Yuiitsu No Reigai
10 Capítulo 10 - Ijime
Notas iniciais
Peço-lhes desculpa pelo atraso; Devia postar hoje cedo, mas tive um festa para ir, então não deu :/
Ah sim, me desculpem também pelo temperamento do post anterior. Eu estava realmente chateada com algumas coisas, mas está resolvido agora, eu espero :3
Obrigada, de verdade, à vocês, leitoras, que me incentivam. Reira-chan, Kei-chan e ao chato do James Potter, minha imooto Evellyn. Muito obrigada.
Hai, aqui está o capítulo, longo e com alguns possíveis erros. Nos vemos lá em baixo.
O tanoshimi ♥
Capítulo 10
Ijime
いじめ
Winchester amanheceu sonolenta, com sua costumeira calma e seriedade britânica de todos os dias. O frio, mesmo que estivessem longe do aconchegante inverno – Sim, pois, para os garotos, era a estação cuja chegada era a mais ânsiada-, Era quase tanto quanto na estação propriamente dita, e no céu acinzentado e carregado de nuvens pesadas e escuras denunciava claramente a tempestade que estava por vir.
Sonolento também se encontrava Mail, melhor dizendo, adormecido. Sua respiração era calma e ele mal se movia pelas cobertas pesadas que Mihael muitas vezes colocava sobre si, o ruivo insistindo em dizer, de forma teimosa como uma criança, que não estava e não passaria frio, vendo o resultado poucas horas depois, ao que se encolhia desacordado e tirava um sorriso do loiro, já acostumado com aquela mania. Este já acordara cedo, no horário que sempre o fazia; Uma coisa que o loiro não conseguia evitar era sua pontualidade, que tinha desde a infância. Não admitia atrasos de sua parte, e caso os cometesse, já considerava tudo perdido. Mail era o oposto, achando que horas eram apenas quatro — ou seis números, para aqueles que tinham exatidão até mesmo nessas situações -, agrupados em dois e que podiam atrapalhar ou ajudar em sua vida, não via muita diferença.
O loiro, que já havia tomado seu banho e colocado parte do uniforme que os alunos da Wammy’s, ao finalmente chegarem à primeira dezena de suas idades, deviam de usar, caminhou até a cama do ruivo, sentando na beira desta, próximo à cabeça do garoto e lhe afagou os cabelos, compenetrado na pele alva e que ainda mantinha suas cicatrizes; os fios que, como sempre, tampavam parcialmente os olhos, mas que caiam graciosamente sobre estes; A boca bem desenhada o hipnotizando e a pacificidade de sua expressão, tudo se encaixava perfeitamente aos olhos do loiro, que reagia com devaneios que o deixavam fora de orbita. Agitou a cabeça, afastando seus pensamente e suspirando; Era inevitável, mas tinha de se controlar. Claro que, em sua infância, não sabia o que aquela vontade extrema de ficar ao lado do ruivo significava, muito menos os tão longos pensamentos e contemplações sobre o mesmo e suas infinitas qualidades, dentre tantos outros fatores que agora, com seus 14 confusos anos, sabia muito bem o que era, entendendo tudo por volta dos 12. No começo, ele tentara negar para si. Matt era um irmão, o seu melhor amigo, e considerava completamente errado ver ele além disso. Mas sua mente não aceitava, seu coração rejeitava a insistência petulante contra os sentimentos que sentia, e ele, vendo que já estava perdidamente apaixonado, simplesmente se entregou à verdade, mas não aos seus desejos, cujo principal era contar ao ruivo. Sempre adiava, por mais que Beyond, Raito e L, que desde o princípio sempre suspeitaram dos sentimentos do loiro, o incentivavam; Era difícil, ninguém podia contra-argumentar perante a isso, mas quanto mais adiasse, maior seria sua angustia.
Fechou os olhos, tentando colocar os pensamentos no lugar e abaixou um pouco o rosto, próximo ao de Mail, ainda afagando as madeixas vermelhas.
– Matt... – num sussurro, sua voz saiu tão calma quanto à expressão do ruivo. Este, por sua vez, murmurou algo roucamente, protestando – Acorde, preguiçoso. – Mihael riu, se levantando, e uma breve recordação da voz doce de Mail, em seus ternos cinco anos, veio à mente, fazendo um sorriso nascer nos lábios finos¹. Na verdade, era mais uma memória à recordação ou lembrança. Lembrava-se desde o tom de voz, até o brilho nos olhos do ruivo e o sorriso gentil desenhado nos lábios instigantes. – Vamos, ou irá se atrasar.
– Mells... – Pediu manhoso o ruivo ainda deitado, com a cabeça afundada ao travesseiro que tinha seu agradável aroma que entorpecia Mihael sempre que este o inalava, tateando pelo loiro e o puxando pelo braço, fazendo com que este se aproximasse mais, quase que se deitando. – Vamos faltar hoje... Não quero ir... – Seu tom de voz, num misto de imploração, manha e sono fazia Mihael soltar uma risada baixa, mas que era como música aos ouvidos do ruivo.
– Nada disso. Logo começam as provas, esqueceu? – Falou simplista, se soltando dos braços do ruivo, mas antes bagunçando seus cabelos. Caminhou até sua cama devidamente arrumada, onde o blazer azul-claro, acinzentado, se encontrava devidamente engomado, ao lado da gravata de cor preta. Abotoou a camisa de manga longa que vestia até o pescoço, levantando o colarinho e, depois pegando a gravata, passando-a pelo pescoço, dando o nó que com facilidade aprendera a fazer, logo a ajeitando de modo que não incomodasse e abaixando o colarinho. Pegou o blazer, o vestiu com calma para não amassar e o fechou até seu limite, na altura do peito. Ajeitou os fios loiros com a mão, puxou o crucifixo sempre preso em seu pescoço para fora da camisa e suspirou; Por fim estava arrumado, ao contrário de Matt, que, sentado em sua cama, se perdia em pensamentos longes e pousava, com as bochechas coradas, os olhos no loiro, sem os tirar dele um segundo. Esse loiro me deixa mais insano do que já sou... Contemplava.
Mihael, que até então não notara os olhos que o devoravam, virou-se para o ruivo, que, com rapidez, despertou dos pensamentos e desviou o olhar, com as bochechas tão quentes quanto àquele quarto, naquele momento. Coçou a nuca, num gesto sem jeito, e Mihael sentiu uma aceleração no peito, um esquentar de bochechas e um inevitável sorriso pequeno nos lábios. Riu baixo.
– E, você sabe, é tedioso passar a aula sem certo ruivo mexendo nos seus cabelos ou falando besteiras aleatórias, te fazendo rir... – Falou com um olhar sugestivo, e a “indireta direta”, como sempre, teve eficácia instantânea no ruivo com bochechas ainda mais quentes, mas que bufou resignado, tirando os cobertores de cima de si e indo em direção ao armário, pegando dali a primeira peça de uniforme que viu – a calça azul-marinho – e uma boxer de sua gaveta. Mihael riu e o ruivo, após colocar suas roupas sobre a pia de mármore do banheiro de tamanho razoavelmente grande, apareceu na porta.
– Você vai me pagar por isso... – Disse ameaçador.
– Te pagar por não estar te deixando repetir o ano e, consequentemente, se afastar de mim? – Disse com um pequeno sorriso nos lábios ao que, enquanto arrumava a cama do ruivo, virou a cabeça para este, que corou fortemente, mas sentiu uma pontada no peito. Então, Mihael fazia tudo isso para que não ficassem longe um do outro... ? Abaixou a cabeça, desapontado consigo mesmo, como de costume. Murmurou um “Me Desculpe” e o loiro apenas negou com a cabeça, se aproximando do ruivo com seu sorriso sincero. Segurou seu queixo, levantando o rosto do ruivo, fazendo os olhares se cruzarem e as tonalidades se misturarem novamente, formando aquela obra de arte, quase que surreal. As bochechas coradas do ruivo o tornava ainda mais adorável, com seus olhos brilhantes.
– Não tem que se desculpar. Você sempre foi meio bobinho e lento pra raciocinar as coisas... – Mentiu de forma que provocasse o ruivo, que incrédulo o encarou.
– O-O que!? – Falou exasperado e o loiro riu, mesmo que o outro lhe dera um soco, não tão leve, no braço.
– Estou brincando, ruivo. Você está entre os alunos mais inteligentes de toda a Wammy’s! – sorriu. De fato, era um dos mais inteligentes do internato, acompanhado de seus outros amigos. – Mas nada contradiz ao que eu falei, há um pouco de verdade. – Disse, sorrindo de forma sádica. O ruivo novamente lhe deu um soco no braço, porém mais leve que o outro, e rindo. – Agora vá logo, antes que nos atrasemos! – cutucou uma das laterais de Mail, lhe causando cócegas e logo voltara para arrumar a cama; Mail entrando no banheiro, rindo e logo que tirou suas vestes, sentia as gotas quentes em contato com sua pele.
***
Mihael estava sentado em sua cama quando Mail saiu do banheiro, apenas com a calça social azul-marinho, a toalha em suas mãos, secando os fios ruivos de forma despreocupada. O peito desnudo, onde haviam cicatrizes da infância que o tempo não tiraria, causou uma tonalidade forte de vermelho nas bochechas do loiro, que lutava para desviar os olhos do ruivo. Não via problema em situações como essas, nem ele nem Mail, mas não havia como negar que a vergonha sempre era presente, além do mais, além da vergonha, havia o desejo.
Mail seguiu até a cama arrumada pelo loiro, onde o resto de seu uniforme estava sobre. Sorriu como sempre fazia perante os atos cuidadosos do loiro e suspirou calmamente. Jogou a toalha sobre a cama, pegou a camisa social e a colocou, não ligando muito caso amassasse, abotoou até o limite, com o colarinho levantado o incomodando um pouco. Pegou a gravata e antes de enrolá-la no pescoço, olhou para a mesma com tédio: Nunca acertava em dar o nó. Mihael rira com a cena e esperou, vendo se o ruivo conseguiria, já sabendo que teria que ajudá-lo. Mail tentara, mas sua paciência se esgotara com o pedaço longo e fino de tecido. Mihael riu mais alto e se levantou da cama, indo até o ruivo e afastando as mãos do mesmo da gravata. Mail, estático, permaneceu daquele jeito até o loiro, sem dificuldades, realizar o nó com perfeição, por mais que soubesse que até o fim do dia, o outro não estaria mais com a gravata que tanto o incomodava. Abaixou o colarinho e voltou os olhos para Mail que tinha a face enrubescida devido àquela proximidade presente entre eles; Centímetro era uma unidade de medida grande demais para classificá-la. Mihael também corou, mas não queria se afastar. A respiração quente do ruivo o arrepiava, e assim era com Mail em relação à do loiro. Era uma proximidade que eles mesmos, lutando contra isso, não conseguiam evitar.
Os olhos continuavam fixos um no outro, mas logo Mihael quis quebrar a tensão e deu um sorriso.
– Você sempre se esquece, huh? – riu baixo e o ruivo levantou os ombros, como se fosse um “sim”, com um sorriso nos lábios. O loiro se afastara, indo até a cama e sentando na mesma, esperando o ruivo que arqueou as sobrancelhas ao ver o cardigan de tom bege sobre a cama. Pegou-o e virou-se para o loiro.
– Como soube que eu iria usar-
– Eu o conheço há 9 anos, Jeevas. – O outro interrompeu, sorrindo. – Não estranho adivinhar tão facilmente suas preferências.
–... Por isso eu digo que você é incrível, loiro. – O outro, um pouco corado, embora sorridente, disse enquanto colocava o cardigan sem desfazer seus botões, fazendo o outro abrir um sorriso e deixar que as maçãs do rosto se avermelhassem.
– É mais do que minha obrigação como melhor amigo. – Se levantou, pegando os goggles do ruivo no criado mudo e colocando sobre a cabeça do garoto com cuidado, este riu envergonhado e nem se preocupou quanto os cabelos. Calçou o par de All Star – Afinal, nunca os trocaria por calçados sociais e “respeitáveis” ao ver da sociedade inglesa refinada daquele local. Tinha um pensamento rebelde, mas que não continha nem uma gota de hipocrisia. “Não tenho que fazer papel de um garoto fino e socialmente bem sucedido. Sou apenas um garoto, não um Lord” Mihael ria e concordava com o ruivo.
Mail era gentil com todos, assim como também esbanjava educação e inteligência. Apesar disso, não se submeteria a uma sociedade onde o dinheiro e sua posição social era o rei na era do absolutismo²; Para ele, o que menos importava era o dinheiro, afinal, sua verdadeira família era de classe média quase que baixa, os pais camponeses – apesar do pai ser de uma das famílias mais ricas da Itália – e ele fora feliz daquele jeito, sem mimos ou coisas caras. Simplicidade era uma das principais características no ruivo, e isso era uma das coisas que mais encantava Mihael.
Ajeitou a gravata e o cardigan, desceu o goggles para o pescoço e bagunçou os cabelos, logo voltando o acessório para onde o loiro pusera. Sorriu para Mihael e ajeitou uma mecha rebelde do cabelo liso e bem cuidado do loiro, o fazendo corar, mas ao mesmo tempo se sentir a vontade. Ambos pegaram a bolsa transversal onde guardavam os materiais mais importantes, Mail não se esquecendo de antes guardar o game boy em um dos bolsos.
– Super Melhor Amigo! – Abraçou o loiro pelos ombros, sorrindo. — Vamos. Aposto que Sra. Sachiko fez bolo de chocolate hoje, sinto o cheiro daqui! – Disse com os olhos brilhando, fazendo Mihael rir e constatar que, de fato, o cheiro entorpecente do doce espalhava-se pelo orfanato. Claro que Mihael, já preso em devaneios, achava aquela reação do ruivo quanto aos doces preparados pela senhora oriental extremamente adorável, mas quando voltara a si, Mail já lhe puxava como de costume pelo corredor, após fechar a porta e correr em direção à cozinha.
***
– Bom dia, Sachiko-senpai! – o ruivo sempre a chamara assim, desde que Raito lhe ensinara um pouco da língua japonesa. Prolongou o “o” do “Bom Dia”, causando o riso tanto no loiro como na mulher de cabelos um pouco grisalhos. Deu um beijo carinhoso na bochecha da senhora que via como uma mãe e se sentou à mesa, ao lado do loiro que sorrira para a mulher, dando o “Bom Dia” de forma calma.
– Bom dia, garotos. Pela felicidade, aposto que sentiu o cheiro do bolo, não é, Matt-kun? – Ela disse divertida, destampando o bolo de chocolate que expelia fumaça, indicando que havia saído há pouco tempo do forno, e que tinha uma aparência instigante à fome.
– É inevitável! O melhor bolo de chocolate de Winchester, não tem como esquecer o seu cheiro! – Falou rindo e Mihael concordara com a cabeça. De fato, nunca vira bolo tão saboroso quanto o da mulher que via também como uma mãe que nunca tivera de fato. A mulher se sentiu ainda mais lisonjeada. Sempre os garotos a elogiavam e agradeciam por tudo. Cortou duas grossas fatias, às colocando sobre os dois pires de porcelana cara e fina, bem feita, que se encontravam frente aos garotos. Estes agradeceram e pegaram o garfo sobre a mesa, mas, pelo fato destes estarem próximos e dos próprios garotos não saberem qual garfo pegariam, suas mãos se roçaram, melhor dizendo, a de Mihael ficara sobre a de Mail, fazendo um arrepio inevitável correr pela espinha dos dois e um rubor dominar suas faces. Com rapidez, pegaram os talheres, o coração com os batimentos mais acelerados possíveis. Sra. Sachiko segurou o riso. Desde que vira a forte amizade que os garotos nutriam um pelo outro sabia que aquilo não ficaria apenas naquele nível, e que o brilho nos olhos verdes e nos azuis não eram por mera coincidência. Pegou duas canecas também de porcelana e colocou perto destes, despejando o café quente em cada uma dessas e sendo agradecida novamente.
Os garotos tomaram seu café e fizeram questão de lavarem a louça utilizada, afinal, ao contrário de como a maioria naquele recinto via Sra. Sachiko, para os dois e os outros seis, mais algumas crianças que não eram arrogantes, não era uma “servente”, e sim uma mãe. Terminaram, despediram-se da mulher e decidiram por dar uma volta pelos arredores do orfanato, enquanto o horário que anunciava o início das aulas não soava, afinal, ainda era cedo para isso.
***
Passearam por um bom tempo, conversando sobre coisas aleatórias que os vinham à mente. Encontraram-se com a professora do jardim de infância, a japonesa de cabelos estranhamente roxos, mas que sempre tinha os traços joviais, Srta. Saori Kido, cuja reação fora se impressionar ao ver quão crescidos estavam os garotos que educou quando mal batiam em sua cintura. Pararam no jardim do internato, sentando-se no banco próximo às árvores que espalhavam suas folhas pelo gramado, com a ajuda do vento que soprava forte, e começaram a planejar as possíveis rodadas de vídeo-game que jogariam ao acabarem as aulas do dia. Quando se deram conta, o alto sinal que era possível ouvir de fora do orfanato soou, avisando que faltavam 20 minutos até o sinal definitivo. Entraram na mansão, rumando ao amplo andar das salas de aula, onde também ficavam os armários. No caminho, toparam com alguém que Mail não gostara nem um pouco de ver.
– Bom Dia, Mello. – A garota loira, magra de cabelos lisos e pequenos olhos azuis, cheios de maquiagem, sorrira com os lábios pintados de vermelho sangue para o outro loiro. Fez questão de se inclinar, deixando a saia curta que trajava ainda menor. Como é vulgar... Pensou o ruivo, tentando evitar olhar nos olhos daquela que sempre parecia lhe jogar uma praga com os pequenos e perfuradores orbes azuis. Não fazia questão de ser simpático com ela; Ela não o tratava com educação, por que fazer papel de ridículo?
– Bom Dia, Halle. – O loiro respondeu sério. A outra fez uma expressão de desdém voltada para Mail, que revidou apenas com os olhos. Sua face estava vermelha; A presença daquela garota o irritava a ponto de destruir seu dia com um simples “Olá” direcionado ao loiro. Ciúmes? Era mais do que obvio a resposta.
Mihael não nutria simpatia pela garota, assim como Mail. Seu motivo? O fato de ela tratar o ruivo com tanto desprezo. Claro que isso envolvia a queda que a loira sentia pelo loiro que nunca deu tanta atenção a alguém como à Mail e também as posições sociais e condições familiares, afinal, Halle Bullock ainda tinha aos pais, apenas ficava no orfanato enquanto os mesmos viajavam pelo mundo, mas o loiro não admitia nem mesmo olhares como os da loira para o ruivo. Ela não sabia o quanto Mail sofrera para o olhar com tais olhos; Ninguém podia o julgar, e caso o fizessem, Mello não desfaria sua promessa nem que lhe custasse à vida; Não mediria nem palavras, muito menos atos, e não se importaria em fechar os cinco dedos de uma das mãos e acertar em cheio a face de algum patético ser.
Mail, que até ver a loira não tirava o belo sorriso do rosto, ficou quieto, em silêncio, e com receio de algo que já fazia ideia o que seria. Caminhou mais um pouco e chegou próximo aos armários. Mihael quebrou o silêncio que o incomodava.
– Matt, vou comprar um chocolate lá em baixo, volto logo, sim? – Falou, não perdendo a gentileza em sua voz.
– Certo, eu te espero aqui. – O outro, com toda sua raiva e angustia, tornou gentil a sua voz e forçou um sorriso que não fazia questão de sair. Não podia descontar seu ciúme em Mihael, afinal, pelo que sabia, era Halle que o amava, e não o contrário. Sentiu uma fisgada no peito, com medo de novamente se ferir. Parecia que nada dava certo para Mail, era incrível a sua falta de sorte.
Minha avó devia ter judiado mais de mim, quem sabe eu não estaria atrapalhando a vida de quem menos quero... Pensou ao que Mihael se afastava com pressa. Alguns minutos depois, sentiu um forte empurrão contra si, o jogando contra o armário de ferro, dolorido. Subiu os olhos, se deparando com grupo dos “valentões” do internato, que protegiam Halle e as amigas, mas faziam de tudo para infernizar a vida do ruivo.
– Oi, ruivinho babaca. – O maior e mais forte, Ethan, moreno de olhos verdes escuros e cabelos castanhos claros puxou os goggles de Mail, os soltando na direção dos olhos do ruivo, o machucando. Não pode se defender, afinal, Jason e William seguravam suas mãos com força, com a intenção de machucá-lo. Ethan deu uma gargalhada e puxou Mail pela camisa, aproximando seus rostos e tirando o ar do ruivo. – Quem pensa que é para olhar para Halle daquela forma, hein? – Intimidou, mas Mail já se acostumara tanto com as ameaças do grupo que mal ligava se o batiam. Faziam isso às escondidas, Mail particularmente até achava melhor; Não gostava de chamar atenção.
– Um ser humano racional que sabe muito bem do demônio por trás daqueles olhos que ela joga com tanto ódio sobre mim. – Falou rouco pela falta de ar e foi jogado novamente contra o armário, mas batera a cabeça e ficara um pouco tonto. Ethan aproveitou a oportunidade e fechara o punho, acertando em cheio a boca do garoto, que logo sentiu o forte e saboroso gosto de sangue.
– Você ainda vai apanhar tanto, moleque, que acho melhor já ir procurando alguém para uma possível transfusão de sangue que necessitara. – O outro apontou o dedo em riste para o ruivo, que indiferente, escondia os lábios que sangravam. Os garotos se afastaram e Mail suspirou. Até quando ficaria ali, no orfanato, na vida das pessoas? Devia esperar ou... Antecipar as coisas?
Não sabia a resposta, não havia uma.
Viu Mihael se aproximar, o mesmo tinha uma barra nas mãos e um pequeno pacote de balas que Mail adorava. Este por sua vez fingiu roer a unha; Não queria falar com Mihael sobre o fato de ter apanhado dos garotos. Nunca o contou e não seria agora que contaria; Não queria que ele se metesse em encrenca por sua culpa. Pegou o pacote e com dificuldade agradeceu, acenando com a cabeça. Foram para a sala ampla, com fileiras longas de carteiras e logo ao fundo avistaram Raito, Lawliet, Beyond e Near, que estava sentado em sua carteira enquanto empilhava algumas borrachas, cujos donos eram tanto ele quanto Beyond. Caminharam até suas mesas, jogando as bolsas em suas respectivas carteiras – Ambos permaneciam sendo os últimos da fileira, o loiro a frente do ruivo — e Mail, ainda tampando a boca, apenas acenou com a mão. Enquanto Mihael conversava com Raito e Lawliet, o irmão gêmeo do moreno o puxou pelo braço, para o canto da parede, o olhar flamejante.
– O que aqueles desgraçados te disseram? – Sussurrou, mas sua voz era irritada.
– O-O que? – Mail estremeceu. Não queria que soubessem das coisas que lhe aconteciam e Beyond, que era superprotetor, era o que mais temia; O moreno também não mediria atos para defender o ruivo que via como mais um irmão.
– Tire a mão da boca e não precisa ficar com medo, sei que não é sua culpa.
Mail, um pouco receoso, tirara a mão que tampava os lábios rosados, agora vermelhos pelo sangue, que descia pelo canto machucado, formando um filete – Afinal, Ethan era extremamente forte. O moreno fez um gesto com a mão para que ele esperasse e caminhou até Near, pedindo algo a ele. Logo depois de pegar tal objeto, voltara com um pequeno pedaço de lenço nas mãos. Sorriu de forma desolada.
– Near sempre leva isso com ele; Ele tem a mania de ficar mordendo o lábio inferior e sempre acaba o machucando. – Disse com um visível sorriso bobo nos lábios ao falar do garoto, o que fez Matt rir. Entregou o lenço a ele e logo já não havia o sangue visível. Matt abaixou a cabeça, decepcionado.
– Me desculpe, Beyond. Eu...
– Não tem que se desculpar, Matt. Eu só quero que me conte o que está acontecendo.
Mail suspirou e contou do ódio que o grupo nutria por ele ser tão próximo ao loiro. A cada palavra, a vontade do moreno de sair daquela sala e acertar cada um daqueles que machucaram seu irmão, mesmo que não fosse de sangue, era maior. Respirou fundo.
– O pior de tudo é que isso é só o começo... – Mail finalizou, de forma triste. Beyond o encarou confuso, mas logo entendera e arregalou os olhos.
– Você sabe que eu não vejo problema algum em acabar com aqueles riquinhos metidos, não? – Perguntou, daquela forma que ele tinha de proteger os outros. Mail riu, acenando positivamente a cabeça. – Pois bem, se algo acontecer com você, eu não deixo um fio de cabelo deles sobrando. Nem eu, nem Mihael... – Lançou um olhar malicioso ao ruivo que corou fortemente, mas não conteve o riso. Empurrou o moreno, mas logo o puxou pelo ombro, num abraço.
– Obrigado, Seu psicopata. – riu, assim como o outro.
– De nada, maninho. – disse calmo e bagunçou os fios do ruivo, se levantando e pegando mais uma borracha de seu estojo. Todos do grupo sentavam-se próximos um do outro, Beyond ao lado de Mail, Near frente ao moreno, Lawliet e Raito frente às carteiras do albino e do loiro, respectivamente. Foi até a carteira de Near e colocou a borracha que pegara com calma sobre a “torre” que fazia o outro, que corou de leve, embora um sorriso pequeno brotasse em seus lábios carnudos. Beyond retribui, logo o sinal tocara e ele fora para seu lugar, lançando um olhar confiante a Mail, que sorriu em resposta, já sentado em sua carteira, escondendo o lenço manchado de vermelho entre um dos bolsos da bolsa transversal. Não demorou muito para o professor Tyler, de história, adentrar a sala com seu semblante carismático, iniciando mais uma confortável e produtiva aula de sua matéria, cujo efeito era prender a atenção de Mail com intensidade, mas este, em hipótese alguma, afastava as mãos dos fios loiros; O dono destes muito menos queria tais mãos longes de seu cabelo, tal garoto longe de si.
¹ Logo no início do capítulo VI, Matt acorda Mello desse mesmo jeito.
² Na era do absolutismo, o rei era o centro de tudo; No caso, o dinheiro era o rei do absolutismo.
Notas finais
Me desculpem, me desculpem! Mas terão que preparar seus coraçõezinhos que protegem tanto o ruivo... Tem coisa pior por vir...
Desculpem, sou sádica e, como podem ver nas classificações de tema da fic, há um ali que me interesso muito e é minha área favorita na escrita e leitura, teehee.
Ah, sim: AMEM O BEYOND E, POR FAVOR, NÃO PRECISAM PARAR DE ODIAR O NEAR, MAS DIVIDAM UM POUCO DESSE ÓDIO COM A... DESGRAÇADA DA HALLE!
Hai, hai. As notas já estão tão insanas quanto o capítulo -q
Novamente, espero que tenham gostado. O próximo capítulo não demora.
AAH SIM. Chibis, tem algo que gostariam de ver na fic? Por exemplo, a Kei-chan me disse sobre o fato do Matt fumar; Há outra coisa que querem saber? Caso sim, me digam nas reviews, hai? ^W^ Me ajudara bastante.
Oyasumi e obrigada novamente pela motivação ♥
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