Notas iniciais
Oi gentxiii!!!! Hoje eu estou particularmente feliz. Esfreguei certas coisas na cara de uns amostrados frescos, então meu humor está ótimo! Enfim, espero que gostem desse capítulo. Tem algumas revelações especiais que vão importar bastante no curso da história e vai responder uma pergunta que algumas de vocês já fizeram... Beijos da Mabizinha ♡♥♡

Praticamente me joguei no banco do motorista, já puta com quase todo mundo que importava naquela porra de pizzaria e me perguntando porque minha irmã fazia tanta merda. Esperei ela entrar no carro para começar a falar.

– Mia, você tá bêbada, por acaso? — perguntei, ligando o carro.

– Estou muito bem, na verdade, Emma. Obrigada por se preocupar. — ela respondeu, seu tom de voz mais tranquilo do que eu jamais havia visto.

– Mia, por acaso você já tinha batido em alguém? — perguntei.

– Sim. Minha versão encapetada de dez anos atrás te batia todo dia.

Bufei. Ela não estava fazendo isso. Me recuso a acreditar.

– Por acaso você já bateu algum cara?

– Minha versão encapetada de 10 anos atrás batia em Ethan. Isso conta? — ela tinha uma sobrancelha arqueada e eu já estava perdendo a paciência com a Mia cheia de atitude, mesmo que ela só tivesse aparecido menos de três minutos atrás.

– Não. Nada do que aconteceu 10 anos atrás conta.

– Ah, então, não. — ela falou, claramente meio desapontada, mas ainda tranquila.

– Mia, porque você bateu no Alex, mesmo?

– Ele me pediu. — ela respondeu, simplesmente.

– Ele pediu com ações ou com palavras?

– Palavras.

– Ele te machucou de algum jeito e você bateu nele pra descontar a raiva?

– Não. Ele me pediu pra dar um tapa na cara dele e eu dei.

COMO ASSIM ALEX PEDIU PRA MIA BATER NELE?

E PORQUE MIA TÁ TÃO CONFIANTE AGORA?

ELA VAI VIRAR UMA PSICOPATA E ME MATAR NO MEIO DA NOITE?

– Miazinha do meu coração, porque Alex Taylor pediu que você batesse na cara dele? — perguntei, achando paciência e oxigênio de onde não havia.

– Ele falou alguma coisa sobre precisar de uma lição porque ele só olhou pra minha bunda quando eu cheguei no restaurante.

Foi aí que meu queixo caiu.

Alex Taylor, o maior pegador do colégio, estava pedindo desculpas a uma garota porque ele estava olhando pra bunda dela? Não creio. Eu não achava que podia ser verdade. O Alex que eu conheço não faria isso.

– Mia, admita. Ele tentou pegar na sua bunda e você deu um tapa nele, mas prometeu deixar pra outro dia, né safada? Olhe que eu tô ligada nos seus esquemas.

Mia parecia mais vermelha do que um pimentão.

– Emmazinha do meu coração, olhe nos meus olhos e diga: por algum acaso eu faria isso? — ela falou, seu tom de voz sério como eu nunca o ouvira.

– Não. Só queria ter certeza de que você estava falando a verdade, por mais estranha que ela seja.

– Porque estranha, Emma?

– Porque o Alex Taylor que eu conheço jamais (JAMAIS!) pediria desculpas a uma menina por ter olhado pra bunda dela.

– O Alex não parece tanto ser do tipo que só olha pros seus peitos e bunda como eu pensava.

– Mia, você está se escutando? — perguntei, entrando na garagem de casa. — Você acabou de dizer que ele admitiu que tava olhando pra sua bunda.

– Sim. Mas ele pediu desculpas e eu acho que, se alguém quebrar a camada de arrogância do lado de fora, vai aparecer um cara sensível. Talvez eu deva fazer isso. Quebrar a camada de arrogância de Alex e mostrar ao mundo um cara sensível que está escondido lá.

Virei a cabeça para Mia, levantando uma sobrancelha, ainda perplexa que ela tivesse dito tudo isso. Colocaram alguma droga no refrigerante dela. Tô dizendo.

– Claro que isso acontece ao mesmo tempo em que porcos voarem. — ela acrescentou, enquanto saíamos do carro.

Tentei rir da fala dela, de verdade, mas não consegui. No fundo, tudo o que ela disse era verdade pra ela e isso me assustava e me impedia de achar graça de seu raro sarcasmo. Ela ia entrar em casa, mas eu a puxei pelo braço.

– Mia, independentemente do que você pretenda com Alex, tome cuidado, por favor. Eu sou amiga dele a tempo o suficiente pra perder a conta de quantos corações ele já partiu, estraçalhou e depois dançou samba em cima, além das aulas de rumba e capoeira. — ambas rimos, mas eu continuei. — Sério. Brincadeiras à parte, ele pode destruir seu coração de verdade. E eu não quero isso pra você.

– Você fala como se tivesse certeza do que vai acontecer e do que eu vou sentir se isso acontecer. — ela passou a mão pelo queixo. — Me diga, Emma: como você sabe disso?

Meu coração quis parar por três segundos, mas logo voltou ao normal.

– Eu sempre vejo as meninas chorando e depressivas pelos corredores. Coincidentemente, todas as que eu encontro chorando estavam com ele no máximo 24 horas antes. E eu gosto de ajudá-las. — sorri para Mia, enquanto entrava em casa. Nem papai nem mamãe estavam.

– Você gostava de ajudá-las porque as compreendia. — Mia deduziu.

– Sim. — falei meio sem pensar, mas não deixava de ser verdade. Nesse momento, eu só queria retirar o que eu tinha acabado de dizer.

– Então, você já ficou com o Alex? — ela cruzou os braços.

– Não, não. — tentei retirar o que tinha dito, mas a merda já estava feita. Só me restava subir as escadas e me enfiar num buraco dentro do quarto, ou seja, deitar na cama. — Só conheço muitas meninas.

Mia chegou e se encostou na porta, seus braços cruzados logo abaixo dos seios.

– Emma, eu sei quando você mente. E você definitivamente está mentindo. Eu pensei que não tínhamos segredos.

– E não temos. Isso é só uma parte desastrosa da minha vida amorosa que eu prefiro esquecer.

– Então você realmente ficou com o Alex? — ela perguntou, sentando do meu lado na cama.

– Foi meu primeiro namoradinho. E eu fui a primeira dele. Ou seja, fui a primeira a ficar com o coração partido por causa de Alex Taylor, o que quer dizer que eu provavelmente fui a mais desapontada.

– Nossa. Quando foi isso?

– Eu acho que eu tinha uns 11 anos.

Sua boca se formou em um "O" perfeito. Claro que Mia não esperava por isso.

– Mas eu já superei. Muito tempo atrás.

– Agora já está atrás de outro, claro. — Mia sorriu, maliciosa. Eu, que ainda estava deitada, soergui meu corpo.

– O que você quer dizer, Mia?

– Emma, todo mundo sabe que você tem um pequeno abismo por Cole Black. E, se não achavam, depois da cena de hoje vão achar. Ninguém nunca viu você defendendo ninguém (fora eu) daquele jeito. Defendendo por ser quem é e por você gostar do jeito que é.

– Eu não fiz diferente do que faria se estivessem falando mal de você ou do Ethan, que, mesmo não sendo tão próxima dele quanto você, eu conheço a vida toda e nunca deixaria falarem mal dele.

– E a Keith? — Mia perguntou levantando uma sobrancelha.

– Eu ia ajudar a falar mal. — ri.

– Emma, assume logo que você gosta do Cole. Bora, criatura. Tô esperando.

– Não é que eu goste dele. É que ele seja meu desafio pessoal.

– E você é o dele. Tenho certeza.

Encarei minha irmã, meio perturbada com a ideia de ser um objetivo para ele.

Exatamente como ele era um para mim. Ironia, eu te odeio!

– Como você sabe disso, Mia?

– Ele já me pediu em namoro, uma vez.

O QUE? MIA JÁ QUASE TEVE UM NAMORADO E NÃO ME CONTOU? Sinta-se levando bofetes, Mia!

– Como assim você já quase teve um namorado e não me contou?

– Assim como você, eu prefiro esconder certas partes da sua vida amorosa. Enfim, ele disse que gostava de mim e que queria namorar comigo e eu disse que não porque gostava do Ethan.

– Sempre suspeitei. — cortei-a com um sorriso satisfeito.

– Era mentira. — ela rebateu. — Ele sempre foi meu melhor amigo. É difícil imaginar de outro jeito. Continuando, ele disse que eu era o objetivo pessoal dele e que ele ia conseguir me conquistar. Eu sei como ele fica quando quer muito algo. E ele definitivamente quer você.

– E quando foi isso, dona Amélia? — perguntei, as mãos posicionadas autoritariamente nos quadris.

– Acho que quando eu tinha uns 13 anos.

– Três anos atrás. Ninguém é tão estúpido de tentar um objetivo impossível por tanto tempo.

– Eu sei. Eu só peço pra que você seja legal com ele, caso qualquer coisa aconteça.

– Eu vou ser, Mia. Prometo. Agora, nada disso sai daqui. Combinado?

– Combinado. Está com fome? — ela perguntou, mudando de assunto rapidamente.

– Na verdade não. — falei, apesar de não ser verdade. Eu sabia que ela ia sair e eu, não sei porque, queria ficar sozinha.

– Ok. Se quiser me encontrar, vou estar na cozinha. Ou na sala. Ou no banheiro. Ou usando o computador. Ou...

– Entendi. — cortei-a. — Vá comer.

Ela saiu do quarto e fechou a porta. Pus os fones de ouvido e coloquei música no celular. Fiquei ouvindo até que, do nada, uma ideia se plantou em minha mente. E não queria mais sair. Eu me recusava a acreditar que era verdade. Não, não, não. Não podia ser. Era assim por minha causa, pela minha personalidade, por quem eu sou como pessoa. Não tem nada a ver com minha irmã. No entanto, porque isso não sai da minha cabeça? Deus queira que seja só minha mente me pregando uma peça muito boa, porque, se não, alguém ia levar uns tapas bem merecidos.

Cole não podia estar atrás de mim só por causa da Mia.

Notas finais
ADIÓS, MUCHACHAS!