You've got the Sunrise
16 Capítulo 16. - Mia.
Notas iniciais
Alex e Ethan estavam lançando olhares raivosos um para o outro a cada 5 minutos.
Eu estava sentada entre os dois. Alex mantinha o braço em cima de meus ombros e Ethan mantinha a o braço em cima do meu, o usando como apoio. Keith parecia não gostar de estar recebendo tão pouca atenção.
Alex me puxou o suficiente para me dar um beijo no canto dos meus lábios.
– Você está linda. — ele sussurrou ao pé do meu ouvido.
Senti um arrepio percorrer a minha coluna.
– Eu diria para vocês procurarem uma cama se não tivesse consideração pela minha melhor amiga. — Ethan reclamou do meu outro lado.
Me virei para ele com uma sobrancelha erguida.
– Ridículo. — resmunguei.
– Yo sé lo que soy y tú? — ele falou no espanhol mais fajuto que pôde.
– Yo no hablo español. — falei com um sorriso.
Ele riu.
– Vocês podem parar de falar? — a voz irritante de Keith surgiu atrás de Ethan. — tem pessoas querendo ver o filme.
– Desculpa. — resmunguei me voltando para a tela.
– Puta. — ouvi Ethan e Alex resmungarem ao mesmo tempo.
Alex me puxou para mais perto de si. Minha cabeça deitando em seu ombro e ele acariciando com as pontas dos dedos o meu ombro.
– O que acha de ir comer alguma coisa quando o filme acabar? — ele perguntei.
– Só nós dois? — perguntei.
– Essa era a ideia.
Senti um puxão forte no meu braço e me deparava do lado de Ethan.
– Sweet, está gostando do filme? — ele perguntou enquanto lançava um olhar nada amigável para Alex.
– Eu... — comecei a responder, mas Alex tomou a palavra.
– Como ela não poderia tendo uma companhia como eu?
– Eu perguntei sobre o filme e não sobre suas más companhias.
– Ethan! — falei em tom de advertência.
– É melhor ser uma má companhia do que um grande invejoso, não acha?
– Alex! — falei.
– E de quem eu sentiria inveja? Minha vida é ótima! — Ethan falou irritado.
– Talvez do cara que está namorando a garota que você é apaixonado. — Alex revidou.
– Eu não sou apaixonado por ninguém!
– Ninguém? Você acha que eu não percebo o jeito que você olha para Mia?
– Eu a olho como um amigo.
– Um amigo? — Alex riu.
– Ao menos eu não me aproveito dela! — Ethan parecia mais irritado do que nunca.
– Me aproveitar?
– Você acha que eu não vi você pegando na bunda dela ou nas coxas? Eu não sou cego!
– E eu não estou me aproveitando!
Eu me encolhi na cadeira acolchoada. Isso era ridículo.
– Não? — Ethan perguntou com voz hostil.
– Ela não se queixou! — Alex me lançou um olhar de canto como se estivesse me indagando.
– Porque ela não queria te deixar triste! — Ethan falou furioso.
Apertei a mão da cadeira.
Por que eles sempre tinham que brigar?
O brilho de uma lanterna chegou até a gente antes que pudéssemos responder. Um lanterninha do cinema estava na nossa frente, uma carranca de raiva no rosto.
Merda.
– Várias pessoas estão se queixando de barulho nessa área. Tenho que convocá-los a sair.
– Mas EU não fiz nada! — Keith falou com sua voz irritante.
– Você estava com eles? — o lanterninha perguntou.
– Sim, mas...
– Você também sai.
– Sinto muito, mas temo que seja um mal entendido... — Ethan começou.
– Um mal entendido? — o lanterninha levantou uma sobrancelha. — você estavam quase gritando!
– Foi apenas um acidente, não sabíamos que... — Alex começou.
– Eu terei que chamar os seguranças se vocês não saírem. — ele ameaçou.
Eu fui a primeira a me levantar. Já estava farta.
Desci as escadas do cinema sem nem ao menos olhar para trás. Só havia percebido o quanto de raiva eu estava quando cheguei ao último degrau.
Eu achava que minha cabeça ia explodir. Porque Alex tinha que ser tão estúpido? Porque Ethan também tinha que ser tão estúpido?
Saí andando pelos corredores do shopping sem nenhum destino específico. Já havia andado tanto por ele com Emma e Ethan que chegava a conhecer tudo como se tivesse é um mapa na palma da minha mão. Entrei na primeira livraria que vi, uma das minhas conhecidas por coincidência.
Marchei em direção a secção de romances.
Passei meus dedos pelas prateleiras procurando um livro qualquer. Maioria dos livros eram de John Green, não precisava de mais uma tristeza em minha vida.
Não demorou muito para eu sentir um puxão na manga da minha blusa.
Uma menininha de 7 anos me olhava com lindos olhos verdes, os cabelos loiros brilhando dourados sobre as luzes. Ela segurava um coelho de pelúcia em uma das mãos.
– Você pode me ajudar? — ela pediu com uma voz adorável e fina que me lembrava algo similar a sono.
Eu me abaixei e fiquei da altura dela. Amava crianças, era umas das poucas pessoas que eu podia falar com facilidade.
– O que foi? — perguntei em tom calmo.
– Você poderia me ajudar a pegar um livro? — ela pediu.
– Eu posso. — falei com um sorriso.
Ela deu um sorriso com alguns dentes faltando e segurou minha mão. Seus dedos eram bem fortes mesmo sendo tão pequenos. A garotinha me puxou pelos corredores repletos de livros e parou apenas quando chegamos a área de livros infantis.
– É aquele alí! — o pequeno indicador apontou para um livro amarelo com laranja na ultima prateleira da estante.
Estiquei meu braço o máximo que pude e fiquei na ponta dos pés... Meus dedos tocaram apenas na ponta do livro que não consegui puxar nem um centímetro para fora.
– Tudo bem? — a menininha perguntou.
– Sim. — resmunguei.
Me apoiei nas pontas das pontas dos meus pés, mas meus dedos tocaram apenas centímetros a mais.
– Você nunca vai conseguir desse jeito. — ouvi uma conhecida.
Me virei e dei de cara com Alex. Ele tinha as mãos nos bolsos do jeans e o casaco jogado em cima de um dos ombros.
– O que você quer dizer com isso? — perguntei áspera.
– Você é baixa de mais. — Alex se aproximou de mim e sorriu para a menina. — eu posso ajudar?
A menininha ficou vermelha, mas concordou.
– Então faça como quiser. — falei me afastando da estante. Como eu poderia ainda continuar com raiva?
Alex me puxou pelo braço com delicadeza e me pôs de frente ele.
– Eu falei que ia ajudar. — ele resmungou. — não vou fazer tudo sozinho.
Suas mãos apertaram minha cintura e ele me levantou como se eu fosse uma pluma. Alex me puxou para mais perto de si e me prendeu ao seu peito para manter o equilíbrio. Minha barriga ficou de frente para seu rosto, senti seu nariz batendo no meu umbigo.
Peguei o livro e Alex me botou no chão novamente.
Dei o livro para a garotinha e ela sorriu em resposta, saindo correndo em direção a um menino de cabelos castanhos e olhos verdes logo em seguida.
– Me desculpa. — Alex resmungou.
Virei meu rosto para ele.
– Pelo o quê? — perguntei.
Ele suspirou e passou os dedos pelo cabelo.
– Porque eu fui um idiota hoje.
– Você foi um grande idiota, mas você não foi o único. — falei.
– Eu deveria ter brigado com Ethan ou ter botado as mãos na sua bunda...
– Eu não ligo para o lance da bunda, apesar de não gostar nada, mas Ethan é meu amigo de infância e você sempre briga com ele.
– Eu tenho razão quanto a esse assunto.
– Tem? — levantei uma sobrancelha para ele.
Alex torceu o nariz em desprezo.
– Nós podemos conversar isso em outro lugar? — ele perguntou.
Algumas crianças olhavam para nós com curiosidade.
– Podemos? — ele perguntou novamente.
– Está bem. — falei por fim.
Alex ne pegou pela mão e me guiou pela livraria até uma secção isolada de livros de turismo e gastronomia. Não havia ninguém por perto.
– Qual seria sua grande razão? — perguntei.
– Por que você está chateada? — ele perguntou invés de responder.
– O que você acha? — minha voz saiu mais irônica do que gostaria. — você brigou, de novo, com meu melhor amigo e me fez ser expulsa no meio do filme! Por que você acha que eu estou chateada?
Ele cruzou os braços em frente ao peito.
– Você já se perguntou por que eu briguei? Ou porque eu estava o tempo todo grudado em você? Ou porque eu ficava sempre em contato?
Engoli em seco as perguntas.
– Eu estava com ciúmes, Mia! — ele estava me olhava no fundo dos olhos. Por que eu me sentia tão pequena? — Você conversava com Ethan a cada 5 segundos! Como eu poderia não sentir ciúmes ou querer brigar se MINHA namorada estava sempre dando atenção a outro cara?
Eu estava envergonhada. Havia realmente dado mais atenção a Ethan do que a Alex. Entendia como ele ficava triste com isso.
– Você deveria ter dito alguma coisa. — falei.
– Eu deveria, mas preferi ficar quieto e tentar chamar sua atenção de outra forma. Cheguei a pensar que estivesse chato ficar perto de mim.
– Pegar na minha bunda não foi um bom jeito. — reclamei.
Ele suspirou e andou até mim. Sua mão levantando meu rosto.
– Acha que eu não sei? — ele perguntou.
Senti vontade de o abraçar nesse momento.
– Eu tenho mais culpa do que você. — resmunguei. — você é meu namorado, eu deveria prestar mais atenção em você. Aconteceriam muito menos idiotices desse jeito.
Ele sorriu.
– Eu sou um cabeça de bagre que só sabe brigar. — Alex reclamou com um sorriso.
– O MEU cabeça de bagre. — reclamei.
Ele se curvou e me beijou, primeiro no canto dos lábios logo depois eles por inteiro. Seus lábios tinham gosto de manteiga.
Alex separou nossos lábios com um sorriso.
– Por que não damos uma volta e procuramos Ethan e Keith? — ele perguntou enquanto pegava minha mão.
– Ou podemos dar uma volta só nós dois. — falei.
Alex sorriu e me deu um beijo na minha têmpora.
– Vai ser ótimo. — ele respondeu.
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