Notas iniciais
Essa fic é a 1ª de 5 da série "GazeBoys". Espero que vcs gostem dos presentinhos que eu reservei pra esses moços este ano... Feliz aniversário, Aoi!!! m(_ _)m Boa leitura.

Era inverno. A neve já tinha aparecido para enfeitar as ruas e casas e branco gélido além de, claro, divertir as crianças.

Os pequenos meninos e meninas de olhinhos puxados e cabelos negros não pareciam se importar com as dúzias de roupas que usavam para se proteger do frio. Era quase uma regra que todas as tardes, após a escola, o café da tarde e a lição de casa, as crianças se reunissem nos pequenos jardins em frente às suas casas para fazer esculturas e guerras de bola de neve. A correria e a concentração dos pequenos os mantinha aquecidos.

O sol se escondia por trás das várias nuvens cinza naquela tarde, como era comum na estação fria, mas não ventava nem nevava; o dia estava perfeito para mais brincadeiras e era com isso que o pequenino Yuu se ocupava. Ele estava agachado, amassando pequenas bolas de neve com as mãos protegidas por grossas luvas. Uma a uma as bolinhas eram empilhadas e remodeladas, ganhando as mais diversas formas – desde sua família até seus personagens favoritos de videogames.

Yuu afastou a franja comprida dos seus olhos muito escuros, e em seguida ela voltou a cobrir-lhe a face. Sua mãe já estava ficando doente de ver o belo rostinho de seu caçula sempre coberto pelo cabelo já muito crescido – já estava quase tocando os ombros! – e toda vez que o via comentava sobre isso. Yuu não se importava tanto quanto a mãe, ele achava que ficava até legal o cabelo assim... O garoto só tinha medo de sua mãe se incomodar de verdade um dia e tentar cortar-lhe as madeixas ela mesma. Não ia dar boa coisa.

Yuu se ergueu, sentindo as pernas formigarem por ter ficado tanto tempo de cócoras. O menino arrumou o casaco grosso e comprido que usava, admirando seu próprio presente de aniversário um tanto orgulhoso. Ele estava fazendo 10 anos naquele dia acinzentado, sem ventos, sem chuva ou neve, mas cheio de nuvens escuras que escondiam o sol. Ele não teria uma festa de aniversário aquele ano... Para quê? Yuu não se sentia confortável para isso aquele ano, dissera aos pais que não precisava mais do que um presente deles. Seus pais não discutiram muito, no fim das contas, e lhe deram um novo jogo de videogame. Eles conheciam o filho que tinham.

Afinal, quais seriam as pessoas que ele convidaria para sua festa de aniversário? Seus colegas de classe, seus vizinhos de rua, alguns primos e outras pessoas da família... Mas não fazia muita diferença para o menino. Ele não sentia a necessidade da presença de todas aquelas pessoas, pois não era realmente próximo de ninguém.

Ninguém, exceto...

Um piscar de olhos foi o que bastou para modificar a imagem que o pequeno Yuu admirava. Um piscar de olhos e uma bola de neve que atingira em cheio seu Godzilla.

- Mas o quê...? – Yuu se virou de olhos e boca abertos, procurando a fonte de destruição de auto-presentes.

- Konnichiwa, Yuu-chan!

O moreno fechou a cara para o grupo que se aproximava, em especial o loirinho alto e magricela que tomava a dianteira. Ele conseguia ter os cabelos ainda mais longos que os de Yuu, e meio que se achava por isso. Não que Yuu se importasse, claro, mas ele devia ter adivinhado que seria ele o destruidor de auto-presentes.

- Kouyou! O que você tem na cabeça? Estragou meu Godzilla!!! – Yuu bateu o pé, o semblante muito bravo.

O sorriso na boquinha milimetricamente delineada se alargou e os olhos dourados brilharam com certa maldade.

- Eehh? Aquilo era um Godzilla? Credo, Yuu, você é pior que eu fazendo isso...

Àquela altura, Kouyou e os outros três meninos já tinham alcançado Yuu no pátio aberto de sua casa. Os outros meninos eram, claro, Yutaka, Akira e Takanori, o menorzinho dos cinco. O mais novo também, mas bastante invocadinho para um garoto de nem oito anos de idade.

- Só porque você não acha bonito não deve sair destruindo as coisas assim – reclamou o mais velho – Não tem educação, não?

- É claro que não tem, não sabia ainda, Yuu-chan? – disse Akira, seus cabelos loiros e curtinhos balançando enquanto ele se sacudia de tanto rir.

- O Yuu tem esperança na humanidade, Aki-chan – disse Yutaka com o sorriso de covinhas grudado no rosto, como era usual.

- Nem sei por que ainda falo com vocês... Só sabem torrar minha paciência! – resmungou Yuu, chutando o que sobrara do seu Godzilla de neve.

- Você nem tem tanta paciência assim pra ser torrada! – disse o pequeno Takanori, sua voz saindo abafada devido ao cachecol vermelho enorme que cobria o pescoço, a boca e o nariz.

- Olha quem fala, o Tananico birrento!

- Hey, qual é a tua, Yuu??? Birrento é você! – o loirinho não se deixou intimidar, fechando as mãos em punhos e partindo para cima de Yuu decidido a brigar. Yutaka afastou os dois ainda sorrindo.

- Você fala com a gente porque nós somos amigos, Yuu-chan! – Akira abriu os braços e abraçou o moreno pelo ombro. O mais velho cruzou os braços sobre o peito, a cara ainda fechada e virada na direção oposta ao grupo.

- Hum, sei...

- Está duvidando da nossa amizade? – Akira arregalou os olhos, fingindo estar muito espantado e ofendido.

- Pois então não devemos mostrar aquilo pra ele, Aki – disse Kouyou, fazendo-se de sério – Se ele não nos considera como amigos, ele não merece.

- Eu também acho! – concordou o menor – Estou decepcionado com isso, achei que o Yuu tivesse mais consideração por nós...

O mais velho bufou e revirou os olhos, livrando-se dos braços de Akira.

- Eu não quis dizer isso. Só quis dizer que vocês são panacas que destroem bonecos de neve, okay?

- Isso era pra soar como desculpas? – questionou Yutaka.

- NÃO, eu não tenho por que pedir desculpas a vocês!

- Claro que tem, você disse que não somos seus amigos! – argumentou Kouyou.

- Só acho que amigos não destroem Godzillas de neve!

- Para de falar nesse Godzilla, mas que coisa!

- Eu tive trabalho para fazê-lo, ora bolas!

- Tá, parem os dois – Yutaka apartou a briga mais uma vez, se pondo entre os dois meninos – Nós sabemos que te deu trabalho, Yuu-chan, afinal também tivemos trabalho fazendo as...

- Shhhh!!!!!

- Cala a boca, Yuk!

Akira voou até Yutaka, cobrando sua boca com a mão para impedi-lo de falar. Takanori também avançou, mas como não alcançava a boca do mais velho, se contentou em segurar seus braços. Yuu se perguntava no que aquilo ajudaria.

- Tá, cansei disso – bufou Kouyou e em seguida pegou Yuu do braço – Vem que temos que te mostrar algo.

- Pensei que não fôssemos mostrar – disse Akira.

- Claro que vamos, você acha que tivemos todo o trabalho para nada? – Takanori torceu o nariz, ou pelo menos pareceu, já que o cachecol o cobria.

- Me soltem vocês dois e vamos logo – disse Yutaka e assim os cinco se puseram a caminhar, Yuu ainda sendo puxado por Kouyou. Era irritante como, apesar de ser um ano mais novo, o loiro era mais alto que Yuu. Aquilo era frustrante!

Ainda em meio a pensamentos frustrantes e irritadiços, Yuu se viu parando de caminhar. Kouyou tinha soltado seu braço e estava parado ao seu lado, assim como os outros três. Todos lhe encaravam sorridentes, os olhinhos brilhantes cheios de expectativas. Kouyou fez um gesto, indicando o chão logo à frente deles. Yuu se virou, sem entender.

E então ele viu, diante de seus pés e subindo quase até a altura de sua cabeça, um enorme bolo branco de vários andares, muito enfeitado e detalhado, com cerejas, suspiros, flores e coisas do tipo. Na parte mais alta do bolo tinha uma única vela apagada também branca, do tipo mais comum.

Um bolo de neve.

- Acende a vela, Kou-chan! – saltitou Takanori ao lado de Yuu, apontando veementemente para o topo do bolo. Kouyou retirou uma caixinha de fósforos do bolso e acendeu a vela sem muita dificuldade.

- Omedetou, Yuu-chan!!! – Kouyou, Takanori, Akira e Yutaka gritaram em uníssono, batendo palmas em seguida. O aniversariante não sabia o que fazer, o olhar estarrecido sem conseguir desviar do presente de seus amigos.

- Faz um pedido e apague a vela, Yuu! – Kouyou despertou o mais velho do transe. Yuu encarou o loiro com um pequeno sorriso e então assentiu com um aceno de cabeça.

Yuu se aproximou com cuidado do bolo para não estragar nenhum detalhe. Ele juntou as mãos e fechou os olhos enquanto fazia seu pedido, e então seu sorriso se alargou. Yuu abriu novamente os olhos, inclinando-se para poder apagar a vela. Os outros contaram em voz alta:

- San... Ni... Ichi!

Yuu encheu os pulmões de ar e estava prestes a soprar quando a vela se apagou sozinha. Mas não tinha o mínimo vento...

A gargalhada inconfundível ao seu lado denunciou o culpado.

- Yutaka, seu filho da mãe! Eu vou te matar!

Yuu se jogou contra o mais novo, mas Yutaka desviou agilmente, ainda rindo muito da cena. Os dois iniciaram então uma perseguição em meio às gargalhadas de Kouyou, Akira e Takanori.

Você chegou ao fim do livro. Parabéns!