Zero

2 Capítulo 2


- Então, como queres combinar as coisas? – Perguntou-me a Mickie. – O Joe vai apanhar-me podemos fazer um desvio e apanhar-te a ti também!

- Não é preciso, eu prefiro levar o meu carro, posso querer vir embora a horas diferentes! – Respondi, sabendo perfeitamente que aqueles dois ou decidem sempre vir mais cedo ou mais tarde que eu.

- Oh não… — Ela falou e apontou para quem se aproximava de nós, revirei os olhos quando vi a “fofura” do meu professor a aproximar-se.

- Holly, podemos falar civilizadamente? – Perguntou atrás de mim.

- Como assim? – Estávamos fora da escola, podia trata-lo como quisesse. – Quer que me rebaixe ao seu nível? – Ele endureceu os músculos da face, marcando as rugas de expressão, suspirou.

- Não será necessário! – Falou – Primeiro quero pedir desculpas, não sabia da tua condição familiar! – Olhou para baixo – Lamento... O que passou!

- Pois, também eu! – Disse-lhe.

- E quero saber qual é o teu problema comigo, porque já vi que com a história não tens qualquer problema! – Soou irónico.

- Primeiro de tudo – Apontei-lhe o dedo – Se deixasse de implicar tanto comigo, talvez as coisas fossem de outra forma! Deixe de me chatear durante as suas aulas e principalmente deixe fora da aula, esse sorrisinho irónico que sempre faz para mim!

- Eu não te entendo! – Riu-se, cruzei os braços – Tu és a única que implica com as minhas aulas!

- Você é o único que implica comigo! – Gritei.

- Talvez se deixasses de ser tão impertinente…

- Cale-se! – A Mickie segurou-me no braço. – Deixa amiga, estamos fora da escola… Posso fazer o que quiser com este idiota!

- Idiota!? Idiota!? Mas quem é que pensas que sou? – Icei o Sobrolho.

- Tu!? Tu és igual ao meu teste… — Ri-me a gargalhada – Um zero! – Ele ficou ainda mais furioso e apertou-me o braço, detesto que me toquem.

- Beckers…

- Professor é melhor larga-la! – Falou a Mickie, já calculando que eu me ia passar da cabeça. – Senão…

- Senão o quê!? – Falou. Apertei-lhe o pulso e num movimento rápido dei-lhe uma joelhada na barriga. O pronto principal não era esse, mas sim as partes baixas, mas serviu a mesma, ele contraiu-se com a pancada.

- Adeusinho… Fofura! – Virei costas e comecei a andar, a Mickie seguiu-me chocada, mas não me preocupei. Se lhe batesse dentro da escola seria gravíssimo, mas fora desta o caso mudava de figura, ninguém iria conseguir culpabilizar uma menina com quase 18 anos por bater num individuo de 26…

…

Mais uma vez, a Gabe não estava em casa, aliás nem apareceu o dia todo. Já deve estar aproveitar os velhos ricos que por ai andam.

Pois, a minha tia Gabrielle é uma louca, assumida!

Está sempre em viagens e em grandes engates com os idosos riquíssimos que já ai andam de cadeirinha de rodas e o melhor disto tudo é que os pobres coitados dão lhe tudo, não lhe falta nada.

Fui ao seu armário, buscar um vestido bem bonito e calcei uns sapatos que a Mickie me tinha oferecido no natal. Peguei na bolsa, nas chaves do carro e sai ao encontro da minha amiga e do Joe à porta da discoteca.

…

- Isto hoje promete! – Falou o Joe. – Está ai o pessoal todo da escola…

- Mau sinal! – Riu-se a Mickie sentando-se numa das mesas altas em frente ao balcão.

- Aturamos esta malta toda durante o dia, aturar à noite seria o cumulo! – Sorri, olhando em volta e dando o gole na minha bebida. – Tive educação física ao ultimo tempo, estou toda partida!

- O Bob é tramado! – sorriu o Joe, falando do professor de educação física. – Se vissem nos treinos de futebol aquilo rebenta connosco!

- Quando começam os jogos? – Perguntou a Mickie.

- Próxima semana! Não se querem inscrever para a torcida? – Eu e ela começamos a rir a gargalhada.

- não! Com aqueles fatinhos ridículos e com os pompons no ar, nem pensar! – Ri-me.

…

A noite estava animada, depois de dançarmos no meio daquela confusão de sardinhas enlatadas ou seja tudo ao molhe, fui até ao balcão pedir algo para beber.

Passei o cartão à rapariga do balcão e olhei para o lado, casais a comerem-se ali mesmo sem qualquer pudor, velhos com a idade de serem meus avôs a dar em cima de miuditas e um gajo a falar para uma garrafa. A Rapariga entregou-me a bebida e o cartão.

- Olha quem é ela… — suspirei ao ouvir a voz irritante. – Por aqui espertinha!? – Olhei para o estado daquele que confirmei ser o meu professor de história, completamente de rastos.

- Oh… — Revirei os olhos – que estás aqui a fazer?

- Eu!? O mesmo que tu… Os idiotas podem divertir-se todos no mesmo sitio, ou não é!?

- Deves estar a querer apanhar! – ele começou a rir-se da minha cara de furiosa.

- Não intimidas, miudinha! – ai que já lhe mostro quem é a miudinha. – Agora quem comanda o jogo sou eu… — Gritou – Pensas que sabes que controlas tudo… mas tás muito enganada… — Arrastou a voz e bebeu mais um gole da sua bebida, deixando um bafo a álcool enorme no ar. – Eu vou arranjar maneira de te lixar! – apontou-me o dedo.

- Estás bêbado, a única coisa que vais fazer é calar-te e ir embora! – Gritei e ele segurou-me no braço de novo. Deus, dai-me paciencia. Puxei-o pelo colarinho até a saída da discoteca, já á porta, procurei pelo cartão dele nos bolsos, aquele idiota não parava de rir. Entreguei o dele com o meu e o dinheiro ao segurança e sai, arrastando-o até ao meu carro.

- Vais me bater!? – Perguntou gozão – Estou cheio de medinho!!!

- Vais me agradecer por isto idiota! – Ai, se ia… Ele iria preferir mil vezes que fosse eu a dar-lhe uma joelhada, do que a levar uma carga de porrada dos bruta-montes da disco. – Entra! – ele cruzou os braços. Suspirei e empurrei-o para dentro do meu carro, fechando a porta. Entrei e liguei o carro.

- Vais me bater? – Continuava a rir-se quando dei partida do estacionamento. – Vais aplicar umas das tuas técnicas de tortura!

- Onde moras!?

- Ai… Vais me bater a porta de casa… — Gargalhava, feito um inútil.

- Onde moras!? Estás ouvir idiota? – Perguntei de novo, já furiosa.

- Metidinha! – Falou

- Ok! Já chega… — Segurei pelos cabelos e empurrei a cara dele ao tablier. Afastou-se com expressão de dor na face.

- Ai… — Resmungou – Magoaste-me!

- Bem feito! – Disse-lhe – Onde moras!?

- Não sei… — Falou tocando na testa.

- Ok! – Suspirei, já farta de andar pela vila às voltinhas com um ignóbil bêbado que nem sabia onde morava. Conduzi para a minha casa. Estacionei em frente à garagem, a Gabe ainda não tinha chegado. Sai do carro e fui do outro lado, onde o “Anjo pecaminoso” resmungava quase a adormecer. – Bora! –Disse-lhe puxando-o de dentro do meu carro e tentando segura-lo – Tens que me ajudar… Endireita-te!

- Onde me estás a levar? – Perguntou, quando abri a porta de casa.

- Estás em minha casa… Não me dizes onde moras, ficas aqui até te lembrares!

- Não quero… — Resmungou – Bateste com a minha cabeça, és o diabo em forma de gente. – Onde está a tua tia!? – O chris já lhe devia ter contado.

- não sei! – Respondi subindo as escadas com ele, praticamente levando-o de rojo!

- A tia vai zangar-se…

- A tia não se importa! – Gritei – Agora cala-te e ajuda-me, tu pesas!

- Onde estás a levar!?

- Para o meu quarto!

- Vais violar-me!? – Exclamou e eu revirei os olhos.

- És estupido!? –Larguei-o e ele foi contra a minha secretária, mandando tudo ao chão. – Estou te ajudar! Nem te lembras onde fica a tua casa!

- Tu és má… Muito má… E eu vou tramar-te! – Gritou.

- Tu vais mas é para baixo do chuveiro! – disse-lhe, puxando-o até à minha casa de banho.Empurrei-o para dentro da box. – Encosta-te…

- Tu és perversa! – Olhou-me com uma cara que me deu vontade de rir. Liguei a agua fria. – Ah! – Ri-me com ele a tentar esquivar-se da agua. – Estou vestido… Tá fria… Tá fria! – gritou.

- Despe-te! – gritei e ele num acto de desespero começou a tirar a tshirt, indo contra as paredes e a porta da box. Ria-me ao ve-lo assim, mas cortei a risada quando vi o corpo daquele inútil. Mas que raio? Que homem é este? Tapei os olhos quando ele começou a tirar as calças e os sapatos. Admito, espreitei por um bocadinho, tirei o telemóvel de dentro da bolsa e não aguentei, tirei uma data de fotos , focando bem a cara dele. Quando vi que ele quase adormecia ali dentro, dei-lhe uma chapada e ele arrebitou.

- Não me chateeis! – Falou, desliguei o chuveiro e puxei-o.

- Melhor?

- Tenho frio… — Resmungou parecendo uma criancinha. Estendi-lhe uma toalha, grande para ele se secar todo.

- Não tenho boxers para ti! – Respondi e ele limitou-se a tremelicar e a cobrir-se com a toalha.- Anda! – Puxei-o, abri a cama e obriguei-o a deitar-se.

- Estou mal disposto! – Arregalei os olhos.

- Queres vomitar? – Perguntei

- Sim… — Fez cara de vómito. Puxei-o rapidamente até a casa de banho, forcei-o ajoelhar-se e enfiei a cabeça dele na pia. Algumas vezes tinha feito isto à Mickie naqueles dias de grandes festas, não devia ser complicado fazer a ele…

- Ah! – Começou a mandar a porcaria toda fora, líquido, apenas líquido e mais liquido e não parava. Segurava-lhe a testa e ele lá continuava.

- Mas tu só bebeste? Não comeste nada? – Falei e ele falou um sim meio sumido. – Credo! És louco?

Tive quase dez minutos na casa de banho com ele naquela posição, ele ia pagar bem caro.

- Já tá…

- Tens a certeza?

- Sim… — Ajudei-o a levantar, passei a cara dele por agua no lavatório, ele bebeu um bocadinho de agua e cuspiu. Nojento…

- Vá…Anda lá… — Ele segurou-se a mim e andei com ele até a cama, deitei-o e tapei-o.

Fui limpar a casa de banho e por as roupas e sapatos dele a secar, mandei mensagem a Mickie, a dizer que tinha vindo mais cedo, surgiram uns problemas que amanhã ligava. Despi-me e vesti o pijama.

- Onde é que vou dormir? – Perguntei a mim própria. – Que se lixe! – apaguei as luzes todas e deitei-me afastada do corpo do bêbado.

- Holly… — Ouvi-o a sussurrar.

- Que foi?

- Tenho frio… — suspirei

- Não tenho mais nada que possa pôr… Isso já passa! – Falei

- Tenho frio, aquece-me! – Resmungou. Aproximei-me dele e abracei-o, li uma vez que o calor corporal era o melhor aquecimento que se poderia dar. Encostei a minha cabeça no vale do pescoço dele, cheirava bem. Ele abraçou-me com uma força desnecessária. – Obrigado…

- De nada idiota! – Respondi

- Não és tão má… — Falou

- Sou bem pior, agora dorme! – Falei fechando os olhos.

- Cheiras bem… A baunilha! – Sussurrou

- Dorme idiota! – Falei e passado segundos ouvi um suave roncar. Acabei por adormecer, estourada.