Yuiitsu No Reigai
19 Capítulo 19 - Katto
Notas iniciais
Feliz dia do rock/sexta-feira 13!
Bem, já é sexta. Sábado não daria para postar e também não sou cruel com minhas leitoras (Sou sádica, mas faz parte da fic)
Que vergonha desse capítulo tão ruim, como os de ultimamente. Meu pouco talento(se é que eu tinha) se dissipou, que tristeza. Mas está ai, e eu não estou satisfeita com o capítulo (Só com o Mello corando, porque é muito bonitinho ~moe moe moe moee~) Achei que ficou muito rápido, sem emoção e etc. Mas não tem jeito, vai esse mesmo, me desculpem :/
E leitoras novas, sejam muito bem vindas! (Atualizar os email e ver vários de "comentaram em sua fic" é lindo TwT)e obrigado pelas reviews, todas vocês ♥
O tanoshimi, Oyasumi e GOMEN, novamente.
Capítulo 19
Katto
カット
Mihael acordou com uma estranha sensação naquela manhã taciturna de inverno, no ultimo dia do mês de janeiro; Poderia considerá-la como ansiedade, afinal, mal conseguira dormir — o que realizou por poucas horas — e Mail faria seu 16º aniversário no dia seguinte, mas ele não conseguia ver dessa forma, uma vez que o sentimento de felicidade não lhe acompanhava. Era como se algo que ele menos desejasse estivesse prestes a acontecer e com quem mais amava.
Sentou-se na cama e engoliu em seco, meneando a cabeça negativamente com a intenção de espantar tais pensamentos. Olhou à sua esquerda, se deparando com a cama de Mail já arrumada, apenas com a mala do mesmo sobre esta. Suspiro ao ouvir a porta do banheiro se abrindo e o ruivo saindo silenciosamente de lá, devidamente uniformizado; Seu rosto bonito mais cansado que o normal, a tez pálida, os olhos rodeados por olheiras ainda mais profundas e a boca ressecada. Ele sorriu ao ver o loiro, mas este não conseguia esboçar um sorriso vendo a situação em que Mail se encontrava; Havia alguns dias desde que ele estava agindo diferente. Quieto e muito cuidadoso com cada movimento que realizava, isolando-se e demorando a sair de suas ultimas aulas, voltando destas de forma ainda mais distinta, com um aroma que Mihael julgou-se estar louco ao considerar o que seria.
– Bom dia, Mello. – Disse em seu habitual tom de voz, embora um pouco mais baixo e rouco.
– Bom dia... Não conseguiu dormir de novo? – O loiro se levantou. Mail deu de ombros e sentou-se na cama. – No fim da aula vou ver com a Sra. Sachiko se ela tem algo para cuidar disso. Se você não vai, eu vou.
– Mello, eu já disse que não preciso de remédios ou que cuidem de mim...
– Não? Matt, você vai acabar doente! E nenhum de nós sabe no que essa doença pode acabar! Parece que você quer que termine desse jeito. Eu... O que está acontecendo, Matt?
Mail suspirou e se levantou, colocando a bolsa em apena um ombro. Caminhou até a porta e parou.
– O fato é que eu cansei, Mello. Cansei de só causar problemas, de dar trabalho ou atrapalhar. Eu... nem mesmo eu sei o que acontece mais... Só sei que estou cansado disso. Não preciso que me ajudem ou coisa assim, eu consigo me virar sozinho- Ele se interrompeu e fechou os olhos cansados, se arrependendo do que dissera. — Me... me desculpe. – Girou a maçaneta dourada da porta com pressa e logo a fechou, correndo em direção à sala de aula que encontrava-se aberta. Mihael não sabia o que dizer ou fazer; Diversas perguntas passavam por sua cabeça, tentando entender o que tudo aquilo significava. Ele respirou fundo, massageando as têmporas enquanto ia até seu armário procurar por seu uniforme. Já haviam discutido outras vezes, mas os assuntos eram sempre sem motivo algum.
Mihael não entendera as palavras naquele momento. Mail sempre dizia que não queria atrapalhar, sempre agiu como se não devesse ter amigos quando menor, mas as palavras daquele momento tinham uma força estranha, a voz trêmula de Mail e sua pressa ao sair do quarto. Nada fazia sentido para Mihael. Mas apenas naquele momento.
...
Mihael chegou à sala junto de Beyond, Lawliet, Raito e Nate. Havia comentado sobre o ocorrido daquela manhã e os mesmos, ao terem uma opinião sobre o que poderia significar, assim como Mihael, guardaram-na para si, pensando estarem loucos.
A sala já estava com quase todos os seus alunos, Mail como de costume localizado na ultima carteira da fileira ao lado da janela. Sua cabeça apoiada sobre a mão direita enquanto escrevia algo em seu caderno, os fios escarlate vez ou outra lhe atrapalhando a visão. Os garotos caminharam para seus devidos lugares, sempre próximos um dos outros. Mail levantou o olhar e apressou-se em esconder o que escrevia, pegando um de seus livros dentro da bolsa. Mihael e Mail ficaram quietos, embaraçados pela situação – Afinal, Mihael se sentava em frente à Mail. Os outros cumprimentaram o amigo, sendo respondidos em um tom baixo. Beyond, que se sentava ao lado de Mail, iniciaria um assunto com o ruivo, mas no mesmo instante o professor entrara na sala, fazendo com que os alunos enfim se silenciassem.
As aulas se passaram lentamente. Ao que o sinal do intervalo soou, Mail permaneceu quieto em sua carteira, sem trocar muitas palavras com os amigos. Em seu rosto, a expressão sempre calma era aflita e ansiosa, ao mesmo tempo dando a ideia de que algo lhe apavorava. Por fim o sinal da penúltima aula soou e como de costume os garotos se separariam, indo para suas respectivas classes. Mas Mihael sentia que não deviam se separar, ao mesmo tempo em que Mail não se direcionava para a classe de Artes ao que desaparecera da vista do outros.
O loiro, apesar disso, seguiu seu trajeto acompanhado do gêmeo mais novo, ambos sem interesse algum na aula de Ed. Física, apenas aguardando impacientemente para o sinal do fim da aula soar. Ao que isso finalmente acontecera, saíram pelo corredor, realizando um trajeto diferente dos que seguiam ao saírem da ultima aula; Caminhavam apressados até a ultima sala do corredor, onde uma mulher de longos cabelos lisos e negros, com uma aparência séria embora gentil saia com suas pastas e uma bolsa. A mesma se surpreendeu ao se encontrar com os garotos, mas sorriu, apesar de logo ter se lembrado da pergunta que faria. A despeito disso, tamanha fora a surpresa ao que Mihael questionara sobre a mesma pessoa.
– Srta Misora, Mail já saiu da sala?
– Era exatamente sobre ele que iria perguntar. Mail não veio à aula hoje, o que é estranho vindo dele que gosta tanto de artes. Aconteceu algo com ele, garotos? Vocês parecem assustados, e Mail ultimamente está tão cabisbaixo...
Beyond e Mihael emudeceram. Eles sabiam, mas não queriam acreditar. A despeito disso, constataram que não podiam perder mais tempo, estando certos ou não. Agradeceram a informação da professora e se despediram com pressa. Passaram pelo corredor apinhado de alunos correndo, mas ainda sim conseguiram distinguir uma voz. Era Nathan.
– Hey, Mihael, como vai o Jeevas? Haha... – Ele ouviu ao longe a voz do garoto em tom de zombaria, junto das risadas dos outros garotos e de algumas garotas. Então, parando subitamente, ele viu a resolução de todas as suas dúvidas para com os machucados que via em Mail e que o mesmo dizia serem provenientes de tropeços ou distrações, o fato do mesmo estar tão taciturno e o de seu sentimento naquela manhã. Beyond, que já sabia do que acontecia com Mail, mas não o que acontecera na semana anterior, o puxou pelo casaco com pressa, subindo as escadas.
– Vá para o quarto de vocês, eu vou procurar os outros. – Falou rapidamente, correndo na direção oposta à Mihael, que sem hesitar foi em direção aos dormitórios. O corredor estava deserto, o som de seus passos contra a madeira ecoando pelo recinto. Logo se encontrava defronte à porta, ofegante, girando a maçaneta, trêmulo. Deparou-se com o quarto vazio e absorto em escuridão. O coração, até então com batimentos acelerados, parou de súbito ao que ouviu o som de algo vindo do banheiro, como se estivesse caindo no chão um objeto de metal em seguida de algo pesado. Arregalou os olhos e correu em direção à porta, a abrindo e sentindo sua respiração esvanecer, junto dos batimentos pausados. Ele queria que aquilo não passasse de um pesadelo, ou uma brincadeira de mal gosto, mas infelizmente não era; O sangue manchando o piso branco de cerâmica era verdadeiro, assim como ruivo encostado à parede e os cortes espalhados por seu braço, de onde o sangue parecia não parar de sair, os diversos objetos cortantes jogados ao seu lado, sujos pelo líquido vermelho. Mihael ajoelhou-se ao lado de Mail, cuja face estava manchada pelas lagrimas e mais ferimentos, e cujos olhos estavam marejados e semiabertos. Sua respiração, já falha, tornou-se mais dificultada pela aparição do loiro, que tinha os olhos azuis igualmente marejados. Mail sentiu uma pontada forte no peito já dolorido; Era a primeira vez que ele vira os olhos tão belos do melhor amigo daquela forma. Sua visão se tornava turva e ele sentiu a mão de Mihael envolvendo a sua, ao mesmo tempo em que a outra ainda mais tremula tentava tampar os cortes, contendo o sangue. O ruivo ouvia vagamente a voz do outro, e vendo que já não conseguiria ficar acordado por mais tempo, tentou dizer algo com sua voz falha.
– Mello... Me... Desculpe... Eu... Eu... T- ele não conseguiu terminar e Mihael não conseguira ouvir, logo fechando o pouco que lhe restava dos olhos abertos.
– Matt... Matt! Não, não...! – O loiro tremia, enquanto soltava a mão fria do garoto que mudara tanto a sua vida. Viu ao lado dele uma pequena caixa suja de sangue, abrindo-a com as mãos ensanguentadas e trêmulas, mas logo arqueando as sobrancelhas; Dentro desta um papel escrito em uma caligrafia ruim “Feliz Aniversário Antecipado”, mais objetos cortantes e uma caixa de cigarros aberta. Fechou-a ignorando por um momento e estendeu o braço, abrindo as gavetas do gaveteiro branco sob a pia de mármore a procura da pequena bolsa onde eram guardados os curativos. Sequer ligou para o fato de sua mão estar suja de sangue ou por este também ser o caso de seu uniforme. Como sempre fora para ele, nada importava, apenas Mail.
Quando achou, tentou enrolar uma atadura sobre a área dos cortes para estancar o sangue apenas até conseguir ajuda. No mesmo momento, Beyond entrou correndo no quarto, chamando pelo loiro, mas parou, paralisando as vê-lo no chão do banheiro, com Mail desacordado. Sentiu os batimentos falhos e uma forte pontada no peito.
– E-Eu vou procurar ajuda.
– Chame apenas a Sra. Sachiko, por favor.
– C-Certo. – O moreno pôs-se a correr, trêmulo e com a respiração falha. Em seguida Lawliet, Raito e Nate surgiram, tendo a mesma reação que o outro. Nate pegou rapidamente os curativos, enquanto Lawliet e Raito ajudavam Mihael a levantar Mail, colocando-o sobre sua cama. Mihael, após ter pegado a pequena caixa, vira que nos braços havia outros cortes que não sangravam, o que deu a entender que, na verdade, Mail já havia feito aquilo antes. Então se lembrou de Nathan, dos machucados do ruivo que surgiam inesperadamente e de tudo que ele havia passado, a raiva se apossando do loiro ligeiramente e de forma extrema. Olhou para a o ruivo, apertando sua mão com mais força. Fechou os olhos, tentando conter toda a dor que sentia, mas procurando no meio de seu desespero uma fresta de esperança; Aquilo não terminaria assim, ele não deixaria Mail ir dessa forma. Sempre esteve ao seu lado e não era naquela situação que isso se desfaria.
No mesmo momento, Beyond entrou no quarto, acompanhado de Sra. Sachiko, que se encontrava pálida e trêmula.
– C-Com licença, garotos. – Ela pediu com pressa, correndo até a cama. Pegou o braço alvo de Mail, desfazendo as ataduras sujas pelo sangue e se deparando com os diversos cortes.
– Por favor, Sra. Sachiko... – Mihael, que estava em pé ao lado de Beyond, próximo à porta. disse baixo, a voz falha. A mulher se virou para ele, tentando tranquilizá-lo com um terno sorriso.
– Acalme-se, querido. Eu não deixaria um filho ir embora de tal forma, Matt tem muito que acrescentar em sua história ainda... – Mihael, totalmente de acordo com a senhora, embora estivesse apavorado apenas de imaginar o que poderia ter acontecido se chegasse mais tarde, assentiu. A despeito de tudo, sentiu um leve rubor na face com o significativo olhar que a asiática lhe lançou; Dizia claramente, embora ele não acreditasse, que as tais coisas acrescentadas à história de Mail incluía Mihael, da forma que ele achava impossível mas desejava ardentemente há anos.
A mulher pegou a pequena bolsa, começando seu trabalho. Lawliet, Nate e Raito ficariam no quarto caso ela necessitasse de algo, e esse seria o caso de Beyond e Mihael, se o primeiro deles não o tivesse chamado. Pediu licença e saíram do quarto. Ficaram em silêncio, Beyond tirando o blazer do uniforme e abrindo a porta de seu quarto, jogando-o ali dentro. Puxou a manga da camisa social até os cotovelos e respirou fundo. Mihael estendeu a caixa a ele, que abriu, mas logo fechara, a raiva dentro de si aumentando. Entregou a caixa ao loiro, que tentou colocá-la no bolso da calça.
– Você me ajuda?
– É claro que ajudo. – Beyond sorriu de lado, estralando os dedos. – Já faz um tempo desde que venho querendo fazer isso...
– Já sabia do que acontecia? – Mihael arqueou uma das sobrancelhas e Beyond assentiu.
– Não lhe contei por causa do Matt. E pensei que já haviam parado de fazer isso. Eles foram longe de mais.
– Não havia parado, mas vão parar agora. Vamos. – Começariam a caminhar, até serem impedidos.
– Nós também vamos ajudar! – Misa, um pouco ao longe, gritou, correndo em direção a eles junto de Sayu e Matsuda, que entrou com pressa dentro do quarto, a expressão séria embora preocupada.
– Vocês não podem. Eles são milhões de vezes mais fortes que vocês, fora que Mikami surtaria¹, Misa, Raito entraria em desespero se você se machucasse, e Matsuda teria um ataque cardíaco só de imaginar que você pensou em fazer isso. – Beyond disse, referindo-se a Sayu nas duas ultimas objeções. As garotas sorriram.
– E que disse que são com os garotos que vamos brigar? Vai me dizer que não sabem que Halle está por trás disso! Ouvi ela e aquelas amiguinhas rindo e falando algo sobre o Matt, junto daqueles idiotas grandalhões. Você sabe que ela sempre gostou de você, não?
– Claro que já, mas...
– É, ela fez de tudo para poder afastar Matt de você, talvez porque ela sabia que você não via ele apenas como seu melhor amigo, e sim da forma que ela queria ser vista. — Mihael enrubesceu de leve e Sayu riu — Acho que ela nem gosta de você, é só para poder machucar alguém ou se divertir um pouco...
Ele meneou a cabeça.
– Isso não vem ao caso. Temos que nos apresar, não quero perder muito tempo com eles.
– Vem ao caso sim. – Misa cruzou os braços. – Mas é isso aí! Misa e Sayu não podem perder tempo!
– Nem vocês dois. Vão, antes que o Matt acorde. – Sayu sorriu para o loiro, que sentiu um palitar de esperança no peito. Assentiu, enquanto a garota era puxada pela outra. – E é bom escolher um bom presente de aniversário! – Ela gritou e Beyond riu, cutucando o loiro com o cotovelo.
– Entendeu, não? – Piscou com apenas um olho, puxando o loiro que tinha as bochechas vermelhas. Piscou algumas vezes e respirou fundo, fechando o punho. Lembrou-se então dos olhos que sempre lhe auxiliavam, do sorriso que lhe dava todas as respostas de suas dúvidas e agora não era apenas uma fresta de esperança que ele se deparava com. Tudo parecia mais claro e Mihael estava decidido dos seus próximos feitios.
...
Caminharam em direção ao grande jardim, onde encontraram alguns alunos e o grupo que procuravam. Estavam de costas para eles, o que fez Mihael sorriu com mais fúria. Fechou o punho com mais força.
– Hey, Foster! – Chamou o garoto moreno e corpulento, que se virou mas logo fora atingido por um soco forte em seu rosto. Não era a primeira vez que brigavam, já haviam feito o mesmo quando menores, quando Nathan empurrara Mail e Mihael vira, brigando com ele quando Mail não estava por perto. Nathan era mais forte, mas sem escrúpulo ou coragem alguma. Mihael tinha todos os três aspectos e não temia usá-los, principalmente naquela situação. — O que acha de um presente de aniversário antecipado?
– Ah, então você já descobriu? Haha, como vai seu amiguinho, Mail? Ele já fez bom uso do presente? – Ele começou a se aproximar do loiro, em uma intenção falha de intimidar.
– Ah, então estava à procura de alguém para “fazer bom uso” de seu “presente”? Por que não pegou para si mesmo, então? Com certeza você merecia muito mais do que Mail. Não, Mail não merecia nada do que sofreu, na verdade. – Jogou a caixa para o garoto, o punho fechado comichando para deferir outro golpe no garoto, Nathan abriu e sorriu ao ver as lâminas sujas e a caixa de cigarros aberta.
– Então ele já utilizou... E aí, ele se machucou muito? Ele merecia, aquele orf- Não teve como terminar a frase, sendo que fora novamente acertado. Os outros garotos se aproximaram e assim fez Beyond, sorrindo enquanto estralava os dedos.
– Quem você pensa que é para julga-lo? Deve ter pego apenas a informação de que Matt era órfão e depois foi morar com a avó e usou isso contra ele, não foi? Junto do ódio que você e seu grupinho tem por quase todos que não sejam como vocês. – Mihael dizia com repulsa. – Nenhum de vocês viu a mãe sendo baleada aos três anos de idade, viu? Nenhum de vocês sofreu na mão dos próprios parentes e da vizinhança! Claro que não, vocês sempre tiveram tudo o que queriam. Nunca se importariam com isso, afinal. Vocês apenas queriam vê-lo sofrer.
– É, não nos importamos mesmo! – Depois de um tempo o garoto se pronunciou, mas sem certeza na voz. Ele de fato não conhecia a história de Mail, mas não conseguia mais sentir piedade; Já estava em um caminho sem volta.
– Bom saber disso, que não se importam com nada. Talvez não se importem também de receber nosso “agradecimento” pelos presentes, huh? E caso se importem, esse não é o nosso caso. – E os dois avançaram para cima dos garotos, gerando um tumulto que foi parado minutos depois, quando Nathan, ferido, foi mais ágil e se fora, junto dos outros. Mihael e Beyond se levantaram, apoiados um no outro; Havia se machucado um pouco, o nariz do moreno sangrava leve, assim como um corte na boca de Mihael, mas os dois sorriram.
– Eu faria pior, mas não quero ser um deles. – Beyond comentou, e Mihael assentiu enquanto entravam no orfanato – Por mais que Mihael não parecesse satisfeito com o que fizera, considerando pouco.
Já estava anoitecendo, o tom laranja do céu misturando-se com o azul e o arroxeado enevoado; A neve caia fraca e calma. Subiram as escadas de madeira e Mihael, agora sem a preocupação em relação à Nathan e os outros, foi tomado por completo pela situação de Mail. Apressou o passo a caminho dos dormitórios e chegou com o coração palpitando.
– Ele vai ficar bem, Mello. Foi o que a Sra. Sachiko disse, vocês ainda tem muito para viver, e Mail ainda tem certas três palavras para ouvir. – Ele sorriu e Mihael meneou a cabeça, rindo leve. No mesmo momento em que iriam abrir a porta, a senhora e os garotos saíram do quarto, se deparando com os outros dois. A mulher arregalou os olhos.
– Oh, queridos, o que é isso no rosto de vocês?
– Estamos bem. Foram só uns assuntos que precisavam ser resolvidos. – Eles sorriram e a mulher massageou as têmporas. Logo olhou para o loiro, segurando em suas mãos e lhe sorrindo ternamente.
– Está tudo bem, querido. Acho que Mail não queria realmente fazer o que fez; Apesar de muitos, os cortes nem sempre eram fundos o suficiente para causar um desastre. Ele só precisa descansar um pouco e não movimentar muitos os braços quando acordar. Qualquer coisa me chame, não importa a hora.
– Obrigado, Sra. Sachiko. – Ele disse baixo e a mulher apenas assentiu, fechando os olhos e sorrindo.
– Não foi nada, querido. Agora limpem seus machucados e descansem. Boa Noite.
– Boa Noite, Sra. Sachiko. – Responderam em uníssono e a mulher se afastou. Mihael encostou-se na parede, ainda abalado com o fato, mas tranquilo apenas pela noticia de que o ruivo estaria bem logo.
– Sabe que pode nos chamar a qualquer hora também, não? – Raito questionou e Mihael assentiu.
– Obrigado, por estarem ajudando com o Matt.
– É o mínimo que podemos fazer como amigos. Se eu fosse totalmente insano não restaria um fio daquele tal de Nathan. – O de orbes escarlate exclamou em voz baixa.
– Beyond...
– Mas é verdade, e você está de prova, Lawliet!
–... Meu irmão é um psicopata...
– Viu só? – o moreno sorriu e os garotos riram baixo. – Mas eu não faria isso, pelo Matt e por ser diferente deles.
– Eu te entendo, mas mesmo assim você já fez até demais. Melhor descansarmos, amanhã ainda tem aula...
– Vamos faltar! Matt não pode ficar sozinho e-
– Beyond... – Lawliet disse em um tom mais reprendedor e o garoto bufou resignado. O mais velho revirou os olhos, sorrindo de leve pela teimosia do irmão.
– Certo! Vou parar se não Lawliet ficara me dando sermões. – revirou os olhos. – Agora vai lá, logo alguém vai estar te esperando. – sorriu e Mihael retribui levemente corado. Despediram-se novamente e foram para seus respectivos quartos. Mihael entrou e viu o ruivo deitado e desacordado, mas com uma expressão pacífica no rosto. Suspirou e procurou por uma roupa, uma vez que a sua estava suja de sangue e que ele tomaria outro banho. Fez questão de não demorar muito e logo saiu, colocando-se pacientemente ao lado do melhor amigo, sentando-se em uma cadeira. Pegou sua mão e a acariciou de leve, respirando fundo enquanto fitava o rosto que tanto amava.
...
Passado algumas horas, quase à meia noite, Mihael sentiu um palpitar no coração ao ouvir algo vindo do ruivo. Arregalou os olhos azuis envernizados e não conteve um sorriso ao vê-lo murmurar algo, apertando sua mão. O loiro tentou conter a ansiedade, apenas observando Mail que depois de um tempo entreabriu os lábios.
– Mello... – Ele sussurrou, os olhos levemente abertos. A respiração de Mihael de súbito parou, assim como seus batimentos, mas ele sorriu, suspirando aliviado, com os olhos marejados. Apertou mais a mão do garoto, com carinho. – Mello... Eu...
– Shh... Não se preocupe... Já passou, eu estou aqui com você ainda... E sempre vou estar, não se esqueça disso... – No mesmo segundo, o sino soou alto, indicando o fim daquele dia e o início de 1º de fevereiro; O sorriso do loiro tornou-se ainda mais terno. – Feliz aniversário, Matt.
¹ Pode não fazer sentido algum, mas resolvi colocar a Misa com alguem e pelo fato das poucas opções o escolhido foi o Mikami.
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