Yume no Naka He

9 Capítulo 9 - Lágrimas, Nunca Mais.


“Apenas voltaria para lá para morrer. O destino já sucumbiu minhas esperanças, vivo apenas para ver as cinzas se esparramarem pelo vento, o céu que nunca me receberá, a dança das bailarinas caídas que afundaram com toda a terra. Sentença de memórias riscadas com tinta permanente, tudo que eu via era aquela janela fechada, ninguém me ouvia, apesar de gritar o mais alto que podia, era apenas o café que me amargurava ainda mais, as cartas que não eram respondidas guardadas em uma gaveta que não mais abriria. Contudo, bem diante dos meus olhos, por mais que eu pudesse enxergar a luz opaca se apagando a cada dia, eu ainda via aquela corrente de luz quebrar as nuvens, ele viria me buscar? Enquanto eu espero eu amarro esse laço do destino que guardo a muito tempo, não vou mais chorar até agradecê-lo, nunca mais.”

Aquela cena não saía da cabeça de nenhum deles. O vento soprava cada vez mais forte, o homem que havia ameaçado Nijima e Minori, se auto rotulava Deus, um Deus de araque, que matava as pessoas sem nenhum remorso ou piedade, um Deus que varria o mundo com as suas mãos sem deixar restos humanos. As almas eram consumidas naquele mundo de trevas, o amor só existia nas caixas de pandora enterradas com o fulgor da esperança de um dia encontra o utópico céu. Deus acabara com sua chacina, o público abismado e ao mesmo tempo eufórico, o aplaudia sem parar, ele montava em uma carruagem, e com vários soldados em sua frente, partia para algum lugar para continuar com sua ditadura caótica. Ao passar pelo ônibus, Deus, expressando, longe da multidão, uma expressão sanguinária e de ódio, olhara atentamente para Nijima, que o encarava sem medo, a determinação nos olhos do rapaz era exata, porém, este primeiro estava ocupado demais para lidar com formigas, e então, seguia caminho, ignorando-os completamente.

Minori: I-isso... não é possível.. o que foi a nossa vida até agora? O QUE FOI TUDO ISSO?!

Minori gritava desesperada, seus olhos tremiam, a ilusão do falso Deus era transmitidas em alta resolução para quem não houvessem mais bloqueios, era de fato, a verdade que havia de ser encarada, o céu que se tornava cada vez mais rubro e infernal.

Ryuugu: Qual é a surpresa? Isso aqui é rotina que vocês caipiras viam como o mundo encantado da barbie os malditos cisnes. Estão vendo a realidade? Ei, Nikame, o que você procura aqui? A morte? Vocês todas aí, não passam de suicida? Por que escolheram uma realidade impossível? Haruka, você é uma alquimista? Se não, pretende reviver seus pais como? E você aí ... Minori. Eu não sei quais são suas verdadeiras intenções, mas você deveria voltar pra casa agora, mesmo não tendo uma. Nijima e Yume, compreendo que queiram voltar para seu suposto mundo mas, já imaginaram que... isso é tudo que restou?!

As palavras de Ryuugu chocavam todos no ônibus, era um tiro certeiro no peito de cada um, não havia como fugir, era sensato, era uma verdade diante de seus olhos, mas, em seus corações, ainda havia pequenos fragmentos de esperança capazes de ver através do mar de chamas. A voz de Nijima era calma, ele sorria, mesmo após sua mente ser arrebatada, continuara em pé, segurando todos fortemente:

Nijima: Ilusão? Morte? Inferno? O que? Todos estamos aqui porque nossos corações mandaram! Ninguém procura morrer, ninguém está atrás de uma ilusão, todos aqui possuem sonhos, e enquanto houver um pouco de luz, mesmo que seja a porra de uma faísca, eu vou seguir essa correnteza estreita, sei que não vai ser fácil olhar pra frente e ver que Tóquio é um campo de guerra, ver que Ikebukuro desapareceu, que Kyoto foi devastada, agora só sobrou a gente, e se estamos vivos, temos a capacidade pra ir até mais alto e descobrir o que é isso tudo, eu não faço por mim, eu faço pelo mundo.

Yume: ELE TEM RAZÃO! Se estamos aqui, não da pra pensar em desistir, eu quero ver além do espelho, eu quero acordar... desse sonho infinito.

Ryuugu se sentia prensado na parede, as palavras de Nijima foram mais fortes do que ele imaginava, estava prestes a dizer algo, algo que colocaria fogo em um poço com gás, porém, Haruka dava um grito, e apontava para a parte de fora:

Haruka: OLHEM!

Todos voltavam seus olhos para onde a menina apontara, tudo parecia normal, até que Minori se espantava, e finalmente descobria:

Minori: Aquela garota...

Uma garota, que aparentava ter por volta de 12 a 15 anos, caminhara sorrindo, meio ao sangue e á pólvora espalhada pelo chão, era uma cena bizarra, mas intrigante. Ela trajava roupas limpas e carregava uma cesta com maçãs, parecia não ser deste mundo, nem mesmo humana.

Todos optaram pela idéia de seguí-la, mas para isso, precisariam deixar o ônibus ali. Haviam vários guardas pelas ruas, era perigoso, então, resolveram mais uma vez, fazer algo que não os agradava muito, principalmente ás garotas. Eles pegaram as capa pretas que os mutilados por Deus usavam, claro, as menos sujas de sangue, e usavam para seguir a menina sorridente.

Minori: Isso é... mesmo necessário? >_

Ryuugu: É só uma roupa.

Yume: Você diz isso pois está com uma roupa normal çç

Nijima: *Apesar de tudo, ele é o que mais está sujo de sangue...*

Niame: Ela anda muito rápido pra uma garotinha.

Eles caminhavam olhando para todos os lados, haviam cenas comuns naquele ninho de serpentes, crianças abandonadas, pessoas morrendo de fome, igrejas abrigando cultos para pessoas irem ao céu, casas trancadas, abandonadas, almas vazias, corações quebrados, era a nova visão milenar. Com o passar dos minutos, algo incrível acontecia. Os soldados começavam a diminuir, aviões e helicópteros já não cobriam os céus, a neblina era mais rasa, a vegetação ainda existia, Yume se deparava com uma pequena rosa branco entre os rochedos, ela parecia sorrir para a escuridão, ela certamente via que ali era o topo do mundo. Onde estavam guardadas as lembranças? Era a hegemonia para o réquiem de tudo que fora perdido até ali. Palavras quebradas diante dos passos em direção ao precipício, todos estavam indo rumo ao sacramento final. Aos poucos, a imagem do mundo devastado se diluía, o fruto começara a amadurecer, as vértices do aglomerado de raios solares se estendia diante de uma paisagem sem igual, o pôr-do-sol em uma cidade florida, vivida, renascida.

Nijima: Mas o que...é isso?

Todos paravam espantados para olharem, era um novo mundo, os escombros e tempestades de areia ficaram para trás, o ambiente alegre e pacato, congelava os olhos púrpuros pelo cair do sol de cada um dos que presenciavam tal vislumbro, não podia ser mais do que um milagre. Era Shibata, região deslocada de Tóquio, quase no fim de Hokkaido, não tinha nada ali que não os fizessem lembrar no mundo como ele era. Cidadãos normais, andando pelas ruas, comprando pão para o jantar, levando seus cachorros para passearem, desfrutando da vida sem percorrer rachaduras, vivendo com o som do canto dos pássaros, a areia era branca, sem esperar respostas, os olhos de Minori se enchiam de lágrimas mas, que logo, eram congeladas por Nikame:

Nikame: Não, não se deixem levar, olhem aquilo.

Ele apontara para onde a garotinha estava indo, parecia a entrada da cidade, nela, estavam dois soldados, fortemente armados, ao se aproximarem da menina, um deles pega um cartão que a mesma carregava, e depois de analisa-lo minuciosamente, a deixam passar, enquanto ela sorri acenando. Em uma atitude impulsiva, Nijima corria em direção á menina que voltava para sua casa, gritando desesperadamente:

Nijima: EIIII, NEE-CHAN, VOLTA AQUI, É PERIGOSO IR SOZINHA!

Yume: *Nee-Chan? O-O’ O que ele tá pensando?*

Minori acompanhava os passos do garoto que, nesse momento, estava sem a capa, o que o tornava vulnerável na presença dos guardas mas, só assim, ele teria uma chance.

Ao chegar perto dos dois sujeitos armados, o rapaz era abordado, quando um deles apontava uma de suas armas para seu peito sem pensar:

– QUER MORRER BASTARDO? Não tente se aproximar mais da Fortaleza do Refúgio!

Ryuugu fizeram uma expressão incrivelmente insegura, seus olhos pareciam temer as palavras do soldado, Yume então resolvia se aproximar e ir até onde Nijima estava, assim, todos a acompanham, e o disfarce de irmão mais velho de Nijima estava quase acabado.

A menina olhava para trás sem entender, os guardas perguntavam mais uma vez em tom de fúria:

– Quem é você? Se não sair daqui vou chamar reforços e vocês vão para área leste.

Nijima via que o resto do pessoal se aproximava, e então, não tinha escolha a não ser arriscar:

Nijima: Mas cara ela é minha irmã! Como quer que eu deixe minha irmã mais nova andar sozinha por aí o tempo todo hein? Nesses tempos...

Os soldados riam de maneira extravagante, um deles, chegava guardas sua arma, e então voltava-se para Nijima dizendo com ironia:

– Você tentou se passar por irmã dela mesmo sem saber de tudo, é? As pessoas que moram aqui são protegidas por Deus, nenhuma delas correrá perigo mesmo se for pra Shibuiya ou Kashizawa, hahaha, afinal, parece que eu o conheço de algum lugar...

Os guardas começavam a desconfiar da identidade de Nijima, mas ao longe, uma voz feminina surge no ar, era uma voz doce, que apertara o coração dos guardas que viravam-se para trás já sabendo de quem se tratava:

Rin: Ara ara, mas que vergonha pro Refúgio! Vocês deviam ganhar mais experiência antes de se tornarem o vigias principais da entrada.

Os rapazes começavam a tremer, ambos, faziam posições desajeitadas, não sabiam como se tratar na frente da mulher, esta, que possuía um cabelo loiro comprido, loiro como o mel, olhos claros e um sorriso doce e gentil, trajava um vestido de seda coberto com estampas com flores, com as duas mãos para trás, ela fechara os olhos e esperava a resposta dos soldados:

– Okinomiya-Ojou-Sama... nos perdoe por isso por favor, é que... ele é, eles são...

Rin: Ele? Ele é apenas o irmão mais novo de Suzuki-Chan que morava em Tóquio, como vocês não poderiam saber disso? Ele foi um importante estudante de Tokyo NA. E estes atrás dele, são seus guardas contratados pelo Kochizuke-San, acha que ele deixaria seu filho andar sozinho? Agora o que estão esperando? Peçam desculpas e deixem-os passar, eles devem estar famintos, estou certa?

A mulher que aparentava ter uma refinada educação, aparecia diante de todos como um anjo da salvação. Ninguém conseguia perceber suas verdadeiras intenções, mas apenas a seguiam. Os guardas se desculpavam, ambos envergonhados, Ryuugu mantinha sua preocupação, e o resto, suas dúvidas em mente, mas, sabiam que entrando naquele lugar, seria uma alívio para suas mentes e corações.

No caminho, a mulher caminhara tranquilamente na frente de todos, sem dizer absolutamente nada, até que cansado de silêncio, Nijima a indaga:

Nijima: EI, por quê você..

Rin: Acalme-se, logo estaremos em casa ^^

Ryuugu se aproximara de Nijima, e dando um pequeno chute em seu tornozelo, falara em seu ouvido:

Ryuugu: Seu lixo, não vê que ela não pode falar aqui fora? Há câmeras e guardas, preste atenção.

Minutos depois de caminharem por uma paisagem que parecia o mundo normal e cotidiano onde Yume e Nijima viviam, os 6 chegam até uma enorme mansão, a mansão dos Okinomiya. Ao entrarem, davam de cara com quadros que pareciam caros, objetos importados, tapetes, lustres, vasos, era uma mansão com acabamento europeu. Rin os convidava para tomar um chá na sala, após se sentarem e se acomodarem, Rin, que possuía seu mesmo sorriso pacato e doce, mandava suas duas empregadas se retirarem, olhava para Ryuugu, e ficara pensativa por alguns instantes. O garoto, sem jeito por ser encarado, resmungava:

Ryuugu: Perdeu alguma coisa?

Yume: Mas é um sem educação mesmo!

Rin sorria alegremente, colocando uma das mãos em sua boca, respondia pacificamente o rapaz:

Rin: Ara, é que você se parece muito com meu irmão, seus olhos o lembram muito.

Nijima: Bem, acho que estamos aqui pra falar de outras coisas que não sejam a aparência feia do Ryuugu, né?

Ryuugu: O QUE DISSE MALDITO? E-E

Minori: Niji-Kun se acalme, olha quem você provoca também.

Rin: Pelo visto vocês tem muita energia não é!? Ficaria feliz se saíssem com a minha filha, ela não tem amigos, sabe, e desculpe se isso soar grosseiro mas, vocês parecem que passaram por mals bocados vestidos assim. Não querem primeiro todos tomarem um banho e vestirem roupas novas? Tenho certeza que se sentirão melhores!

Haruka: S-sério oba-san!? *-* Eu tô louca por um banho ;;

Yume: Oba-San? Vocês não tem respeito algum pela pessoa que nos salvou, hein!? Mas pensando bem também quero um banho bem quente.

Nikame: Há, não tem jeito, também vou aceitar então.

Minori: Nijima-Kun, isso não é ótimo?

Nijima ainda mantinha certa preocupação, tudo aquilo era duvidoso demais, toda hospitalidade, sem motivos aparentes, soava suspeito.

Ryuugu: Idiotas, vão aceitar sem ao menos saberem por que ela nos salvou? Isso pode ser uma armadilha! Não vão aceitando qualquer esmola que vêem pela frente, vão acabar na cova mais cedo.

Yume: Por que você é tão pessimista? u-u

Rin: Vejo que você é bem orgulhoso não é Ryuugu-San? Mas veja, eu não os salvei sem motivo algum, ver cidadãos do Japão que pareciam estar em dificuldade, e não poder fazer nada, sendo eles todos jovens e com boa aparência, me daria um enorme arrependimento futuramente, não acha?

Nijima: Então, foi só por isso? Pena da gente?

Rin: Ara ara, mas não coloque uma palavra tão maldosa assim >< eu apenas sabia no fundo que vocês eram boas pessoas, e os convidei para entrarem!

Minori: Niji-Kun...ela parece estar dizendo a verdade, eu conheço as pessoas, ela não é do tipo que mente ou manipula, podemos confiar.

Ryuugu olhava para a relação de Nijima e Minori que parecia cada vez mais próxima, ao ver os dois sorrindo, olhando olho a olho, apartara violentamente suas mãos, o que chamava a atenção de Haruka mais uma vez.

Nikame: Mas não vai nos fazer nem uma pergunta? Você realmente não nos conhece?

Rin: Essa é uma cidade que abriga aqueles ligados ao exército, e, supostamente, á Deus. Vivemos vidas normais, sem guerra por parte dos seguidores de Deus ou do Diabo, apenas estamos em um campo neutro, aqui, se abrigam pessoas importantes para ambos os lados, eu, sou da família do Diabo, é um pouco estranho dizer isso mas, meu irmão é primeiro tenente do exército do inferno, e todos aqui nessa cidade, são confinados a ficarem protegidos até o último dia da terra, que é daqui um mês. Até lá, vivemos vidas normais, sem se preocupar com o que está lá fora, apenas esperamos o dia do julgamento final, e partiremos para onde todos estão, e é claro, que se fosse perguntar, nós estamos livres para escolhermos a qual caminho irmos.

Haruka: Quer dizer que... podem escolher entre o céu e o inferno!? Mas quem é que escolheria o inferno?

Ryuugu: Não é o contrário, Haruka-Chan.

Nijima se levantara de seu acento, parecia furioso, olhava para Rin, desprezando tudo que ela havia dito, mesmo com seu doce sorriso, a encarava com olhos que buscavam justiça:

Nijima: COMO PODE FALAR TÃO CALMAMENTE, SENDO QUE O MUNDO TÁ SENDO DESTRUÍDO PELA MERDA DO DEUS E DO DIABO QUE VOCÊS TANTO LOUVAM? TEM PESSOAS MORRENDO LÁ FORA, NA VERDADE, TODOS ESTÃO MORTOS, TUDO QUE RESTOU LÁ FORA, É A MORTE, É O CAOS, EU NÃO ACEITO ALGUÉM VIVENDO ASSIM COMO VOCÊ E NÃO SE IMPORTANDO COM O POVO LÁ FORA!

Chiwa: E-EI! NÃO FALE ASSIM COM A MAMÃE! ELA PODE PARECER UMA PESSOA EGOÍSTA, MAS ELA NÃO TEM CULPA DE NADA, NÃO PODEMOS SAIR DAQUI, NÃO PODEOS SALVAR NINGUÉM, NÓS, É QUE ESTAMOS REALMENTE MORTOS DESDE O INÍCIO, POIS NÃO PODEMOS FAZER NADA PRA SALVAR QUEM AMAMOS, ACHA QUE ISSO É ALGO QUE POSSAMOS SUPORTAR? ACHA QUE É FÁCIL? MAMÃE SOFRE TODOS OS DIAS AO VER QUE CADA VEZ MAIS, O MUNDO VAI CHEGANDO A SEU FIM, MAS NÃO É NOSSA ESCOLHA, FOMOS PRESOS NESSA GAIOLA MALDITA... me desculpe... mamãe...

A garota que se opusera a Nijima, era Chiwa, filha de Rin. Ela possuía os mesmos cabelos loiros da mãe, só que em um tom mais claro, sua pele também era branca, tinha estatura média e possuía olhos que rebaixavam o brilho das estrelas restantes nesse mundo amaldiçoado. Ela corria em direção a sua mãe, abraçando-a como uma criança mimada que acabara de brigar em sua escola. Nijima ficara sem jeito, corado, não sabia o que responder, e após receber outro chute no tornozelo, mas agora, de Yume, ele se desculpava:

Nijima: Mil perdões! Eu... fui precipitado, eu não sabia que isso acontecia aqui...eu to muito nervoso pelas coisas que vi e...

Rin: Ara, não precisa dizer mais nada! Você disse o óbvio não foi? Não é nada de ruim. Mas, como desculpa, quero que levem minha filha para dar uma volta no centro da cidade logo mais, certo!?

A garota com um tom de voz animado olhava para todos, enquanto Chiwa, parava de chorar, e envergonhada, parecendo uma criança no primário, corria para seu quarto.

Minori: Ela ficará bem?

Rin: Chiwa é bem sentimental, mas espero que se deem bem com ela! ^^

Uma hora depois, Nijima, Nikame e Minori, juntamente de Chiwa, se preparavam para sair, eles aceitaram o convite de Chiwa, e iriam apresentar até o centro com a garota, mesmo isso parecendo perigoso por certo ponto de vista. Haruka, Yume e Ryuugu, decidiram ficar descansando na mansão, todos já haviam comido e tomado banho, se sentiam tranquilos, apesar do ambiente diferente do que haviam encarado, mas havia a questão de suas identidades, porém, após perguntarem para Rin, ela disseram que não havia comunicação por ali, que tudo que acontecia fora do mundo, não era exposto dentro do Refúgio. Tranquilos por um lado, os quatro então partiam para o centro.

Chiwa parecia tímida, sua beleza chamava atenção de todos pelas ruas, era uma pessoa importante por ali, a filha da mulher mais poderosa da cidade.

Nikame: Parando pra pensar, não perguntamos o que sua mãe fazia...

O rapaz tentava puxar assunto com ela, que se mantinha calada em todo trajeto, apesar de possuírem vários carros, a menina optou por sair de a pé, com a voz trêmula e andando mais devagar, ela o respondia:

Chiwa: Minha mãe trabalhava em Tóqui antes disso tudo acontecer e.. na verdade eu não sei de muita coisa...

Minori notava que a garota se sentia insegura, presa ao passado, com medo. Tentando tirá-la dessa apatia, ela a segurava pelo braço, e em um tom animado, dizia:

Minori: Não é hora pra ficarmos remoendo coisas do passado, é? Viemos aqui para se divertirmos, então, por que ainda estamos parados?

Nijima: *Minori-Chan... tão fofa.*

Os quatro foram para vários lugares, primeiro em uma boliche, Chiwa aos poucos ia perdendo sua vergonha, seus olhos, começavam a brilhar como nunca, pareciam iluminar pra onde iam, poderia parecer algo comum, mas, vendo o sorriso da garota, aquilo parecia algo de outro mundo para ela. Foram também a uma sorveteria, Chiwa comeu como nunca, Nijima tentou competir mas perdeu. Minori sempre ao lado de Nijima, trocava algumas conversas aleatórias, Nikame percebendo o clima, se afastavam, e fazia companhia para a loira, os dois começavam a se dar bem também, falavam sobre acontecimentos do passado, de como seria o céu. Foram até uma casa de jogos, gastaram todas as suas forças por lá, e por último, Chiwa queria ir até uma praça, já era noite, a lua era bem vista daquela cidade, limpa e clara como deveria ser, Minori chegava a se emocionar ao ver tal paisagem, todos sentavam na beira da fonte que ficava no centro da praça, o clima era agradável, o vento trazia o cheiro de dama-da-noite, o barulho da água que trazia oxigênio para as carpas da fonte ecoava-se pelo lugar tranquilo. Poucos metros dali, havia um senhor vendendo pipoca, Chiwa então, como gratidão, se oferece para comprar para os 3.

Chiwa: Vocês esperem aqui, a pipoca do Nogya-San é a melhor da cidade, vocês irão aprovar.

A garota então corria em direção ao pipoqueiro, enquanto os 3, apreciam a calmaria daquele dia. Era uma limpeza em suas mentes, queriam ficar ali para sempre, mas sabiam que era apenas uma rápida parada, e que amanhã, os dias de caos e de busca pelas respostas continuaria, mas, ainda estavam curiosos a respeito de Rin e de Chiwa, a garota mais nova parecia não se divertir a algum tempo, sua expressão, apesar de doce como a mão, ainda assim era sofrida, ela tinha algo escondendo. Enquanto olhava as carpas na fonte, alguns minutos se passavam, e os três, ouviam de longe a voz do pipoqueiro gritando:

– EIII! Você esqueceu suas pipocas...

Os três se voltavam para frente, e não tinham mais Chiwa em sua visão.

Rapidamente, Nijima junto de Nikame e Minori correm em busca da garota, percorrem alguns quarteirões tentando encontra-la, até que Minori, a enxerga ajoelhada em uma calçada iluminada por uma luz que piscava no poste. A garota chorava desesperadamente, Minori e os dois se aproximavam, mas ao tocá-la, Chiwa dava um tapa na mão de Minori, que se afastava assustada. A garota olhava para os três, seus olhos enxergados de lágrimas, seu sorriso corrompido pela tristeza, o arrependimento sumindo de seu peito:

Chiwa: Obrigado e, me desculpem. Me desculpe por chorar mamãe, eu quebrei a promessa.

Mansão de Rin Okinomiya

Depois de ter saído do banho, Haruka dava lugar á Ryuugu, que desajeitadamente e de maneira grossa, jogava suas roupas no chão. Ele, junto de Yume e Haruka, estavam hospedados em um enorme quarto, com banheiro e uma varanda descoberta. Haruka, por ter servido de empregada por algum tempo, ficava furiosa com a atitude do rapaz, pegava suas roupas enquanto o repreendia:

Haruka: Você não tem modos não Ryuugu-Kun? e_e

Ryuugu: Ah, vai se foder.

Yume olhava para Haruka sorrindo e respondendo:

Yume: Esperava um obrigado?

Haruka, ainda intrigada com as atitudes de Ryugu, enquanto colocara as roupas do mesmo em uma sacola na varanda, olhava para o bolso de sua calça, e lá estava sua carteira. Ela, por ser criada como empregada, não poderia jamais fuçar as coisas de outra pessoa mas, nesse caso, era uma questão de tirar sua inquietação e suas dúvidas sobre o rapaz. Além de tudo, queria saber quem era a ‘autoridade’ importante, dona daquelas roupas e documento, que Ryuugu havia se passado para conseguir o ônibus de maneira tão fácil.

Flashback:

Haruka: Nijima-Kun... Ryuugu conseguiu enganar todos os guardas de maneira tão simples? Isso é incrível, vindo dele.

Nijima: Pode não parecer mas, esse desgraçado tem sorte e coragem. Ele só mostrou a identidade para os soldados e todos já o respeitaram, tsc.

–-

A garota abria a carteira, e ao olhar para o documento, se deparava com algo incrível que a deixara assustada:

– Documento de identidade: Ryuugu Sorezaki.

O documento era de Ryuugu e de ninguém mais.

Notas finais
Próximo Capítulo: Congele o tempo que ficou pra trás