Yume No Kuni

1 Capítulo Único


2013


Casas são lugares interessantes. Gostava de casas pelo simples fato de como poderiam ser incríveis disfarces, mostrava-se o que queria. Apenas fachada afora. Dentro, daria para esconder discretamente toda e qualquer coisa, principalmente quando lugares assim ficavam ocultos por entre a vegetação da floresta.
E num desses ambientes ocultos dos olhares dos demais, trabalhava alguém. Alguém que passava horas e horas em seu exílio, longe de qualquer um. Possuía um olhar cansado, sequer parecia a mesma pessoa que aparecia num retrato que estava sobre uma estante, sorridente, com o olhar cheio de vida. A vitalidade parecia ter abandonado essa pessoa, que agora perambulava para cima e para baixo naquela enorme casa no meio da floresta, vestindo um jaleco branco meio surrado.
Sequer lembrava-se direito da última vez que falara com alguém, fazia muito tempo, com toda a certeza do mundo. Passava tempos e tempos trancafiada naquele local, pelo o que calculava, estava exilada há uns dois anos, quando decidiu deixar toda a sua vida para se dedicar a um projeto que parecia loucura, algo impossível, tão grandioso que não poderia ser comandado, nem pertencer a humano algum na face da Terra, mexer com aquilo seria algo muito perigoso, era como querer reger todo o Universo, era literalmente querer quebrar as leis da física.
Era isso que estava fazendo: quebrando as leis da física, praticando o impossível, se finalizasse o que queria sem erros, estaria tomando uma das forças fundamentais do Universo, que rege a vida de cada um, a fina linha sobre qual todos nós caminhamos, finita para nós e imortal para essa redoma escura de um horizonte em constante expansão, o senhor de qualquer acontecimento, de qualquer vida, o tempo.
Não havia motivo evidente para fazer isso, apenas que acabara por descobrir uma fórmula incrível, desafiando a física, utilizando pequenas fendas no Universo a seu favor, havia aberto uma janela no tempo, poderia caminhar como quisesse através do tempo, para onde quisesse, para quando quisesse.
Sorria para si ao perceber que logo terminaria esse feito, só mais alguns ajustes e tudo estaria pronto. Até para si parecia uma completa loucura, ver que em mais alguns instantes quebraria algumas ou várias afirmações.

— Está...Pronto! — falou num tom sussurrado, ao terminar de programar os últimos e importantes detalhes, fazendo com que um sorriso certamente macabro se desenhasse em sua face.
Colocou seu traje especial para testar esse feito, era feito de um material muito resistente e era de cor negra, assim como o capacete, fosco. Antes de iniciar a primeira experiência, foi até ao aparelho de rádio enorme, colocando uma música no último volume, uma música clássica e agradável para seus ouvidos.
Andou por entre os diversos computadores, cabos, fios e aparelhagem seguindo para a sala seguinte, totalmente alterada e reforçada, cheia de fios que se ligavam a aquele invento incrível, a TM0.
Fechou a enorme porta metálica e caminhou mais alguns poucos passos, entrando naquele invento e fechando mais uma porta. Agora estava no ambiente negro, com apenas algumas luzes esverdeadas no chão. Posicionou-se no centro daquele local, minuciosamente no centro de um círculo de contorno verde.

— Computador, ligar a TM0! — falou em tom alto, vendo as luzes daquele ambiente ficarem mais intensas e mais outras se acenderem. Um som incômodo começou a se fazer presente, tornando-se cada vez mais alto, fazendo aquele local se parecer com um verdadeiro caos.
“Perigo, falha desconhecida no sistema, perigo. Perigo” — O computador começava a enlouquecer, parecia que havia acontecido algo, mesmo assim, esse alguém não parou, não havia como parar a partir de agora, iria até o fim, tinha certeza de que aquela inteligência artificial reclamaria, pois aquele projeto era algo pesado demais, mas sabia que o computador e a máquina resistiriam, foram feitos para isso. Toda a energia começava a concentrar-se apenas naquele local, aquilo causaria um blecaute, com certeza.

O barulho agora parecia mais um zumbido e naquele momento, sentiu como se tudo girasse em torno de si e a luz extrema ofuscou-lhe os olhos, apenas ouvia os alarmes “gritarem” no lado de fora, o computador continuava a berrar sua mensagem de erro e logo tudo começava a liberar faíscas, esfumaçando, superaquecendo. Um tremor que parecia ser mais forte do que um terremoto remexeu o interior daquela máquina e sentiu-se girar, numa velocidade sobre-humana, parecia estar girando de acordo com a velocidade da luz, realmente rápido. Naquele momento, não conseguiu mais ver nada do que acontecia, tudo se apagou, parecia ter conseguido provar uma das coisas mais impossíveis a se fazer.


2015


Por entre as árvores desapareceu, querendo fugir de tudo o que lhe cercava, apenas por aquele curto momento, aquela noite era muito convidativa para si, pois queria apreciar a beleza daquele céu estrelado e permanecer no mais puro silêncio, coisa que era artigo de luxo na vida de René Devereaux, um rapaz que tinha seus dezesseis anos e uma vida carregada de coisas não tão agradáveis.
Agora, fugindo de tudo o que lhe incomodava, embrenhava-se em meio da densa floresta que sequer conhecia direito, à procura de uma clareira para poder observar o que lhe interessava: o céu noturno.
“Acho que estou perdido... Mas que se dane.” — Pensava, ao perceber que não se lembraria de como voltar para casa, mas uma hora ou outra acharia o caminho de volta. Ele gostava de explorar florestas, tanto que até muitas vezes havia se perdido, já estava acostumado.
Devaneava, lembrando de várias coisas, refletindo sobre muitas outras e até viajando sobre coisas que julgava meio idiotas. Tudo isso se esvaiu ao perceber que achara a sua tão procurada clareira, mas não apenas ela. Havia encontrado uma enorme casa, mais propriamente uma mansão no meio da floresta. Tudo estava em perfeito estado e sua arquitetura fazia-o lembrar das residências dos nobres de séculos passados. Incrível.
Aquele local realmente exilado da pequena cidade chamou sua atenção, afinal, era um curioso, um questionador desde que se conhecia por gente. Decidiu investigar aquela construção que jamais imaginaria que poderia estar no meio de uma floresta, afinal, casas são lugares magníficos, além de sua aparência, podem esconder tantas coisas em seu interior, muitas coisas.
Aproximou-se da porta de madeira, com detalhes talhados e um pequeno “1880” marcado na mesma, provavelmente indicando o ano de construção daquela magnificência. Forçou a maçaneta, percebendo que a porta não estava trancada e tomou liberdade para entrar naquele ambiente.

— Meu...Deus... — murmurou para si mesmo ao ver o lugar que havia descoberto. O espaço estava todo bem cuidado, iluminado com lustres “clássicos” daqueles que são postas velas, tudo muito decorado, móveis lustrados com detalhes em dourado em seus desenhos e também uma estranha videira que brotava do chão e enrolava-se na longa escadaria à sua frente. Sentia também um leve aroma de comida fresca, vindo de algum lugar daquele local. Era tudo tão surpreendente aquele estranho local, por fora, sequer parecia habitada e por dentro, a casa emanava vida. Havia comprovado a ideia de que casas são um ótimo local para esconder coisas, qualquer que fosse.
Fechou a porta atrás de si e deu passos hesitantes até o centro daquele local, olhando ao redor daquele cômodo, agora René escolhia com cuidado por onde começaria, afinal, estava num local totalmente estranho.
Começou a andar pela direita, pelo o que havia concluído, havia algum tipo de corredor por ali e eventualmente, acharia algum salão ou algo do tipo, era aquilo que queria encontrar.

— Boa noite! — uma voz feminina ecoou pelo local, fazendo-o virar no mesmo instante que a ouviu. Atrás de René estava uma moça, de cabelos castanho escuro, trajava uma roupa de empregada em tons de um azul bonito e o que mais chamava a atenção naquilo tudo era o fato de ela usar um tapa-olho negro em seu olho direito.

— Boa...Noite...? — respondeu René, desconfiado.

— Oh, seu cabelo é muito bonito! Como você fez? — perguntou a garota, olhando com curiosidade, olhando para o cabelo roxo com algumas mechas negras de René.

—Eu...Pintei... — disse ele, analisando a situação.

— Incrível! Um dia vou fazer isso, se a Mestra deixar... — Afirmou, agora com o semblante alegre e animado abandonando seu olhar.

— Mestra? — perguntou René, curioso. Queria conhecer mais daquele local estranho.

— Você não é convidado dela? — colocou mais uma pergunta em jogo, ignorando a de René.

—Convidado? Eu encontrei esse lugar e...

—Chloé! Quantas vezes já lhe disse que não podes falar com os outros! Sabes que és uma reles empregada! — ouviu outra voz ecoar, esta era um pouco rouca e calma, não tão estridente quanto a da mocinha, tinha um tom de frieza.
René olhou para o lado de onde vinha a voz e lá estava uma mulher de cabelos totalmente pretos e arrumados de uma forma muito luxuosa. Usava um longo vestido branco com detalhes num leve amarelo e ela era branca, parecia uma folha de papel e possuía lábios incolores e olhos negros.
O rapaz ficou imóvel, sem saber o que fazer.

— Chloé. Suma daqui. — ordenou friamente e a garota assim fez, saiu correndo pelo corredor, com pressa.

— Por que trata Chloé assim?! Ela é tão gentil, senhora. — ousou René. Ele não suportava ver alguém ser tratado de forma ruim.

— Se tratas a seus empregados desta maneira, não quer dizer que eu precise fazer o mesmo... Tanto até porque aquela coisa é a desobediência encarnada. — respondeu, friamente e com dureza.
René não conseguia nem se mover, apenas encarava-a.

— Me encarará feito idiota até quando? Pareces um bom rapaz, porque não acompanha-me para um simplório jantar? — perguntou ela. — Siga-me. — ordenou, andando em direção do corredor e René apenas a seguiu, apesar de sentir que algo estava estranho naquela história toda.


“Eu não deveria estar fazendo isso, mas agora não posso voltar atrás...” — Pensou com si mesmo, sentindo o medo subir por sua espinha, enquanto seguia a mulher de roupas luxuosas pelo extenso corredor.

— Qual é seu nome, rapaz? — perguntou a mulher.

— ...René... — respondeu, num tom quase sussurrado.

— Bonito nome, René. Chamo-me Rhiannon.

— Gostei do seu nome, senhora, é muito bonito. — apenas disse aquilo e o silêncio fez-se presente novamente por alguns momentos, até que Rhiannon parou em frente à uma enorme porta dupla de madeira, toda detalhada. Abriu-a, exibindo do outro lado um salão quase surreal de tão belo, com uma pintura floral em algumas paredes e colunas dignas da arquitetura grega antiga.

— Sente-se ali. — ditou a mulher, apontando para o outro lado da mesa que era muito longa. Ali haviam até algumas pessoas, homens e mulheres, muito bem vestidos, todos sentados, quietos, como se aguardassem por algo. Rhiannon sentou-se do outro lado da mesa e assim que ajeitou-se, deu pancadas absurdamente fortes na mesa de madeira maciça.

— Chloé! Traga-me as taças, agora! — gitou.

— Mestra... Aqui está. — a voz doce de Chloé soou naquele salão e lá estava ela, com duas taças em uma bandeja cheia de desenhos. Uma com um líquido roxo e na outra, um líquido vermelho escuro. Um dos olhos verdes exibia o medo que ela tinha de sua mestra.
A garota serviu-os e logo foi embora, embrenhando-se em meio ao corredor.

— E eles? — perguntou René, olhando para os convidados.

— Eles não precisam do jantar... Não precisam comer nem beber...

— Como assim?

— São enfeites. — respondeu Rhiannon, sorvendo o líquido do qual deixou seus lábios totalmente vermelhos. Naquele momento, um arrepio percorreu a espinha de René ao ouvir aquilo. Os convidados eram na verdade, pessoas mortas. Nem falou nada, apenas levantou-se rapidamente da cadeira em que estava sentado e tentou sair em disparada, se Rhiannon num movimento incrível não tivesse barrado a porta e sacado uma faca da qual o rapaz sequer tinha ideia de onde ela havia conseguido.

— Ah não, René... Por que fugir, sendo que a diversão mal começou? — um sorriso insano desenhou-se em seus lábios, manchados pelo vermelho rubro.

— Você é... Louca. — Rhiannon nada disse, apenas atacou-lhe com um estranho beijo, e ali ele percebeu que o que ela bebia era sangue. No mesmo momento ele jogou-a e começou a correr desesperadamente pela primeira direção que viu do corredor. Sentiu algo passar de raspão perto de seu rosto e logo percebeu que era aquela faca que ela empunhava até há pouco, agora, ele havia ganho um corte na bochecha.

— Volte aqui... — ouviu a voz distante da mulher, que falava e repetia a mesma frase diversas vezes, numa forma de música macabra.

René começou a correr mais rápido e virou na primeira “esquina” que havia naquele corredor, parando para tentar abrir alguma porta, mas todas as tentativas foram falhas, todas trancadas. “Me sinto num filme... Daqueles clichês, mas quando você encarna o personagem você fica com medo...” — Pensava.

— Volte aqui, René... — ouviu a voz macabra mais perto e num momento de desespero avistou uma porta ao final do corredor e foi para lá que correu, aquela era sua última esperança. Estava visto que uma hora ou outra seria pego e morto.

Tentou abrir a porta e por sorte ela estava aberta, apressadamente ele entrou e tropeçou numa escada que estava praticamente camuflada no escuro, logo descendo da pior forma de se descer uma escada; caindo.
Estava agora num lugar escuro. Levantou-se apressadamente e com dificuldade ao ouvir a voz distante de Rhiannon, repetindo a mesma frase. Enfiou as mãos nos bolsos do casaco, encontrando sua pequena lanterna que sempre levava consigo e a acendeu, encontrando algo surpreendente. Aquele local era um porão e ali haviam muitos computadores, todos ligados e cheios de poeira. Ninguém havia entrado naquele local há muito tempo.
Não tinha tempo para observar, apenas olhou de relance que nas telas haviam muitos códigos que não paravam de passar por elas, pareciam indecifráveis para si. Retornou a correr, agora por entre as mesas cheias de computadores e muitos papéis. Parou mais uma vez, sentindo as costas doerem e aquele momento fez com que visse um papel largado em cima de uma mesa, intitulado como “Códigos de ativação”. Pegou a tal folha e leu-a com rapidez, vendo algo sobre uma máquina, ali percebeu que estava num ambiente científico.
Precisava correr novamente, pois a voz macabra agora estava muito próxima. Começou a correr entre as mesas e logo encontrou uma outra porta, feita de um metal eu parecia ser muito resistente, mas que estava apenas encostada. Abriu-a com dificuldade e mais uma sala estranha podia ser vista. Esta possuía uma estranha máquina. Pela inexistência de rotas de fuga, René simplesmente adentrou o local, fechando a porta atrás de si.
Encarou a enorme máquina da qual não sabia para que servia, mas mesmo assim adentrou o espaço que havia dentro dela, uma espécie de “mini-sala”. Ao entrar, uma porta fechou e ele dirigiu-se até o centro daquela máquina, lembrando-se de um dos códigos de ativação. Agora agia por curiosidade, com um pouco de medo.
Ouviu a porta metálica abrindo-se e viu Rhiannon, e aquilo o desesperou.

— Computador, ativar a TM! — berrou em plenos pulmões, sendo consumido pelo medo que tinha.
Naquele momento, sentiu tudo girar em torno de si e escurecer. Seu medo e desespero triplicaram, sendo acompanhados por uma forte dor de cabeça e tontura.

“O que eu fiz..?.”

O jovem René sentiu-se desperto novamente, quando uma leve dor de cabeça o acometeu. Abriu os olhos lentamente, ainda sentindo-se tonto após o acontecido naquela mansão isolada do resto do mundo.
Coçou os olhos, já que tudo o que conseguia perceber estava desfocado. Surpreendeu-se com o cenário que estava em torno de si e podia atestar que agora estava mais longe de casa do que imaginava. À sua volta estava uma floresta, esta, de aparências surreais. Os troncos das enormes árvores eram feitos do que parecia ser quartzo hialino e suas folhas possuíam um azul capaz de produzir uma luz de tonalidade azul, a qual iluminava a floresta que parecia estar numa noite eterna. A grama, alta, também possuía esse mesmo tom de azul e algumas flores no chão aparentavam ser minerais, possuíam as belas cores de um crisoprásio. Aquilo era a coisa mais incrível que o rapaz já havia visto.

–Céus…- Murmurou, enquanto levantava-se com dificuldade da árvore onde estava encostado. Olhou ao redor e não sabia como sairia daquele lugar, afinal não poderia ficar ali para sempre. Tinha que voltar para a sua casa e para a sua vida.
Começou a andar em um rumo desconhecido, não sabia onde pararia. Aquela floresta apesar de bela, parecia não mudar. Quanto mais andava mais tinha a sensação de que as coisas simplesmente eram iguais, como um reflexo. Perceber isso o fez engolir em seco e criar certa desconfiança sobre o tão surrealístico local.
Mesmo assim, sentindo-se perdido, não desistiria. René nunca temeria uma floresta, pois estes eram os lugares que mais lhe agradavam.


O rapaz de cabelos roxos já andava há um bom tempo na mesma linha reta que traçara no começo de sua caminhada em busca de uma saída, que parecia estar muito distante. Sequer conseguia saber se já havia amanhecido e não havia nenhum animal para que pudesse se orientar, como pássaros. Estava completamente só e já sentia que poderia ficar lá até morrer. Começava a temer a bela floresta.
Foi ao chão, ficando de joelhos e afirmando sua desistência. Estava com sede e fome. Acima de tudo sentia-se incrivelmente fraco. A floresta estava vencendo.

— Olá…? — uma voz feminina fez-se presente naquele silencioso local. René levantou sua cabeça e viu a sua frente uma jovem. Esta tinha cabelos totalmente brancos, sua pele parecia ser uma folha de papel, seus olhos tinham um belo tom de violeta e usava um vestido simples, branco com alguns detalhes dourados.

— Quem é… Você? — perguntou René, encolhendo-se. Não queria ser idiota de confiar em uma desconhecida novamente.

— Me chamo Erianwen. — respondeu, olhando fixamente para os olhos verdes de René, enquanto aproximava-se dele. — Sou a senhora dessas terras.

— Como posso sair daqui? — o jovem fez mais uma pergunta e a mulher apenas sorriu, estendendo-lhe a mão, num sinal para que ele se levantasse e assim o fez.

— Por que não me acompanha, rapaz? Venha! — finalmente disse Erianwen, puxando René pelo pulso. Aquela mulher era bastante forte. René apenas seguiu-a.
Em pouquíssimo tempo, eles chegavam a uma espécie de clareira da qual René não havia encontrado enquanto andava. No meio daquele local, havia uma mesa redonda de vidro com vários símbolos desenhados.

— Por favor, sente-se. — ditou a mulher, colocando uma de suas mãos no ombro de René, indicando uma das cadeiras que estava em torno da mesa. Seguido dela, o jovem apenas sentou, sem nada dizer.

— Então… — sussurrou a mulher, num tom estranho que arrepiou René. Ele sentia que havia cometido o mesmo erro novamente, confiar num completo estranho. — Você quer sair daqui… Não é mesmo? — sorriu.

— S-sim… — respondeu, baixando a cabeça. No mesmo momento em que disse essa simples palavra, Erianwen pôs-se a rir de uma maneira insana e bateu com uma das mãos em um dos símbolos da mesa, fazendo com que René ficasse totalmente imóvel e mais indefeso do que já estava. Naquele instante o desespero tomou o corpo do rapaz.

— Obrigada por confiar em mim, idiota. — riu estendendo os braços, fazendo com que a imagem da bela floresta se desmanchasse, mostrando ali uma floresta escura, onde nas árvores sem quaisquer folhas haviam corpos pendurados. A visão apavorou o paralisado René.

— N-não… — Devereaux tentou dizer alguma coisa, porém sentiu sua garganta apertar com um simples gesto de mão da mulher de cabelos brancos.

— Não fale nada! — gritou, fazendo com que seus olhos violeta ganhassem um brilho assustador. Ela o encarou, fazendo com que uma dor desumana acometesse seu fraco corpo. Sentia seus ossos estralando.

— Essa noite, eu recebo o sangue deste inocente. Em honra de minha imortalidade, eu entrego este corpo às entidades da floresta. Recebei esse convidado! — cantarolou, erguendo o tom de voz gradativamente, fazendo assim com que estranhas “pessoas” aparecessem, cercando-os. Todas usavam capas negras que impossibilitavam de ver seus rostos. Apenas era possível distinguir o azul brilhante dos olhos desses seres que riam e gritavam numa animação estranha.

Erianwen bateu novamente na mesa, fazendo com que uma adaga de prata aparecesse e pegou-a, logo deferindo um golpe em René que nada podia fazer. Não podia nem gritar, mas as lágrimas contornavam seu rosto.
Retirou a lâmina lentamente, pingando o sangue rubro do rapaz no centro daquela mesa transparente.

— Eu ofereço este sangue…! — gritou e logo após isso, lambeu a adaga que ainda tinha certa quantidade de sangue manchando-a. Naquele momento Erianwen voltou a rir e começou a esfaquear o peito de René, que já começava a sentir-se tonto de tanta dor que estava aguentando.

Parou de ferir o rapaz que já começava a perder suas forças. Virou-se para aqueles seres intimidadores e estendeu os braços novamente.

— Venham, meus… — não conseguiu terminar sua frase. Para René foi como se o tempo parasse por curtos instantes. Um ruído alto foi ouvido e a mulher foi ao chão, sendo possível ver um líquido prateado se espalhar a partir de sua cabeça. Aquilo era um tiro. René conseguiu mover-se novamente, porém pouquíssimo, já que encontrava-se bastante ferido.

Aquelas estranhas criaturas começaram a gritar desesperadamente e foram desaparecendo uma a uma, como se estivessem enfraquecendo. Em alguns instantes todas elas haviam desaparecido.

— Hoje não é seu dia de sorte, desgraçada. — uma voz rouca ressoou. René olhou para o lado e viu um homem. Este usava roupas luxuosas, dignas de um aristocrata. Tinha cabelos loiros e seus olhos tinham a íris branca. Estava armado até os dentes.

— Por favor… Me ajude… — disse René, de forma quase inaudível. O homem veio em sua direção, guardando a arma que utilizara para atirar em Erianwen e derrubando a mesa à frente do rapaz com apenas um chute. Abaixou-se em frente ao rapaz, segurando seus braços gentilmente e apoiando-o em seus ombros.

— O que está fazendo aqui? — perguntou o loiro alto. — Aqui não é um lugar muito bom para jovens indefesos ficarem perambulando…

— Eu…Apareci…Aqui… — respondeu o rapaz, perdendo a sustentação de suas pernas, mas rapidamente foi segurado pelo outro. A perda de sangue estava começando a piorar mais ainda. Os cortes e furos feitos pela mulher não eram nem um pouco rasos.

— Nunca mais trate de aparecer aqui, é perigoso para qualquer um. Vamos, antes que essa gaja acorde… Precisamos tratar esses ferimentos, você pode morrer. — disse o homem e os dois começaram a caminhar. René sentiu que podia confiar naquele loiro.

— Esse é meu cavalo. — disse o homem de olhos brancos, dando apoio para René conseguir subir no animal negro como a noite. Após conseguir com certa dificuldade, o homem subiu logo depois, deixando Devereaux virado para si e logo estavam deixando aquele macabro lugar.

— A propósito, meu nome é Seth.

—O meu é… René… — disse René numa forma de resposta, segurando-se na cintura do mais novo conhecido, Seth. Só conseguiu dizer aquilo e começou a sentir uma fraqueza tomar seu corpo. Algo que o loiro dizia já parecia distante e René desacordou novamente, mas agora, completamente livre de perigos.


Já estivera em diversas situações ruins em sua vida, já havia sentido qual era o cheiro da morte por tantas vezes que já havia perdido a conta, todavia nada se comparava com o que sentia naquele momento. Um mau pressentimento assombrava seus pensamentos, mesmo que estivesse sentado tranquilamente entre as belas rosas que coloriam o extenso jardim minuciosamente cuidado com extremo carinho.
Toda a preocupação pareceu esvair-se quando visualizou de longe o cavalo negro cruzando os portões, porém quando pôde observar mais detalhadamente, o homem carregava consigo um rapaz de cabelos roxos, ferido gravemente e desacordado, tendo apoio nos ombros daquele loiro.

— Ficará a olhar apenas?! É grave. — ouviu o homem gritar consigo, enquanto cavalgava rapidamente em direção da enorme mansão. Levantou-se rapidamente e não tardou a correr em direção da residência. Em pouquíssimo tempo encontrava-se em frente da mesma, abrindo a enorme porta, ajudando o homem a passar com o jovem rapaz em seus braços.

Com cuidado, o loiro colocou o rapaz desconhecido no chão. Pela preocupação estampada nos olhos brancos do loiro Seth, não havia tempo para arrumações.

— Esse é René. Quase virou oferenda de uma maldita feiticeira, Kazuki. — Kazuki automaticamente entendeu. Conhecia incrivelmente bem essas criaturas odiosas e sabia o quão mortais eram os artefatos utilizados por elas. Como era visto, René havia sido esfaqueado por uma lâmina enfeitiçada, que além de ferir, roubava forças vitais. Sabia como resolver isso.

— Seth! Me dê a adaga, revitalizarei as forças vitais do rapaz, antes de tudo.- Disse o moreno, olhando seriamente para o loiro a sua frente, que engolia em seco enquanto olhava para o desacordado René e tirava do cinto a adaga de prata, cheia de detalhes talhados na lâmina reluzente.

Assim que a arma foi entregue ao jovem de feições orientais, o mesmo fez com habilidade um desenho em seu pulso, um símbolo que chorava o sangue escuro de Kazuki. Colocou o dedo anelar no centro do símbolo e proferiu algumas palavras, em um tom sussurrado e gentil.

–Nire tschie itaë wek egie!

Colocou o pulso ensanguentado entre os lábios do rapaz de cabelos roxos para que o sangue escorresse em sua boca e proferiu novamente as palavras, fazendo com que algo surreal acontecesse. Diversas formas em arabescos brilhantes começaram a surgir pela pele de René. Eles tinham um tom vermelho fortíssimo.

— Nunca deixo de me surpreender com isso… — disse Seth, olhando fixamente para o rosto com expressões serenas de René.
Os desenhos começaram a desaparecer lentamente, deixando apenas os ferimentos deferidos cruelmente por Erianwen. Agora era a última parte, limpar e fechar os machucados.
Kazuki olhava um pouco hesitante para os ferimentos e Seth estava pior ainda, suava e tinha em sua face uma expressão congelada.

— Não seria melhor chamarmos o doutor Ashworth? — perguntou o loiro.

— Mas é claro que não! Aquele homem é doido, ele acha que qualquer coisa é motivo para uma substituição mecânica e isso só funciona para quando alguém perde uma perna, braço ou uma mão. O que ele falaria se visse isso? “Que belo exemplar! Acho que posso trocar os pulmões e costelas dele por peças metálicas!”. Eu mesmo… Farei isso. Traga todo o aparato de primeiros socorros! — ordenou o moreno, que prontamente foi obedecido. Se não estivessem em uma situação delicada, Kazuki até comemoraria o fato de que pela primeira vez havia visto Seth obedecê-lo, já que sempre era menosprezado pelo loiro.

— Matsuyama! Aqui está. — voz de Seth ressoou naquele espaço da enorme mansão e a caixa de madeira foi entregue. O moreno abriu-a rapidamente, pegando o que precisava. Soro para limpar os ferimentos e os materiais necessários para suturar os cortes e perfurações.
Habilmente ele começou o processo, engolindo em seco ao ver o sangue tão de perto. Limpou ferimento por ferimento cuidadosamente e em poucos minutos começava a fechar todos eles, dando os devidos pontos.
Algum tempo depois, René estava novo em folha e Matsuyama por precaução enfaixou o peito totalmente cheio de pontos do jovem. Tinha esperança de que ele logo acordaria e se recuperaria muito bem.

— Seth… Por favor, leve-o para o quarto, esse rapaz precisa de algum lugar confortável. Troque todas as roupas dele, estão mais para pano de chão. Eu lavarei as mãos enquanto isso.- Ditou Kazuki, levantando-se do chão e pegando a caixa de madeira com os instrumentos de primeiros socorros.
Cuidadosamente o loiro carregou René, indo em direção de uma enorme escadaria. Kazuki andou reto em direção ao corredor que levava em direção a cozinha, onde lavou as mãos em uma espécie de pia.

A consciência de René começava a ser recobrada lentamente e este sentia dores pelo corpo. Perguntava-se quantas vezes mais desacordaria, perguntava-se também quantos mais tentariam matá-lo.
Pelas memórias vagas da noite cruel, onde quase tornara-se objeto de oferendas, sabia que havia sido salvo por um homem inexpressivo e que aparentava ser estupidamente forte e corajoso.
René abriu os olhos, confiante. Ao acostumar-se com a luz solar que encontrava-se diretamente com sua face, conseguiu visualizar um rapaz sentado na beirada da cama onde estava. Este tinha feições asiáticas, cabelos negros e compridos, presos num rabo-de-cavalo lateral e frouxo. Seus olhos tinham um tom de azul cristalino e ele sorria gentil para o recém-acordado René Devereaux.

— Bom dia, como se sente? — o homem impecavelmente arrumado perguntou-lhe.

— Acho que estou bem… — René respondeu, com certa desconfiança. Não importava o quão gentil o desconhecido sorrisse, nem a extrema harmonia em suas feições, René não confiaria nele. As mais belas e encantadoras pessoas que havia visto em sua vida, Rhiannon e Erianwen, quase mataram-no. Não queria correr o risco.

— Você acha? Penso que os ferimentos devem estar doendo, mas logo passará. — o homem disse, começando a estranhar a expressão fechada e desconfiada do jovem. — por que me olha assim? — perguntou.

— Vai me matar, desconhecido? — rebateu. Não sabia porque estava a fazer aquilo, simplesmente queria descobrir as intenções do moreno. Sua pergunta era estúpida, mas, mesmo assim, a fez.

— É claro que não, René! Eu cuidei dos seus ferimentos, eu ajudei a salvar-te. — disse, voltando a sorrir com gentileza e entrelaçando uma de suas mãos nos cabelos roxos do jovem René.

— Como sabe meu nome? — o jovem espantou-se. Sentia-se seguro com as palavras do desconhecido, via sinceridade nas mesmas, porém o fato de ouvir um desconhecido falando seu nome o fez assustar-se um pouco.

— Seth, que o trouxe para cá, contou-me seu nome. — o moreno afirmou. No exato momento, lembrou-se que pouco antes de desacordar naquela floresta, havia dito seu nome para aquele loiro. — E a propósito, chamo-me Kazuki. Matsuyama Kazuki. — continuou.

— É um belo nome, Kazuki. — René disse, olhando fixamente para o moreno gentil.

— Igualmente para o seu, René. — afirmou o moreno, ainda mexendo nos cabelos de René. Fitava-os com interesse.

— Veja só quem acordou! Bom dia, René. — mais uma voz fez-se presente. René olhou para a porta, vendo o homem que salvou-o naquela floresta. Ele carregava consigo uma bolsa simples de couro.

— Bom dia, Seth. — o jovem sorriu para o homem, que assim como Kazuki, vestia-se impecavelmente.- Obrigado por me salvarem.

— Disponha. — os dois responderam em uníssono, enquanto Seth sentava-se em uma cadeira ao lado da espaçosa e enorme cama de casal, amontoada de travesseiros onde René estava.

— Matsuyama, eu trouxe o que você pediu. — o rapaz loiro mostrou a bolsa marrom, passando para o moreno que instantaneamente abriu-a, retirando dali algumas ataduras e também caixinhas de vidro, que pareciam conter algo que René identificou como plantas utilizadas para fazer chá.

— Ótimo! René, vamos trocar esta ataduras, tudo bem? — o moreno pronunciou-se, enquanto desenrolava distraidamente um dos pequenos rolos de atadura.

—Sim, sim.

— Seth, por obséquio, poderia ir arrumando ele enquanto eu procuro a tesoura? —Matsuyama levantou-se, indo em direção a uma pequena cômoda que encontrava-se do outro lado do enorme quarto.

— Está bem. — respondeu, simplista e sem qualquer permissão desabotoou a enorme blusa utilizada por René, que olhava atentamente para si mesmo e para as mãos pálidas do loiro.
Tentando ajudar, o jovem colocou-se um pouco a frente, desencostando-se das almofadas e travesseiros.

Já com a tesoura metálica em mãos, Kazuki cortou habilidosamente a atadura envolta no peito de René, fazendo com que este se espantasse de certa forma. Olhando para si mesmo, viu todos os locais onde fora esfaqueado, suturados cuidadosamente. Ficou feliz pelos machucados não estarem graves, mas ao mesmo tempo sentiu-se triste pois levaria cicatrizes para uma vida inteira.

— Para apenas uma semana, esses cortes e perfurações estão cicatrizando muito bem!- Kazuki disse, enquanto entregava as velhas faixas para o loiro, que as deixava de lado e logo ajudava René a levantar um pouco os braços, para que os novos curativos fossem colocados.

— Eu dormi… Por uma semana?! — O jovem de cabelos roxos espantou-se, fitando rapidamente os dois rapazes à frente de si e parando seu olhar em Seth, que em tempo algum parara de fitar a face do jovem.

— Exatamente. — o loiro afirmou. Naquele momento preocupou-se, pois uma semana era muito tempo para quem escapou de casa para o que deveria durar apenas algumas horas. Tinha a certeza de que diversas pessoas já moviam-se em busca dele e que um reboliço já havia se formado na pequena cidade onde vivia desde seus dez anos de idade.

— Céus! — exclamou, fazendo com que Kazuki levasse um susto mínimo e olhasse diretamente para a face de René, logo quando havia recém-terminado de envolver o peito de pele alva e pura do rapaz. Os olhos de Devereaux lacrimejaram de preocupação.

— Eu apertei demais? Está doendo? — O moreno perguntou.

— Não é isso… É que… Eu preciso ir! — exclamou. Não sentia falta do lugar que deixara por acidente, todavia sabia que precisava voltar para casa e começava a chorar silenciosamente pensando no que aconteceria quando chegasse e visse aqueles que ele chamava de familiares. Ficaria infinitamente mais debilitado, tanto fisicamente quanto psicologicamente.
Mesmo assim, voltar era uma necessidade.

— Você não precisa ir, pois você não quer fazer isso.- O loiro afirmou, olhando diretamente nos olhos verdes de René, como se pudesse enxergar sua alma. O jovem espantou-se com as palavras de Seth, que eram verídicas e afirmavam o que se passava em sua mente.

— Mas é a minha casa. — René disse, retorcendo o tecido dos lençóis delicadamente bordados.-Eu necessito voltar e se eu ficar aqui, incomodar-vos-ei.

— Nós te salvamos e queremos que fique, jamais incomodar-nos-ia. — o loiro manifestou-se.

Kazuki levantou-se, andando em direção de uma varanda que ali havia. Fitou para além das portas de vidro que encontravam-se fechadas, certamente pensando em algo.

— René, você estava fugindo. Estava desesperado. Se estivesse bem, aquela feiticeira nunca teria tentado matá-lo. A tristeza e o desespero são as forças das quais aquele tipo de criatura necessita. Ódio, desespero e infelicidade são emoções fortíssimas. — Kazuki começou a falar, dando voltas pelo quarto espaçoso.
René não podia recusar nada do que Matsuyama dizia, pois era verdade. Sempre fora alguém desesperado e triste. Todos os maus sentimentos que possuía eram fruto de uma vida certamente desgraçada e a cada dia que acordava lutava para não afogar-se cada vez mais em seu oceano particular de infelicidades. Fugir de casa todas as noites para observar as estrelas era uma maneira de desligar-se de tudo o que era ruim.

— Por que você deseja voltar, René? — o loiro perguntou, interrompendo mais alguma coisa que o moreno diria.

— Eu não tenho argumentos, só acho que devo voltar, mesmo que forçando a mim mesmo.

— Force-se o quanto quiser, eu não deixarei que faças uma escolha equivocada para depois arrepender-se. — Kazuki disse, em um tom incrivelmente sério, que conseguia até assustar o jovem. O moreno olhava-o profundamente, tentando convencê-lo.
“Eu voltaria por quais motivos? Para chegar em casa e ser muito bem recebido com mais ferimentos? Não faço falta para eles. Se eu fosse importante eu não seria tratado pior do que um cão. É isso, eu ficarei.” — René pensou, finalmente chegando a uma conclusão. Mesmo que quisesse voltar, seria impedido pelos rapazes de quaisquer formas. Decidiu ficar, pois nunca mais em sua vida encontraria pessoas que o recebessem tão bem, mesmo sendo um alguém atrapalhado e que realmente empecilhava a vida dos outros.

— Está bem, eu fico. — René disse, num tom decidido que nunca tivera antes. Olhou para os dois rapazes.

— Perfeito, René. Seja bem-vindo à nossa casa. — Seth pronunciou-se, dando um sorriso mínimo para o jovem de cabelos roxos.

— Ótima decisão. Fico feliz por isso! — o moreno exclamou, sorrindo animadamente.


René sentia-se mais confortável do que nunca antes. Mesmo que não conhecesse muito bem aqueles que o salvaram, sentia que finalmente tinha em quem confiar. Estava dando adeus à monótona e triste vida de antes, dizendo olá para um mundo desconhecido e surpreendente.

Notas finais
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