Yuiitsu No Reigai

17 Capítulo 17 - Kako


Notas iniciais
Yooo Minna~
FÉRIAS, MEUS HOBBITS, FÉRIAS!
...ahenm *pigarreia*
Boa Tarde, Young Ladies(and gentleman, caso o Shizuke-kun ainda leia) Recuperadas do ultimo capítulo? Sonharam com a Jessie? MUAHAHAHAH -q *BR1NK5*
Como combinado, o post sairia sexta. E é sobre o Near, sim :/ Deixem o albino com um espacinho na fic T_T E se apaixonem pelo primo dele x3(Caso vocês gostem do BB daqui é bem provável)
Enfim, "****" indica o passado.
O tanoshimi e até as notas finais -q o/

Capítulo 17

Kako

過去



Algumas semanas já haviam se passado desde o incidente pelo qual os garotos passaram em seu primeiro dia de férias; Já estavam recuperados do choque, mas permaneciam hesitantes ao que resolviam passear pela cidade ou quando, como prometido, voltavam ao campo cuja calmaria era contagiante. Watari deu-lhes as histórias sobre a residência dos Gates como havia prometido e eles passavam horas supondo casos ocorridos ali, tentando desvendar os segredos do lugar assombrado. A despeito de tudo, a inquietação de Beyond parecia não cessar, apesar de não envolver os mistérios da casa e sim de seu colega de quarto e amigo; Tantos anos e a quietude de Nate nunca lhe deixara saber sobre as histórias de seu passado.

O albino empilhava algumas cartas no chão do quarto e o moreno observava, vez ou outra pegando um punhado de cartas e tentando equilibra-los. Respirou fundo, a mente absorta em como devia iniciar o assunto. Decidiu por um que lhe deixara em profunda dúvida.

– Near... – Disse em tom baixo e o menor apenas assentiu. – Por que... Por que você hesitou quando sugerimos o passeio aquele dia?

A palidez acentuou-se no rosto do garoto, embora não fosse visível.

– P-Porque eu não gosto muito de passeios... – o garoto mentiu.

– Não foi por isso. – o moreno argumentou sério. Todos aqueles anos não foram em vão, principalmente quando neles Beyond analisou meticulosamente cada expressão no rosto do garoto. – Por favor, Near... 11 anos e você nunca revelou nada sobre sua história. Olhe, eu entendo perfeitamente se for incomodo para você dizer; É como a situação do Matt, ele não sabe onde achar forças para comentar do passado dele, embora tenha o feito... Mas apenas responda, por favor. Tem a ver com seu passado, não?

Os dois se encaravam; Os olhos azuis tensos e os orbes vermelhos imploravam. O mais novo mordeu o lábios inferior com força, como de praxe, e suspirou; Ele não se sentia bem em ver que o moreno presumia que não era confiável aos olhos de Near, e mantê-lo com esse falso pensamento parecia horrível. Ele confiava em Beyond, mas tinha medo de voltar em suas memórias amargas. Respirou fundo e afastou as cartas com a mão tremula; As imagens já invadiam sua mente.

– Eu tinha 3 anos quando minha mãe se casou novamente, um ano após a morte do meu pai e o divórcio dos dois. A morte dele até hoje nunca foi desvendada, suponho, pois nunca foi de interesse da família com exceção minha e do meu primo Mark...

“Quando minha mãe chegou em casa, tarde da noite, eu estava acordado, ouvindo algo que Mark me contava; Ele era 5 anos mais velho que eu e não nos considerávamos primos, e sim irmãos, pois Mark morava em minha casa e cuidava de mim desde que nasci. Minha mãe nunca foi cuidadosa com crianças e aceitou acolher Mark após a morte da irmã pois sabia de alguma forma que ele cuidaria de mim, não importava as circunstâncias. Meu pai era diferente, Mark dizia que ele o tratava como um filho e que não via a hora de eu nascer, mas que isso não lhe foi concebido por sua morte e o divórcio. Enfim, quando ela chegou aquela noite, fomos até a janela, que era ao lado da cama de Mark, e notamos que não estava sozinha e sim com um outro homem...”

****

Near e Mark se encararam confusos, embora este ultimo tivesse nós olhos um brilho rancoroso.

– Quem é, Markie? – o mais novo perguntou num sussurro, limpando o vidro embaçado pela chuva forte que fazia com a manga da blusa.

– Não sei, Near... Mas acho que não é uma coisa boa... – o garoto de olhos verdes azulados e cabelos castanhos respondeu sério. De súbito, pulou da cama e foi até o armário, pegando o robe xadrez que repousava sobre um dos cabides. Pegou um menor que estava próximo ao seu e fechou a porta de madeira, caminhando até o primo confuso que ainda se sentava na cama, de joelhos.

– Está com sono? – Perguntou com calma e o menor negou com a cabeça, os olhos azuis se arregalando ao ver o robe nas mãos do primo, que já vestia o seu. Nate saiu da cama apressado e com ajuda do primo vestiu o seu roupão. Decidiram não colocar suas pantufas para terem certeza de que não seriam percebidos. O mais velho puxou a mão do mais novo e com a mão livre pegou uma espécie de suporte onde uma vela acesa iluminava o quarto, sobre o pequeno gaveteiro entre a cama dos garotos, e caminharam até a porta. Girou a maçaneta dourada com cuidado e suspirou ao que está não rangeu. Ajoelhou-se para ficar na altura do primo e sorriu, ambos os olhos cintilantes e ansiando por uma aventura. – Então vamos brincar de detetives...!

...

Saíram do quarto silenciosamente, e depararam com o extenso e escuro corredor da bela casa, deserto. Foram até a parede ao lado da mureta da escada de mármore e se encostaram o máximo que podiam a essa, uma vez que a vela iluminava o caminho que deviam seguir. Ouviram a porta do andar de baixo se abrir e algumas risadas, uma voz feminina e uma masculina.

– Então você mora nesse casarão sozinha? – O homem que os garotos viram pela janela perguntou, a voz grossa e estranhamente malfazeja e maliciosa. A mulher riu e os garotos ouviam atentamente.

– Ah, não, meu filho e meu sobrinho moram aqui também... – Havia um tom desgostoso na voz da mulher que faz Nate morder o lábio inferior, com uma pontada no peito. – Mas, sim, praticamente sozinha...

– Não por muito tempo. – O homem riu e assim fez a mulher. Antes que Nate, com os olhos arregalados, exclamasse algo, Mark tampou a boca do garoto. O brilho de rancor nos olhos do mais velho era mais intenso. Quando lhe destampou a boca, o puxou pela mão novamente e caminhou até o quarto. Fechou a porta com calma, embora estivesse estressado, e se jogou em sua cama. Nate apenas observava, taciturno. Caminhou até o primo e, devido à baixa estatura, se esforçou para alcançar a cama, mas conseguira. Sentou-se ao lado do garoto que tinha os olhos fechados.

– Ele vai ser nosso novo... Pai? – O menor perguntou inocente, mordendo o lábio compulsivamente. Sentiu o gosto de sangue pouco tempo depois, mas sequer ligara para o lábio alvo levemente sujo de vermelho.

– Meu verdadeiro pai foi aquele que morreu há alguns anos, o seu verdadeiro pai, o nosso.

– Eu sei... Mas se minha mãe quer assim...

– Não somos obrigados a aceitar, Near. – o mais velho levantou o tronco, se sentando. – Eu não gostei desse homem e você também não. Então é só... Ignorar! – Ele sussurrava. Sorriu para o menor, que estava confuso e um tanto quando desolado. Segurou com força a mão deste. – Olhe, não se preocupe. Não vai mudar, continuaremos a ser primos-irmãos, com esse homem ou não. Só que agora ele será como um... Membro da família – Para a sua mãe, claro.

– Você jura? – o menor perguntou, tenso. Não recebia amor algum da parte da mãe, perdeu o pai pouco depois de nascer e só tinha o primo como protetor; Era fato que no tom de voz do homem a maldade de seu ser já era transparente, e o pensamento de ter que lidar com ele sozinho o deixava aflito. O de olhos verdes azulados sorriu gentil.

– Juro, maninho. – Levou a mão até o topo da cabeça do primo e lhe bagunçou os fios brancos. Em seguida o menor bocejou e coçou os olhos. O mais velho apenas observava e viu que aos poucos o primo adormecia. Deixou que ficasse em sua cama e assim puxou as cobertas para cima do garoto. Soprou a vela e logo acabou navegando em seus sonhos e planos para com as mudanças que viriam.


Acordaram cedo naquela manhã de outono de uma forma nada agradável. A mulher entrou no quarto, os fios castanho-claros impecáveis.

– Vistam-se direito, garotos. Temos visita... E é melhor que se comportem.

– Sim, Senhora. – Responderam em uníssono, sonolentos. Mark foi o primeiro a sair da cama. Pegou uma calça que ia um pouco além dos joelhos, uma camisa branca e um sobretudo negro; Pegou vestes parecidas para Nate, havendo uma diferença apenas na calça e nos tamanhos.

Passado algum tempo, já estavam vestidos e limpos, arrumados de acordo com o que achavam necessário para agradar uma visita. Deixaram os quartos ajeitados, mesmo sabendo que a camareira da casa logo o faria; Eles não se viam como a maioria das pessoas daquela classe social fazia, como se a única função que lhes cabia era menosprezar as demais pessoas ao redor e se gabar pela fortuna. Steve ajeitou o colarinho da camisa e Nate o imitou, pondo em seu rosto uma expressão séria, prendendo o ar. O mais velho riu, meneando negativamente a cabeça.

– Não precisa fazer isso, Near. – O menor, depois de um tempo, soltou o ar e sacudiu a cabeça, em seguida assentiu. – Vamos.

Abriram a porta e depararam com uma das empregadas ajeitando os quadros do corredor. A moça bela sorriu para os garotos.

– Bom dia, Jovens Senhor Scott e Senhor River.

– Bom Dia, Marie... – Os garotos disseram em uníssono, olhando- a entediados; Já haviam dito que era desnecessário o uso do “Jovens Senhores” antes de seus nomes; Não se viam com tal importância para recebê-lo. Ela riu, sem jeito.

– Me desculpem, não consigo me acostumar.

– Tudo bem, Senhorita Marienne Starkey... – Mark sorriu e Nate riu baixo. A mulher lhes mostrou a língua, rindo. Logo arregalou os olhos.

– Acho melhor descerem, a visita está esperando.

Os garotos suspiraram e reviraram os olhos. Marienne franziu o cenho.

– Já o viram? É um homem muito bonito, mas há algo de estranho nele...

– Infelizmente já, ontem de noite... – Steve revelou à mulher, que abriu a boca surpresa.

– Vocês não deviam ter... Ahm, certo, eu entendo vocês. Provavelmente acharam o mesmo que eu, não? – Os garotos assentiram e a mulher suspirou. – Que bom, tenho provas de que não estou enlouquecendo...

– Nate e Steve, estão prontos, queridos? – A mulher falou docemente ao pé da escada, com falsa calmaria. Marienne, Mark e Nate reviraram os olhos e seguraram o riso. A mulher os empurrou de leve, antes ajeitando o sobretudo de ambos com cuidado. Sibilou para agirem normalmente e eles assentiram. Foram em direção à escada, onde a mulher aguardava com os olhos flamejantes. Apontou para ambos, o olhar reprendedor e eles assentiram, Steve fingindo intimidação. Respirou fundo e fingiu um sorriso enquanto caminhava em direção à cozinha. Chegaram e o homem, até então sentado em uma das cadeiras em volta da mesa, depositou a xícara de porcelana fina de chá no pires e se levantou, sorrindo falsamente amável. Os garotos, com as mãos nas costas, se inclinaram para cumprimentá-lo educadamente, mas sérios.

– Jason, estes são Nate, meu filho, e Mark, meu sobrinho. – A mulher os apresentou.

– Markey Scott. Prazer em conhecê-lo, senhor. – Mark, que era mais velho e mais meticuloso para com as palavras, se autoapresentou, embora não lhe agradava a suposta ideia do que aquele homem viria a se tornar para a família, muito menos a maldade em seus olhos. Nate, tímido e envergonhado, demorou um pouco para se apresentar.

– N-Nate River, senhor. – prendeu o ar, como fizera há pouco.

– Belas crianças, Nathalie. – Sou Jason Stump. – Sorriu para os garotos.

– Ah, sim, eles são adoráveis, não? – Nathalie, falsamente, apertou o ombro do filho e do sobrinho, sorrindo para o homem.

– Meu filho adorará brincar com vocês...! – Nos olhos do homem o brilho malicioso se fortificara.

– Ele está aqui hoje? – Mark questionou.

– Sim, espere um minuto. – Lucca! Os garotos estão lhe esperando!

Nate olhou tenso para Mark, que segurou sua mão, incerto sobre o garoto que logo entrou na cozinha. Os cabelos cor de fogo, assim como o tom de seus olhos, que possuíam o mesmo brilho carregado de maldade do pai. A pele era macilenta e ele era magro e alto, com um roxo abaixo do olho esquerdo. Sorriu desgostoso para os garotos e os chamou com a mão. Assentiram, ao que o garoto já voltava para onde estava. A mulher e o homem sorriram falsamente ao que eles se afastavam.

Antes de seguirem para o grande jardim da residência, onde o garoto estava, Mark parou no hall de entrada e se ajoelhou, ficando na altura de Nate.

– Não saia de perto de mim, certo? – O albino assentiu. Mark se levantou, levando Near consigo até o jardim onde o garoto se encontrava sentado na grama, despetalando uma rosa. Quando notou os meninos se levantou, os olhando com desprezo.

– Então vocês são meus novos irmãozinhos, Mark Scott e Nate River? Pff...

– Não no nosso ponto de vista. – Mark rebateu, encarando o garoto com desprezo semelhante.

– Ah, então você é o “corajoso”? É, já era de imaginar, esse aí parece ser um fraco... – apontou com a cabeça para Nate. Mark respirou fundo, tentando se conter.

– Nate não é você para ser chamado de fraco. – o mais velho soltou a mão do albino, que tinha os olhos arregalados, se aproximando do outro. Os primos tinham muito em comum, mas uma diferença na personalidade era notavelmente extrema: Mark, ao contrário de Nate, não era nada calmo.

– Haha... Sabe esse roxo no meu olho? Ganhei em uma briga faz uma semana. O garoto era um dos mais fortes da escola, mas não tanto quanto eu. – E nisso, ele puxou um pano do bolso do casaco. O pano possuía apenas alguns pedaços brancos, sendo que o resto era vermelho. – Ele ficou 5 minutos com esse pano nas costas, onde o corte que fiz era fundo. Mas havia outros, então ele desmaiou e não saiu do hospital ainda. E, vejam que divertido, eu que alertei aos outros que ele estava machucado! Sou tão gentil!

– Você é falso, não gentil. E ainda assim é fraco. – Mark disse indiferente.

– Ah, sou fraco? – E puxou do bolso da calça uma faca afiada. – Que tal eu demonstrar minha fraqueza? — Girou a faca nos dedos, mas esta caiu de suas mãos quando Mark o empurrou com força.

– Pare de perder tempo sendo idiota, Senhor Stump. Você não me intimida. – Disse simplista e virou as costas para o garoto, voltando a segurar a mão de Nate. – Vamos subir, é mais divertido ficar ajudando a Mary.

– Idiota? Eu? Haha, certo, Scott, mas saiba que quem está sendo idiota aqui é você. Se algo acontecer, não adianta chorar e implorar por perdão.

– Procure outra pessoa para assistir seu teatrinho, não estamos com a mínima vontade. – Mark rebateu e entrou na casa, ignorando o garoto que continuava a falar. Subiram as escadas e foram até seu quarto, batendo a porta com força. Nate subiu em sua própria cama e pegou seu robô de brinquedo – cujo dono antigamente era Mark –, dando espaço para o primo sentar na cama.

– Não acredito que vamos ter que aguentar esse garoto, Near! – O albino assentiu, quieto.

– Markie... Não brigue com ele...

– O que? Mas, por- Ah... Você tem medo de que ele me machuque, não? – Perguntou e o menor assentiu. Mark sorriu e puxou o primo pelo ombro. – Fique tranquilo, ele não vai machucar nenhum de nós.

...


Quase um ano havia se passado desde o nada agradável encontro com os novos membros da família. Faltava um dia para o aniversário de 4 anos de Nate. O garoto estava ansioso, assim como o primo. O clima estava aconchegante naquele dia, sem deixar indícios da forte e taciturna chuva que viria dali algumas horas. Os dois estavam correndo pelo grande terreno onde moravam; A mansão já estava longe deles, que se aproximavam de uma área semelhante a uma floresta. Sem hesitar, eles sorriram e entraram nesta, mal sabendo dos perigos que corriam. As árvores sussurravam à brisa leve.

– Nosso tempo está acabando...! Temos que encontrar o tesouro antes que o mundo seja destruído! – Mark instigava as brincadeiras, criando histórias. Eles procuravam algo, mesmo sabendo que seria à esmo, quando ouviram um forte balançar das folhas atrás de uma árvore, seguido de uma risada baixa. Em seguida o som de passos. O mais velho ficou sério repentinamente, mas um brilho de raiva passou em seus olhos. Bufou, resignado. – Não aguento mais esse garoto insuportável! Nate, fique aqui. – Levou o garoto até uma árvore cheia e bem escondida das demais; o coração do albino palpitou, temeroso. – Não. Saia. Daqui. Eu já venho. – o garoto objetaria, mas o primo saiu em disparada, procurando por Lucca.

Passado alguns longos minutos, Nate ouviu ao longe um grito que não conseguiu identificar de quem seria, tamanha era sua tensão. Arregalou os olhos e embora hesitasse, lembrando do pedido de Mark para que não saísse do local em que se encontrava, tomado pelo pânico de algo ter acontecido ao primo, Nate respirou fundo e correu, procurando-o e cometendo um grave erro.


Mark correu, um corte em sua testa proveniente do incidente de ter batido nos galhos de uma árvore primavera. Ele ansiava o fato de onde viera o grito e o de Nate permanecer onde devia; Uma vez que não encontrara Lucca, era mais provável o fato dele ter sido mais rápido e feito o que Markey mais temia: Encontrar Near. Apressou o passo e ofegante, chegou até o lugar em que Nate devia estar, arregalando os olhos ao não encontrá-lo ali. Não pensou duas vezes em voltar a correr, procurando pelo garoto.

Mas sua decisão foi tomada tarde demais, e não havia mais solução.


Nate corria, perdido entre as árvores, desesperado e preocupado com o primo, ao que ouviu um grito de dor que conseguiu identificar; Seu coração parou e ele sequer sentiu o cheiro de queimado que vinha do leste, onde estava a mansão.

– Mark! – Seguindo o grito, ele correu o máximo que podia, um corte nas mãos pequenas também provocado pelos galhos de uma primavera. Sua visão estava embaçada e uma pontada forte parecia lhe furar o peito. As pernas não aguentavam mais quando ele enfim chegara onde devia ter permanecido. E, embora o fato de encontrar o primo devesse lhe aliviar a dor, ele nunca se sentira tão dolorido com o que viu. Estirado no chão, ao lado da árvore, Mark tinha os olhos semiabertos, o rosto com manchas vermelhas e roxas; O sangue do machucado na testa se misturava ao de cortes fundos do rosto. Em seu pescoço um corte fundo e fincado na lateral das costas uma faca de cabo marrom desbotado, conhecida. O menor correu em direção ao primo, se ajoelhando ao lado deste. O mais velho, surpreso ao vê-lo, a despeito da dor, sorriu.

– Near... Que bom que... não me ouviu. Stump te pegaria se ficasse aqui... Agora... É sua vez de terminar a aventura... Tente achar Mary... – A voz era fraca e falha, rouca e dolorida. Ele deu um ultimo suspiro e do canto de seus lábios que sorriam um filete vermelho começava a escorregar. – Obrigado, maninho.

– Não... Mark, não... – Nate tinha voz alguma quando lentamente o primo-irmão fechou os olhos lentamente, se entregando aos últimos segundos restantes. Nate fungou e mordeu o lábio inferior com força antes de abraçar o primo, com os olhos marejados. Tirou a faca fincada da lateral e a jogou longe, com as mãos trêmulas e o rosto molhado pelas lágrimas; Suas vestes brancas sujas de vermelho. Limpou o rosto e engoliu em seco, sentindo-se culpado; Se não tivesse desobedecido Mark, não teria se perdido e consequentemente evitaria a morte do mais velho. Limpou o rosto, soluçando, e só então sentiu o cheiro de queimado; Olhou para o céu, que se tingia de cinza ao que um estrondo foi ouvido. Havia fumaça do lado leste e uma nova pontada surgiu em seu peito, mas de fúria. Olhou para o primo uma ultima vez. – Obrigado, Mark. – Sua voz ainda falha soou rancorosa consigo mesmo; Os olhos azuis, sempre brilhantes, agora eram foscos. As gotas da chuva taciturna lhe atingiam a pele como lanças ao que caiam com força. Ele respirou fundo e correu o máximo que pode, tentando escapar da floresta, ainda em choque. Novamente estava perdido, até que ouvira uma voz lhe chamando, ao longe. Era Mary. Ele suspirou aliviado, sequer ligando para os outros ferimentos que ganhara na corrida. Marienne chamou novamente e ele agora pode tentar seguir sua voz, e assim o fez, finalmente achando-a com os olhos vermelhos e uma expressão aflita; Segurava uma mala. Ao ver Nate, correu cambaleando em sua direção e o abraçou, um carinho materno que o albino nunca recebera da própria mãe envolvendo-lhe. Retribui, fechando os olhos com força.

– Mary...

– Temos que ser rápidos, ou nos acharão. – Ela sussurrou, envolvendo Nate em seus braços, ele ainda a abraçando. Logo saiu correndo, já sabendo o caminho de volta, e deparando com a casa em chamas. Sorrateiramente, conseguiu escapar da vista dos Stump, que fitavam a desgraça com um sorriso vitorioso. Sentiu uma forte pontada no peito ao que, felizmente, conseguira sair do terreno. Estava cansada, ofegante, e suas pernas estavam trêmulas. A chuva não tendia em parar tão cedo. Mas ela não podia desistir, tinha uma vida para salvar...


****


– Naquele dia, uma senhora nos acolheu, logo que chegamos à cidade. Ela me contou que os Stump incendiaram a casa, antes pegando todo o dinheiro que tínhamos guardado. E-Eu tentei contar o que aconteceu com Mark, mas não conseguia direito... Então Mary me trouxe para cá, no meu aniversário, pois ela não tinha como cuidar de mim; Mas já tinha feito o suficiente... Se lembra que eu estava extremamente assustado na hora eu que não conseguíamos escapar do corredor? – Beyond assentiu — Aquele dia eu estava com medo de ir, pois achei que podíamos nos perder... Eu podia me perder... E só de pensar que vocês podiam... ter o mesmo destino que Mark... – Ele engoliu em seco, mordendo com força o lábio inferior, tentando afastar as lágrimas que marejavam seus olhos. – A morte de Mark foi minha culpa...

– Não, não, Near, não foi! – Beyond segurou a mão do garoto com força.

– F-Foi, Beyond... Se eu não tivesse ido procurá-lo...

– Não! Você fez isso por medo, medo de algo ter acontecido a ele. De uma forma ou outra aquele tal de Lucca já havia planejado tudo. O que você fez não foi “matá-lo”, e sim se preocupar com a vida dele; Assim como ele se preocupou com a sua. – Os orbes vermelhos estavam fixos nos azuis marejados; Beyond sentia o coração dilacerado, vendo toda mágoa contida naqueles orbes que amava tanto. Não suportava ver quem amava daquela forma.

Não hesitou um segundo a mais. Puxou o menor para um abraço forte e consolador, e o mesmo, já não suportando, retribui, trêmulo embora com força.

E Nate sentiu, naquele abraço, o amor que há tanto precisou; Sentiu o quando desejava estar ao lado daquele que, embora o fizesse naturalmente, lhe protegia de tudo que lhes assombrava.

E naquele abraço Beyond viu o quanto amava o garoto envolto em seus braços; O quanto necessitava tê-lo consigo e protegê-lo.

E ambos então notaram, por fim, que necessitavam apenas um do outro, e daquilo que os uniu, desde a primeira troca de olhares: O amor.



*** Caso alguem se interesse em saber como era a aparência do Mark, mais ou menos: https://lh4.googleusercontent.com/-0SdYxYLSIug/T-4QD8-avDI/AAAAAAAADjU/Wt75wCwxMu4/s526/Mark1.jpg



Notas finais
Me disseram que você estava chorando, e foi então que percebi como lhe quero tanto..." *Reira-chan se casando comigo, mas me matando por citar Legião em um capítulo sobre o Near*
MAS COMBINA TANTO COM O BEYOND ISSO! T_T -Q
Enfim, o desenho foi feito por mim ^^ E sim, eu me inspirei um pouco no Luka(Não relacionem com o Lucca) Macken(McCain, tanto faz) (KAWAAAAAAAAAAAAAII), irmão de um dos personagens mais machos de Kuro, Earl Trancy (OLEE~) -q
E AGORA O QUE AS SENHORITAS TANTO ESPERARAM... (Não é o beijo, há) A VOLTA DOS BULLIES! Sexta que vem, preparem seus coraçõezinhos e comprem meu caixão (QUE BOM QUE O ANIME FRIENDS É UM DIA ANTES DA MINHA MORTE! *dança* Alguém ai vai, btw?) ^^
OLHA A INSANIDADE, IEROWAAY!
Beeeem, é isso! Desculpem-me pelos possíveis erros e pela loucura acima(estou feliz hoje, sei lá porque).