Yuiitsu No Reigai
9 Capítulo 9 - Juu San
Notas iniciais
Hai, sei que demorei, mas... Bem... Enfim, uma palavra: desmotivação, é.
Enfim, eu poderia muito bem postar amanhã, como eu havia combinado, mas decidi por postar hoje.
Não sei se o próximo post sai logo, tenho trabalhos, estudar, lidar com coisas que me tiram a concentração (e claro, desmotivam), mas enfim, é isso.
A escrita ficou estranha, os fatos não ficaram muito claros, mas eu deixo tudo devidamente explicado no próximo capítulo. Eu estava sem cabeça para escrever, por mais que estivesse com vontade. Fora que saber que de 17 leitores, 3 dão reviews desanima, mas não importa, já estou falando demais.
O tanoshimi, Arigatou e desculpem se estou sendo muito grossa, realmente :c Eu não costumo ser assim, então desculpem-me novamente.
Ja nee~ e Bom feriado.
Capítulo 9
Juu san
十 三
01 de Fevereiro de 2002 — Winchester
– Beyond! – O ruivo gritou aparentemente irritado enquanto corria atrás do moreno de íris vermelhas, que dava gargalhadas, tentando fugir do outro enquanto segurava o game boy do garoto. Lawliet, Raito e Nate assistiam a cena; Lawliet fitava o irmão com os olhos negros reprovadores, mas mantinha um pequeno sorriso no canto dos lábios, acenando a cabeça negativamente, Raito apenas ria, e Near observava tudo em seu costumeiro silêncio, enrolando indiferentemente uma mecha de seus fios brancos. Mail já estava há alguns minutos correndo atrás de Beyond e começava a se cansar, ao contrário do outro, que se não fosse pelo ruivo quase sem ar, não pararia. Diminui o passo, logo sendo alcançado pelo ruivo que quase o derrubou no branco gelado abaixo deles para pegar seu game boy, o que fez sem dificuldade. Mail voltou as íris verdes ofuscantes para o moreno, que deu um sorriso cúmplice. Revirou os olhos e checou o game, constatando que ele permanecia inteiro. Selou as pálpebras e suspirou cansado, tentando manter o resto de calma que possuía. Arrumou os fios vermelhos, ainda de olhos fechados e, de um segundo para o outro, o cachecol longo e composto pelas cores verde escuro e cinza, que seguiam em faixas grossas, uma abaixo da outra — Este estava colocado desjeitosamente no pescoço do ruivo, que desfez o “nó” que o envolvia no pescoço enquanto corria atrás de Beyond -, com um forte e gélido vento que batera, supostamente indicando que logo os flocos de neve voltariam a cair sobre Winchester, se desprendera de Mail com facilidade e voara em uma altura considerada elevada em consideração com a estatura do ruivo, que, dentre o grupo de amigos, depois de Near, era o mais baixo.
– Meu cachecol! — O garoto arregalou os olhos verdes, os voltando para o cachecol que flutuava, e, aproveitando a distração, Beyond tirara das mãos do ruivo novamente o game, rindo e correndo. – BEYOND! – Gritou novamente o nome do garoto, que respondeu com uma gargalhada mais alta. Mail olhou para a direita e a esquerda, direções onde estavam seus dois pertences, e fechou os punhos ao lado do corpo, as bochechas vermelhas devido o frio e a irritação. As íris verdes foram de encontro com as vermelhas, cada contida em diferentes expressões. Mail voltou os olhos para o cachecol e bufou resignado, saindo correndo atrás deste. Não prestava atenção às coisas que vinham em seu caminho, já que deduzia não haver nada além da neve que cobria a grama geralmente verde, curta e bem cuidada do Jardim da Wammy’s House. Seus passos formavam marcas pelo branco e seus olhos apenas se focavam no objeto, cuja altura tornava-se maior devido o vento que ainda soprava com força. Porém, logo este fora diminuindo sua força e o cachecol dava suas ultimas piruetas no ar, até que fora pego, mas não por Mail, que depois de um murmuro que dizia “Quase lá...”, bateu contra alguém. Levantou a cabeça, já indo se desculpar.
– Me desculp- Mello! – falou em tom alto, surpreso. Não pode evitar a tonalidade de suas bochechas avermelharem, era inevitável. Mihael sorriu de leve, colocando o cachecol no pescoço do ruivo de forma correta, um pouco envergonhado, mas o fez; Mail tinha as bochechas tão vermelhas quanto seu cabelo levemente bagunçado.
– O que houve, huh? – Disse calmo, com as mãos no bolso do sobretudo preto que trajava; Os fios loiros e lisos eram um pouco maiores que alguns anos atrás e seu rosto era tão belo quanto quando em sua infância; O mar agitado de seus olhos encontrava-se em uma calmaria quase que improvável. E, obviamente, Mail permanecia a mergulhar naquela imensidão sempre que a primeira oportunidade lhe surgia. Era o que fazia, com o verde calmo de seus olhos há segundos atrás tão agitados e irritados. Agitou a cabeça, afastando-se do mar e pisando em terra firme, sentindo, mesmo que no frio que fazia, as bochechas quentes como a lareira que aquecia a Wammy’s House. Mihael não deixara um sorriso fraco escapar de seus lábios finos, mas balançou negativamente a cabeça, achando normal aquela reação do ruivo e desfazendo suas hipóteses sobre os diferentes significados daquele encontro de olhares; As bochechas se avermelharam mais enquanto ele esperava a resposta do desconcertado ruivo.
– Foi Beyond! – Apertou os braços do loiro, fazendo com que o céu sem sequer uma nuvem encontrasse-se com os raios e trovões¹, as bochechas agora vermelhas por irritação. Virou-se para o moreno que mantinha um sorriso sádico nos lábios e apontou para ele, o olhar ofuscava em sua direção. Voltou-se para Mihael, ainda indignado. – Ele pegou meu game boy, me fez correr feito um idiota e quando devolveu o meu precioso game, meu cachecol voou e ele o pegou de novo! – Não disfarçava a irritação sequer um segundo, fazendo com que o loiro segurasse os risos. – O que foi? Vai me dizer que não vai me ajudar?! – Arregalou os olhos e Mihael, tentando sua expressão mais despreocupada, dera de ombros, como se a resposta fosse um direto e claro “Não”. O ruivo abriu os lábios em um formato circular, arqueando as sobrancelhas e ouviu-se outra gargalhada de Beyond. – Mas... MAS É MEU ANIVERSÁRIO! Vocês... Vocês deviam estar sendo legais comigo!
– Esse é o fato cômico da história, Matt-chan! – Beyond, com falsa gentileza, fez questão de acrescentar um sufixo carinhoso ao sobrenome do garoto. Mihael prendia o riso, assim com Raito; Lawliet esboçava o mesmo sorriso de lado, balançando a cabeça de forma negativa. Mail voltou os olhos que de tão furiosos, na imaginação fértil de qualquer um, chegavam a mudar para uma tonalidade vermelha, tanta quanta a dos olhos do moreno, para este. Virou-se com os punhos fechados ao lado do corpo e pausadamente dizia:
– Irei. Te. Matar! – Logo correu atrás do moreno que ria, assim como o loiro e o asiático. Lawliet, contradizendo sua seriedade quando se tratava do irmão, pusera o pé no caminho quando este passara sobre eles, fazendo com que Beyond fosse contra à neve ao tropeçar. Mail começara a rir, apontando para o moreno estirado sobre o branco gelado. – Há-há! Mais do que merecido, Birthday-chan! – o ruivo frisou o apelido que, assim como o que Beyond lhe dera, era de falso carinho ou gentileza. – Muito Obrigado, L! – Sorriu, fechando os olhos. O gêmeo mais sério riu baixo.
– Não há de que, Matt.
– ... Esqueceu-se do seu precioso, Jeevas? – Beyond se sentou na neve, levantando o game boy com a mão direita. O ruivo arregalou os olhos e correu antes que o moreno levantasse, ato que não fora realizado, apenas dera uma risada baixa. Mail pegou o videogame portátil da mão do garoto sem cerimônia, o olhou, constatando que não faltava nada, suspirou, o guardou no bolso do sobretudo e estreitou o olhar em direção ao garoto, o mostrando a língua e lhe tirando uma risada; Mail rira baixo.
– Feliz Aniversário, Gamer problemático. – Falou o de Iris vermelhas ao se levantar, abraçando o garoto pelo pescoço com apenas um braço e bagunçando ainda mais seus cabelos. Mail riu e bateu na cabeça de Beyond de leve, fazendo uma careta de reprovação, mas sorrindo.
– Obrigado, Senhor Viciado em Geleia de Morango idiota.
– É um carinho tão comovente...! – Lawliet disse irônico, revirando os olhos. Beyond soltou o ruivo e fitou o irmão gêmeo com um olhar e um sorriso que mantinha um misto de incredulidade e desdém.
– Olha quem fala! Fez o próprio irmãozinho tropeçar! Isso... Isso é crueldade! – Fingiu estar magoado, tampando os olhos. Mail, Raito e Mihael não conseguiram conter o riso. Lawliet revirou as íris negras novamente.
– Certo, qual a próxima peça de teatro que vai encenar, Irmãozinho? – frisou o sujeito de sua frase. Beyond secou falsas lágrimas e olhou para o irmão.
– Shakespeare. — Deu continuidade à brincadeira. — Sou o orgulho do meu irmão, não sou? – Abraçou Lawliet, com um olhar infantil e retirando mais risos dos amigos, inclusive o irmão e um sorriso pequeno, quase que imperceptível, se formou nos lábios de Near, que permanecia quieto, apenas prestando atenção na conversa, ainda sentado no banco; Mail notara o sorriso, trocando um olhar discreto com o garoto, que sem multa dificuldade corou. Balançou negativamente a cabeça e Nate entendera que o olhar seguinte de Mail afirmava que conversariam depois.
– É sim, Beyond, É sim. – O moreno bateu algumas vezes de leve na cabeça do gêmeo, que aumentou o sorriso e se afastou; Olhou rapidamente para Yagami e logo seus lábios e sobrancelhas se curvaram em um tom malicioso.
– Mas há um certo alguém que você não consegue ser nem 1% cruel, huh? É... O Rai-
– O Raito, Matt, Mello, Near, Matsuda, Sayu... É só você, Beyond, que me faz não ser gentil com alguém... – O moreno corava fortemente, assim como Raito que riu baixo. Mail e Mihael seguravam o riso.
– Oh, céus! – Beyond pôs as costas da mão sobre a testa. – O que fiz eu para merecer tais gestos de meu germano? Oh, como é dura minha vida, sem amor nem mesmo de meu gêmeo, muito menos de meus amigos! Ir-me-ei afogar neste mar de decepções... Morrer-me-ei sem o sentimento denominado amor... Morrer-me-ei sozinho!
– Oh, céus, como és dramático este meu confrade! Conheço alguém cujo sentimento de que tanto vós fala por ti nutre, Meu Caro Birthday!
– Você misturou Shakespeare com Sherlock, Matt. – Mihael falou em tom baixo, mais audível, risonho.
– Ora, Senhor Keehl, não interrompa minhas atuações! – Respondeu o ruivo, em tom cordial, e pigarreara em seguida. – Voltemos a nosso diálogo, Meu Caro Beyond. – Acentuou ainda mais seu sotaque britânico, dando a suas falas o ar que as escritas por Arthur C. Doyle transmitiam na leitura de suas mais famosas obras. – Eis que tomo conhecimento de que alguém nutre tal sentimento por vossa mercê. – Retomou sua fala, em seguida tossiu. Seus olhos pousavam sobre bochechas extremamente vermelhas, vez ou outra.
– Oh, céus, há uma fresta de luz em meio a essa escuridão que aos poucos consome minha pobre alma! – Mudou de expressão rapidamente, mas passado poucos segundos em silêncio, puxou o sobretudo de Mail; Estava agora sério, impressionado por assim dizer. – É sério, Matt?
– Seriíssimo, meu caro. Mas não posso lhe revelar mais dados, é algo confidencial, que apenas detetives tão bons quanto eu – fingiu ajeitar uma boina imaginária em sua cabeça e um falso cachimbo pôs entre os lábios – podem saber.
– Oh, mas meu correligionário é o melhor detetive de toda a Inglaterra! Viajou mais de milhões de léguas, resolvendo os casos mais absurdos existentes nesse mundo! – E tome nota: De tão incrível, não gastara nada além de algumas peças de tabuleiro!
– Mas, creio eu, que seu irmão é um fiel detetive que não contaria fato nenhum à ninguém, muito menos a seu irmão...!
– Oh, céus, esqueci-me da antipatia que consome meu irmão...! – Lawliet lhe olhou com tédio. – Vistes?! Oh, O que será de mim?
– Só lhe restas uma coisa, meu caro... – Mail tragou o cachimbo imaginário, aproveitando e expelindo a fumaça que saia de sua boca devido o frio.
– O que, meu amigo? – Perguntou, com um brilho nos olhos. Mail ficou pensativo, e finalizou sua fala com uma expressão desolada, porém visivelmente despreocupada.
– Sendo franco, meu caro, não há nada a ser feito. – Deu de ombros e ajeitou novamente a boina imaginária, supostamente indo embora de onde se encontrava. Em seguida riu alto, sendo acompanhado pelo resto dos garotos. Ele e Beyond fizeram uma reverência em um ar galante.
– Sabemos que somos verdadeiros artistas, Obrigado, Obrigado. – Beyond agradecia, em seguida levou um cascudo do irmão. – Ai! Já parei de encenar, pode voltar a me amar como você sempre amou seu irmãozinho querido.
– Meu irmãozinho querido poderia de fato ser um artista... – Constatou Lawliet, impressionado pela atuação, por mais que fosse de brincadeira, feita pelo irmão e o ruivo. – Assim como Matt.
– Diz que você tem o maior orgulho do seu maninho, diz! Eu sei que é isso, mas em outras palavras. – Disse num misto de petulância, infantilidade e divertimento, pulando nas costas do irmão, que se não fosse pela força de Beyond, já o teria derrubado novamente contra a neve.
– Certo, Certo. Eu me orgulho desse pirralho que está despedaçando minha coluna. – Suspirou, e Beyond saiu das costas do irmão, o abraçando e levantando os braços, num ar de vitória, tirando risos dos garotos. Logo ele ficou sério.
– Pirralho... Tsc, temos a mesma idade!
– Mas eu nasci primeiro, sou mais maduro e fim.
– E muito convencido... Hmpf. – Revirou os olhos. Caminhou até o albino, que fitava tudo em silêncio e desviou o olhar com a chegada do moreno, o vermelhar de suas bochechas era visível. O outro se ajoelhou frente a ele, sorrindo. – Não sou um ótimo autor, Nate?
– C-Claro, Beyond. Você tem muito jeito para isso... Assim como Matt. – Apressou-se em complementar sua frase, para evitar mal entendidos. Beyond, um pouco absorto em pensamentos ao que se afundava no mar escuro e – em termos – impassível dos olhos de Near, sacudiu a cabeça e aumentou seu sorriso.
– Um dia encenaremos juntos, pode deixar. – E piscou um dos olhos, enrubescendo a face do albino, que não sentia os batimentos.
– N-Não tenho o menor jeito para tal coisa. – Disse sério, e Beyond, que já se levantara, o olhou sem acreditar, e revirou os olhos.
– Por isso mesmo que eu te ensinarei antes. – Puxou a mão do albino, o aproximando de si e depois, um pouco afastado, se ajoelhara frente à ele, ainda envolvendo as mãos cobertas por luvas. Mail fitava boquiaberto e mesmo assim era possível ver em seus lábios um sorriso. Lawliet também sorria, assim como Raito; Já Mihael ignorava o albino, dando mais atenção à Beyond, que começara a recitar um poema. — Duvida da luz dos astros, De que o sol tenha calor, Duvida até da verdade, Mas confia em meu amor. – Em tom majestoso, recitava as linhas de William Shakespeare com calma, até ser interrompido por um leve tapa em sua cabeça. – De novo! Não está vendo que estou compartilhando meu aprendizado com Near? – virou-se para o irmão.
– Se compartilhar o aprendizado é sinônimo de importunar, então vejo claramente isso. – Lawliet disse sério, mas Beyond reconheceu em seus olhos o brilho incandescente: Vingança. Estreitou os olhos e o irmão sorriu. Levantou-se, soltou a mão de Near e fizera um reverência.
– Perdoa-me, Vossa Mercê, pela azucrinação. – Disse ainda cortesmente. Nate achava que suas bochechas explodiriam a qualquer momento, mas conseguira esboçar um sorriso para o garoto ao que este o olhara.
– Não tem problema, B-Beyond.
– Não?! – Questionou, aproximando-se perigosamente do rosto do albino, de forma rápida. O mesmo balançou negativamente a cabeça, fazendo o sorriso do moreno aumentar. Este olhou para o irmão, vitorioso. – Viu só? Near não liga! – cantarolou. Logo uma ideia lhe passou à mente e ele sorriu ainda mais, pegando na mão de Near. – Por isso mesmo vamos treinar sozinhos em uma das salas abandonadas da Wammy’s! – E nisso, puxou o albino consigo. – Adeus, companheiros.
– Olhe lá, hein... – Lawliet disse em tom composto por nada além de malícia. O irmão corado lhe lançou um olhar aborrecido e foi retribuido com uma piscadela. Logo os dois já sumiam de vista.
– 9 anos se passaram e nada, absolutamente nada, mudou em relação às atitudes de Beyond... – Constatou Matt, sorrindo. – Muito menos às de Near...
– Tem razão... Não é à toa isso, com plena certeza. – O moreno sorriu de leve. Logo notou que ele e Raito deviam deixar os outros dois à sós. – Bem, está esfriando, vamos entrar um pouco e mais tarde nos vemos...
– Ah, certo! – Sorriu Mail. – Até mais ver, colegas meus. – Engrossou a voz, provocando o riso nos dois que seguiam em frente. Acenaram e por fim sumiram de vista como os outros. Mail voltou os olhos para Mihael, que o fitava sério, em silencio. Se aproximou do outro, com passos lentos. – E você tem muito orgulho do ruivo aqui, huh? – Questionou mexendo nos fios loiros. Mihael sentiu uma ardência nas bochechas, mas terminou por rir.
– A resposta é obvia.
– É mesmo? Mas... Não faço ideia de como ela seja... Poderia responder-me? – Com falsa inocência e desentendimento, o garoto prosseguia a provocar.
– ... É claro que sinto, Matt. – Ou devo dizer Sr. Holmes?
– Meu caro, chame-me do que bem desejar, porém... POR QUE NÃO ME AJUDOU A PERGAR O GAME BOY? — seu tom de voz e expressão irritada tirou um riso do loiro, que foi atingido a seguir por uma bola de neve.
– Porque é divertido te ver irritado...
– Ah, sim! Porque não foi com você! E se fossem suas preciosas, maravilhosas e amadas barras de chocolate?
– O caso não me leva em questão e sim você. Por isso é cômico. – Sorriu e disse simplista.
– Hmpf. – Resmungou o ruivo, cruzando os braços contra o peito e virando de costas para o loiro, que sorriu, arqueando uma das sobrancelhas.
– Então não irá falar comigo? – não houve resposta. – Então está bem... – Se aproximou do ruivo e pôs entre a curva do pescoço sua cabeça, deixando a boca próxima ao ouvido de Mail, que se arrepiara com a simples aproximação. – Então vou ter que dar o presente a outra pessoa... Que pena, era algo que você realmente queria... Bem, Feliz Aniversário, Ruivo. – sussurrou e se afastou. Mail, com as bochechas ardentes, arregalou os olhos, virando para Mihael e segurando em sua mão antes que este fosse para o quarto.
– Isso é golpe baixo! – Murmurou, tirando um sorriso do loiro que logo começara a lhe puxar, indo em direção à entrada da Wammy’s House. Pelo fato do começo do ano, a Wammy’s encontrava-se parcialmente vazia, por mais que as aulas se iniciassem no próximo mês. Subiram a escadaria de madeira rapidamente, principalmente o ansioso ruivo, mas que era impedindo por Mihael, que há 9 anos já tinha conhecimento da ansiedade extrema de Mail; Este o empurrava, apressado, fazendo o loiro rir. Logo chegaram ao andar dos dormitórios masculinos e avistaram o corredor deserto; Mail mexia os dedos com impaciência. Mihael o olhou de soslaio, não contendo o sorriso nos lábios finos e o puxou pela mão, com calma. Chegaram à porta do cômodo e antes de adentrarem o mesmo, o loiro se aproximou mais do ruivo.
– Feliz Aniversário, Matt. – Sorriu, sendo retribuído também por bochechas avermelhadas e soltou a mão do garoto, que a levou até a maçaneta, e sem mais delongas, abriu a porta; Os olhos verdes brilhando radiantemente ao ver seu presente. – Sei que faz um bom tempo desde que você quer um, então, com ajuda dos garotos e Watari, acabei por fim achando-
– Obrigado, Mello! – O ruivo o interrompeu com um forte abraço repentino, que foi correspondido junto de uma risada baixa do loiro. – Isso é incrível! Onde achou?!
– Em uma loja que vendia coisas antigas. Havíamos passado por ela sem sequer notar... Mas agora, por que não testa? – Sorriu, se soltando do ruivo que abriu um sorriso. Puxou a mão de Mihael, o assustando e se sentaram no chão de madeira do quarto que habitavam há tanto tempo. Mail levou a mão até o botão da pequena e simples TV que ganhara como presente de seu 11º aniversário – A TV não era utilizada e se encontrava no “sótão” do orfanato, empoeirada. Watari, que tinha um afeto especial pelo ruivo e pelo loiro, dera o valor estimado de um PlayStation 1 em dinheiro para Mail, permitindo que ele, Mihael e os outros saíssem pelas ruas de Winchester, à procura de um presente, assim sendo o videogame e a TV. Ligara o aparelho e em seguida, com ansiedade, o seu mais novo presente, que desejava desde o lançamento: O velho e clássico Nintendo 64. Alguns cartuchos estavam empilhados ao lado do console e dois controles conectados a ele; Mail não hesitou em pegar o que ele e Mihael mais gostavam de jogar no Game Boy Color do garoto, Mortal Kombat 4. Logo entregara um controle ao loiro que sorria bobamente ao seu lado, o fitando. Não demorou muito para o jogo começar, juntamente de risadas, leves socos no braço e um Mihael aparentemente irritado por ter perdido tantas vezes do ruivo, que apenas ria. Decidiram parar um pouco e Mail, inesperadamente, abraçou Mihael com força, em silêncio; Sem receio, mas corado, o loiro retribui.
– Obrigado por estar fazendo dos meus 13 anos os melhores, Mello. Você é o melhor amigo do mundo. – Seu tom de voz era baixo.
– Se não fosse você, eu não seria nada além de um idiota.
– Você não deixa de ser um, mesmo assim. – Mail riu baixo, se afastando com rapidez do loiro, com as bochechas vermelhas e um sorriso adorável estampado nos lábios rosados. Mihael lhe lançou um olhar estreito e fechou os olhos, tentando conter um sorriso.
– Você é mais ainda. – Disse com arrogância no tom de voz, mas visivelmente brincando.
– Ah, eu sei que você me ama! – Mail sorriu com os olhos fechados, em seguida os abriu e deu uma piscadela para o loiro, a esse ponto com as bochechas ardentes. Tossiu um pouco, logo tentou voltar ao normal, afinal, era apenas uma brincadeira normal entre amigos.
– Ah, claro... – Falou irônico.
– Viu só? – Mail e aproximou e sorria num ar convencido. – E daqui alguns anos, Oh, loiro dos profundos olhos azuis, casar-nos-emos e viveremos felizes para sempre! – Voltara com seu tom de voz teatral, provocando no loiro o riso, por mais que internamente este não conseguia sentir os próprios batimentos. “É apenas uma brincadeira, Mihael... Apenas”
– Quem dera se existisse o tal “Felizes para sempre”, huh? – Constatou perdido em pensamentos.
– Basta acreditar. – Mail lhe sorriu tímido, com as bochechas vermelhas. Logo os olhos verdes se misturavam com os azuis, eliminando qualquer coisa da mente de ambos, a não ser aquele que estava à sua frente. Seus rostos iam se aproximando, a respiração já ficava descompassada e a sanidade parecia se perder naquele misturar de cores; Os lábios entreabertos procuravam pelo ar que insistia em desaparecer. Quando faltavam apenas poucos milímetros para àquela distância que tanto queria ser quebrada pelos garotos não existir mais, os mesmos se deram conta do que faziam e com rapidez se afastaram, a face enrubescendo e o calor inquebrável, mesmo com o frio que fazia, dominando seus corpos. Depois de um tempo, Mail pigarreou, pegando outro cartucho e, como se nada acontecera, virou-se ainda corado para o loiro, sorrindo.
– Vamos jogar Mario Kart!
¹: Os olhos.
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