You've got the Sunrise
30 Epílogo - Mia
Notas iniciais
Alex estava mais emburrado do que nunca, os lábios contraídos e o nariz franzido.
– Você não precisava vir. — falei.
Ele deu um resmungo em resposta.
– Você poderia ter ido treinar, eu não me importaria.
Ele emitiu mais um resmungo, dessa vez mais padecido com um grunhido.
– Alex, se você quisesse poderia ter ficado treinando.
Ele resmungou novamente. A essa altura, eu já estava mais do que frustrada.
– Vou voltar pra casa. — falei, largando sua mão e tomando a direção do carro.
Ele me puxou de volta com o mínimo esforço.
– Nem pense nisso. — falou ele, raivoso.
– Não quero assistir o filme com você bravo do meu lado. — reclamei.
– Eu não estou bravo! — levantei uma sobrancelha para ele. — eu não estou!
– Não parece.
Ele suspirou.
– Um pouco frustrado. — ele reclamou.
– Se você quisesse ficar... — comecei.
– Você realmente acha que prefiro ficar com um bando de homens suados jogando basquete?
Eu sorri.
– Posso apostar que não. — falei. — apesar, de eu ainda não saber o porquê de você estar tão frustrado.
– Sinceridade? — ele indagou.
– Absoluta.
– Esse é o namoro mais longo que eu tive em minha vida, e não quero acabar com ele jamais, mas...
– Mas?
– Você sabe que eu odeio filmes antigos, eu não quero ver isso, na verdade, se eu tivesse a oportunidade de estudar física a ver esse filme, eu escolheria a física.
Eu sorri.
– Se você está aqui simplesmente porque EU quero ver o filme, você pode voltar para casa ou dar uma volta até que o filme tenha acabado...
– Eu não posso fazer isso.
Levantei uma sobrancelha para ele.
– Você está com medo de que algum idiota olhe para mim, não é?
Ele ficara envergonhado.
– Do jeito que você fala...
Passei meus dedos pelo seu cabelo e os desci até sua barba, detendo-os em sua bochecha, minhas unhas fazendo carinho em seu rosto.
– Você é ridículo. — falei com um sorriso.
Ele aconchegou a cabeça na minha mão.
– Eu quero ver o filme. — falei.
Ele deu um grunhido, frustrado.
– Você não precisa ver o filme, pode simplesmente ficar sentado do meu lado.
Ele sorriu e se aproximou, os lábios muito próximos ao meu ouvido direito.
– Eu não quero ficar só sentado. — falou ele, baixinho.
– Custaria você não ser tão...
Ele se erguera de forma abrupta, um sorriso no rosto e sua mão entrelaçada a minha. Seus olhos estavam fixos atrás da minha cabeça, baixei as mão de seu rosto e virei-me para onde ele olhava, meus pais passavam a alguns metros, um sorriso em cada um de seus rostos. Eles não haviam nos notado.
– Ainda tem medo do meu pai? — perguntei.
Ele sorriu.
– Apenas quando eu quero fazer alguma coisa errada e ele aparece por perto.
– O filme já vai começar. — falei.
Ele resmungou novamente.
– Sinceramente...
Eu o peguei pelas bochechas e o beijei, os fios da barba, que ele teimava em manter, arranharam minha pele e fizeram cócegas, suas mãos desceram pela minha cintura e apertaram. Ele se afastou com um sorriso nos lábios.
– Vamos logo assistir essa porcaria de filme. — resmungou ele, animado.
– Da próxima vez... — comecei, ele me interrompera com um beijo.
– ... Eu escolho. — terminou ele.
Andamos em silêncio até o centro do parque, todos já estavam sentados em suas toalhas ou lençóis de piquenique. Alex me guiou para uma área mais longe da tela, consequentemente, mais longe possível dos meus pais.
Ele arrumou a toalha xadrez na grama, sentando logo em seguida e me puxando junto. sentei tão próxima a Alex que poderia sentir as batidas do seu coração se ouvisse atentamente.
Meus dedos encontraram os seus e se entrelaçaram, seu polegar afagando as costas da minha mão.
* * *
Olhava atentamente para o filme, quando Alex encostou os lábios tão próximos ao meu ouvido que calafrios desceram por toda a minha coluna.
– Não olhe agora, mas sua irmã está olhando para a gente. — resmungou ele, um sorriso digno do gato de Cheshire em sua face.
Movi meus olhos da tela, a alguns metros de distância o rosto de cabelos ruivos, que tão bem conhecia, olhava para mim com um sorriso. Cole parecia concentrado demais no filme para notar sua movimentação.
Emma pegou o telefone e começou a digitar, o meu toca segundos mais tarde.
"Não querem vir para mais perto?"
Ergui minha cabeça para ela, Emma pedia com os olhos.
Alex tomara o telefone da minha mão e começara a digitar, um sorriso travesso no rosto. Peguei o telefone da sua mão, e olhei o que havia escrito: "quer mesmo ter um casal tão emocionante como eu e Mia ao seu lado?".
– Não se preocupe, todas as palavras estão carregadas de ironia. — falou Alex com um sorriso.
– Eu te odeio. — falei.
Ele pegou meu rosto com as duas mãos, apertando-os para que meus lábios ficassem como se estivesse fazendo biquinho. Alex beijou cada milímetro da minha boca, ao final, um sorriso vencedor nos lábios levemente manchados de batom.
– Continuo te odiando. — falei.
Ele sorriu.
– Eu tirei todo o seu batom, posso fazer muito mais que isso — levantei uma sobrancelha para ele. — é claro, apenas com sua permissão.
O telefone tocara novamente:
"Emma: vcs poderiam vir?
Emma: pq Alex está apertando suas bochechas?
Emma: PAREM DE SE BEIJAR!
Emma: EU ACABEI DE VER UMA LINGUA?
Emma: PAREM AGORA!
Emma: Mia, me responda!"
Levantei meus olhos para ela, seu nariz estava enrugado e seus lábios retos como uma linha.
"Nós podemos." — respondi.
Alex, que espiava por cima do meu ombro, torcera o nariz tanto quando Emma.
– Nesse momento, eu te odeio. — ele resmungou.
Um sorriso brotou nos meus lábios.
– Não seja tão ranzinza. — reclamei enquanto me levantava e ele me seguia. — afinal de contas, você está fazendo isso por amor.
– Eu não amo Emma. — ele reclamou, já pegando a toalha de piquenique.
– Você me ama. — eu sorri.
– Eu acabei de dizer o contrário disso.
– Você me ama.
Ele sorriu.
– Talvez.
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