You've got the Sunrise
3 Capítulo 3 - Emma
Notas iniciais
– Emma! Emma! — escutei a voz de Alex me chamando e me virei logo de cara, procurando de onde ele vinha.
– O que foi, Al? — perguntei enquanto ele se aproximava de mim correndo pelo corredor vazio.
– Ah. Ainda bem que é você agora.
Ele me abraçou enquanto eu estranhava toda essa cena.
– Você está bêbado, Alex? Como assim sou eu agora? — abri meu armário.
– Eu encontrei sua irmã e achei que era você.
– Acontece muito.
– Enfim, eu acho que ela ficou com medo de mim.
Comecei a rir.
– Pera, pera. O quê?
– Eu tenho quase certeza de que sua irmã estava com medo de mim.
– Porquê? Ela geralmente é tão sociável. Quer dizer, não, mas ela nunca me disse que tinha medo de pessoas.
– Ela saiu correndo feito uma gazela.
– O que? Por favor, me diga que você tá mentindo.
– Não mesmo. Eu chamei ela, pensando que era você, acabei esbarrando nela, caímos, ela disse que era sua irmã e saiu correndo.
– Olha, eu vou logo lhe pedindo desculpas por ela. Ela é tímida, mas geralmente não é tão tímida assim.
– Er, eu queria que você pedisse desculpas para ela por mim. — ele falou passando as mãos pelo cabelo castanho claro.
– Claro. Eu peço sim. Não se preocupe.
– Muito obrigado, Emma. — ele me abraçou.
Ok, né. Eu não preciso nem dizer o quanto essa cena foi estranha. Peguei minha bolsa e as chaves do carro e fui para casa.
●●●
Mia tinha acabado de chegar em casa, uma minúscula manchinha de molho em sua boca me dando nos nervos.
– Mia. — chamei.
– Oi. — ela falou, virando-se para mim e deixando mais à mostra ainda o molho escorrendo do canto de sua boca.
– Meu pai do céu. Venha aqui, criatura. — puxei-a pelo braço até o banheiro do nosso quarto.
– O que foi, Ems? — ela perguntou enquanto eu a sentava no vaso, que, naturalmente, estava com a tampa abaixada.
– Só um minuto. — peguei uma folha de papel higiênico e passei com delicadeza no canto da boca dela. — Pronto.
– O que era? — ela perguntou, seus olhos azuis brilhando.
– Uma gota de molho. Você não usa guardanapo? Papai vai reclamar com você.
– Tudo isso por uma gota de molho do lado da minha boca?
– Sim.
– Porra, Emma. Pelo seu desespero, podia muito bem ser um escorpião ou uma viúva negra. — ela saiu do banheiro pisando firme.
– Hey, Mia. — falei, entrando no quarto logo atrás dela.
– O que foi agora? — ela perguntou, não sei se com mais raiva de mim ou dos all-stars surrados.
– O Al pediu pra eu te pedir desculpa por ele.
– Al? — ela me encarou confusa. — Quem é Al?
– Alex Taylor. Capitão do time de basquete.
Vi Mia ficar mais vermelha de que o cabelo. Talvez até mais de que os tênis.
– E-ele n-não q-quer m-me m-matar, n-né? — Mia começou a gaguejar.
Ri.
– Não mesmo. Isso não é do feitio dele.
Ouvi ela respirar fundo.
– Ufa. Pensei que ele quisesse me matar porque eu esbarrei nele.
– Mia, ele não te mataria. Ele pediu desculpas por ter te assustado.
– Ele não tem culpa de medir quase dois metros do lado de uma menina de 1,60.
Ri. Mia podia ser tímida, mas ela tinha um ótimo senso de humor.
– Não mesmo, baixinha.
– Ok, altona de 1,61.
– Porque mesmo você saiu correndo do Alex?
– Porque eu gritei com ele e achei que ele fosse me matar.
Levantei uma sobrancelha.
– Você gritou com Alex Taylor?
– Er, mais ou menos.
– O que você gritou?
– Eu consegui dizer que não era você, depois minha voz me traiu como sempre acontece quando estou nervosa.
– Ou seja, você começou a gaguejar.
– Exatamente.
– Mas porque você saiu correndo mesmo?
– Eu preciso mesmo repetir que estava com medo da criatura linda de dois metros de altura que podia me engolir se quisesse? Acho que já é pelo menos a terceira vez que você me pergunta isso em menos de três minutos. Você por acaso pegou o Alzheimer da vovó?
– Primeiramente, foram só duas vezes. Em segundo lugar, Alzheimer não se passa. Em terceiro lugar, isso foi proposital. Eu quero arrancar o verdadeiro motivo para você ter fugido. E você só vai sair daqui depois que eu estiver convencida. — falei ficando de pé e trancando a porta, só para depois esconder a chave. Sentei em minha cama de frente para ela, sentada em sua própria cama. Coloquei um óculos de grau antigo de Mia (ficando com dor de cabeça quase instantaneamente) e peguei uma prancheta rosa brilhante que estava jogada por ali. Mia bufou. — Agora me diga: porque saiu correndo do senhor Taylor, senhorita Geller?
– Ok, dona psicóloga. Talvez eu tenha fugido porque eu não queria conversar com ele. — fingi tomar nota, mas logo abaixei a caneta.
– Ou simplesmente porque não queria se arriscar em um terreno de amizades novo. — rebati e ela pareceu ofendida.
– Ou porque eu o ache um babaca musculoso de uniforme. — ela rebateu já deixando um pouco de impaciência transparecer.
– Ou porque tem uma admiração secreta por ele e não quer assumir.
Mia ficou mais vermelha do que um pimentão. E não era por vergonha.
– O que você disse, Emma? — ela perguntou, seu rosto cada vez mais vermelho. Porque eu fui dizer isso?
– Nada não. — falei, abaixando o rosto.
– Eu escutei alguma coisa sim. Vamos, Emma. Eu tenho certeza de que ouvi.
– Eu disse que talvez você tenha uma admiração secreta por ele.
– Assim como você tem pelo Cole? — ela perguntou, uma sobrancelha levantada.
– Por quem? — me fingi de desentendida, mas eu sabia quem era Cole. Era o garoto estranho com quem eu tinha dividido a bancada.
– Cole Black. Ele me disse que você parece ser legal. Detalhe que ele é tão anti-social que nem sei como ficamos amigos. Ou seja, se ele te achou legal, é um elogio enorme vindo dele.
– Tá certo. Mas de onde veio essa ideia de que eu gosto do Cole que eu nem sabia que existia até hoje cedo?
– Talvez do mesmo lugar que veio a ideia dessa sua cabeça de jerico que eu gosto do Alex.
– Hum, tá certo. — falei batendo os dedos na cômoda repetidamente.
– Quer parar? Já não basta você ter nos trancado aqui, ainda tem que irritar? — Mia reclamou.
– Merda. Esqueci de te soltar. — levantei e destranquei a porta, deixando Mia sair pra onde quer que ela fosse. — Vai com Deus.
Depois deitei novamente e voltei a pensar. Ser considerada legal era um grande elogio? Isso é o que veremos.
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