Yuiitsu No Reigai
7 Capítulo 7 - Shitto
Notas iniciais
Sem atrasos, hell yeah!
Bem, ficou curto. Yep, curto :/ Mas eu, estranhamente, achei fofo e não achei mal feito! Vejam só, que milagre!
Começo narrado pelo nosso gamer :3
Shitto = Ciúme. hihihi
Enfim, Boa leitura, obrigada pelos reviews e obrigada por deixar de ser fantasma, Marii-chan. Vejo que ganhei leitores *-* Agora só faltam vocês pararem de fazer cosplay de Boo (gamers gonna entender)! Certo, Iero-chan, pare!
O tanoshimi ♥
Capítulo 7
Shitto
嫉妬
24 de Agosto, 1995.
Já estávamos a pouco mais do meio do ano, tendo apenas dois meses a mais deste. O clima em Winchester, que até então era o verão, já começava a mudar aos poucos, dando os primeiros sinais do Outono que se aproximava. Mas de qualquer forma, o calor permanecia presente.
Mello e eu estávamos em nosso quarto, do qual a janela ao lado da cama do loiro estava aberta, mas a porta permanecia fechada. Estava começando entardecer, o que deixava o clima um pouco mais refrescante, com a ajuda da brisa leve. Mello rabiscava algo em meu caderno enquanto comia uma de suas barras de chocolate, deitado em sua cama, e eu estava sentado no chão de madeira, revirando minhas coisas, das quais estavam dentro de minha mala. Não sabia ao certo o que desejava achar, só sei que eu deveria procurar por algo ali, apenas não me vinha à memória. Quanto quase tudo que eu possuía na mala já estava espalhado por todos os cantos, acabei por achar o que eu estava à procura.
- Finalmente! – Sussurrei pra mim mesmo, tirando outra bolsa de dentro da mala. Eu nunca havia visto o que havia dentro daquela tal bolsa, só lembro-me de ver minha mãe uma vez guardando algumas coisas ali e de minha avó jogando-a dentro da mala quando me expulsou de casa. Seu tamanho era médio, o que dava a entender que não haveria pouca coisa ali, já que estava um tanto quanto pesada. Coloquei-a ao meu lado e comecei a guardar o que eu havia espalhado; Por sorte não eram roupas, e sim alguns cadernos e folhas em branco ou desenhadas, o resto estava espalhado pelo quarto ou perto de minha cama, pois usava-os mais. Deixei meu game boy fora da mala, afinal jogaria mais tarde, e só notei depois que o loiro me fitava. Sorri tímido, sentindo uma leve queimação nas bochechas e ele despertou de seus devaneios, as bochechas se avermelhando.
- O que estava procurando tanto? – Questionou, querendo fugir de um possível questionamento que eu faria sobre o que ele tanto pensa. Terminei de guardar o que faltava, peguei meu game boy, a bolsa e algumas folhas, junto de alguns lápis e subi na cama onde o loiro estava deitado, pulando suas pernas e encostando as costas na parede – felizmente – fria do quarto. Mello se sentou como eu sobre a cama, deixando o chocolate de lado e com as pernas cruzadas, logo viramos um de frente para o outro, com uma pequena distância devido a bolsa entre nós.
- Isso. Eu sabia que tinha essa bolsa, mas nunca havia procurado saber o que tem dentro. – Falei e ele assentiu. Não demorou muito e eu já estava abrindo-a. Virei à bolsa de ponta-cabeça, e joguei o que havia lá dentro sobre a cama. Quanta coisa... !
- Nossa! – dissemos em uníssono. Ri baixo devido isso. Começamos a mexer em tudo ali; Havia mais coisas para desenhos, alguns brinquedos colecionáveis, e até mesmo alguns cartuchos de jogos. Mello achara no meio daquilo algo que me chamou atenção, e notei que o que eu havia encontrado chamou a sua. Ele segurava um goggles, de lentes laranja e armação marrom-escura, quase negra. Eu achara um crucifixo, onde a “corrente” era composta por pequenas bolas na cor vermelho-sangue e a cruz era preta. Deixei o crucifixo ao meu lado e guardei as coisas de volta na bolsa rapidamente, deixando apenas os cartuchos de jogo. Coloquei a bolsa no chão e me aproximei de Mello, deixando nossos joelhos juntos devido a proximidade. Senti novamente uma leve queimação nas bochechas; Realmente, eu não sabia direito o porquê de eu sempre reagir assim quando estou com ele, quando estamos próximos de mais, ou em qualquer outra situação, em que eu não consigo tirar aquele famoso sorriso bobo dos lábios, mas eu não queria que aquilo mudasse. Eu gostava, Mello parecia gostar também. Era uma sensação tão boa...
Levantei o olhar para o loiro de bochechas avermelhadas e peguei o crucifixo com as duas mãos. Levei até seu pescoço e o pus ali.
- Fica mais legal em você. – Sorri, bagunçando de leve seus cabelos. Ele riu baixo, ainda mais corado, porém com um brilho nos belos e hipnotizantes orbes azuis. Pegou os goggles, colocando-o em mim cuidadosamente, mas não tampando meus olhos, e sim sobre a cabeça. Eram um tanto quarto grandes para mim, assim como o crucifixo era para ele, mas não ligamos; Pelo menos teríamos aquilo por um bom tempo.
- Não me imaginaria usando isso; É bem mais Mail Jeevas... – falou sério, mas com um pequeno sorriso no canto dos lábios bem feitos. – E deixe assim. Seus olhos são muito bonitos para ficarem tampados. – Falou sério, desviando dos meus olhos que brilhavam e se virando para a janela. Senti as bochechas estalarem e não contive o sorriso novamente. Respirei fundo e fiz como ele, voltando o olhar para a janela. Ficamos em silêncio, aquele silêncio confortável que ambos entendíamos perfeitamente. Abracei-o pelo ombro, rindo baixo e ele riu também, suspirando. Desviei o olhar dos jardins para a embalagem de chocolate do loiro, vendo que está estava vazia.
- Quer que eu pegue chocolate lá em baixo, Mells? Eu vou descer para pegar um doce também. – Falei, me ajoelhando na cama.
- Se não se import-
- Certo! Já venho. – Pulei da cama, ouvindo a risada baixa de Mello. Corri até a porta e a abri, em seguida fechando e descendo as escadas.
*POV Mello*
Matt já estava demorando um pouco desde que descera, mas tentei deixar esse fato de lado. Segurei o crucifixo pendurado em meu pescoço e sorri, fitando o sol que começava a se pôr. Aquilo era como um presente meu para ele, ou vice-versa. Seria mais uma memória que eu não apagaria por nada da minha mente, pois também não ousaria tirar aquele crucifixo de meu pescoço e aposto que Matt sempre seria visto com os goggles. Ouvi um barulho na porta, logo ela se abriu e Matt apareceu segurando a mão de outra criança, da qual parecia bem mais nova que nós dois.
- Mello! – Ele sorria e eu o fitei confuso, descendo da cama e me aproximando. – Esse é Nate, Nate River. – Se ajoelhou, ainda segurando a mão do garoto. Pelo fato de sermos até que altos para nossa idade, ajoelhado Matt ficava de seu tamanho. Depois de ajoelhado, ele se sentou no chão de pernas cruzadas e fiz o mesmo, logo o outro garoto, um pouco incerto. De certa forma, eu sentia algo estranho devido essa proximidade tão... Extrema e repentina de Matt com o tal de Nate, que me assustava um pouco. Ele era completamente branco. Sim, branco. Cabelos brancos e curtos, um pouco cacheados, vestes brancas, meias brancas, sapatos brancos e a pele era extremamente alva. A única coisa não branca eram os olhos, azul-escuro. Ele segurava um robô de brinquedo em uma das mãos, a outra era segurada por Matt...
- Nate chegou aqui hoje. É aniversário dele também, 4 anos! Watari pediu para que nós dois ajudássemos ele por enquanto, já que ele está ocupado.
- Ajudar? Como? – Questionei.
- Ajudando, oras. Mostrando a Wammy’s House, o apresentando aos nossos amigos... Cuidaremos dele.
- Cuidar...?
- Sim! Hum... As meninas não brincam como se uma das outras fosse filha delas? – Perguntou e eu assenti. – Então. É isso! Nate será como o nosso... Filho! – Riu e eu senti as bochechas esquentarem, mas logo ri baixo.
- Só você para ter essas ideias... – Falei, mas logo ele se levantou, me puxando junto dele e Natee saindo do quarto. Parou em frente ao quarto de Lawliet e Raito, batendo algumas vezes na porta. Logo a voz de Lawliet foi ouvida, permitindo a entrada e Matt abrira a porta.
- Hey, Matt! – a voz de Beyond foi ouvida, logo entrei e eles acenaram. Estavam os gêmeos e Raito, ambos comiam algum doce. Nate estava atrás de Matt.
- Hey! Olhem, um novo aluno chegou hoje!
- Verdade? – Beyond perguntou interessado. Tenho impressão de que ele está cansando de ficar sozinho naquele quarto.
- Sim! – Matt disse animado. Logo deu espaço para Nate sair de suas costas. – Este é Nate River. É aniversário dele hoje! – Falou. Suspirei; Por um lado, era bom, pois Mail estava feliz, por outro, aquela sensação estranha passava por mim. Encostei-me na porta, cruzando os braços e fitando alguma parte do quarto, mas antes não deixando de notar a expressão de Beyond ao ver o garoto, que eu não sabia dizer qual era, mas me parecia familiar... Nate apenas levantou um pouco o braço, acenando para eles; Lawliet e Yagami retribuindo com um sorriso simpático e Beyond um pouco perdido em devaneios. Esse garoto fala, afinal? – Vamos mostrar a Wammy’s para ele, depois procurar um quarto.
- E-Ele poderia ficar no meu. Eu estou sozinho lá, posso ajudá-lo também. – Falou lentamente e Matt sorriu mais. Eu, Raito e Lawliet nos encaramos, um pouco confusos com a reação do gêmeo dos orbes vermelho-escarlate, mas demos de ombro. – S-Se quiserem, eu mesmo mostro a Wammy’s para ele, queria mesmo dar uma volta por aqui.
Mail arqueou uma das sobrancelhas; Agora ele também estranhara a reação do moreno. Arqueou as duas, encarando-o com um sorriso de lado e riu baixo. Lawliet e Raito tinham a mesma expressão, principalmente o outro gêmeo.
- Claro...! Se Nate não se importar. – Virou para o garoto, o mesmo deu de ombros, ainda mantendo-se inexpressivo, mas ele olhava para Beyond de um jeito... Diferente, também.
- Certo... Então, vamos, N-Nate. – Beyond se levantou e Matt soltou a mão do garoto, logo este e Beyond saíram do quarto.
- Estranho, huh? – Lawliet disse, abrindo mais uma de suas balas. Raito riu baixo, assim como Matt. – Dessa vez, meu irmão não escapa! – Disse vitorioso. Raito balançou negativamente a cabeça e pegou outra bala.
- Já prepare um questionário, Lawliet. – Matt disse rindo e o outro riu da mesma forma. – Vamos voltar pro quarto, até. – Falou acenando e me puxou pela mão, me tirando dos devaneios e fechando a porta. Fomos para nosso quarto e eu permanecia em silêncio. Sentei em minha cama, apoiando so cotovelos no batente da janela e voltando a fitar o pôr do sol, com a cabeça sobre as mãos. Eu amava àquela hora do dia, mas estava fazendo aquilo porque... Por que estou fazendo isso?
— O que houve, hein? – Matt subiu em minha cama, sentando ao meu lado e também se apoiando no batente da janela. Fiquei em silêncio, enquanto ele ainda me fitava. Suspirou. – Não vai me dizer?
- Nada, não houve nada, Mail. – Falei sério.
-Quando não “houve nada”, é porque houve algo, isso é fato. – Falou sério, um pouco impaciente. – Vamos, Mello, diga...
- Eu já disse que não houve nada! Se fosse para você ficar questionando sobre algo que você acha que aconteceu, seria melhor estarmos apresentando a Wammy’s para o tal de Nate! – Falei e... Droga! Mihael Keehl, o idiota que não pensa antes de falar.
- Não acredito... – Depois de um breve silêncio, Mail disse em tom um pouco risonho. – Você está com ciúme do Nate?! – Perguntou. Ciúme. Era exatamente isso. O maldito ciúme que eu, até ai, não conhecia.
- E-Eu?! Por que eu teria? – Menti sentindo as bochechas estalarem, virando para ele, que estava boquiaberto, com os olhos brilhando, as bochechas coradas e a face num misto de incredulidade e divertimento.
- Fale a verdade! – Disse rindo e eu continuei sério. – Mello... – cantarolou, se aproximando mais de mim. – Você. Está. Com. Ciúme! – Disse pausadamente.
- N-Não estou na– Não consegui terminar a frase, logo o ruivo num movimento rápido começara a me fazer cócegas. – P-Pare, Matt! – pedi, entre risos e depois de um tempo ele parou, rindo também. Aos poucos, nossa respiração e batimentos descompassados voltavam ao normal, e nós nos encarávamos. Vi as bochechas do ruivo, extremamente vermelhas, mas ele sorria e parecia não ligar. Só depois que notei que Mail estava sobre mim, pois no meio de suas cócegas, para facilitar, ele sentara sobre meu quadril. Senti as bochechas estalarem, mas deixei isso de lado, sorrindo também. Ele aproximou nossos rostos e foi até meu ouvido.
- Saiba que você é meu único melhor amigo, Mells. Ninguém nunca vai te substituir. – Sussurrou, estendendo o tronco, permitindo-me ver seu rosto bem feito com algumas cicatrizes de cortes passados e alvo, corado e com os olhos verdes tão brilhantes quando estrelas, hipnotizando-me como sempre faziam; Seu sorriso sem dentes, que era único. Os goggles pendurados no pescoço. Saiu de cima de mim, sentando-se na cama e me ajudando a fazer o mesmo. Não havia notado que uma barra de chocolate fechada estava sobre a cama, logo ele a pegou e me entregou, junto de um beijo em minha bochecha já corada. – Nunca se esqueça disso, sim? Vou tomar um banho. – Sorriu, pulando da cama e pegando suas vestes, correndo para o banheiro e me deixando ali, com o tão famoso sorriso bobo nos lábios, passando a mão sobre a bochecha, onde os lábios do ruivo pareciam ainda estar.
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