“Quando não tiver mais espaço no inferno,

os mortos andarão pela Terra”

(Zombie — O Despertar dos Mortos.)

Lembro-me com tristeza no coração de como tudo começou. Foi de uma hora para outra sem ninguém esperar... Em um momento eu estava no conforto de minha residência, desfrutando de um programa de comédia muito divertido que passava na TV. Na cozinha minha mulher preparava um bolo de chocolate que a essa altura já espalhava seu aroma delicioso pela casa... Enquanto no quintal de minha residência meus filhos brincavam alegremente com outras crianças. Em apenas um piscar de olhos lá estava eu e minha família correndo pelas ruas do bairro da Vila Mariana em meio a uma multidão que gritava e lutava desesperadamente tentando sobreviver ao ataque de algo que julgava ser fruto da fértil imaginação de algum diretor de cinema ou autor de livros de terror. Mais eu não tinha como falar ou negar que o que presenciara não era real por mais que quisesse. Aquilo estava acontecendo diante de meus olhos... Mortos vivos desprovido de qualquer sentimento ou raciocínio ceifava a vida de qualquer ser humano que conseguissem colocar suas mãos, tentando sanar uma fome que parecia consumi-los. Assim pouco a pouco o caos foi tomando conta de uma das maiores metrópoles do mundo. Se espalhando de forma avassaladora por todos os estados brasileiros e por fim acabou ganhando o mundo, e tudo isso acontecendo em menos de um mês. A verdade e que o Brasil se encontrava assim como outros países sucumbindo a um apocalipse nunca imaginado e o pouco que sabíamos veio de uma transmissão feita pela presidenta Dilma em rede nacional de Rádio e TV. Eu observo aquela transmissão com minha família e um grupo de amigos escondidos em um velho bar na Rua Loefgreen, ainda nas imediações da Vila Mariana conhecido como “Armazém Loefgreen” Ninguém piscava atentos ao que a presidenta falaria. Então sua face preencheu a tela de plasma a nossa frente e ouvimos a sua voz que soava com tom de extrema preocupação.

— Boa noite nação brasileira venho diante de vocês informá-los que uma vacina experimental conhecida como “Zentron Z68” desenvolvida por cientistas da USP, que possuía o poder de curar todas as formas de câncer e a enfermidade provocadas por seus males... Foi a responsável por essa praga que se alastrar pelo país.

Todos os protocolos de segurança foram tomados e testes foram feitos em ratos de laboratório e os resultados obtidos foram sensacionais e depois de mais de sete anos de trabalhos ininterruptos da equipe de cientistas que desenvolveram a “Zentron Z68”. No dia 04 de Março de 2013 foram feitos os primeiros testes em vinte sete voluntários todos com uma forma de câncer diferente e já em estado terminal... Os testes foram bem sucedidos e os pacientes se recuperaram de um dia para outro da doença que atormentava suas vidas, todos comemoravam alegremente o sucesso da droga milagrosa. Infelizmente a festa não durou muito tempo, pois no terceiro dia após o grupo de vinte e sete voluntários tomarem a “Zentron Z68” baterias de exames estava sendo realizadas em todos os membros do primeiro grupo de teste da milagrosa vacina quando todos os vinte sete pacientes que receberam as doses da droga milagrosa “Zentron Z68” caíram mortos. A correria foi generalizada para descobrir o que estava acontecendo. Porém antes que qualquer teoria fosse estipulada por cientistas ou qualquer outro estudioso, os recém-mortos se levantaram tomados de uma cólera incontrolável, matando a todos que encontravam e devorando sua carne, entranhas o que eles conseguissem. Os acontecimentos estranhos não pararam por ai, a cada pessoa ferida ou morta pelos “mortos vivos”, acabavam retornando como um deles, e a carnificina começou a se espalhar como uma praga, para fora dos centros de pesquisa avançada da Universidade de São Paulo deixando um rastro de morte para traz.

—Minha nação brasileira, estamos fazendo de tudo para encontrar uma cura para essa infecção causada pela “Zentron Z68” que se espalhou consumido em menos de uma semana a cidade de São Paulo e, se espalhando por todo o Brasil e ganhando o mundo... Que agora chamam essa ameaça de “VIRUZ Z”. Não ficaremos parados lutaremos contra esses mortos vivo e faremos de tudo para proteger os sobreviventes..., Só peço encarecidamente a toda nossa população que procurem manter a calma e se mantenham longe das ruas, porque as forças armadas já entraram em ação para dar cabo desses Zumbis que só deveriam existir no mundo da ficção cientifica. Boa noite! “Que Deus tenha piedade de todos nós.”

Essa foi à última transmissão que presenciei sobre o apocalipse zumbi no qual me encontrava envolvido a contra gosto. Até onde sabemos nem um cientista brasileiro conseguiu até o momento descobri a cura ou um vacina contra o “VIRUZ Z” Uma vez mordido por uma dessas criaturas sedentas de sangue e de apetite voraz, dependendo de seu organismo em menos de vinte quatro horas você acaba se transformando em uma delas e com um apetite incontrolável por carne humana.

Meu nome é Erick Rodrigues. Estou sobrevivendo a essa loucura há exatos sete meses e meio. Eu vi de perto e sem poder fazer nada como o mundo que conhecíamos desapareceu em um piscar de olhos. Primeiro veio o trabalho conjunta entre Exercito, Marinha e a Aeronáutica que lutaram até o esvair de suas forças, e por fim acabaram sucumbindo às famintas criaturas mortas vivas e todos os esforços de nossos militares só serviram para deixar o país nua ruína ainda maior e zumbis ainda caminhavam e ceifavam qualquer tipo de vida que encontrassem por seus caminhos. Como o fracasso dos militares brasileiros, um estado de anarquia generalizada se alastrou como um Tsunami destruindo o que ainda restava de sanidade entre os sobreviventes. Estupros, saques, assassinato de inocentes, que eram acusados a todo estante de terem sido mordidos por Zumbis, quando seus ferimentos não passavam de simples cortes provocados, pela correria diária pela sobrevivência. E agora não sabíamos quem eram os inimigos mais ferozes, a quem devíamos temer: os zumbis criados pelo “VIRUZ Z” ou qualquer um que estivesse ao nosso lado. A cada dia que passava ficava cada vez mais difícil. Encontrávamos sobreviventes por onde passávamos. As criaturas surgidas com incidente com o “Zentron Z68” possuíam um apetite voraz e insaciável e não paravam enquanto não estivessem com um bom pedaço de carne humana em suas bocas fedorentas. Quanto a mim. Nessa loucura toda perdi todos que amava um atrás do outro. Familiares, meus filhos e minha amada esposa Diana, que com muita tristeza em meu coração tive que tirar sua vida, com um tiro certeiro em sua cabeça uma semana depois de todo esse inferno tem inicio, quando ela em uma tentativa desesperada de salvar um de nossos filhos Rodriguinho que havia sido pego por uma das criaturas que o devorava cruelmente. Ela fora mordida no ombro direito. Nesse mesmo dia também perdemos nossa filhinha Fernanda que teve um dos braços arrancado por uma das criaturas e acabara falecendo devido à forte hemorragia provocada pelo ferimento. E para não ver minha amada Diana se transformar em uma maldita morta viva. Acabei fazendo o que fiz. E não me arrependo, pois ela deve estar em um lugar bem melhor que eu caminhado acompanhada de nossos filhos.

Depois de todo esse sofrimento que passei, tentei por algum tempo me unir a vários grupos de sobreviventes de varias partes do Brasil por onde eu vagava. Mais a convivência com essas pessoas era extremamente complicada... E eu sempre me via em perigo por escolhas mal feitas pelos chamados lideres ou comandantes. Não importa como eles eram chamados. A verdade e que eles só pensavam em sua própria segurança e os que deveriam estar sobre sua proteção sempre acabavam a mercê da própria sorte. E o resultado sempre era o mesmo.

— Acabavam virando refeição de Zumbi. Desde então tenho sobrevivido como um guerreiro solitário a perambular por um país sitiado por criaturas mortas vivas e sedentas de carne humana. Caminhar pelas ruas a procura de alimentos e água era sempre uma missão impossível, da qual eu nunca sabia o que poderia acontecer. Cheguei certa vez ficar um mês sem me alimentar... Vaguei por um bom tempo a procura de um lugar seguro para ficar, mais nada encontrei e ironicamente cabei voltando para São Paulo onde tudo teve seu início, acabei sem perceber andando em círculos. O pior de tudo foi que em uma das minhas missões atrás de alimentos e água potável, acabei mordido no braço direito por um daqueles malditos Zumbis, que me surpreendera em uma loja de conveniência que eu julgara estar vazia. Agora aqui me encontro, escondido no interior do que restara da antiga e imponente “Catedral da Sé” Me encontro abrigado na torre leste. Do local onde me encontro, vejo nitidamente a multidão de mortos vivos que vão se amontoando frente da fabulosa construção, como quem sentisse meu cheiro e soubessem que estou abrigado aqui. Estou muito cansado e minhas forças há muito tempo me abandonaram o ferimento em meu braço causado por uma dessas malditas criaturas estão insuportáveis. Já sinto os malditos sintomas da transformação a me envolverem. Não quero me transformar em uma dessas malditas criaturas, que infectaram o mundo todo e tiraram aqueles que eu mais amava nessa vida. Admito que a vontade de me suicide ficou martelando em minha mente, mais por fim me faltou a coragem necessária para tal ato libertador e desesperado. Sinceramente me pergunto onde está Deus nesse momento? Em que seus filhos mais precisam.

Por qual motivo será que ele virou a costa para seus filhos? Será que esse maldito “VIRUZ Z” criado por mãos humanas que causou esse chamado “Apocalipse Zumbi” foi obra sua para por fim a sua suprema criação?

São perguntas que tenho, mas que não possui respostas.

Ouço barulhos medonhos, os Zumbis estão tomando o interior da catedral, não demoraram a me encontrar... Mais isso também não me importa mais, já tomei minha decisão. Não deixarei esse mundo sem luta... Levarei comigo o máximo que conseguir dessas vis criaturas devoradora de homens.

Termino aqui sobre as páginas amareladas desse velho caderno meu pequeno relato, e se por ventura alguém um dia vir a ler o que deixo escrito. Saiba que não parti desse mundo sem lutar.

Ass.: Erick Rodrigues

Até então...

O último sobrevivente de um mundo infestado por mortos vivos.

Você chegou ao fim do livro. Parabéns!