranha.
— Como se eu me importasse com o que esse maluco fosse dizer.
Cassie olhou no relógio mais uma vez.
— Olha, eu estou atrasada, você vai trocar de roupa e vai me encontrar no castelo, se não eu vou fazer da sua vida um inferno.
Cassie saiu às pressas. Katherine sabia que irritar a prima não era uma boa ideia, Cassie sabia ser bem persistente e vingativa.
— Vou chegar bem atrasada, vou dar um olá para Cassie e desaparecer na multidão. – Katherine pensou.
Ela soltou um pouco o rabo de cavalo e vestiu um vestido azul simples, ela se olhou no espelho.
— Para não ser reconhecida. – Ela colocou os seus óculos.
Katherine se despediu da tia e ao sair da loja esbarrou em alguém, ela não havia previsto isso.
— Me desculpe – Ela disse antes de ver em quem ela havia esbarrado.
Áquila, o garoto que ela gostava. Ela se sente nervosa e toda a tensão que ela sentia se dissipou.
— Sempre nos encontramos assim. – Ele riu.
Ela não sabia o que fazer. Por isso sorriu em retribuição.
— Você já está saindo?
Katherine encontra forças para responder.
— Sim, mas minha tia está cuidando da livraria.
Ele parece decepcionado, na verdade Katherine tem certeza disso.
— Mas, amanhã, se você vir. Eu estarei. – Ela se atrapalha com as palavras
Os olhos dele brilham quando ele olha para o céu limpo.
— Então posso te acompanhar? Acho que você está indo para o concurso, certo?
Até ele sabia daquele evento idiota.
— Tudo bem.
Os dois conversam o caminho inteiro.
Katherine descobre coisas sobre ele. Áquila nasceu na capital, mas desde pequeno ele mora em uma cidade ao oeste, voltou há pouco tempo. Ele gosta de ler, e tem os mesmo gostos literários que ela. Ela sabe que tudo o que ele diz é verdade, mas quando ela pergunta sobre os seus pais ele mente. Katherine fica tentada a perguntar de novo, mas é muita coisa para saber em um primeiro encontro.
— Bom chegamos, vou torcer por você. – Ele diz sinceramente.
— Você já vai?
— Bem, eu tenho um papel muito importante hoje, mas nos encontraremos novamente.
Ela vê que eles irão se reencontrar novamente, cerca de 100 % de chance.
§
— Finalmente! – Cassie diz quando vê a prima.
— Me desculpe é que acabei me encontrando com alguém.
— Isso não é desculpa, achei que você era mais responsável. – Cassie sabia como atingir a prima.
— Eu sou responsável. Eu estou aqui não é!
Cassie suspira.
— Você é a última candidata. As outras já estão preparadas.
Cassie da um número de inscrição para Katherine.
— Numero 100.
— Sim, tivemos um total me 513 inscrições, porém somente garotas que o Benedict achava bonita passaram.
— Mas isso desvirtua o objetivo do concurso.
— Sim, mas Benedict disse que a garota que nos estamos procurando segue os padrões dele.
— Então por que eu passei?
— Ele acha que por você ser minha prima, ele não tinha como se decepcionar.
§
Todas as candidatas já estão a postos. Benedict é o centro das atenções. Tudo está indo conforme o planejado. Só falta o rei para dar início a cerimônia.
— Como a sua majestade está demorando eu vou atrás dele. – Ele diz para os outros organizadores do evento.
Benedict bate três vezes na porta do escritório do rei.
Sem nenhum sinal, ele pede para um dos guardas abrir a porta. Mas nenhum guarda cede aos seus pedidos.
— Se o rei estiver passando mal, a culpa será de vocês, eu tenho autoridade suficiente para entrar no escritório dele.
Eles acabam cedendo.
Quando a porta se abre Benedict fica horrorizado.
As paredes estão manchadas de sangue, há pedaços de corpos para todos os lados. As cabeças do rei e do seu filho mais velho, Rodrick, estão no centro da mesa.
Os guardas estão prontos para chamar outros, mas eles são surpreendidos e atacados pelas costas.
— Bem, você é o famoso Benedict. – Alguém diz fechando a porta.
Um rapaz que Benedict somente viu quando era uma criança.
— Fernan? — Ela fala surpreso.
— Bem, eu prefiro que me chamem de Áquila, como a constelação que me deu esse poder.
Benedic é atacado e cai no chão batendo a cabeça.
§
O escuro é a única coisa que ele vê.
Quando ele se levanta muito tempo já se passou. Ele vaga pelos corredores vazios do castelo. E se depara com o grande salão destruído.
Ele é agarrado e puxado para outro corredor.
— O que aconteceu? – Ele pergunta para Allen que o olha aflito.
— Os Zodíacos, eles enlouqueceram, atacaram a todos e mataram o rei.
O mundo de Benedict cai.
— Você viu isso? Aonde eles estão?
— Não, mas as provas são irrefutáveis, quando eu cheguei aqui, uma corrente de vento derrubou uma parede em cima de mim, eu acordei a pouco tempo, e me disseram que o novo rei os condenou a morte.
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