Notas iniciais
Desculpa o nome sem graça, mas eu não consegui pensar em um XP

Hoje, meu sonho foi em três partes.

Na primeira, eu me lembro que eu e minha família, como minha irmã, avó e mãe, além de tias e outras pessoas, estávamos comendo numa mesa à beira de uma lagoa, provavelmente num parque. Havia pequenos botes de madeira onde podíamos nadar pelo lago.

Na segunda, eu estava em casa, correndo pela rua. O carteiro tinha passado, deixando todas as encomendas em seus devidos endereços. Lembro de ver um pacote meio quadrado, mas achatado, como se fosse uma caixa contendo uma moldura grossa, na frente de uma das casas, e saber que estava relacionado a um acontecimento de lá. Algum tempo atrás, não muito, o condomínio havia participado de um incidente envolvendo um homem violento, e essa encomenda era algo relacionado a isso, não sei se pela forma ou pelo endereço.

O condomínio não era como o meu. Havia duas ruas encostadas, uma alta onde passavam os carros, e outra em uma altura mais baixa e mais estreita, como se fosse um degrau abaixo, para pessoas a pé e ciclistas andarem. Todas as casas ficavam de um dos lados dessa rua, como se o condomínio em si fosse um único corredor extenso. Perto da portaria havia uma mesinha de vidro onde você podia lavar as mãos, não sei por quê.

Na terceira parte da história, eu e minha irmã estávamos indo para um lugar diferente. Era um… não sei explicar direito. Passaríamos alguns dias ou umas poucas semanas com outras crianças da nossa idade ou próximas disso, em uma espécie de prédio-alojamento dividido em três andares.

Eu não lembro como a gente subia para o para o segundo andar do primeiro (do térreo para o primeiro, no caso), mas do segundo para o terceiro andar a gente tinha que ir por um caminho meio perigoso. Tinha uma espécie de vácuo no chão, um buraco que dava para o andar de baixo (que era realmente baixo), e nesse vácuo havia duas colunas com topo liso e inclinado que faziam papel de rampas com formatos em L e uma linha diagonal. O em L dava para nosso alojamento, mas o diagonal, mais distante de nós e próximo da parede, dava para o lugar onde o homem que tomava conta do negócio ficava. Para subir, nós estendíamos uma espécie de tapete com superfície irregular e com atrito sobre esse topo de coluna.

Quando chegamos, eu, minha irmã e minha tia pequena olhamos o primeiro andar, e em seguida fomos para o segundo, junto com algumas outras crianças. A maioria tinha ficado no primeiro, mesmo, o que foi sorte nossa, pois o segundo era menor e mais legal. Tinha uma espécie de mesinha de escrivaninha no canto de formato estranho, além de um espacinho para sentar antes que as camas começasse à esquerda e o vácuo atrás. Tinha até lugares para pôr papéis e coisas do tipo. Ficamos encantadas.

Fui dar uma olhada no terceiro andar sozinha. Lá era mais espaçoso — só tinha um colchão, enquanto os andares de baixo eram apinhados — e tinha bastante espaço na sala, mesmo que pequena para os padrões normais. Tinha uma outra mesa lá, mas não era tão boa, pois só tinha os espaços de guardar papéis, e nenhum para escrever.

Desci o andar de novo pela rampa e disse que o terceiro andar era para alguém sozinho e que também tinha mesa. Minha irmã sorriu e disse “sozinho? Eu gosto de sozinho.”

Mas ela já estava brincando com os papéis ali, então subi para dar mais uma olhada.

Não havia nenhuma parede do lado do quarto que dava para a rampa, mas à esquerda começava uma outra sala, que tinha paredes em todos lados, menos no que dividia com o quarto. Resolvi dar uma olhada.

A aparência do lugar era a de um que vendia várias coisas, de lâmpadas e coisas de eletrônica a brinquedos (estes ocupando pelo menos duas estantes). Não havia caixa. O homem que tomava conta do lugar estava olhando alguma coisa por ali, e eu resolvi dar uma olhada rápida nos brinquedos. Tinha um lugar com aquelas maquiagens de criança que vinham abertas em embalagens plásticas planas. Olhei uma após a outra; eu adorava aquelas maquiagens. Não que as usasse, mas gostava das cores.

Enquanto via as coisas de brinquedo, senti uma enorme mão em meu ombro. Meu instinto quando estou nervosa não é paralisar, de forma que parei o que estava fazendo e abaixei os brinquedos novamente, colocando-os em seus lugares, pensando que talvez tivesse feito alguma coisa errada.

Enquanto eu ainda segurava-os, o homem falou:

“Gostou de alguma coisa?”

A frase não fora dita de maneira agressiva, assim como ele também não segurava meu ombro com força, mas por algum motivo sua voz me fez me encolher internamente. Sem saber o porquê, senti que alguma coisa estava errada, e que eu, talvez, estivesse correndo perigo.

Não me lembro como voltei até meu quarto ou como fiz a conexão, mas, de alguma forma e em algum momento, eu me dei conta.

Tirei o tapete da rampa e taquei-o fora, até o primeiro andar. Das duas rampas. Eu conseguiria voltar com um pouco de calma e cuidado, pois era mais leve. Se ele quisesse ir até as outras crianças ou até o próprio antro, precisaria de no mínimo fez vezes mais cuidado.

Ele era o homem. O que tinha causado o incidente violento no condomínio. Não sei por que estava solto, mas não havia dúvidas. Todos no condomínio o conheciam depois daquilo.



19-20 de julho de 2017

Notas finais
Eu não posso dizer com certeza, mas tenho uma vaga lembrança do homem escorregando e caindo da rampa para o térreo/primeiro andar. Bom, espero que tenham gostado XD