Jung YunHo permanecia em seu longo sono. Mas aquilo não era motivo de preocupação. O seu médico, Chung-Hee, sempre ia examiná-lo, era perfeitamente normal aquele estado, pacientes com aquele problema tinham que descansar ao máximo, por isso todos o deixavam dormir, dormir o máximo que pudesse...

Quem entrava no quarto se deparava com a expressão leve e serena do velho YunHo. Ele parecia tão tranqüilo, sua face parecia extremamente descansada. Quem o via poderia jurar que ele estava tendo um belo sonho, algumas vezes o paciente dizia coisas sem nexo, mas ninguém tentava entender. Era muito bom ver toda aquela tranqüilidade no rosto daquele velho tão infeliz.

Sem dúvida, Yun sonhava um sonho real, um sonho que ele tinha vivido, um sonho de lembranças, algumas tristes, outras de arrependimento, mas todas ligadas ao amor, ao amor que desde os 23 anos sentia por Katherine.
Aquelas lembranças sempre incontroláveis tinham invadido seu sono e apesar de toda serenidade que o homem demonstrava não era algo muito cômodo o que ele lembrava...

E... Mais uma vez... Sua mente voltou há 29 anos atrás... Yun em seus sonhos se recordava do dia seguinte de seu encontro com sua eterna musa...

Era madrugada e ele estava em seu quarto, deitado em sua cama, com sua eterna mania de se deitar de barriga pra cima e observar as linhas que se formavam no teto. Ele se achava um pouco besta naquela hora, principalmente porque só conseguia ver traços que lembravam corações e flores, muitas flores, um traço em especial se assemelhava a uma margarida. Ele passou a mão sobre o rosto, estava tentando afastar aqueles tolos pensamentos. Como alguém pode invadir o pensamento de outra o fazendo até ter “alucinações”? Yun tentava se convencer que estava indo rápido demais, que mal tinha conhecido aquela garota e já tinha permitido que ela tomasse conta por completo de seus pensamentos, sentimentos e emoções. Mas era impossível negar o bem que aquela sensação lhe fazia. Ele podia sentir algo inexplicável em seu coração, algo que o deixava se sentir feliz sem nenhum motivo e aquela sensação aumentava mais quando se lembrava da bela loira de cabelos descoloridos. Era impossível negar, ele desejava muito revela. Aquela vontade não o deixava dormir em paz, não o deixava sequer fechar os olhos para tentar um sono. Vendo que o sono naquele momento seria praticamente impossível ele se levantou com o maior cuidado para não acordar seus outros companheiros e foi para a cozinha, sua garganta estava seca, com certeza pelo nervosismo e ansiedade, não via a hora do dia amanhecer e finalmente poder ir ao encontro de sua amada. Já na cozinha ele pegou uma jarra d’água e se sentou numa cadeira, colocou a jarra sobre a mesa que estava na sua frente e fechou seus olhos após degustar um tímido copo de água que desceu refrescando por completo sua garganta seca. E mais uma vez... lembranças....A imagem de Katt. Seu sorriso, suas belas formas bronzeadas, seu rosto com traços delicados e bem suaves e principalmente... seus olhos...Como brilhavam! E ainda mais... como ela ficava linda com uma simples margarida no cabelo, na verdade ela ficava linda de qualquer forma. Seu corpo se arrepiou de uma forma descontrolada ao se lembrar do inesperado toque de seus corpos, era como se ele pudesse sentir tudo aquilo naquele mesmo instante, era como se estivesse revivendo tudo naquele mesmo momento e sem mais explicações também teve a sensação de que o perfume assemelhado ao de jasmim se propagasse por aquele cômodo, era mesmo como se Katherine estivesse ali, deixando sua marca, sua marca que ele tinha a certeza de que... era eterna.
De certa forma a mulher estava ali, não em corpo, mas guardada nas mais belas e puras lembranças do apaixonado e desconcertado YunHo, ela estava presa ao seu coração e ele não tinha a mínima vontade de deixá-la escapar, por mais exagerado e precipitado que parecesse sentia que a partir daquele dia não conseguiria viver sem ela. Era difícil para ele entender como um simples momento poderia mudar tão repentinamente a vida de uma pessoa. Como um simples passo, um simples olhar poderia traçar seu destino de uma forma tão imutável e inexplicável. Era difícil sim, mas não impossível e naquele instante o líder da banda mais promissora da Coréia tinha descoberto tudo aquilo. Mais uma vez a emoção tomou conta dele e quando se viu estava com lágrimas nos olhos, lagrimas de uma absurda felicidade, uma intensa saudade, um imenso amor que chegou de mansinho e sem nenhum aviso ou permissão. Aquelas lágrimas começaram a escorrer pelo seu rosto e ele poes-se a enxugá-las esboçando um sincero e discreto sorriso. Nunca tinha se sentindo tão completo, tão feliz e realizado. Abriu seus olhos e olhou para a janela da sua cozinha, a mesma estava embaçada porque aquela madrugada estava sendo um pouco mais fria do que esperavam todos. Ele então se levantou, pousou o copo sobre a mesa e foi em direção à janela. Chegou próximo a ela e pode observar o deserto movimento daquela rua que estava do outro lado, mas não era aquilo que o interessava, mas sim... aquela janela... Sem muito pensar pões-se a desenhar uma forma meio torta naquele pedaço de vidro embaçado, em poucos minutos sorriu ao apreciar sua “obra-prima”, era um desengonçado coração que ele acabara de desenhar, olhava meio bobo porque o estava achando tão lindo, mas logo percebeu que faltava alguma coisa e então tratou de completá-lo colocando em seu interior” Y+K”. Sentia-se um bobo, mas um bobo feliz e apaixonado que ainda se dava ao luxo de ter atitudes de um adolescente... Ficou a apreciar aquele desenho por alguns segundos até que o denso ar o cobrisse deixando mais uma vez a janela embaçada por completo.
O rapaz olhou para seu relógio que marcavam 05h12min da manhã, se sentiu ainda mais eufórico. Logo o dia amanheceria e ele poderia reencontrá-la novamente. Foi para a sala e se sentou no sofá. Ligou a televisão, mas nenhum programa naquele horário chamava sua atenção, então mais uma vez se deixou envolver pela lembrança da loira, como sempre os mesmos pensamentos, seu cheiro, seu sorriso, sua pele, seus olhos... Acabou por adormecer, mas não por muito tempo. Acordou uma hora depois e no mesmo instante que acordou pulou do sofá, foi direto para seu quarto, abriu o guarda-roupa e pegou umas peças qualquer, estava tão ansioso que nem queria saber o que vestia, só sabia que teria que sair vestido, obviamente... Entrou no banho e tomou uma demorada e relaxante ducha, estava ansioso, mas ainda se dava ao prazer de relaxar naquele instante, precisava estar tranqüilo, precisava pensar em cada palavra que poderia dizer para finalmente conquistar aquela mulher que tanto mexeu com ele, não poderia ser frases sem fundamento, tinha que ser algo profundo, algo que deixasse bem claro todos seus sentimentos. Ele permaneceu pensativo enquanto tomava seu banho, depois de alguns minutos ouviu baterem na porta do banheiro, aquela voz era reconhecida, era seu companheiro de banda Kim JaeJoong que dizia:

- Quem está ai? É você Yun?

- Sim! Sou eu! — Respondeu o líder que começou a se enxugar.

- Então tá bom! – o mais velho coçou o olho, ainda estava muito sonolento, deu um considerável bocejo e saiu da porta do banheiro indo em direção a cozinha.

Segundos depois YunHo saiu do banheiro, agora Max, Junsu e Hero estavam acordados, Micky era o único que ainda dormia. Os outros estavam na cozinha. Junsu ainda parecia bem sonolento. Estava com a cabeça apoiada sobre os braços em cima da mesa da cozinha. Sentado ao lado de Max que já estava alerta, tomava um imenso copo de alguma coisa que... parecia achocolatado (?). Já Hero estava com uma expressão meio alienada, recostado sobre a pia enquanto mexia nas suas unhas. Yun passou pela porta como um jato. Max foi o único que percebeu e perguntou sem dirigir a pergunta a ninguém especial:

- Er... Aquele era o YunHo?

- An? –disse Junsu agora levantando a cabeça e olhando para o parceiro ainda cheio de sono. Hero permanecia “enamorado” por suas unhas... (?_??)

- Eu acho que o Yun passou correndo pela porta... – logo depois que o mais novo terminou de falar a porta da sala bateu com uma intensa força, só assim Hero se libertou do seu “transe”:

- An? Que? O que foi isso?

- Achamos que foi o Yun saindo. – respondeu Junsu.

- Ele está estranho. – Jae puxou uma cadeira e se sentou de frente para os dois.

Depois de alguns segundos Micky chegou se arrastando de sono, coçava a cabeça e parecia não se dar conta de onde estava. Ele só falava em palavras meio atrapalhadas:

- Se eu descobri quem bateu a porta daquela maneira eu mato. Eu juro! Eu mato! – ele também puxou uma cadeira e se sentou ao lado do JJ. Logo depois jogou sua cabeça com tudo sobre a mesa, mas antes colocou o braço para apóiá-la.

- Foi o YunHo! – disse Xiah se levantando, tinha acabado de sentir fome e decidiu pegar algo pra comer.

- Ah... Então não mato não... Deixa pra lá... – disse Micky meio desanimado.

- Hey! Junsu! Me trás um pedaço desse bolo ai? – pediu Min-nie (*w*) .

Hero o olhou de uma maneira estranha:

- Hm... Você tem certeza? Essa coisa tá ali faz três dias?

- To com fome, pó! – respondeu o guloso ao mesmo tempo fazendo biquinho. (*w*~ ‘morri’)

- Tá né?!

YunHo já tinha chegado à floricultura. Tinha corrido como louco com seu carro para chegar lá o mais rápido possível. Mas ao chegar se deparou com as portas fechadas, olhou para o relógio e estranhou.

- Hm... São oito horas... Será que cheguei cedo? Bom... Não importa! Eu vou esperar... – se sentou no acostamento e ficou lá por um bom tempo.

Todos os estabelecimentos já estavam abertos, Yun não entendia. “O que será que aconteceu”? Se perguntava ele. Olhou para o relógio que já marcavam 10h28min da manhã.

- Está tarde! Estou preocupado.

De repente uma simpática senhora apareceu na sua frente, parou e olhando para ele perguntou sorrindo:

- Está esperando a floricultura abrir meu jovem?

- Sim! Sim! – respondeu ele se levantando e limpando a poeira das calças. – Sabe que horas que ela vai abrir?

A mulher fez uma expressão não muito feliz, uma expressão que o líder do TVXQ logo percebeu, mas preferiu deixa-la terminar de falar. Ela continuou olhando meio triste para o estabelecimento.

- Aconteceu uma fatalidade com uma das donas da floricultura... Uma coisa tão triste...

Naquele mesmo momento um aperto tomou conta do coração do pobre YunHo. De alguma forma ele sentia que tinha alguma relação com a Katherine. Tomado pelo desespero e pela preocupação ele pegou a senhora pelos braços, a sacudiu rispidamente enquanto perguntava com uma voz meio elevada:

- Anda! Me diz! A Katherine? Tem algo a ver com a Katt?

- Calma rapaz! – disse a senhora meio assustada. – Me solte, por favor! Assim eu te conto.

Só depois daquelas palavras o jovem Yun percebeu que estava apertando duramente os frágeis braços daquela senhora. Os soltou na mesma hora se sentindo muito arrependido e tratou de se desculpar:

- Me perdoe! Eu não sabia o que estava fazendo. – ele mexia nos cabelos extremamente nervoso.

A mulher passou as mãos em ambos os braços e disse:

- Não se preocupe. Mas você me perguntou se foi com a Katherine, não? De certa forma sim...

E mais uma vez um aperto desesperado atingiu seu coração, a cada minuto e a cada palavra da mulher sua angustia aumentava. Ele disse com os olhos marejados de lágrimas por tanta preocupação:

- O que aconteceu com ela? Por que e certa forma sim?

- Foi a mãe dela rapaz. A mulher sofreu uma parada cardio-respiratória nessa madrugada. Tiveram que levar a coitada às pressas para o hospital. Ela estava muito doente, a coitada da Katherine tinha que se virar pra cuidar dessa floricultura e da mãe doente... Tadinha! Me deu pena dela ao vê-la tão desesperada nessa madrugada.

- Pra onde? Pra onde levaram a mãe dela? – perguntou Yun já tirando as chaves do carro de seu bolso.

- Pro hospital geral da cidade e...

Ele nem esperou a mulher terminar de falar e já saiu mais uma vez como um louco com seu carro. No caminho todos seus pensamentos se resumiam a preocupações. Ele queria chegar logo naquele hospital, ficar ao lado da amada, dar todo seu apoio possível. Ele não conseguia se tranqüilizar um só segundo, só pensava em como queria estar ao lado dela, confortando-a, abraçando-a, dizendo que tudo terminaria bem. Ele imaginava que quando ela chorava, ele não podia estar lá para enxugar suas lágrimas e para oferecer um ombro amigo. Só de pensar naquilo ele também começava a chorar, estava mais que ansioso pra chegar naquele bendito hospital. Mas o caminho lhe parecia muito longo. Ter que respeitar todos os sinais vermelhos que pareciam esperar o momento exato que ele passaria era um martírio, tudo parecia estar contra ele, o tempo parecia estar contra ele, além do tempo o destino também parecia ser seu maior inimigo naquela hora...
Ele parava nos malditos sinais, esbravejava, estava a ponto de mandar tudo pro espaço e não respeitar mais aquelas benditas leis de trânsito. Mas o seu último fio de sanidade ainda lhe restara e ele conseguia se controlar.
Depois de intermináveis 20 minutos finalmente ele chegou ao hospital e entrou lá desesperado. Procurava por Katt. Sentia que se fosse preciso entrar em cada quarto daquele imenso hospital ele o faria... Mas aquilo não foi necessário. Logo depois de varrer o local com seus olhos a encontrou recostada sobre a parede de um dos cantos da sala de espera, parecia desolada, desprotegida, acabada. Imediatamente ele foi ao seu encontro, a menina não estava atenta, nem sequer notou sua aproximação, seu olhar permanecia fixo no vazio. Ao se aproximar bem, a única coisa que ele pode fazer foi abraçá-la, abraça-la bem forte. Naquele mesmo momento sentiu uma tranqüilidade imensa por tê-la em seus braços, por poder confortá-la, mas acompanhando aquela sensação de tranqüilidade estava uma profunda tristeza. Uma tristeza que cortava seu coração. Não conseguia olhar para ela sem sentir esse sentimento, ela parecia tão frágil, tão desprotegida, parecia porcelana que a qualquer momento se quebraria caso algo a derrubasse. Yun a olhou nos olhos, mas ela não retribuiu o olhar, permanecia com o olhar vazio, todo aquele brilho do olhar no dia anterior tinha se tornado opaco e sem nada em especial, apenas dor...Uma dor profunda, uma dor intensa. Ao ver aquilo o YunHo a abraçou mais forte, naquela hora sentia que era a única coisa que poderia fazer, ela com certeza não estava disposta a falar, mas precisava de muita força, muito carinho e muito apoio. As únicas palavras que YunHo pode pronunciar de uma maneira abafada fora:

- Não se preocupe! Estarei com você... Sempre...

Naquele mesmo momento a menina começou a chorar, ao sentir a respiração desregular da moça, as lagrimas da mesma molhando sua camisa e os discretos soluços que ela começava a dar ele também chorou. A acompanhou naquele momento infeliz. Poderia sentir toda sua dor, podia sentir como se fosse com ele mesmo, só lamentava não poder tomar aquela dor toda para si e para assim voltar a vê-la sorrir, aquele era seu único desejo naquele momento. Ele não suportava vê-la sofrer, aquilo era a pior dor que poderia sentir. Como era triste e agonizante. Mas aos poucos ele sentiu o choro da loira se calar. Parecia que de certa forma ele tinha amenizado um pouco sua dor. Ela o olhou e sem dar uma única palavra sorriu, logo depois enxugou as lágrimas dele e em mais um sorriso agradeceu:

- Obrigada! – voltou a apoiar seu rosto contra o peito do outro que não parava de abraçá-la forte. Seu coração bateu mais acelerado, tudo porque um fio de alegria tinha brotado. Ele naquele momento se sentia feliz por ser capaz de levar conforto à mulher que mais amava naquele mundo.

Os dois permaneceram abraçados por alguns minutos até Yun sentir uma pesada mão pousar sobre seu ombro, arrancando-o bruscamente dos braços de sua Katt. Por reflexo ele olhou em direção ao rosto do dono daquela mão, mas antes mesmo de vê-lo sentiu um forte impacto em seu rosto e caiu sem muita resistência no chão. Estava meio desnorteado, tentando se levantar. Naquele mesmo momento tinha a certeza de que acabara de levar um potente soco, principalmente porque passou a mão em seu rosto e viu que no lado esquerdo de sua boca estava sangrando. Meio tonto a única coisa que ele pode ver foi o vulto de Katherine que o tentava ajudar a se levantar. Mas o mesmo homem a pegou pelo braço e a jogou contra a parede. Yun já podia ver com mais detalhe, já estava se levantando e olhou para o homem, este não era muito alto, devia ter uns cinco centímetros a menos que ele, mas em compensação era muito mais forte. Mas o tamanho daquele homem pouco importava, ele só virou seus olhos em direção à loira, ela estava encolhida no canto da parede com um olhar que demonstrava todo seu medo. Jung YunHo perguntava a si por repostas. Quem era aquele homem? Por que tinha ficado tão furioso? Seria um irmão dela? Antes de pensar em falar qualquer coisa ouviu a voz grave e cheia de autoridade do brutamonte:

- Não quero te ver perto da Katherine, me escutou?! – sem mais nenhuma palavra pegou a mulher pelo braço e saiu arrastando-a. Ela ainda olhava para Yun enquanto era arrastada, era um olhar que parecia pedir por ajuda, queria se livrar das mãos fortes e pesadas daquele ogro. Só que Yun não fez nada, ainda estava confuso, não sabia que atitude poderia tomar... Então ele permaneceu parado, apenas olhando seu amor sendo levado contra vontade.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.