You've got the Sunrise
25 Capítulo 25 - Emma
Notas iniciais
Eu estava em mais uma daquelas aulas de química insuportáveis. Eu tive a sorte de que Keith (por finalmente ser uma melhor amiga boa) resolveu não cabular aula hoje para evitar que eu tivesse que ficar em dupla com Cole. Se isso melhorou a aula?
Nem um pouco.
– Senhorita Geller? — a monitora do corredor chamou da porta da sala, me fazendo perceber a possibilidade de sair da aula.
– Eu. — levantei a mão. — Algo errado?
– Sim. Quer dizer, não. Por favor, me acompanhe. — ela parecia confusa.
Não fazia questão de continuar assistindo a aula do professor chato com pessoas chatas que não merecem minha atenção, minhas lágrimas ou qualquer um de meus sentimentos, nem mesmo o ódio, porque, se eu o odiasse, significaria que eu me importo com ele o suficiente para odiá-lo e eu não me importo com ele. Saí da sala do mesmo jeito que estava nela. Serena. Fechei a porta atrás de mim.
– Ok, o que está acontecendo? — cruzei os braços e perguntei à garota.
– Sua irmã desmaiou. — ela afirmou com muita naturalidade, como alguém que dá essa notícia todos os dias.
– Como? — perguntei, incrédula. — Como assim Mia desmaiou?
– Ela bateu a cabeça no mármore da área da piscina. Está na enfermaria.
Saí correndo na direção da enfermaria antes mesmo dela terminar a frase. Puta. Que. Pariu. Como Ethan deixou isso acontecer?
Entrei na enfermaria, Mia ainda inconsciente, apesar de estar aparentemente bem, sem nenhum corte. Ethan e Alex também estavam lá, em um estado pior do que o dela. Olhos roxos, marcas vermelhas de tapas no rosto, bolsas de gelo nos abdômens e costas... Mia estava inconsciente, mas eles estavam muito pior. E ainda havia aquele olhar de culpa nos dois.
– O que diabos aconteceu? — perguntei no meu tom mais autoritário para ninguém em especial.
Ambos ficaram mudos. Eu tinha que fazer algum dos dois falar. E esse seria Ethan, já que, se eu tentasse falar com Alex, acabaríamos na diretoria e ele mais quebrado do que já está. Provavelmente com um membro a menos. Vamos tocar o terror.
– Ethan. Ethan, Ethan, Ethan. -comecei a chamá-lo com uma voz melodiosa. Ele se encolheu na cadeira, tremendo. Cheguei bem perto dele e comecei a cochichar no seu ouvido. — O que aconteceu para Mia estar assim, meu querido quase irmão? — ele continuou mudo. — Você sabe que eu sei daquilo que você não quer que eu saiba, mas que eu sei e que posso mencionar pra tia Lily que eu sei que você fez naquele dia na piscina e sabe, por ela ser sua mãe, que vai ficar furiosa. — sorri para ele, que me olhava meio amedrontado, a cor sumindo de seu rosto. Sim, acho que sei chantagear as pessoas. — Comece a falar.
– Você não contaria pra minha mãe. — ele ameaçou.
– Ethan, depois de mais de dezesseis anos de convivência você ainda acha que eu não contaria para ela? Talvez eu deixe escapar propositalmente em um jantar em família.
Ele engoliu em seco. Sabia que eu contaria caso ele não me dissesse (com detalhes) o que aconteceu. Alex olhava para ele com uma cara de quem não gostava nem um pouco do que o outro falaria. Eu adorava isso.
– Está bem. — Ethan começou. — Hoje cedo, Mia estava muito estranha, mais calada do que o normal e eu a forcei a dizer o que tinha acontecido, vulgo o término com esse merda aqui. — ele apontou pro Alex. — Então quando chegamos na escola, eu vim atrás dele e começamos a brigar, então SEM QUERER — ele deu ênfase nas duas últimas palavras. — acabei batendo com o cotovelo nela e ela caiu no chão e bateu a cabeça no mármore.
Quando ele terminou de falar, sua expressão dizia algo como "por favor não me mate!". Eu iria matá-lo de qualquer jeito, algum dia, então esse é só mais um dos motivos da minha longa lista que vai desde assoprar minha vela no nosso aniversário de oito anos (sempre comemorávamos juntos, já que são só dois dias de diferença) até dizer a um dos amigos nerds dele que eu estava interessada aos doze anos e esse amigo ter ficado me perseguindo por quase um mês. Eu literalmente fiz uma lista. Está escondida dentro dos meus trabalhos da pré-escola e junto com minhas folhas cheias de corações com o nome Sra. Emma Efron escritos. Okay, voltando ao ponto, eu não vou matá-lo hoje. Não que ele precise saber disso.
Dei um sorriso que ele sabia que era falso. E esse era o objetivo. Cheguei perto do ouvido dele de novo.
– Ok, Ethan. Você tentou ser fofo e proteger Mia como sempre fez. Eu agradeço por isso, mas, das próximas vezes, acerte mais ele e menos ela, ok? Agora vá embora, que eu preciso trocar umas palavrinhas (ou agressões) com o outro cavalheiro.
Ele riu, como eu esperava que ele fizesse. Depois disso, pegou seu casaco e saiu da sala, não sem antes dar uma piscadinha pra mim. Então percebi algo: eu nunca conseguiria ficar com raiva de verdade dele, não importava a merda que ele fizesse.
Alex me olhava preocupado do outro lado da sala. Até que eu percebi que o olhar preocupado era para Mia, deitada na maca ao meu lado. Percebe-se que esse idiota a ama de verdade, mesmo sem saber demonstrar do jeito certo e sendo... idiota. Tossi e ele virou-se para mim, seu olhar agora aterrorizado.
– Relaxe, eu não vou te fazer chorar de novo.
Dei um sorriso que não deveria ser nada tranquilizador, ao mesmo tempo em que atravessava a sala e sentava do lado dele. Percebi que ele estava aterrorizado pelo que eu poderia falar e, provavelmente, pela simples ideia de que eu o iria ameaçar novamente. Mas eu tinha outros planos.
– Pode ir embora. — eu falei, secamente.
– O quê? — ele perguntou, obviamente não entendendo, considerando que eu passei quase cinco minutos chantageando Ethan.
Respirei fundo. Odeio pessoas lentas.
– Você vai me responder umas poucas perguntas e vai sair desta sala, entendido? — falei em tom de autoridade. Ele baixou a cabeça e apenas acenou com ela. — Ótimo. Você ama a minha irmã?
– Sim. — ele respondeu, simplesmente. — Achei que já tivesse deixado isso claro.
– Seu modo de expressar é um pouco diferente do modo de qualquer outra pessoa. Enfim, continuando. Porque foi brigar com Ethan?
– Ele estava se metendo na minha vida.
– Hm. Isso é desculpa para se descuidar e deixar que Mia se machuque?
– Não. — ele falou num tom seco.
– Ótimo. Muito obrigada por responder minhas perguntas. Foi de muita ajuda para a minha pesquisa.
– Pesquisa? — ele perguntou, uma sobrancelha arqueada.
– Ah, sim. Ela afirma que 99,99% dos garotos são imaturos, idiotas e/ou irresponsáveis. Agora saia, por favor. — sorri falsamente para ele, esperando que ele fosse embora logo. E ele foi.
Esperei mais uns 15 minutos até que Mia acordou. Expliquei para ela mais ou menos o que tinha acontecido e que provavelmente deveríamos falar com a mamãe pra examiná-la melhor e blá, blá, blá. Só sei que consegui uma autorização com o tio John pra voltarmos para casa cedo.
Eu estava levando Mia para o meu carro quando, de repente, aquela voz, a que eu menos queria ouvir nesse momento, foi escutada.
– Emma? — ele perguntou, ainda de longe e eu parei de andar. Mia também parou, mais porque estava se apoiando em mim do que por qualquer outra coisa.
Puta. Que. Pariu. Eu não podia ser azarada a esse ponto, podia? Acho que a resposta é sim, eu posso. Eu fiquei parada no meio do corredor vazio do meio da manhã, apenas ouvindo os passos dele correndo na minha direção.
– Emma? — ele perguntou, os lábios próximos da minha orelha direita, seu hálito de hortelã me deixando arrepiada na área sensível do pescoço. — Por favor, me perdoa?
Daquele jeito, com seus lábios tão próximos da minha pele que, ao menor movimento, a tocariam daquele jeito carinhoso de que sinto tanta falta, eu me senti muito tentada a perdoá-lo. Quer dizer, humanos erram, certo? E temos vergonha de muita coisa sobre nós porque temos medo da sociedade, certo? Eu podia ouvir sua respiração perfeitamente, podia senti-la no meu pescoço. E tinha que admitir: sentia falta dele. Sentia falta de saber que ele estaria lá por mim. Mas eu continuava ferida. Me virei para ele.
– Olha, Cole, você deveria ter me contado sobre aquilo.
– Eu sei. — ele respondeu. — Agora eu sei que devia ter te contado. Não entendo porque eu não te contei, porque tive vergonha de te contar. Ora, você é você e namorava com um cara como eu, então que mal faria um problema a mais ou a menos? Sério, eu fui um ridículo. Você me perdoa? — ele perguntou, olhando em meus olhos com aqueles olhos castanhos profundos e perfeitos. Eu derreteria a qualquer momento. Precisava sair dali.
– E-e-eu... eu não sei.
Me virei de costas pra ele e saí quase correndo pelo corredor com Mia. Não queria que ninguém visse as lágrimas que começavam a cair no meu rosto.
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