Notas iniciais
Então pessoal, eu só queria agradecer a vocês que chegaram até esse ponto, mesmo tendo que aguentar eu e minhas frescuras logo na descrição e... porque eu estou falando isso mesmo?
Valha.
Enfim, espero que gostem!
Beijos da Mabizinha

- Emma. Vamos. Você vai se atrasar.

Aquela voz tão conhecida me chamava docemente. Quase como se não existisse, apesar da mão mexendo meu ombro. Virei para o lado de novo.

- Vamos querida. Mia já acordou.

Grunhi, mas acabei abrindo os olhos, ainda relutante em acordar. A primeira coisa que vi foram os olhos azuis de meu pai e seus cabelos ruivos desgrenhados.

- Bom dia, pai.

- Bom dia. — ele sorriu.

- Sabe que não precisa mais vir me acordar na cama, né? Eu não tenho mais oito anos há muito tempo.

- Eu poderia gritar do seu lado e você ainda não acordaria. Exatamente igual a sua mãe. Só tem um jeito de acordar vocês duas. — ele sorriu de novo. — E despertador nem adianta. Agora vamos. Vai acabar se atrasando.

Meu pai saiu do quarto só depois que eu me levantei da cama. Uma mania chata dele. Mas não o culpo. Eu provavelmente cairia no sono de novo logo que ele saísse do quarto.

- Mia!! — gritei para Mia que ainda estava tomando banho desde que eu acordara.

- Que foi, criatura? — ela gritou de volta de dentro do banheiro.

- Termina logo essa merda desse banho, menina.

- Você vai ter que esperar, Emma. Eu ainda estou tomando banho, caso não tenha percebido.

- Apressa aí, então.

- Você não manda em mim. Eu sou a mais velha, lembra?

- 5 minutos, Mia. Isso não conta. Você não é mais velha de que eu.

- Segundo a certidão de nascimento, sou sim. — o som da água caindo finalmente parou. AMÉM!

- Tá certo. A lei te considera mais velha, mas eu não.

Logo quando eu estava criando esperanças de entrar no banheiro, a torneira ligou, o que significava que ela ia escovar os dentes e que eu ainda ia ter que esperar pelo menos 2 minutos para entrar no banheiro. Merda.

Bufei.

- Mia, eu vou entrar.

- Tá criatura. Só pare de me encher.

Abri a porta do banheiro encontrando Mia com um roupão e uma toalha escondendo seus cabelos ruivos como os meus e os de papai. Na boca, uma escova de dentes segura entre os lábios. Em cima da pia, seu inseparável óculos. Na minha opinião, a pior parte de ter uma irmã gêmea não é nem ser confundida com ela. Ela é tão linda quanto eu. A pior parte é ser comparada com ela. Somos, literalmente, dois opostos. Ela é do tipo nerd e eu sou do tipo popular. As semelhanças são só físicas porque, de resto, tudo muda.

Tirei esses pensamentos de minha cabeça e entrei logo no banho, se não acabaria me atrasando mais de que o que geralmente me atraso. Tomei o banho rapidamente, saindo do box para escovar os dentes, secar e arrumar meus cabelos e passar um pouco de maquiagem. Tudo isso em um tempo recorde de 20 minutos.

Saio pela porta do banheiro, ainda com o roupão e me dirijo logo ao meu armário. Escolho um vestido acinturado com decote alto e estampa de ziguezague rosa e branco. Por cima, uma jaqueta preta de couro e, nos pés, uma sandália preta estilo gladiador. Isso mais a bolsa bege que eu sempre levava e eu já estava quase pronta para chegar abalando na escola. Só faltava uma coisa.

Tomar café da manhã. Qualquer café da manhã é dispensável. Exceto o do meu pai. Cheguei na cozinha e comecei a comer as panquecas que ele havia feito junto com Mia, que já estava na mesa lesando quando eu cheguei. Do nada, minha mãe aparece pela porta.

- Bom dia! — ela diz esbaforida enquanto deixa uma pilha de anotações em cima da mesa próxima à entrada. Talvez ela não tivesse se tocado, mas ainda estava usando o jaleco. Ela se aproxima do papai e o beija. — Bom dia, Bobby.

- Bom dia. — ele respondeu com um olhar cansado, mas todos sabíamos que ele estava feliz por ela estar aqui. Papai é meio perdido sem a mamãe por perto e isso não é de hoje. Reza a lenda de que, na única vez que eles brigaram feio, ele acabou sendo preso por entrar numa briga de bar com o tio Scott. Não quero nem ter ideia do que diabos aconteceu pra eles se revoltarem tanto um com o outro. Também não quero nem saber como a tia Lily tava por causa disso.

Terminei logo de tomar o café e peguei minha bolsa, pegando as chaves do carro que eu dividia com Mia e me despedi de nossos pais. Mia chegara ao carro cerca de 20 segundos antes que eu e estava me esperando para entrar, a mochila jogada sobre um ombro. Destranco o carro e ela entra no banco do carona, murmurando um obrigado impaciente enquanto jogava a mochila no banco de trás.

Rumei em direção à escola, como sempre fazia.

●●●

Chegando na escola, fui logo recebida por Keith Hughes, que, apesar de tanta falsidade, é uma das pessoas mais próximas a mim. Ela me deu um abraço de bicha fresca, quase sem me tocar.

- Você está fabulosa hoje, Ems! — ela falou, sua voz nasalada me irritando como sempre.

- Obrigada! Você também está linda, Kei! — falei, mas, pelo menos, eu não estava sendo falsa como ela. Eu sou sincera. Ela realmente estava bonita com a calça jeans justa e regata estampada.

- Ai, obrigada! — ela começou a enrolar uma mecha do cabelo negro já ondulado.

Guardo minhas coisas em meu armário, infelizmente bem a tempo de ir para a aula de química com o professor mais ridículo da face da Terra.

Acabo chegando uns três ou quatro minutos atrasada ao laboratório e fiquei sem chance de escolha de quem seria minha dupla. Tive que sentar na primeira fileira com um nerd que eu não fazia ideia de quem era. Ele tinha cabelos escuros ondulados e olhos castanhos escuros e usava óculos sem armação. Vestia uma calça jeans e uma camisa com o nome "BAZINGA" por baixo do jaleco.

- Oi, Mia. Não sabia que você fazia essa aula. — ele falou, revelando o aparelho dental em sua boca com um sorriso lindo.

- Acho que você me confundiu. Sou Emma. A irmã da Mia. — estendi a mão para apertar a dele, mas ele simplesmente a ignorou.

- Ah, desculpe.

Ele se virou para a frente e ficou em silêncio, ouvindo o professor explicar que mistura teríamos que fazer. Não falaria nada para mim, mesmo quando estivéssemos fazendo o que quer que o professor estivesse pedindo para fazermos. E eu já estava ficando agoniada com todo o silêncio entre nós. Como uma pessoa falante e simpática, eu odiava o silêncio.

- Qual o seu nome? — perguntei para ele.

- Ahn? — ele resmungou, sem tirar os olhos do professor.

- Eu perguntei qual é o seu nome.

- Ah. Eu sou o Cole. — ele falou, ainda sem tirar os olhos do professor.

Percebi que essa conversa não ia dar em nada e acabei desistindo. Ele parecia ser um cara legal, mas tímido demais até para dizer mais do que seu nome. Eu bem queria entender essas pessoas tímidas. A aula se passou e, como eu suspeitava, ele não disse uma palavra para mim.

Notas finais
TCHAUUUUU