Yume no Naka He

13 Capítulo 13 - Fragmentos do Passado


“Não sabia que era assim tão importante o desejo de querer retornar um dia. Não sabia que os desejos de todos se acumulariam em um só. Não sabia que o mundo ficaria cercado por uma ilusão passageira. Eu só sabia de uma coisa, de que quando chegasse a hora, você estaria esperando e me recompensaria pelo meu esforço, agora, eu acho que realmente sei, você acreditou até o fim que eu iria ganhar.”


A lua vermelha coberta pelas nuvens não trazia brilho algum para o chão preenchido pela água gelada da chuva, o vento fazia a gotas deslizarem sobre a pele dos desafiantes, haveria sangue a ser misturado no início da noite que marcara os passos finais para uma vida de superação, todos depositavam sua confiança em Nijima, com uma aposta que jamais imaginariam, ele colocou sua força em seus suspiros que se misturavam com empolgação e vontade de ultrapassar as fronteiras do que era realmente capaz. Otokuro e Nijima, ambos estavam em volta de um círculo de 4 metros criado por Misaki, dentro dessa área, a batalha seria decidida, seria vitorioso quem permanecesse no círculo, não era apenas uma disputa qualquer, se Nijima perdesse, só a execução restaria para seu grupo, Minori mordia seus lábios ansiosa, Chiwa rezava silecionsamente meio á chuva que molhava seu corpo pálido, Nikame segurava a chave, preparado para atirar em qualquer movimento suspeito de Misaki, Haruka e Yume observavam atentamente querendo poder ajudar, mas Misaki também estava de olho e não deixaria que interferissem na luta.
Misaki: Preparados?
Nijima olhava para o céu por um instante, quase não podia enxergar muita coisa, só percebera que, meio a um mundo devastado, a chuva ainda tinha o mesmo sentimento, ele sentia em sua chegada o conforto que sempre lhe acalmou. Talvez houvesse um sol brilhando do outro lado, para todos.
Nijima: Não vou mais desperdiçar tempo.
O garoto fitara seu inimigo com fúria, e corria em toda velocidade em sua direção. Soltando um enorme berro, o rapaz apenas pensara em todos que encontrou em seu caminho, nos desejos de cada um, e na esperança depositada em suas mãos.
Nijima: SEU MALDITO!
Ele desferia o primeiro soco em direção ao rosto de Otokuro, que sem nenhum problema, o segurava com a palma de sua mão esquerda.
Otokuro: Você tá brincando comigo, né?
O rapaz, com um irônico e sádico sorriso em seu rosto, erguia o braço de Nijima, e com um chute em seu estômago, jogava o corpo do garoto para longe, que se arrastava no chão chegando perto da linha que definia os limites do círculo.
Yume: NIJIMA-KUN!
Otokuro: Hahahaha, que tédio. Acho que o outro rapazinho ali lutaria bem melhor, se quiser, eu aceito trocar. Vamos acabar logo com essa porra.
Nijima se levantara lentamente, e com seu rosto ainda mais enfurecido, via Otokuro se aproximando.
O executor lhe dava um chute no seu braço esquerdo, Nijima o endurecia tentando se defender, mas a outra perna de Otokuro, segundos depois, golpeava sua boca, fazendo o rapaz cair sobre o chão. Nijima se levantara rapidamente e dava alguns passos para trás, mas sem perceber, Otokuro dava uma sequência de golpes em seu rosto, que já ficara todo roxo e ensanguentado. Minori apenas chorava pedindo para pararem, Misaki ria querendo ver seu amigo se divertir mais, Nikami se segurava para não atirar no time de execução, a chuva apertava, até o momento, Nijima não conseguia golpear Otokuro uma vez se quer.
Otokuro: Só pode ser brincadeira isso, o que é que o Ryuugu viu em vocês para deixa-los tanto tempo vivos!? Eu tenho pena de você, e para provar isso, vou te matar com apenas mais um golpe.
Nijima ficara apreensivo, estava de joelhos no chão, tentava se levantar, mas suas pernas não lhe reagiam, os golpes de seu adversário eram fortes demais, ele era treinado, enquanto Nijima brigara uma única vez em sua vida, e o resultado, foi a derrota.
Ele tinha por volta de 11 anos de idade, fora em um parque próximo de sua casa, quando costumava brincar com uma amiga preciosa que tinha na infância, queria se lembrar, mas a visão da jovem era embaçada em sua mente, só tem em mente o momento em que a salvou de 3 vândalos tentando importuná-la. Ele tomou uma surra, mas conseguiu tempo para a garota correr e pedir ajuda. No final, ele se sentiu feliz por ter ajudado, mesmo com uma costela quebrado e seu corpo todo dolorido. Mas dessa vez, a derrota não era uma opção, estava protegendo mais que uma pessoa, por mais que seu adversário fosse tão bom, tinha que ter um plano.
Nijima: *Se fosse pra perder assim.. eu preferia ser morto. Se fosse pra não lutar, eu preferia nem ter nascido. Mas eu estou aqui, todos estão olhando pra mim, eu não me lembro de muita coisa, eu não posso morrer sem saber o que aconteceu, eu não vou...*
Um rápido flashback passara pela cabeça de Nijima, ele se lembrara de uma rápida visão, uma visão onde vários amigos se reuniram em um dia de verão e prometeram nunca se separarem, era o dia em que sua vida havia começado de verdade, talvez os traços apagados do destino um dia se recuperariam.
Nijima: *Pra continuar a criar sonhos, não posso deixar que meus olhos se fechem, então só assim...*
Otokuro lhe dava um forte soco em seu queixo, sangue voava pela boca de Nijima, seus braços e pernas já estavam moles, sua consciência estava sendo perdida com os últimos pingos d’água que não eram mais sentidos por seu tato, começara a ouvir a voz de Minori no fundo, uma voz que chamava por si, não podia ignorá-la.
Nijima: *Deus me colocou aqui? Por que tenho que percorrer tão longe assim? Bem, eu acho que aprendi um dia que sem sacrifícios, não da pra conquistar o seu lugar no mundo. Quero apenas que todos que eu amo, tenham um lugar digno pra enxergarem o céu aberto e saber que o sangue derramado valeu a pena.*
O garoto, com sua mão esquerda, segurava-se na cola da camisa de Otokuro, e com um rápido movimento, dava uma forte cabeçada em seu nariz, o homem se esgueirava para não cair, nesse intervalo, Nijima se recuperava, distante, via Chiwa, Minori, Yume, Nikame e Haruka sorrirem em uma tarde ensolarada. Era abril, e não queriam mais nada, do que apenas sorrirem esperando o tempo passar.
Nijima: Eu sabia... que um dia isso iria acontecer. Porque nada controla a vontade dessa longa estrada que só quer crescer.
Correndo sem ver o vento ao seu redor, ele golpeava Otokuro como nunca, ganhava força de algum lugar distante, que já esteve, onde já sonhou, já sorriu e já chorou, confiava naquele calor que um dia sentiu, era apenas um sonho, um sonho que conseguiria ver claramente.
Nijima: Eu POSSO ACORDAR!
Não conseguia ouvir a chuva, não conseguia respirar, apenas sentia a dor em seu corpo enquanto arrancava sangue do seu adversário, Misaki estava perplexa, Otokuro não conseguia se mover, lágrimas derramavam do rosto de Minori, Chiwa não queria olhar o desfecho de tudo.
Yume em uma forte estacada em seu coração, conseguia se lembrar.
Yume: *Isso... isso tudo...*
Ela se ajoelhara, caindo em prantos. Gritava agonizando, Haruka tentava acalmá-la, enquanto Nijima parecia uma máquina de destruição, deixava todo o rosto de Otokuro distorcido, ele já não tinha forças, não sabia como continuara em pé, apenas se lembrava de uma única frase: “Eu estarei pronta para partir, Nijima-Kun. Vamos sempre manter essa promessa, ok?”
Nijima: *Uma promessa... é?*
Ele de repente, conseguia se controlar, e olhando para o céu mais uma vez, deixava Otokuro cair duro no chão.
Nijima: *Eu não posso cumprí-la, não é mesmo?*
Otokuro havia sido derrotado. Nikame parava de olhar para a Misaki, estava tão emocionado com a vitória de seu amigo, que se esquecera que aquele, era um grupo de execução.
Misaki: FILHOS DA PUTAAAAAAAAAAAAAAAAAAA!
A garota, ardendo em chamas, disparava sem piedade contra Nikame. O tiro atingia um pouco abaixo de seu peito, o que fazia o garoto soltar a chave que segurava e soltar sua arma.
Minori: NÃO!
Misaki iria eliminar um por um ali. O próximo, era Nijima. Pelas dores que causou em seu amigo, não seria piedosa. Apontara para sua face, e ao puxar o gatilho, em um rápido movimento, Otokuro se levantava, se jogando na frente do tiro, que atingia seu peito, mas mesmo assim, ficara em pé, olhando sua parceira com total reprovação.
Otokuro: Misaki...TENHA UM POUCO DE DIGNIDADE!
A garota deixava a arma cair no chão, olhando perplexa, querendo que mundo apenas acabasse.
Otokuro: *Eu consegui sentir... consegui sentir a vontade desse garoto...quem são eles? O que Ryuugu me contou...por que é que eu não fui perceber?* — Por que eu só percebe agora?
Ele se virava para Nijima, e com ‘singelas’ palavras, o encorajava.
Otokuro: Cumpra a merda da sua promessa, se você é realmente um homem, não vai deixar mais ninguém chorar. Derrote Ryuugu... e se torne aquele que superou a vida.
Otokuro morria na frente de Nijima. Misaki sentava no chão sem reação alguma, parecia uma boneca sem sentimentos. Chiwa e Haruka socorriam Nikame, enquanto Yume e Minori corriam para segurava Nijima que estava prestes a cair no chão.
Enquanto estava desmaiado, o rapaz tinha um sonho, um sonho no qual ia para o colégio enquanto chovia. Em qualquer lugar, a chuva iria sempre cair, mas a chuva, como para o contrário de muitos, era maravilhosa para ele, foi nesse dia que ele encontrou seu primeiro amor. Mas inevitavelmente, eles se separaram, e o que restou, foi apenas uma chave... e ele sabia o que fazer.
Nijima: Ai...hein? Yume-Chan!?
O garoto despertava lentamente, estava no colo de Yume, e quando olhava para frente, já havia parado de chover.
Nijima: E o Nikame? CADÊ ELE?
Yume: Não se preocupe, Chiwa cuidou do ferimento, a bala atravessou sem atingir nenhum órgão vital, ele deu sorte, assim como você.
Nijima: Tá dizendo que eu não iria ganhar dele sem sorte né? e_e
Os dois sorriam, enquanto Nijima olhava ao seu redor, e via Misaki colocando dispositivos em um espaço bem amplo.
Minori: Ela vai cumprir a promessa. Vai nos levar até o céu.
Minori parecia triste por algum motivo, e isso intrigara Nijima. Otokuro havia morrido, mas antes, havia dito para Nijima vencer, não sabe muita coisa, não sabe onde estão, não sabe o que Ryuugu quer, mas, no fundo, sentia que as respostas estavam mais próximas.
Minori segurava seu colar, com certa força, e ao olhar para seu rosto, uma lágrima escorria lentamente.
Nijima: *Minori... Chan.*
Yume respirava fundo, e antes que pudesse falar alguma coisa, Haruka se aproximava. Ela olhara para Misaki, que havia acabado os preparativos, a garota, sem armas dessa vez, ainda sem sentimentos, se aproximava do grupo.
Misaki: Eu fiz o que foi pedido. Agora eu também tenho um pedido. Me matem. Eu falhei, se voltar, vou ser torturada antes de morrer, então, por favor, me deixe ter uma morte calma...
Nijima: Eu não vou deixar mais ninguém morrer, então, sem chances.
O garoto parecia de certo modo confiante, Minori sorria com sua atitude, Misaki o reprovara.
Misaki: Mas não se lembra de tudo que eu fiz? Tantas pessoa que matei, tanta dor que causei.
Nijima: Há sempre uma segunda chance para todos, no meu mundo é assim, e assim, eu também farei ser.
Misaki o olhava trêmula, como isso aconteceria?
Nijima: Apenas tenho um pedido. Me leve até lá dentro junto de Haruka.
A chuva finalmente parava, e a próxima parada, era o lugar onde a verdade seria preenchida em linhas que começavam a se reescrever.

Notas finais
Próximo Capítulo: Nijima, Haruka e Misaki entram até o céu, e lá, encontram respostas significativas para algumas perguntas. Enquanto isso, Minori é capturada, e o destino do mundo acaba por ficar nas mãos de Ryuugu.