Notas iniciais
oi gays ♥ isso aqui eh só um negocinho que eu escrevi ontem pra me acalmar. eu gostei muito dele porque eu sou um baitola.

AH, o título da fic é esse por conta daquela música da liniker, acho que a música passa bem a vibe aksjfksdfa

enfim, espero que gostem ♥

Só percebo que passou da meia noite quando Will entra no quarto e praticamente grita feliz aniversário. Fecho o livro que estou lendo — sobre a segunda guerra mundial, como a maioria dos livros que leio — e sorrio ao ver ele vindo até mim com um cupcake que tem uma pequena vela acesa no topo. É ridículo, mas é ainda mais ridículo que eu estivesse esperando por isso e que eu goste.

Will está cantando parabéns pra você quando assopro a velinha, então coloca o cupcake no criado mudo, ao lado do meu livro, e segura meu rosto com as duas mãos. Ele me dá um beijo e fala um eu amo você para cada ano de vida que tenho agora. É quase que um ritual para nós dois. Eu vou fazer o mesmo quando for aniversário dele, assim como nos anos anteriores. Não sei exatamente porquê começamos com isso. Dessa vez, me assusto um pouco em como o número está tão perto do vinte quanto nunca esteve. Me pergunto por quantos anos isso vai se sustentar. Se um dia vou dizer eu amo você cinquenta ou sessenta vezes seguidas para ele.

Seu presente está na cozinha, ele diz, quando para de me beijar. Não, meu presente está bem aqui, eu penso, mas não verbalizo, então me ocorre que essa é uma das coisas que vivo mantendo em minha mente e que Will gostaria de ouvir. Digo em voz alta. Ele sorri. Eu o beijo.

Nós nos deitamos na cama. Gosto da forma como nossos corpos se encontram, tão acostumados um com o outro. Enrolo os meus dedos nos cachinhos do cabelo dele e o puxo para mais perto de mim, mesmo sabendo que ele nunca estará próximo o suficiente. As vezes sinto que a minha vontade de toca-lo é tão grande que poderíamos nos tornar uma pessoa só.

E eu amo você, eu digo, logo depois de tirar a sua camisa.

Sua mão vai até o meu cabelo e tira o elástico que o prendia em um coque. Reprimo uma risada quando sinto os fios negros se soltarem. Eles estão na altura do meu ombro agora. Will age de uma forma que eu não duvidaria que ele me batesse caso eu voltasse para casa com um corte de cabelo curto sem o avisar.

Casa ainda é um termo confuso para mim. Por muito tempo não tive nada que pudesse ao menos ser parecido com isso, mas nós estamos aqui agora, em um lugar onde tem cozinha, sala, banheiro, quarto, e tem ele. Qualquer lugar que Will esteja eu nem ao menos hesito em chamar de lar.

Lembro que eu tinha medo de que isso não desse certo: nós dois morando juntos, sozinhos, mas dá tão certo que quase não consigo acreditar.

Eu vou ter que te dar mais um presente, então, ele sussurra me olhando nos olhos. Eu o encaro. Até mesmo as olheiras em seu rosto são lindas — Will tem estudado medicina como um maníaco e isso tem afetado seu sono, as vezes me preocupa.

Ele me empurra na cama e fica por cima de mim. Nós estamos juntos há tempo suficiente para eu saber muito bem o que ele vai fazer. Nós funcionamos como engrenagens de uma máquina, como peças de um quebra-cabeça. É por isso que amo cada momento. Ele beija meu pescoço, então faz o mesmo com meu peitoral. Eu gosto disso, da forma como ele me toca e faz eu me sentir especial. Inferno, as vezes ele me olha como se eu fosse a obra de arte mais linda de um museu e eu simplesmente não acredito que sou tão sortudo a esse ponto.

Ele percorre os dedos pela tatuagem em minha coxa e eu estremeço. Quando puxo seu rosto para cima de volta, para o beijar, os anéis em meus dedos se enroscam em seu cabelo. Ele ri quando me ve tentando desfazer essa bagunça, porque isso é algo que acontece com frequência. O som da risada dele sempre me alegra.

Tiro os anéis, que quase sempre estão comigo, e os deixo de lado. Ele murmura meu nome quando tiro o resto de sua roupa. Ele continua a murmurar meu nome quando fico entre suas pernas e dobro seus joelhos. Ele puxa meu cabelo com força e suas mãos buscam minha pele mesmo que não estejamos em uma posição muito favorável para isso. Ele continua a murmurar meu nome mesmo quando o viro de costas, com força, sem aviso algum. Ele continua a me chamar baixinho quando afundo meu rosto em sua pele e meus dedos se apertam nele.

Eu gosto disso, de ver Will dessa forma, e sei que ele gosta também. Nós funcionamos muito bem assim. Poucas coisas me deixam tão feliz quanto o fato de conviver com ele e estar plenamente consciente de suas preferências em todos os sentidos — e das preferências que nós ainda vamos descobrir juntos.

Você está me matando, ele diz, então se vira novamente na cama. Ele me puxa para perto de si. Suas pernas envolvem a minha cintura. Eu beijo seu rosto enquanto ouço sua respiração desestabilizada. Ele arranha minhas costas quando me movo com rapidez. Aperto suas coxas e torno tudo lento novamente quando o olho nos olhos. Feliz aniversário, ele diz, mais uma vez, com seus lábios contra os meus. Eu sorrio. Nós estaríamos fazendo isso mesmo se fosse uma terça-feira comum, mas qualquer noite é especial com ele.

Me afasto e sento na cama, o puxando para meu colo. Fico feliz que eu tenha crescido tanto nos últimos anos, mas Will continua alguns centímetros mais alto — algo que nunca me deixa esquecer.

Suas mãos apertam meus ombros. Ele solta um suspiro e meu coração dá duas voltas dentro de mim. Seguro sua cintura. Sua pele em contato com a minha me faz queimar, mas também faz eu me sentir amado e me dá a certeza de que não há mais qualquer resquício de medo em mim por ama-lo.

Por amar outro homem.

Por amar Will.

Eu o seguro e nos deito novamente na cama. Ele volta a sussurrar meu nome e continua até o último minuto.

Nós ficamos naquela posição por mais algum tempo, como sempre. Ouço sua respiração leve junto com a minha própria respiração despreocupada. Ele beija minha bochecha. Obrigado pelo presente, eu digo. Ele ri e responde sempre que você quiser.

Sua mão percorre minha nuca e vai até o meu braço, por cima da tatuagem com uma frase em italiano.

Quando me deito ao seu lado, sei que quero isso para o resto de minha vida e que finalmente tenho um lar.

Você chegou ao fim do livro. Parabéns!