Yume no Naka He
11 Capítulo 11 - Laço Eterno
“Aquela vez que você me deu a mão, foi aquela vez que eu consegui sorrir pela primeira vez. O dia em que os primeiros raios de sol passaram sobre aquela cortina branca, tudo que me esperava era a solidão, mas você surgiu confrontando aquelas terríveis sombras e aquecendo me coração, consegui ver que ainda era tarde para esquecer esse limpo céu azul, o vento ainda iria levar as flores de cerejeira por um longo caminho, e meu último desejo, era o de apenas caminhar essa estrada coberta de arrependimentos, junto de você, para que nunca mais o silêncio predomine de novo.”
Depois de saírem da cidade refúgio para pessoas importantes ligadas á alta burguesia e exército de ambos os lados, Nijima e seus amigos, haviam dado um passo a mais em direção ao infinito precipício, mesmo que quiserem voltar, já era muito alto para poderem descer, dali já não enxergavam mais nada, nem suas sombras eram visíveis a olhos que só enxergavam o medo. Nikame havia se reunido com o grupo minutos atrás, sua fuga da mansão de Rin fora um sucesso, desde então, os 7 não sabiam o que aconteceu com a doce mulher, Chiwa prometeu não voltar atrás, era uma missão que lhe fora concebida, seguiria os cacos quebrados por todo chão coberto com sangue, eles estavam reunidos em uma velha estação de metrô de uma cidade do interior de Tóquio, naquele momento, não tinham um plano em mente para se infiltrarem no grande prédio de Tóquio, cujo qual abrigara Deus.
Minori: Agora... o que devemos fazer? – Dizia a garota enquanto olhava no horizonte crianças abandonadas, flores murchas e pessoas procurando pelo que comer, pelo que viver.
Ryuugu: Com tantos soldados ao redor assim...ficará difícil fazer alguma coisa. – Enquanto falava, Haruka mantinha-se cabisbaixa, olhando para o rosto do garoto em breves momentos, o que tinha visto a pouco tempo, era algo relevante para ser esquecido, queria contar á Nijima, mas aquele não era o momento certo, então, apenas fingia se esquecer.
Haruka: Droga, eu tô com fome T_T ei Ryuugu-Chan, você é o mais velho aqui, traga comida pra gente.
Ryuugu: Por que diabos eu tenho que lhe trazer comida, maldita? – O garoto permanecia com seu mal humor habitual enquanto carregava algumas armas.
Yume: Mas foi tudo culpa sua mesmo! A comida que a Rin-San deu acabou rapidinho, com o seu tamanho aí, comeu quase tudo u_u
Ryuugu: MAS O QUE? E_E
Nijima estava distante, o sol estava quase para aparecer, o jovem segurava o seu colar tentando pensar em algo, havia levado todos até ali, e não podia simplesmente soltar suas mãos, a caminhada agora seria mais difícil, mas o confronto com seu passado incerto e suas dúvidas o faziam perder o rumo. Queria ao menos saber o que o levou até ali, porque sentia que tudo aquilo já tinha acontecido antes? O rapaz voltava para onde todo o grupo estava, se dirigia até Yume, e olhando para o céu nublado, dizia:
Nijima: Yume-Chan...pessoal...será que estamos todos mortos?
Todos paravam para refletir. Realmente, era uma pergunta digna de se pensar, aquela situação, tudo que passaram, Chiwa se aproximou de Nijima, e colocando uma de suas mãos em seu ombro, falou com a voz suavemente doce, como de costume:
Chiwa: Acha realmente que a morte seria sofrível dessa forma? Não estamos libertados, e ainda não podemos abrir a gaiola que guarda nossos destinos. Se estivéssemos mortos, nossos objetivos acabariam, acho que por mais que um pesadelo esteja te assombrando, ele um dia vai ter fim, se isso for mesmo a morte, nós vamos com certeza sair daqui.
Yume: E...para onde nós vamos depois? Será que continuaremos juntos?
Nikame: Mas isso não é hora pra falar sobre vida e morte, no caminho já conseguimos perceber bem o que isso significa, se estivermos juntos, podemos superar essas duas coisas facilmente.
Nijima olhava para uma pequena estrela, apagada, milimétrica, mas que ainda permanecia acessa naquele céu sem sentido, respirava fundo, e acreditava até o final que o final chegaria, cedo ou tarde. Yume nesse momento, ficara em pé, seus olhos pareciam preocupados, ela caminhara para longe do grupo, frente a um trem abandonado, ela se virava, e dizia com seu sorriso natural e positivo de sempre:
Yume: Eu vou ao banheiro, tá!?
De alguma forma, Nijima via que seus olhos não eram os mesmos de sempre.
Nijima: Yume-Chan...tome cuidado.
Minori: Não quer que eu vá com você?
Yume: Não se preocupem, eu volto já, os guardas estão todo longe daqui né?
Cinco minutos se passaram, e Yume não havia voltado. A preocupação de Nijima já era aparente, Ryuugu estava deitado em uma placa de ferro jogada, era quase de manhã, Nikame, Chiwa e Minori dormiam em cobertores que Rin havia dado, Haruka percebera que o tempo havia passado, então chamara a atenção de Nijima:
Haruka: Acha melhor irmos atrás dela?
Nijima: Eu vou lá, você fique tomando conta do pessoal, depois eu ficarei de vigia enquanto você dorme, tá?
Haruka: Você é um ótimo amigo Nijima-Kun. Tome cuidado.
O rapaz partiu para dentro do trem abandonado em busca de Yume. Era tudo silencioso, ela não poderia ter ido tão longe apenas para fazer suas necessidades, e aquele olhar...ele percebia que era um olhar que Yume jamais havia expressado antes, não se lembrava muito do que aconteceu em sua infância, mas Yume era sua melhor amiga, sempre esteve ao seu lado, por ela, seria capaz de fazer tudo, mas ao se aproximar de um pedaço de papel que estava no chão, ele sentiu que a manhã seguinte seria o prelúdio para o fim do mundo.
Nijima: Isso é... como eu pensei. – O garoto pegara o papel, e nele, tais palavras traziam desespero a Nijima: “Não importa o que aconteça, não me siga Nijima-Kun. Eu sabia que você seria o primeiro a encontrar isso, pois é a pessoa que eu mais amo, consiga o que você quer, eu estarei te guiando, eu sempre estarei te guiando de algum lugar, obrigado e adeus”
Nijima: Não brinque comigo! – O garoto se ajoelhara e imediatamente voltava para junto de onde os outros estavavam.
Ele explica a situação á todos, que não entendem o motivo de Yume ter fugido, mas havia algo importante por trás disso.
Nikame: Ela não pode ter feito isso, não a Yume-Chan. Das pessoas que me envolvi nesses últimos dias... de todos vocês, ela é a mais inofensiva, a que eu menos poderia desconfiar.
Minori: De fato ela é uma pessoa muito gentil, ela não pode ter simplesmente nos deixado.
Chiwa: Nijima-Kun, você sabe de alguma coisa?
O garoto apenas coçara sua cabeça, respirava fundo, e fazia o máximo de força possível para se lembrar do seu passado com sua amiga, mas todo esforço era em vão. Colocara suas mãos no bolso e respondia desapontado:
Nijima: Me perdoem, eu não lembro de nada mesmo, mas eu sei que temos que ir atrás dela.
Enquanto caminhavam para dentro do vagão onde Yume sumiu, Minori para repentinamente, olhava para seu reflexo em um dos vidros sujos do trem, e por alguns segundos, fica imóvel, como uma boneca.
Haruka: O que há de errado Minori-San?
Minori se recompunha, seus olhos lacrimejavam, e segundos depois, ela conseguira ter uma vaga memória de Yume. Ela usava roupas velhas, sangrava, e apenas sorria como de costume, parecia estar no fim de sua vida, mas mesmo assim, usava seus últimos suspiros para ajudar Minori. O que era isso tudo? Uma ilusão?
Minori: Eu não sei, apenas senti um dejavu, mas é só besteira.
Continuando com a caminhada, todos gritam a procura de Yume, até que no fim do vagão, Ryuugu nota a presença de rebeldes, e ao se aproximar discretamente, de longe, vê um bando de mais ou menos 10 homens, todos brutos, armados, usavam as capas pretas de grupo de oposição contra o céu, e por sua surpresa, um deles segurava Yume por uma corda, como se ela estivesse encoleirada, eles riam enquanto bebiam, alguns deles passavam a mão em Yume sem nenhuma preocupação. O próximo que chegou ao local foram Nijima, que ao ver a cena, não podia acreditar:
Nijima: Isso é brincadeira, não é? Por que Yume-Chan está... com esses caras? – Raiva e desapontamento tomavam conta de si, pegara seu revolver que carregara, e sem ser impedido por Ryuugu, ia em direção ao grupo de rebeldes:
Nijima: SEUS FILHOS DA PUTA, LARGUEM ELA! – A irracionalidade predominava seus sentimentos, não entendia nada, apenas apontava a arma para os rapazes que só podiam rir.
- HAHAHAHAHAHAAHAHA! Tá louco moleque? Cai fora daqui, não estamos a fim de derramar sangue agora que temos uma mina, xô!
Nijima: Yume... o que é isso? O QUE É TUDO ISSO!?
A garota apena ficara cabisbaixa, não o respondia, encoleirada, ela apenas se deixava ser abusada pelos homens, tinha seu corpo molestado enquanto eles riam ignorando a arma que Nijima apontara.
- Tá vendo? Não sei se ela é sua ex-namorada ou algo do tipo mas, essa cadela só quer dar fio, ela ofereceu todo seu corpo pra ir com a gente até a cede de Deus, em troca de sexo! Se manca e vaza antes que eu te fure.
Nijima sem reação, ia perdendo sua fé na garota, abaixara sua arma, Ryuugu e os outros observavam a cena de longe, o sol estava para nascer, Nijima virava suas costas para os homens, mas por um instante, dissera palavras verdadeiras, que sentia em relação a sua amiga:
Nijima: É isso que você realmente deseja? Não íamos juntos até o fim? Então por quê? Eu não prometi sempre te proteger? Eu sou fraco eu sei mas... eu tenho coragem o suficiente pra ir até o fim do mundo e te levar de volta pra casa! VOLTE COMIGO YUME-CHAN!
Ao se virar, um dos homens pegara um bastão e golpeava fortemente os joelhos de Nijima que caira de boca no chão. Nikame e Ryuugu ao mesmo tempo entravam em cena apontando suas armas para a gangue que também pegavam as suas imediatamente.
- Qual é dessas crianças? Vieram pra morrer de graça é?
Minori e as outras garotas apenas ficavam para trás, Haruka segurava uma arma mas não sabia se podia atirar.
- HAHAHAHA!! Vejo que a creche foi aberta aqui mas, tem umas gostosinhas até não acha Taka?
- Principalmente aquela ali! – O rapaz apontava para Minori enquanto expressava um olhar sádico virando sua faca em seus dedos.
- Poderia simplesmente chupar esses peitos e depois cortá-los fora da melhor maneira. – Dizendo isso, Ryuugu em um rápido movimento, aparecerá em questão de segundos frente a frente com o homem, colocara sua arma na garganta do rapaz, e sem piedade, puxara o gatilho.
Nijima: *Esse filho da puta!*
O garoto ao ver a situação, mandara o resto do grupo se esconder, ele saía correndo meio as ferragens de outros trens, enquanto parte da gangue atirava em todas as direções.
Ryuugu: Não me ignorem cretinos.
O jovem sacara uma de suas facas, e com rápidos e sutis movimentos, cortara a garganta de um por um que estava por ali, os homens tentavam atirar, mas Ryuugu conseguira desviar com enorme facilidade, até que restara apenas o rapaz segurando Yume, ele então, usa seu último método:
- S-SE AFASTE OU EU MATO ELA, VAI!
Ryuugu: Como se eu ligasse, verme.
Sem se preocupar com as consequências, Ryuugu apontara a arma para a cabeça do rapaz, que também apontava sua arma para Yume, mas por trás dele, aparecia Nijima, e com um tiro certeiro, fazia um estouro na cabeça do rapaz, seu corpo se espalhava pelo chão, e seu sangue, cobria todo corpo de Yume, que apenas continuara ajoelhada com sua coleira, sem expressão alguma.
Nijima: VOCÊ PRETENDIA DEIXÁ-LA MORRER!?
Ryuugu: E o que eu poderia fazer?
Os outros saíam de dentro do trem, e viam a cena que não era nada anormal. Corpos jogados pelo chão, tudo obra de Ryuugu, que fizera isso como esmagar uma formiga. Nijima olhava para Yume, tentava falar com ela, mas esta, nada respondia. Limpava o sangue em seu corpo, todos preocupados com a situação, mas parecia que sua alma havia se dissipado.
Passado de Yume
24 de Abril de 2007 – Hospital Sakigami
Tudo que eu podia enxergar... tudo que eu podia apreciar, era aquele vasto céu azul e aquele vaso com uma bromélia quase murcha. Não havia porque ficar descontente, afinal, eu já havia me acostumado com tudo aquilo, nem o frio ou calor me importavam, todo dia a enfermeira Suzuha me trazia várias doces de remédio, os tomava com facilidade, apesar do seu tamanho monstruoso, nunca foi fácil me acostumar com aquele, mas naquela ocasião, meus hábitos já haviam se transformado em poeira do passado. Continuava jogando PSP e zerando sempre os mesmos jogos, não havia amigos que pudesse me baixar novos, ah, como eu queria jogar Crisis Core, dizem que o final é muito triste, queria compartilhar essa tristeza com alguém, saber que a chuva fina que cai logo iria voltar para o céu, o sabor daquele misso já era artificial demais, mamãe não iria mais preparar o seu curry tradicional com carne, mas já havia me conformado em nunca mais saborear tais maravilhas, eu via da janela garotas se divertindo saindo com suas amigas, todas arrumadas, nunca gostei de andar por aí assim, as pessoas me ridicularizavam por meu jeito casual, mas que escolha eu tenho se nasci assim? Realmente, eu acho que era uma pessoa inafortunada de escolhas, por mais que eu desejasse algo, estava longe demais pra poder alcançar, assim como a vida daquela bromélia que estava em seu fim, me perguntava, se algum dia iria amanhecer e ver um dia totalmente diferente, se iria poder comer curry e jogar Crisis Core, queria muito poder sair como uma pessoa normal, por mais que isso não me fizesse diferença, queria ir a um karaokê com amigas, conversar no celular, dormir tarde...mas acho que era pedir demais, não? O sono me pegava em várias partes do dia, dormia sem querer enquanto via reality shows japoneses naquela tv barata, não havia sinal de que o céu iria avançar, as correntes eram reais demais para irem com o vento. Eu tenho uma grave doença, a 7 meses quando entrei aqui, os médicos disseram que eu não tinha muito tempo, e por esse motivo, fui abandonada por minha família, minha mãe apenas chorava ao me ver jogada na cama, não queria uma filha doente, rezava para que eu morresse logo, meu pai não podia deixar seu emprego, vivia viajando pelo país, e pouco se importava com as coisas que aconteciam, nem se lembrava meu nome, a única que tomava conta de mim era minha tia Lee, ela não deixava de me visitar todos os dias, bancava o hospital e me trazia roupas novas, graças a ela eu fui capaz de adiar um pouco mais minha morte, que no final, era inevitável, o mundo parou pra mim no dia em que perdi tudo que era mais valioso pra mim, mas eu ainda não esperava que bem ao fundo do precipício, pudesse haver uma enorme escada, mesmo que enferrujada e caindo aos poucos, ela estava lá. Eu não sabia o que me encontrava lá em cima, não sabia o que seria o mundo lá fora, mas eu queria partir primeiro que aquela bromélia solitária. Até que um dia, repentinamente, a chuva apareceu. Dias chuvosos me faziam feliz, eu me sentia em companhia naquele quarto vazio, a água e o som das gotas colidindo contra o chão me davam o frescor de um dia diferente, continuei apenas jogando enquanto o tempo me jogava diante do esquecimento. Até que ele entrou no quarto. Estava todo molhado, reclamava da chuva, isso me deixava triste, mal sabia ele o poder que ela tinha de acalmar o coração das pessoas:
Yume: Por que você odeia a chuva? Ela não é maravilhosa? Ao mesmo tempo que ela vem para refrescar o mundo e purificar as almas, ela também parece nos proteger, você não acha? Me diziam que os anjos choravam ao chover, mas eu acredito que eles choram por nossa dor, afinal, eles são anjos. Oh Deus, você deve me achar estranha agora né? Me perdoe me perdoe, é que fazia tempo que não falava com ninguém.
Ele apenas se virou, parecia me ignorar completamente, e então saiu do quarto. Pensei que tinha perdido uma das únicas oportunidades de fazer um amigo, eu era mesmo deprimente. Foi o que pensei, até vê-lo entrar novamente no quarto, minutos depois, trazendo uma bromélia nova em uma pequeno vasinho, ele se aproximava de mim sorrindo, e com certa vitalidade, dizia:
Nijima: Aquela ali estava quase no fim, não podemos deixa-la morrer aqui, não é? Por isso trouxe uma nova, minha vó estava até hoje no hospital, trouxe pra ela de manhã mas, ela acabou recebendo alta, então, pode ficar! Acredito que você irá sair antes dela se murchar.
Meus olhos lacrimejavam, aquilo estava mesmo acontecendo? Poderia ser o início de um milagre? Aquele garoto que me trouxe de volta o sentimento de me querer viver, depois de algum tempo, se tornaria parte da minha vida, e me traria de volta uma nova manhã que aguardei por tanto tempo. A partir daquele dia nós fizemos amizade, Nijima-Kun era um rapaz muito ativo, sempre arrumava tempo pra me visitar, jogamos cartas, ele até me trouxe chocolates e Crisis Core. Pensei no começo que ele queria algo com meu corpo, mas ele parecia ser popular lá fora, não poderia vir justamente atrás de uma garota doente. Eu não entendia porque, mas no final doa dia, ele sempre vinha me fazer companhia, e era aquilo que não me fazia desistir de tudo. Ele nunca perguntou o que eu tinha, apenas dizia, com toda confiança, que eu iria melhorar. Os médicos não mudavam suas palavras, mas as dele, eram firmes e convictas, o que eu poderia esperar de uma mera ilusão? Eu sorria, agradecia por tudo, zeramos Crisis Core juntos, me emocionei depois de apenas ter nos olhos um sentimento de vazio, vendo aquele vasto céu que permanecia parado, com a chegada dele, eu pude ver ele avançar por aí, e trazendo o vento através da janela, minhas correntes iam se corroendo aos poucos. Certo dia enquanto me visitava, eu fiquei babando em um comercial da tv onde aparecia um delicioso prato de curry, foi embaraçoso demais, Nijima apenas riu, fiquei emburrada por alguns instantes, até que ele se virou dizendo:
Nijima: Você quer um pouco de curry?
Yume: H-hã!? Etto.. não é como se eu quisesse ou estivesse com vontade vendo o comercial... é que a comida daqui não é tão boa assim, sabe?
Nijima: Podemos negociar, oras.
Yume: Então tem coragem de extorquir uma paciente debilitada? Que cruel.
Nijima: Em troca eu iria pedir para você sair logo daí e ir até um lugar comigo.
Yume: Não é como se eu pudesse fazer isso a qualquer momento...
Nijima: Então, fará isso em troca de curry?
Yume: Bom, mas, não tem restaurantes aqui perto que vendem curry x-x’ desista.
Nijima: E quem disse que eu não posso fazer? ÒO Não subestime meus dotes culinários!
Yume: J-jura que você sabe fazer? *-*
Nijima: A verdade é que, eu nunca cozinhei na vida.
Yume: *Capota* Então só me iludiu
Nijima: Mas quem disse que eu não posso tentar por você? Me espere até amanhã no almoço então, lhe trarei o curry mais saboroso que você já pode experimentar, eu prometo!
Ele saiu correndo como se não houvesse amanhã. Pensei que era impossível, e que no dia seguinte iria comer algo horrível mas, fiquei feliz por sua intenção, nunca havia tido um amigo assim, depois de tanto tempo eu conseguia sorrir meio aquelas grades que drenavam esperança. O sol surgiu naquela manhã, Nijima entrou no quarto, já fazia quase 1 ano que ele me visitava, me sentia especial, importante, durante esse tempo falamos sobre nossas vidas, nossos planos e sonhos. Nijima contou sobre uma garota especial que amava, eu sempre dava conselhos amorosos para ele, mas ele nunca me ouvia, parece que algo impedia a relação dos dois.
Nijima: Então, está preparada pra comer como nunca? ÒÓ Eu fiz uma porção pra otaku nerd gordo morto de fome, se prepare.
Nijima carregava uma enorme panela com arroz com curry e carne, naquele dia, não pude conter as lágrimas, mas ao olhar suas mãos, elas estavam queimadas, seus olhos continham olheiras, parecia ter ficado acordado a noite toda.
Yume: Nijima...Kun. Você realmente fez isso por mim?
Nijima: Claro que foi por você idiota, por quem mais seria? Até eu vou comer ok 8D
Yume: Mas...por quê? Por quê faz tudo isso por mim!? O que eu tenho de mais? Me diga por que vem todos os dias aqui e sempre me faz companhia? Eu estou morrendo, porque você não me esquece, eu não poderei seguir uma vida com você, sabe disso... quando eu estou ao seu lado eu fico feliz mas.. ao mesmo tempo sinto uma enorme dor, a dor de não poder nunca mais ver o seu sorriso.
Ele apenas ignorou o que eu disse, e me dando um forte abraço, dizia enquanto chorava:
Nijima: Não se esqueça da promessa, tá bom? Sou seu amigo e não vai ser a última vez que lhe farei curry, mesmo que esteja ruim vou te forçar a comer, você vai sair dessa, eu prometo.
As lágrimas derramavam sem parar sob meu rosto, estava realmente delicioso, ele ficou a madrugada toda fazendo, teve que cozinhar várias vezes, até ficar bom, nunca haviam feito algo assim por mim, porque Deus haviam e presenteado justo agora, no fim da minha vida? Será que ele teve pena? Será que ele ria de mim? Eu não me importava. Deus ou o que for, Nijima havia me libertado daquelas correntes que me faziam cair no esquecimento, agora ao menos, eu era lembrada por uma pessoa, a pessoa mais especial da minha vida. Mas só que não podia simplesmente ignorar a realidade. Dois dias depois, minha situação piorou, fiquei internada em estado grave, em coma, apenas podia ouvir o que diziam, sabia que não tinha muito tempo, mas havia uma pessoa sempre ao meu lado. Era Nijima. Certamente ele conseguia me manter viva ali, devia estar bravo por eu não ter cumprido a promessa. Queria abrir meus olhos, queria me levantar e caminhar com ele pelas ruas, mas não conseguia, era tudo em vão, ao menos eu tive momentos preciosos, e esperei ter sido uma boa amiga para ele...queria ao menos cumprir essa promessa, tudo que podia fazer era pedir para esse Deus impiedoso me dar uma chance a mais, uma única chance, apenas para cumprir a promessa com Nijima, queria só um dia sair daquele hospital e respirar o ar do mundo lá fora, abrir os braços e me sentir parte desse mundo que já ignora minha existência. Tudo era escuro, tudo era vazio. Não conseguia ouvir mais nada nem ninguém, apena pedia, com uma forte determinação, pedia para abrir os olhos e encontrar Nijima, ele não podia me abandonar, a pessoa que recuperou meus sonhos. Parecia que havia se passado uma eternidade, mas, uma forte claridade invadiu meus olhos. Ele estava ali, debruçado na minha cama, dormindo, olhei para o relógio, era 2 da madrugada, eu conseguia me mover, pensei que estivesse morta, para comprovar isso, tentei me levantar, fui até a janela, e de longe, pude ver a enorme e brilhante lua do céu, um céu que se movia em uma incrível velocidade, meus pés ficavam firmes no chão, Deus de alguma forma, havia feito um milagre? Não, Nijima havia feito um milagre. Ele então acordara, olhava para mim, enquanto agradecia chorando:
Yume: O-obrigada Nijima-Kun, obrigada pelas lembranças.
Uma semana depois eu fui liberada do hospital, os médicos disseram que por um milagre eu havia conseguido me curar. Aquilo seria um sonho? Se fosse, eu queria que durasse para sempre. Finalmente poderia cumprir minha promessa, mas tinha medo, medo de que depois de cumprí-la, Deus me levaria de volta, mas no fundo eu sabia, que se essa fosse sua vontade, eu não poderia fazer nada, havia pedido um único momento com Nijima, mas em troca, tinha ganhado vários dias. Nunca mencionei sobre a promessa, talvez ele tivesse se esquecido, para onde ele queria me levar? Eu apenas queria passar os dias ao seu lado, o resto não me importava mais. Até que parei nesse mundo frio e cruel, talvez não seja bem assim, comparado aquele quarto, ao lado de grandes amigos, eu sentia o céu nunca ficar parado, e ao seu ritmo, eu me movia junto á ele, até aquele dia.
Noite Passada
Enquanto dormia na casa de Rin-San, eu tive um sonho. Um sonho onde eu ainda era uma garotinha, estava presa, não conseguia me mover. Nada podia me ajudar, estava em uma gaiola novamente, era hora de partir, eu havia adiado muito a minha viagem, mas eu ainda não podia. Uma voz de longe me avisou: “Ainda é cedo Yume-Chan, você ainda tem mais 5 dias, então não desista.”. – Era uma voz doce e calma, eu podia senti-la se espalhar pelo meu peito. Eu tinha certeza de que minha estadia naquele mundo não iria durar por muito tempo, acordei e olhando para o espelho, vi que já era o sinal para ir embora.
Dias Atuais
Yume: Me perdoe...Nijima-Kun, me perdoe... pessoal. Eu tentei ser forte, mas no fundo eu quero ficar com todos vocês, eu quero ficar ao lado de todo mundo, quero te abraçar Nijima-Kun!
A garota recobrara sua consciência, e chorando desesperadamente, dizia isso ainda ajoelhada.
Nijima: Mas você não pode? Estamos todos juntos, e nunca iremos nos separar, eu prometi.
Yume: Entenda...suas promessas não podem durar pra sempre, Nijima-Kun...eu só tenho mais 4 dias de vida, obrigado por tudo, a partir de agora, a nossa caminhada chega ao prelúdio final.
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