Yume no uchi
1 Capítulo 1
A escuridão era lentamente borrada por cor até que as cores borradas tomavam tons nítidos, dourados e vermelhos junto com breves manchas de outras cores. Logo as cores tornavam-se mais delineadas formando contornos e objetos, os dourados tornavam-se paredes e chão iluminados por belos lustres, e os vermelhos tornavam-se os tecidos exuberantes das cortinas e toalhas de mesa. As breves manchas de roxo, verde, amarelo, azul e outros mil tons tornavam-se pessoas ricamente vestidas que enchiam o grande salão. Via a orquestra e os garçons vestidos de preto, os convidados masculinos vestidos trajes azuis, verdes e marrons escuros e elegantes e as convidadas usavam vestidos de tons amarelos, azuis e verdes vibrantes e chamativos. Sentia a mim mesmo dentro de um daqueles trajes, sem olhar sabia que eram verde-escuros com uma gravata preta, os sapatos eram bem engraxados e meu cabelo comprido estava amarrado junto à nuca. Sentia que uma mascara simples cobria parte de meus olhos e bochechas, ao contrario de outros com mascaras grandes e rebuscadas.
Via casais dançando a valsa em sincronia, ouvia conversas indecifráveis e risadas, mas mantinha-me afastado em um canto de olho em tudo, sabia instintivamente que a peça central da festa ainda não chegara por isso mantive grande parte de minha atenção nas escadas centrais, das quais a homenageada desceria. Não tardei a ver uma silhueta chegar ao topo da escada, podia ver que tinha uma forma curvilínea, mas ainda possuía traços de uma dama entrando na maturidade, o vestido rico, o qual vestia, era de uma cor sólida, mas a cada piscada parecia mudar de cor: um amarelo claro, um rosa vibrante ou um verde calmante, carregava consigo também uma sombrinha rendada delicada que combinava com o vestido, seus traços de seu rosto não eram nítidos, mas podia ver cabelos dourados presos em um coque elegante, os salto faziam um leve barulho enquanto ela descia as escadas de mármore branco.
Foi abordada, logo que chegou ao pé da escada, por convidados querendo cumprimentá-la. Sentia-me impelido a abordar a moça, mas não o fiz, por respeito à garota já oprimida pela multidão. Com o tempo ela finalmente foi deixada sozinha e pude fazer de minha presença conhecida. Minha própria conversa com ela era indecifrável para mim, como algo distante e rápido. Logo me via segurando a moça em meus braços, girando ao som de outra valsa, não havia outros casais dançando apenas nós dois, dizia-lhe algo entre os giros e era agraciado com sua risada melódica. Ao fim da dança ela deixa o salão para o jardim, dou-me conta que ainda seguro a sombrinha da moça. Da sacada podia ver todo o jardim, via-lhe indo para o labirinto, que muitos diziam ser o mais belo.
Adentrando o labirinto, via-me perdido em suas paredes verdes, seguia o caminho, errando algumas vezes, até chegar ao centro onde a moça esperava sentada na fonte. Todas as paredes do centro eram cobertas de roseiras, de muitas cores diferentes. A rosa mais perfeita que via era de um vermelho profundo, quase preto, mas ficava entre ramos cheios de espinhos, decidido que lhe daria a dita rosa, mesmo que me custasse sangue, não hesitei em colocar a mão em meio aos espinhos afiados. Com a rosa na mão arranhada e a sombrinha na outra me dirigia até a moça. Com um sorriso gentil aceitou a bela rosa colocou-a para baixo sobre a fonte e então me beijou...
Acordei sentindo-me perdida, a musica calmante ainda tocava repetidamente no computador e o incenso a muito havia parado de queimar. O sonho ainda estava vivido em minha mente e os lábios ainda formigavam do toque efêmero da moça. Rapidamente cataloguei o sonho como mais uma esquisitice sem explicação que acontecia na minha vida, mas algo ainda me incomodava e faria com que esse sonho se repetisse incessantemente pelos próximos dias: Eu não havia devolvido a sombrinha.
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